No dia 4 de junho, foi comunicado que Marjane Satrapi, conhecida mundialmente pelo quadrinho autobiográfico Persepolis, tinha morrido de tristeza. Ela nunca se recuperara da morte do marido, Mattias Ripa, um ano antes. Eles permaneceram casados por quase trinta anos. Morrer de tristeza é possível. Como meu marido é depressivo e tem um quadro severo, eu me senti particularmente tocada.
Esse Shoujocast foi ravado um pouco na força do ódio, porque vi tantas críticas de gente "de esquerda" a Satrapi, acusações de quem não deve ter lido nenhum de seus quadrinhos ou assistido aos seus filmes, acusando-a de ser partidária da monarquia, dos Estados Unidos, de Israel. Reclamando que ela não se pronunciou sobre a guerra contra o Irã, o bombardeio à escola de meninas em Minab, o genocídio em Gaza.
Gente, meu marido passou mais de 4 anos quase sem colocar os pés fora de casa. Eu não sei do que o marido de Satrapi morreu, mas se foi uma doença longa, e se ela o amava tanto, talvez ela só tenha ficado focada nele por boa parte do seu tempo. Quanto à guerra contra o Irã, ela começou em fevereiro; Satrapi morreu em junho, muito provavelmente, ela estava já muito debilitada.
Outra coisa, as mulheres do Irã SEMPRE lutaram por seus direitos (inclusive pelo direito de poderem usar o véu, quando foi proibido). Antes da Revolução, durante a Revolução (a favor e contra ela) e depois da vitória dos aiatolás. Se as feministas iranianas não estão nas ruas agora, é porque é mais importante se unir por um país que está sob ataque ou pelo menos esperar melhores oportunidades. Mas me desculpem esticar essa coisa toda, mas depois que eu gravei o programa, li muita bobagem ainda, coisa de gente insensível, inculta e/ou maliciosa. Mas o programa ainda vale, mesmo que eu tenha falado mais do que deveria.
Enfim, volto ao Shoujocast esta semana. Como acredito ser importante, estou trazendo os links do programa para cá, também.
- Marjane Satrapi faleceu 'de tristeza': é possível morrer pela perda da pessoa amada?
- “Persépolis”: el catecismo del velo, la memoria como resistencia en Marjane Satrapi.
- Marjane Satrapi: «Solo hay una raza: la humana».
- Trechos de Entrevista com Marjane Satrapi.
- Em 1979, as mulheres iranianas protestaram contra o uso obrigatório do véu, preparando o terreno para o que acontece hoje.
- A vida das mulheres no Irã antes e depois da Revolução Islâmica.
- Filhas da Revolução: as mulheres iranianas que arriscam a prisão por protestarem contra as leis do hijab e exigirem igualdade de direitos.
- Morte de iraniana que não usava véu causa indignação.
- Irã: Eurodeputados querem que a UE sancione os responsáveis pela morte de Mahsa Amini.
- Caco Barcellos no Irã.
- Português detido por 19 dias na Turquia por “parecer gay”.
- A artista Marjane Satrapi recusa a Legião de Honra devido à "atitude hipócrita da França em relação ao Irã".
- Marjane Satrapi e o debate sobre o "Orientalismo".
- Canal Vento Leste.
Para ler Satrapi:
















































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