sábado, 16 de julho de 2022

Comentando Persuasão (1995/BBC): Uma Adaptação de Jane Austen que merece ser assistida

Anteontem, reassisti as adaptações de Persuasão para a TV de 1995 e 2007.  Era uma espécie de preparação para o filme da Netflix que saiu no dia 15, a resenha está aqui.  Minha intenção era postar as resenhas das adaptações anteriores antes, mas não consegui.  E ainda tenho que assistir a série de BBC de 1971, tenho no HD faz anos.  Enfim, a versão de 1995 foi a primeira adaptação do último livro completo de Jane Austen que eu assisti e me fez admirar ainda mais o espetacular Ciarán Hinds, que interpreta o Capitão Wentworth.  Trata-se de uma produção requintada, produzida em um momento em que a BBC investiu pesadamente em Jane Austen, basta lembrar que a melhor adaptação de Orgulho & Preconceito é deste mesmo ano, assim como a versão para o cinema de Razão & Sensibilidade.  Um foi beneficiado por ter seis capítulos, o outro, por estar no cinema, mas Persuasão de 1995 é uma pequena joia que merece ser admirada.  Segue o resumo do ponto de partida da história:

Anne Elliot (Amanda Root) é uma jovem de vinte e sete anos e sua família passa por graves problemas financeiros, porque seu pai, Sir Walter Elliot (Corin Redgrave) e sua irmã mais velha, Elizabeth (Phoebe Nicholls), gastam demais.  Ambos ignoram os conselhos de Anne, mas precisam aceitar as orientações de Lady Russell (Susan Fleetwood), amiga próxima da família, e do advogado de Sir Walter, e se mudar para reduzir custos, alugando a propriedade onde moram.  Após grande resistência de Sir Walter, a propriedade é alugada para o Almirante Croft (John Woodvine) e sua esposa (Fiona Shaw).  

Mrs. Croft, como será logo descoberto, é irmã  de Frederick Wentworth (Ciarán Hinds), que ficou noivo de Anne em 1806, e cujo relacionamento foi rompido quando a adolescente foi persuadida por seus amigos e familiares, em especial, Lady Russell, de que ele, um homem sem fortuna e conexões, não era um marido adequado para ela. Sete anos depois, Anne e o agora rico capitão Wentworth se reencontram.  Ambos continuam solteiros e ela lamenta tê-lo rejeitado, enquanto o militar parece carregar dentro de si uma mágoa tão grande que o impedirá de perdoá-la e dar uma segunda chance ao seu amor.  Mais tarde, entra em cena o primo de Anne, herdeiro da propriedade e título de nobreza de seu pai, William Elliot (Samuel West) e que mostra por ela um interesse que pode precipitar as decisões do Capitão Wentworth.

Este filme tem somente cento e quatro minutos e consegue de forma eficaz apresentar o livro de Jane Austen, construindo as personagens de forma que seus dramas sejam compreensíveis para o público, sem esquecer de mostrar para a audiência o contexto da época, isto é, o fim das Guerras Napoleônicas com a derrota de Napoleão em 1814.  Então, antes mesmo de conhecermos os protagonistas, vemos a marinha que é um dos orgulhos da Inglaterra e era ainda mais importante na época.  Conhecemos, portanto, o Almirante Croft, antes de todos os demais, ainda que, caso não se tenha o livro, não saibamos quem é ele.

A seguir, vemos a dinâmica problemática em Kellynch Hall, residência dos Elliot. Um lugar pouco acolhedor, no qual a protagonista, Anne, não é valorizada e se sente sempre humilhada pelo pai e a irmã mais velha.  Todos fazem com que ela se recorde que ela nunca compartilhou da beleza e da elegância que o pai e sua filha mais velha acreditam ter.  Até Mrs. Clay (Felicity Dean), filha do advogado de Sir Walter e acompanhante de Elizabeth, é tratada com mais gentileza que Anne.  Com os cobradores de impostos na porta e os inquilinos observando a ruína da família, o alienado Sir Walter é conduzido a aceitar se mudar para um lugar menor e alugar sua residência.  Só assim, diz Lady Russell e o advogado, a família poderá sobreviver.  O nobre vaidoso despreza os marinheiros e não quer alugar a casa para o almirante, durante o processo de convencimento, Anne descobre que a esposa do almirante, Sofia, é irmã de Frederick Wentworth. Anne não vai com seu pai e irmã para Bath, ela precisa cuidar de sua irmã mais nova, Mary (Sophie Thompson), que é hipocondríaca.

