Prometi terminar de resenhar a terceira temporada de Bridgerton antes da estreia da 4ª temporada. Não consegui, como vocês já perceberam. Faltava comentar somente os episódios 7 e 8. Os quatro primeiros episódios da quarta temporada estrearam no dia 29 (*já terminei de assistir*) e seguirá o mesmo formato com dois blocos de quatro episódios. A segunda remessa sai em 26 de fevereiro. A terceira temporada, lá em 2024, adiantou o livro de Colin (Luke Newton) e Penelope (Nicola Coughlan). Essa escolha prejudicou o melhor andamento da série (*não tenho dúvida quanto a isso*), mais do que isso, o próprio livro foi muito mexido para se acomodar às necessidades da adaptação. Se quiser ler minhas outras resenhas da temporada, é só clicar: 1 - 2 - 3 - 4.
O episódio 7 começa com Colin descobrindo que Penelope é Lady Whistledown. Ele fica muito furioso e decepcionado, mas não cancela o casamento por uma questão de honra, pois ele e a jovem já tinham tido intimidades. No livro, ele já havia descoberto antes da sequência da carruagem e de fazer amor com Penelope. E eles correm com o casamento, porque ele teme pela honra dela. Penelope também deseja expor Cressida (Joanna Bobin) que, por desespero, está se fazendo passar por Lady Whistledown. Depois de exposta, Cressida acaba sendo punida pelo pai. Ela será mandada para o interior, deverá ficar sob a tutela de uma tia velha, que irá discipliná-la, até que seu pai lhe arranje um marido, algo difícil depois do escândalo. A tia chega a dar as caras no último episódio e Cressida não apareceu ainda na quarta temporada.
Colin confronta Eloise (Claudia Jessie) sobre a identidade de Lady Whistledown. Por qual motivo ela escondeu? Há toda a questão da família ser um dos alvos mais constantes da fofoqueira e é isso que o magoa mais. Eloise diz que não queria entristecer o irmão, afinal, ele estava decidido a se casar com Penelope. Daí, a gente lembra que ela ficou chantageando a Penelope e se as coisas ocorressem conforme ela desejava, Colin ficaria extremamente ferido. Enfim, as mães dos dois estão desconfiadas do fato de Colin e Penelope não parecerem mais tão apaixonados. Outra questão do episódio 7 é o flerte entre o irmão de Lady Danbury (Daniel Francis) e a Viscondessa Viúva (Ruth Gemmell). O relacionamento dos dois segue na quarta temporada, na linha da celebração do amor maduro. Só que Violet, a dos livros pelo menos, jamais iria trair a memória do marido e uso este verbo, porque ela se sentiria fazendo isso. É o perfil da personagem.
No episódio 8, temos Cressida chantageando Penelope e exigindo o dobro da recompensa que a Rainha ofereceu para que ela não revele a verdade. Como Portia (Polly Walker) chega na hora, ela acaba sabendo que a filha é Lady Whistledown. Penelope é rica e, assim como no livro, Colin se espanta ao saber o quão rica a esposa é. Mas ele não quer que Cressida leve a melhor e decide ir confrontá-la pessoalmente. Ele defende Penelope e a vilã aponta que ele parece ter inveja do sucesso da esposa. Volto a isso daqui a pouco. Colin tenta argumentar que, mesmo Cressida tendo tentado assumir a identidade de Lady Whistledown, Penelope não a massacrou em sua coluna, mas tentou imaginar como ela se sentiria. Cressida se recusa a ceder, dobra o valor da chantagem e exige que Lady Whistledown use sua coluna para restaurar sua reputação.
Enquanto isso, Penelope pergunta para Eloise se ela se aproximou de Cressida para feri-la ou se realmente tentou ser amiga dela. Eloise ri e diz que não é tão mesquinha assim, mas que foi um pouco, e faz pouco caso da amizade que começou a estabelecer com Cressida. Enfim, perdi toda a simpatia por Eloise nessa terceira temporada. Ela é a mais mimada e insensível da prole inteira, pelo menos na série. E não sou fã da personagem nos livros, também, a acho chata, mas toda essa trama foi inventada para a série. O fato é que Cressida se sente abandonada e está usando a chantagem como último recurso para escapar à tirania do pai. A temporada poderia ter livrado Cressida da posição de antagonista e mesmo a redimido, mas a opção foi destruí-la mesmo. Fazia sentido no livro, mas não era algo necessário na série da Netflix. Nessa história toda, a falta de empatia de Eloise, que havia realmente se aproximado de Cressida, é o que mais salta aos olhos.
