segunda-feira, 13 de julho de 2026

Premiada autora Yu Miri foi assediada na internet após criticar o racismo dos políticos japoneses.

O Unseen Japan trouxe uma matéria falando dos ataques xenofóbicos sofridos pela romancista Yu Miri, filha de imigrantes coreanos e descendente de um grupo chamado de Zainichi (在日), isto é, residentes estrangeiros no Japão.  Seu pai veio para o Japão quando criança, na época em que a Coreia estava ocupada pelos japoneses.  Sua mãe migrou na época da Guerra da Coreia.  Yu Miri, nascida em 1968, viu seus pais se separarem por causa da violência doméstica, sofreu racismo e bullying, tentando tirar sua vida mais de uma vez.  Seu refúgio e salvação foi a literatura e ela é uma das mais premiadas romancistas do país, que não deixa de falar das minorias, dos estrangeiros e de questões que sempre estiveram presentes em sua vida.  Por conta disso, mesmo antes dela criticar o atual governo japonês, eventos de lançamento de seus livros foram cancelados por ameaças de ataques com bomba.  Seu romance mais importante se chama Tokyo Ueno Station (上野駅公園口/Ueno-Eki Kōenguchi).  Tem em inglês e em várias outras línguas no Amazon.

Voltando para a matéria do Unseen Japan, a autora criticou os discursos da extrema direita japonesa, inclusive o partido mais radical, o Sanseito, e seu slogan "Japoneses em Primeiro Lugar" e "(...) criticou a recente retórica política anti-estrangeiros no Japão, alertando para a crescente normalização de atitudes excludentes. Suas postagens rapidamente atraíram uma onda de abusos discriminatórios, (...)".  Os haters da internet começaram a atacar a autora argumentando que ela não era japonesa e não deveria opinar sobre a política do país no qual nasceu, cresceu e sempre residiu.

Segundo a matéria, "A reação negativa logo se tornou tão severa que seu editor na revista Weekly Gendai, Hatori Ryō, saiu publicamente em sua defesa, condenando os ataques .  “Não posso fechar os olhos à discriminação”, escreveu ele.  Ele argumentou que estrangeiros e minorias étnicas que vivem no Japão têm todo o direito de expressar opiniões sobre a sociedade em que vivem.".  O racismo, acirrado pelos discursos contra os imigrantes, parece estar crescendo no Japão em um país que nunca foi muito acolhedor com os diferentes, inclusive quando se trata de japoneses étnicos.

Ainda segundo a matéria, o país tem uma Lei de Eliminação do Discurso de Ódio, que é de 2016, mas "(...) a retórica discriminatória persiste, tendo grande parte dela migrado das ruas para as redes sociais. Em 2020, por exemplo, o presidente de uma grande empresa de cosméticos utilizou retórica anti-coreana ao atacar seus concorrentes.".  Ou seja, há mais questões envolvidas nessa onda contra os imigrantes e seus descendentes do que sentimentos racistas, ainda que eles estejam lá.  De qualquer forma, o caso tem atraído grande atenção e provocado uma onda de apoio à autora, só não acho que o governo atual irá se comprometer em integrar pessoas, acredito mesmo que irá insistir em excluir.

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