Persuasão é o último romance completo de Jane Austen e foi publicado junto com a Abadia de Northanger no final de 1817, seis meses após sua morte. Trata-se de uma obra madura da autora e Anne Elliot acompanha esse tom, pois é senhora de um grande bom senso, inteligência, gentileza, além de uma dor muito grande, seja por recusar Wentworth, seja por ter perdido tão cedo a mãe, que era o esteio da família e quem mantinha a vaidade do pai sob algum controle.  O tom do livro não é lúgubre, ou algo assim, mas é denso e carregado daquilo que Austen sabia fazer melhor, excelentes diálogos. Esta produção consegue traduzir perfeitamente o espírito do livro para a tela, tratando com particular cuidado a sua protagonista, Anne Elliot.

Amanda Root interpreta uma Anne que é contida o tempo inteiro, ela é introvertida e aprendeu a ser uma sombra em sua própria casa.  O artigo da Wikipedia comenta que o diretor, Roger Michell, fez com que a atriz não usasse maquiagem e utilizou do recurso da iluminação para, ao longo da película, fazer com que Anne fosse ganhando certo encanto e beleza conforme sua esperança, ou gosto pela vida, fosse ressurgindo.  A atriz é a menos atraente fisicamente de todas as Anne Elliots das adaptações, mas o recurso funcionou muito bem.  A Anne de 1995 tem um figurino que acompanha a evolução da personagem, começa muito simples e sem graça e vai ganhando ares mais interessantes conforme a história avança.  

Em Uppercross, residência da família do marido (Simon Russell Beale) de Mary, os Musgrove, a jovem é acolhida e valorizada pelos parentes de sua irmã.  Louisa (Emma Roberts) e Henrietta (Victoria Hamilton), Mr. e Mrs. Musgrove (Roger Hammond e Judy Cornwell) e o próprio Charles, marido da irmã, a veem como uma pessoa gentil e confiável, alguém muito mais agradável do que sua irmã.  Mary, por outro lado, despreza a família do marido e se vê como sua superior.  Nunca fica muito claro o motivo pelo qual casou com Charles, mas Persuasão apresenta dois casais que são o verdadeiro oposto.  Enquanto o Almirante e Sofia Croft são adoráveis e gentis e demonstram amar-se genuinamente, Charles e Mary parecem se suportar e até se desprezar.  Esse tipo de casal, aliás, é mais comum do que o primeiro caso na obra de Austen. 


E temos uma sequência excelente na qual Anne ouve todos os membros da família com suas reclamações, sempre em silêncio, melhor não se meter.  O fato é que todos confiam em Anne, ou não se importam em usá-la como ouvido.  A história anda e logo o Capitão Wentworth está em Uppercross e fica amigo de toda a família, assim como o Almirante e sua esposa.  Um detalhe importante em qualquer adaptação é que não somente é necessário alterar coisas, resumir, inventar cenas para preencher lacunas, como, também, remanejar falas.  O que é dito no livro por uma personagem pode passar para outra em um filme, ou minissérie.   Coloquem lado a lado o original e as adaptações, em especial esta e a de 2007 e façam as comparações.

O que a cena do jantar mostra é como Sofia, a irmã de Wentworth, é uma esposa dedicada e que acompanha seu marido em tudo, mesmo nos momentos mais difíceis de sua vida no mar.  Sim, um comandante poderia levar a esposa consigo e várias das mulheres que deixaram relatos de viagem acompanhavam os marido no mar (Vide Maria Graham). Anne fica surpresa com a capacidade de Sofia de sair do espaço que era tradicionalmente reservado às mulheres e viajar pelo mundo.  Obviamente, ter um marido amoroso e gentil ajudou muito. Esta adaptação é a única que mesmo sendo tão curta dá espaço para o casal Croft e isso é um dos méritos do filme.

