sábado, 4 de abril de 2020

O coronavírus não é tão preciso quanto o Carrossel de Logan's Run é mais como o episódio Um Gosto de Armagedom de Jornada nas Estrelas


Nesses dias de Coronavírus, tenho lembrado muito de Logan's Run.  Para quem não conhece, trata-se de um clássico da ficção científica de 1967, escrito por autoria de William F. Nolan e George Clayton Johnson.. Século XXIII, um mundo perfeito, cheio de tecnologia e prazeres. Só que há um preço, para que seja mantido o equilíbrio dos recursos naturais, todos que atingem a idade de 21 anos, devem ser mortos. O filme de 1976, altera para 30 anos a idade limite, algo mais razoável, eu diria, além de fazer outras mudanças, também. O Logan do título faz parte da força policial que caça aqueles que se revoltam e não aceitam que devem morrer, mas eis que ele atinge a idade limite e decide se revoltar, também.

Cartaz do filme de 1976.
Eu assisti ao filme de 1976, estrelado pelo Michael York.  Lembro que era criança, bem menos de 10 anos, talvez, e deve ter sido um dos primeiros filmes de adulto que eu parei para ver.  O filme me assustou muito na época, especialmente, a máquina, o "carrossel", que era usado para eliminar os que tinham chegado à idade limite.  Há um episódio da série original de Jornada nas Estrelas chamado Um Gosto de Armagedom (A Taste of Armageddon), por acaso também de 1967, que tem uma premissa que se aproxima de Logan's Run de alguma forma.  

Controlando uma guerra que preserva a
 economia, mas sacrifica vidas.
Dois planetas estão em guerra por gerações, mas o dano econômico, o terror dos nossos neoliberais, foi eliminado, já que as batalhas são feitas por computadores.  Delícia, não é mesmo? Não se anime!  As perdas humanas são mantidas, porque, depois de cada batalha, cidadãos são selecionados para morrer.  Aparentemente, de forma aleatória, mas garanto que alguns dos gênios que saíram dos esgotos para defender o sacrifício dos velhos, teriam boas sugestões para aperfeiçoar esse sistema, não é mesmo?  

Uma mulher bonita entra na lista dos que
devem morrer e Kirk decide tomar providências, claro!
Assusta-me, também, essa tranquilidade com que alguns empresários (*não raro eles mesmos VELHOS*) e o presidente da república (*também, VELHO*) dizem com tranquilidade que o vírus só mata idosos e gente com problemas de saúde, defeituosa, portanto, e que é um peso para o sistema econômico.  O nome disso, crianças, é eugenia, e os mais lembrados por determinar quais segmentos da população deveriam morrer para o bem dos demais foram os nazistas.

O visual do filme de 1976.
Voltando para Logan's Run, há mais de um livro e, além do filme para o cinema, fizeram uma série de TV spin-off do filme exibida entre 1977 e 1978. Eu devo ter visto alguma cosia dela na TV Bandeirantes. Enfim, para alguns, o Coronavírus tem a mesma função do carrossel de Logan's Run, matar os velhos e se livrar desse peso para a previdência social e salvar a economia. Claro, já está provado que morrem jovens, também, em Logan's Run, eles eram mais precisos.  E, bem, para quem quiser, sugiro o Greg News dessa semana, o título é Velhofobia. E concordo com ele, tem uns velhinhos indispensáveis nos dias de hoje: Papa Chico, Suplicy, Chico Buarque, Rita Lee, Elza Soares etc. 


Só um esclarecimento, o tal "ubasute" (姥捨て), ou "obasute", hábito de abandonar IDOSAS (*porque não era velhos em geral, como o nome indica*) para morrer, não é algo que pode ter acontecido em alguns momentos, mas não era a regra, algo comum, um costume, como o vídeo diz, ainda que possa ter deixado suas marcas no folclore, na literatura, enfim.  Isso chega a aparecer no mangá  Ōoku (大奥), em um dos primeiros volumes, mas quem é abandonado é um homem velho, afinal, a função dos homens era procriar.  

Ameesha Patel é salva por Toby Stephens de ser queimada
na fogueira junto com o cadáver do marido em Mangal Pandey.  
Deve ser visto como o costume da viúva se imolar junto com o cadáver do marido na Índia, Sati ou suttee (सती).  Acontecia, não era prática comum, mas a coisa ganhou uma dimensão exagerada na cultura pop e graças aos relatos de missionários e estrangeiros europeus no país.  Por exemplo, não me importo de aparecer uma sati em Mangal Pandey, porque Ameesha Patel, que ia ser queimada, fica linda ao lado do lindo do Toby Stephens.  Falando sério agora, não, eu não estou dizendo que as práticas eram legais e deveriam ser preservadas pelo bem da cultura, mas que não eram coisa comum tipo "Vou ali abandonar minha avó na montanha e já volto para a gente jogar uma partida de go!".

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