Depois disso, temos Portia sendo ameaçada por um advogado, que já havia aparecido anteriormente. O fato é que para não perder o título e os bens do marido (*ela não tinha filhos homens e as propriedades iriam para um parente do sexo masculino mais próximo*), ela falsificou documentos com a ajuda de sua fiel governanta, Mrs. Varley (Lorraine Ashbourne), ela mentiu, ela cometeu crimes. Além disso, ela se apropriou de dinheiro do picareta que apareceu na segunda temporada. Penelope confronta a mãe e Portia diz que fez o que fez pela família, já Penelope se tornou Lady Whistledown por qual motivo? Já escrevi que Portia é uma leoa e que mesmo com todos os seus defeitos, ela ama suas filhas e faz tudo para garantir seu bem-estar. Penelope termina sem palavras. Esses últimos episódios servem para aproximar Portia de Penelope, a filha que ela considerava menos competente e que se mostrou a mais bem-sucedida de todas as suas crias.
Temos um alívio nas tensões com o casamento de Francesca (Hannah Dodd) e John Stirling (Victor Alli), que é um momento bem bonitinho. Nos livros, nunca vemos a moça se casar. A vemos solteira, e ela aparece bastante no livro do Benedict, que veio antes do do Colin, ela é referenciada no livro da Eloise, mas somente ocupa o centro quando sua história com o primo do marido, Michael, é contada. Enfim, ela conversa com a mãe sobre seu desejo de ter sua própria casa, que almeja conhecer a Escócia e que lá possa se conhecer melhor. Violet se mostra feliz, mas preocupada, porque a filha não parece loucamente apaixonada, como ela acredita ser necessário. Ela acredita que falta alguma coisa ali. Essa invenção da série é muito com John e a própria Francesca. Mais tarde, é introduzida a prima de John, Michaela (Masali Baduza). Ela é esfuziante, simpática e olha para Francesca como se quisesse devorá-la. Já Francesca parece se sentir queimar pelo olhar da outra.
Não me importo realmente que tenham transformado Michael em Michaela, ainda que ele seja uma das minhas personagens masculinas favoritas de Bridgerton. Talvez, a favorita. É bobagem perder tempo discutindo se ela poderia herdar o título de conde do primo, porque John morrerá em algum momento, já que a série pode colocar a Rainha resolvendo tudo com uma canetada. O que me incomodou foi a forma como Michaela foi introduzida, porque ela aparece para provocar sensações em Francesca que ela não sentia com John, mas que foram descritas com grande entusiasmo por Lady Bridgerton. Nos livros, John e Francesca foram felizes, o único problema é que não conseguiram ter filhos. E Michael conhece Francesca no jantar que precede o casamento do primo, sem saber quem ela era. Ao descobrir, ele se retrai, se culpa, tenta esquecê-la, se afasta. Ele não vai assediá-la como a Michaela da série da Netflix. E como já vi o que saiu da quarta temporada, a coisa piora.
Criar um casal lésbico, porque pelo andar da carruagem, eu investiria em transformar Francesca em alguém que se conforma com a heterossexualidade compulsória, como tantas mulheres o fizeram por séculos, e não como uma mulher bissexual, não é um problema em si mesmo. O que me preocupa é colocarem as duas flertando, com uma Francesca recém-casada se apaixonando por outra bem debaixo do nariz do marido, é pintarem o casamento da moça com John como infeliz, ou, pior, colocando as duas tendo um caso. Repito, elas podem ser um casal, mas o primeiro encontro das duas foi de mau gosto e vendo os episódios da quarta temporada, temo pelo pior.
Falando em equívocos, temos Benedict cedendo às pressões de Lady Tilley Arnold (Hannah New), porque vontade mesmo ele não me pareceu ter, e indo para cama com ela e seu amigo Paul Suarez (Lucas Aurelio). Eu esperava que Benedict fosse transformado em homossexual na primeira temporada. Não tiveram coragem para isso, antes de revelarem detalhes da quarta temporada, imaginei até que poderiam ser criativos e transformar Sophie em mulher trans ou investir em algo na linha Mulan, mas, de novo, não tiveram coragem. Já essa experiência com Tilley e Suarez me pareceu forçada para produzir a ideia de que a série defende a diversidade sexual, estabelecendo Benedict como bissexual. E tudo o que aconteceu se prestou somente para o fanservice com dois homens lindos e uma mulher muito bonita se pegando. E nada disso teve qualquer impacto no roteiro ou na trajetória de Benedict. Aliás, ele recusou-se a estabelecer um relacionamento a três. Nada do que aconteceu terá utilidade na trajetória da personagem e quando comentar a quarta temporada, eu volto a falar disso. Mas se não fez diferença, pelo menos não me ofendeu como no caso Francesca e Michaela.