Na mesma sequência do jantar, a personalidade de Wentworth, ou, pelo menos, aquilo que ele deseja que o público conheça, é apresentada.  Ele não deseja mulheres em seu navio, suas falas beiram a misoginia, e é repreendido pela irmã e corre para dizer que "ela seria diferente", só para ser contrariado novamente por ela.  O fato é que ele se orgulha da carreira no mar, mas está disposto a ceder e se casar com qualquer mulher entre 15 e 30 anos que preencha os requisitos.  Ela deve ser o oposto da Anne que o desprezou.  E ele flerta com Henrietta e Louisa, sendo um homem jovem e rico, ele é um parceiro ideal para qualquer uma delas.  O livro diz (*não o filme*) diz que Henrietta é mais bonita, já Louisa tem um espírito mais vivo, como a primeira tem um primo que é seu quase noivo, a escolha do protagonista recai sobre a outra irmã.

Ciarán Hinds tinha bem mais que os 31 anos do Capitão Wentworth do livro e não adianta dizer, porque não seria verdade, que ele pudesse enganar como tão mais jovem.  Confesso que não me importo com isso, porque ele consegue incorporar muito bem a personagem e comunica com o olhar, porque eles pouco se falam, todo o ressentimento que tem por Anne nos primeiros encontros, assim como, a transformação pelas quais a personagem passa ao longo da história, recuperando a admiração que tem por ela, até mal conseguir segurar seus sentimentos, quando começa a ter ciúme e dúvida se a moça irá aceitar o seu perdão (*porque ele é quem foi ofendido mesmo, não percamos isso de vista*) e dará uma segunda chance para seu amor.

Há várias cenas que expressam bem os sentimentos turbulentos de Wentworth no filme e vou comentar algumas.  A primeira é a da queda de Louisa da escadaria em Lyme, quando a moça está brincando de se jogar em seus braços até que pula de qualquer jeito e se estabaca no chão.  Vi a sequência em todas as adaptações que pude (1971, 1995, 2007, 2022), e é a melhor versão.  Ele fica desesperado e acaba recorrendo a Anne e a chamando pelo nome pela primeira vez.  Chamar pelo nome em filmes de época que realmente se deem ao respeito é algo muito sério.  Depois, há a cena da carruagem, quando ele e Anne estão levando Henrietta e a notícia do acidente para casa.  Ele está quase destroçado, sentindo-se culpado pelo que aconteceu, e quase se abre totalmente para Anne.

Depois que ele vai atrás de Anne até Bath, há a cena da confeitaria, quando ele oferece o guarda-chuva para a moça e tem o primeiro contato direto com seu concorrente à atenção da mocinha, Mr. Elliot.  Para mim, Samuel West tem cara de bolacha, mas não consigo não achá-lo bonito e bem perfeitinho como o dandy neste filme.  Ele todo polido e marcando em cada um de seus gestos que pertence a uma classe superior como uma forma de apequenar o rival, faz com que Wentworth tenha que correr para tentar mostrar para Anne que ainda a ama.

Só que temos as fofocas de que Anne irá se casar com o primo e herdeiro do pai.  O reencontro de Wentworth com Lady Russell, a raiva que Ciarán Hinds coloca no olhar, na rigidez do corpo, torna esta cena também uma das melhores.  E há o concerto, porque Mr. Elliot faz o possível para mostrar para o concorrente que ele já venceu.  E tudo culmina com o pobre Wentworth tendo que levar a mensagem do Almirante em uma típica missão militar.  O almirante Croft e a esposa deixariam Kellynch Hall se Anne e o marido desejassem residir lá.  O nervosismo de Wentworth, porque ele quer realmente a confirmação de que perdeu Anne, ou não, se ainda tem alguma chance, o que faz desta cena uma das melhores do filme.

