segunda-feira, 25 de maio de 2026

Pela primeira vez, mais mulheres jovens japonesas do que homens não querem ter filhos.

Foto: OrangeBook / PIXTA(ピクスタ)

Uma  matéria do Unseen Japan comentou os resultados do relatório da empresa Rohto Pharmaceuticals sobre Gravidez (妊活白書) e que questionou homens e mulheres de diferentes faixas etárias sobre suas opiniões a respeito da gravidez e da criação dos filhos.  400 homens e mulheres entre 18 e 29 anos se eles e elas queriam ter filhos no futuro. Um total de 62,6% respondeu que não – um aumento em relação aos 56,6% do ano anterior. É o terceiro ano consecutivo em que a resposta negativa supera a positiva.  É uma amostragem pequena, sempre é mais interessante quando temos mais gente participando, mas os resultados merecem atenção, claro.

Dentro desse grupo, 64,7% das mulheres afirmaram não querer filhos, superando os 60,7% dos homens que disseram o mesmo. O Unseen Japan destaca que é a primeira vez que as mulheres superam os homens em rejeição a ter filhos.  Ao investigar os motivos da recusa, a Rohto Pharmaceuticals descobriu que "Ao investigar o motivo, Rohto descobriu que as mulheres, mais do que os homens, temiam duas coisas. A primeira era o fardo econômico que ter filhos acarretava. As mulheres temiam isso mais do que os homens, 71,7% contra 63,2%.  Mais impressionante, porém, foi o impacto na carreira. 61,4% das mulheres classificaram isso como um risco, em comparação com apenas 51,2% dos homens – uma diferença de 10,2 pontos percentuais."  Não deveriam ficar supresos, porque são as mulheres que normalmente se veem obrigadas a abandonar a carreira ou lhes dar menos atenção ao terem filhos e isso impacta diretamente os rendimentos da família, também.

A matéria também falha em apontar que as pessoas não se mostram muito interessadas em ter filhos.  Ora, se é caro ter filhos, se no caso das mulheres isso pode ser fim de carreira, se faltam escolas maternais públicas, como as pessoas podem se sentir incentivadas a rocriar?  Segundo o artigo, No ritmo atual, 44,3% dos domicílios no Japão poderão ser compostos por apenas uma pessoa até o ano de 2050.

A matéria destaca que há algo de positivo na pesquisa em relação a ter filhos: "(...)  52,9% das pessoas entre 30 e 34 anos disseram que queriam ter filhos. Essa é a maior porcentagem já registrada, elevando a idade média para ter filhos para 31,3 anos.".  Pessoas com mais de trinta se sentem melhor preparadas para ter filhos, mas há  um porém: mulheres temem por suas carreiras.  "(...) 64,1% das mulheres nessa faixa etária afirmaram que ter filhos impactou negativamente suas carreiras. Esse número é pior do que os 61,4% das mulheres na faixa etária de 18 a 29 anos que compartilharam da mesma preocupação. Além disso, 66,8% delas disseram que consideraram mudar de emprego ou de função dentro da empresa ao começarem a criar filhos.".

Outro aspecto que aparece na matéria é que a maioria dos casais que acabaram tendo filhos afirma que se sentiu despreparada para a experiência. Um total de 62,4% dos homens e mulheres disseram que gostariam que as escolas tivessem se esforçado mais para ensiná-los sobre gravidez e parto.  Bem, seria excelente se as escolas preparassem as pessoas de verdade para a maternidade e a paternidade, porém, como o próprio artigo destaca, a sociedade japonesa precisa que as pessoas tenham filhos, mas não é amigável com quem deseja tê-los.  Não sei se o termo sociedade  é o mais correto aqui, porque quem pune é o sistema controlado por homens velhos ricos e que fazem o jogo das grandes corporações.

O artigo falha em dizer que as pessoas não querem ter filhos, depois de apontar que tê-los é caro, que pode representar fim de carreira para as mulheres.  Eu acrescentaria, também, que a falta de escolas maternais públicas é outro problema, acredito que há posts no blog sobre isso.  A matéria ainda pontua que "No ritmo atual, 44,3% dos domicílios no Japão poderão ser compostos por apenas uma pessoa até o ano de 2050".

E a matéria fecha da seguinte maneira: "Para sobreviver, o Japão precisa de mais crianças ou de mais imigrantes. Deixou claro recentemente que não quer a segunda opção . Mas aqueles que detêm o poder também não parecem dispostos a criar o ambiente necessário para que a primeira seja possível.".  Pois é... 

Esse artigo me fez lembrar de uma matéria do Sora News que eu acabei não comentando,  mas cujo título é "A maioria das mulheres japonesas entrevistadas se arrepende de ter se casado com seus maridos, mas isso é apenas metade da história". E cito a matéria "A pesquisa, realizada pela empresa Presia (...), perguntou a 287 mulheres japonesas casadas, com idades entre 20 e 59 anos, como elas se sentem em relação aos seus cônjuges, e 70% delas disseram que se arrependeram de ter se casado com seus maridos. Alguns desses arrependimentos são bastante fortes, já que 54% das mulheres também disseram que, se pudessem voltar no tempo e recomeçar do zero, não se casariam novamente com seus maridos atuais.".

Por qual motivo as mulheres se arrependem tanto de terem se casado?  Quem se arrepende de ter se casado talvez não queira ter filhos, ou se arrepende de tê-los.  Segundo a pesquisa, o principal motivo de arrependimento é econômico.  Talvez, o casamento tenha representado um fim de carreira e um rebaixamento no padrão de vida.  O Japão tem um custo de vida muito alto e um governo que não tem grandes programas sociais que auxiliem seus cidadãos, mesmo sendo um país rico.  Fora isso, culturalmente, as mulheres são pressionadas a se tornarem donas de casa e vivam em função do marido e dos filhos.  Elas querem mais e isso parece não incluir a maternidade.

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