E temos Benedict e Eloise no balanço, ambos confessando o quanto se sentem fora do lugar, um tanto perdidos. Algo de bom que a série criou é esse laço entre eles, os dois irmãos que se sentem fora do lugar. O balanço, desde a primeira temporada, é onde os dois se encontram para expressar suas inseguranças, seus desconfortos, um é o ponto de apoio do outro. Isso não veio do livro, mas a amizade entre eles é uma das boas coisas que a série construiu. Se seguirem de perto o livro da Eloise, talvez tenhamos algumas boas cenas de ambos na temporada 5 (*que deve ser a dela*), porque há material para ser ampliado dentro dessa lógica da série.
E chega o baile na casa das Featherington. Penelope escreveu como Lady Whistledown para a Rainha e ela se faz presente para que o segredo seja revelado. Isso acaba com a chantagem de Cressida. Todos ficam sabendo da identidade secreta da protagonista da 3ª temporada e Colin e Penelope se reconectam. No livro, o baile é na casa de Simon e Daphne e é Colin quem conta a verdade expressando todo o orgulho que sente pela esposa. Acabou a chantagem e não existe mais Lady Whistledown. A personagem aparece nos livros 1 até o 4, depois, ela não existe mais. A série mudou a ordem dos livros, mas não parece disposta a deixar Lady Whistledown se aposentar. O problema é que a personagem se tornou impossível, afinal, como ela poderá escrever com liberdade sobre as fofocas da alta nobreza se todos sabem quem ela é?
Com essa revelação, a Rainha Charlotte tende a se tornar uma personagem problemática. Coisas que ela faz, como a história da recompensa pela identidade de Lady Whistledown, nos livros, são de coisa de Lady Danbury. Eu gostava da Rainha na primeira temporada, mas com o passar da série, ela foi se tornando cada vez mais irritante. É nesse baile que Michaela aparece, que Eloise decide ir com Francesca para uma temporada na Escócia. No final do livro 4, se sentindo vazia e com inveja e ciúmes de Penelope, ela foge de casa dando início à trama do livro 5. Todos só percebem seu sumiço muitas horas depois. Outra coisa que ocorre no baile e que é coisa da série, é Amthony anunciando que irá com Kate até a Índia
E temos o epílogo. Penelope tem um menino, quando deveria ser uma menina, ou seja, fazem a mesma coisa que fizeram com Daphne. Nesse aspecto, Bridgerton parece novela do Benedito Ruy Barbosa, como se filhas fossem menos importantes ou que o essencial é produzir meninos. Vamos ver se quando Anthony e Kate aparecerem de volta na quarta temporada, se eles vão voltar com um filho ou uma filha. No caso deles, deveria ser um menino mesmo. O fato é que Penelope, graças às falsificações de Portia, garante o futuro da família Featherington, pois seu filho irá herdar os títulos do avô.
Só mais uma coisa: no livro, quando Colin e Penelope se casam, o que gera algum conflito entre eles é que o marido se sente menos capaz como escritor do que a esposa. O que sobrou disso foi a acusação de Cressida de que ele tinha inveja do sucesso da esposa. Só que, no livro, Penelope elogia os escritos dele e se propõe a ajudá-lo a organizar suas memórias de viagem, que somam mais de dez anos e não poucos meses como no seriado. No fim das contas, ele consegue publicar o seu livro e acaba se tornando um sucesso, depois que Penelope faz a revisão do manuscrito, já a moça decide se tornar uma escritora, também. Sim, não era algo que todo mundo considerasse adequado, mas havia mulheres escritoras, inclusive da alta nobreza. Penelope será uma delas.
Concluindo, digo que ainda que os episódios tenham sido satisfatórios e eu goste das personagens, ou da maioria delas, a temporada 3 foi a que menos me agradou. O figurino se tornou muito pouco realista, a maquiagem e os cabelos eram modernos demais, forçaram a barra para tornar Colin um sujeito atraente, além de garanhão. Além disso, a inversão na ordem dos livros terminou por correr com acontecimentos que precisavam acontecer em um longo período de tempo, como as viagens de Colin e, claro, destruíram Lady Whistledown. E há ainda o desastre que estão fazendo com a Francesca. Claro, os problemas começaram lá atrás com a saída do Duque e, agora, de Daphne. Mesmo com participações pequenas, são personagens que estão presentes em praticamente todos os livros. Eu teria simplesmente trocado o ator e fingido demência. Enfim, é isso. Agora tenho que escrever a resenha da quarta temporada e retomar os animes antes que eu termine me perdendo.






















































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