Vocês já perceberam, obviamente, que eu gosto muito do Ciarán Hinds como Wentworth e gosto da personagem, também.  Então, digo sem problema, que ele é o melhor ator a interpretar esta personagem de Jane Austen que eu tenha visto.  E, sim, sim, Rupert Penry-Jones, que fez o Wentworth em 2007, é muito, mas muito mais bonito, só estou falando em ser melhor ator e oferecer com gestos, olhares e palavras uma interpretação realmente arrebatadora de uma personagem.  Perry-Jones é fraco e eu me estendi bastante sobre isso na resenha que fiz da série Cambridge Spies.

Mas, sim, há as transformações pelas quais Anne passa a partir do meio do filme.  Acredito que o acidente de Louisa, com o Capitão Wentworth reconhecendo o seu valor é meio que um divisor de águas no filme.  A partir daí, a personagem começa a ficar mais assertiva, vide quando enfrenta o pai deixando de ir bajular uma parente mais nobre e decide passar a tarde com Mrs. Smith (Helen Schlesinger), sua antiga colega de escola, e mais bonita.  Obviamente, ela recebe as atenções do primo, que, como pontuei, é o cavalheiro perfeito e polido por fora e um dos melhores exemplares de boy lixo austeniano por dentro.  Mas isso a gente só saberá na reta final do filme e a amiga de Anne, que ouve as fofocas sem precisar sair de casa, tem um papel importante nisso.

Mr. Elliot até pode estar interessado em Anne, ainda que não me convença, mas eu posso estar julgando mal por já conhecer a história com antecedência, mas ele quer é o título de Sir Walter.  Para quem não está afeito a esses rolos de herança, é comum nas histórias de Austen que as propriedades (*terra*) e título de nobreza estejam atrelados à linha masculina da família.  Sendo assim, Sir Walter não poderia deixá-los para uma das filhas.  Por isso mesmo, ele desejava que Mr. Elliot se casasse com Elizabeth, mas ele preferiu se casar com uma mulher rica e de condição inferior.  Motivo da rusga de família.  Ao ficar viúvo, ele busca a reconciliação e Elizabeth espera casar-se com o primo, mas, nesta versão, ela parece buscar, também, a atenção do agora rico Capitão Wentworth.  Ser duplamente  suplantada pela irmã mais nova e que ela considera sua inferior em todos os aspectos, é um golpe enorme para ela.

Voltando para Mr. Elliot, ainda que ele goste de Anne, o que eu duvido, ele tenta convencer Mrs. Clay a se tornar sua amante e desistir de seu plano de se casar com Sir Walter e tentar lhe dar um filho homem.  Entre um velho vaidoso e um jovem atraente, Penelope Clay tem poucas dúvidas.  Anne já estava disposta a recusar a proposta do primo, mas saber de seus planos, e que ele era um golpista falido através da amiga enferma e de sua enfermeira (Jane Wood) faz com que ela firme posição.  A Anne do final do filme não se deixa persuadir como a adolescente que jogou sua sorte pela janela abraçando preconceitos de classe.  E temos a cena da carta.  Sim, as pessoas lembram muito mais da declaração de amor, a primeira e frustrada, de Darcy para Elizabeth, mas a carta de Wentworth é muito melhor, mais profunda, doída e romântica e é aceita pela mocinha.  

O que o faz escrever a carta no filme tem a ver com uma das discussões do livro, tem a ver com gênero e é um exemplo do proto-feminismo de Jane Austen.  Tudo começa com a ideia de que as mulheres seriam inconstantes,  volúveis.  Anne pergunta ao seu  interlocutor homem, neste caso, o Capitão Harville (Robert Glenister), amigo de Wentworth, quem disse isso. Ora, os autores de livros e tratados.  Anne retruca que eles são todos homens.  Como não falei dele, a personagem aparece em Lyme, balneário onde ocorre o acidente de Louisa.  Harville e outro capitão, Benwick (Richard McCabe) são amigos de Wentworth.  Benwick estava noivo da irmã de Harville, mas ela morre e o homem cai em depressão, quando ele passa semanas perto da convalescente de Louisa, acabam os dois se apaixonando. 

Harville lamenta para Anne que Benwick esqueceu de sua irmã muito rápido, é o ponto de partida da discussão.  Louisa e Benwick, que ganhou a estima de Anne em Lyme, se apaixonarem veio bem a calhar, porque, após o acidente, Wentworth estava se sentindo obrigado a se casar com a moça.  Anne defende o direito de amar de novo, assim como que as mulheres seriam mais constantes que os homens sem seus sentimentos.  No filme, esta conversa é ouvida por Wentworth e a sua profissão de amor é uma resposta, ele se manteve firme em seus sentimentos por 8 anos.  Ele nunca a esqueceu, ele nunca amou outra mulher.

Wentworth deixa uma carta para Anne e ela parte atrás dele.  Eu dispensaria o circo na cena em que Anne vai ao encontro do Capitão, mas sei que ele está lá para dar a necessária cobertura para que os dois possam trocar um beijo no meio da rua sem que seja/pareça um escândalo, porque todos estavam ocupados olhando para outro lado.  É um filme que se preocupa com os detalhes.  E, bem, a cena do pedido de casamento, com Elizabeth e Sir Walter arrasados, é maravilhosa.  E o final, também, com Anne acompanhando o marido no mar e mostrando que ela estava disposta a ir em busca de aventuras, é o coroamento de um filme que conseguiu criar cenas novas e, ainda assim, contar a história do livro com muita competência e em muito menos que duas horas.

Só queria comentar que o filme opta por colocar os homens de calças curtas, como era mais comum à época, do que com calças compridas.  Mesmo nas cenas com uniforme, se não está na rua, Wentworth usa calças curtas.  Aliás, o filme respeita bem o fato dos sujeitos não andarem de botas dentro de casa.  E comentei em outra resenha, acho que foi uma de Bridgerton, que as moças do Frock Flicks tinham feito um artigo sobre o tema, isto é, que as produções de época mais recentes meio que odeiam colocar os homens usando sapatos e os colocam de botas o tempo inteiro, quando o comum era usar para montar e caçar.  O artigo  é sobre século XVI, mas vale para esta época, também, é a mesma lógica de acreditar que não agradará às audiências modernas.  Por outro lado, este filme coloca os militares usando uniforme quase o tempo todo.  Se o sujeito está de folga, o que ele menos quer é usar uniforme.  Neste aspecto, o filme de 2007 e até o de 2022 se saíram melhor.  

O figurino das  mulheres é realista, mas é um tanto sem graça, eu diria.  Mas lembrei de falar de Lady Lady Dalrymple (Darlene Johnson), viscondessa prima de Sir Walter, e sua filha (Cinnamon Faye).  Elas são da alta nobreza, elas são muito ricas, mas elas destoam do restante do elenco por usarem uma maquiagem muito pesada.  A impressão que eu tenho quando vejo esse tipo de recurso em filmes desse período, final do século XVIII e início do XIX, é que a ideia é marcar decadência, ou que esse pessoal, normalmente, nobres de sangue e alta estirpe, estariam desconectados do restante da sociedade, das mudanças trazidas pelo Iluminismo, a industrialização.  No caso de Persuasão, como temos a celebração da capacidade do sujeito de se elevar pelo seu esforço, a ideia deve ser esta, marcar uma sociedade que vai desaparecer e outra que está se afirmando sobre novos valores burgueses.

Concluindo, considero que esta é a melhor adaptação de Persuasão.  Preciso olhar a de 1971, mas não acho que vá mudar de ideia.  Se você quer assistir um bom filme que é igualmente uma boa adaptação de Jane Austen, escolha esta.  Aliás, ela saiu em um momento particularmente feliz para as adaptações de Jane Austen.  Tudo o que foi feito por esta época ficou no mínimo muito bom, Persuasão entra no grupo do material que é excelente.

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