sábado, 17 de outubro de 2026

Edição de Sanditon, concluída por Walcyr Carrasco, acabou de ser lançada no Brasil

Jane Austen morreu aos 41 anos, em 1817.  Ela deixou algumas obras inacabadas, as que estavam em estado mais adiantado, mas longe de serem terminadas, são Sanditon, que teve série de TV (*de qualidade duvidosa*) relativamente recente, e The Watsons.  Há edição delas em língua portuguesa.  Ambas já foram concluídas por autores diversos.  The Watsons foi concluída pela primeira vez em 1850 por Catherine Hubback, que era  sobrinha da autora. No caso de Sanditon, vou citar um trecho do artigo do site The Jane Austen's House:

Desde os primórdios da história do manuscrito, outros autores buscaram completá-lo. A primeira foi Anna Lefroy, sobrinha de Jane, que herdou o manuscrito e escreveu sua própria continuação da história, embora, assim como sua tia, também a tenha deixado inacabada. Seu manuscrito foi escrito em algum momento entre 1845 e 1860, mas só foi divulgado publicamente em 1977, quando foi a leilão. Foi publicado em 1983. Além de Anna, muitos outros escritores tentaram completar ou reescrever Sanditon ao longo dos anos, desde Somehow Lengthened. A Development of "Sanditon" (1932), de Alice Cobbett, até Sanditon by Jane Austen and Another Lady (1975), de Marie Dobbs, e até mesmo a versão de mistério e assassinato de Reginald Hill, A Cure for All Diseases (2008).

Olhando no Amazon, encontrei uma edição de Sanditon concluída por uma brasileira, Amanda Bonatti, que é de 2023.  Não li nenhuma dessas edições de Sanditon concluídas por outras pessoas.  Li o manuscrito, que é muito breve e termina com a aparição do mocinho, Sidney Parker.  Sanditon é especial para mim porque tem uma personagem não branca, que é uma rica herdeira: Georgiana Lamb.  A meu ver, ela é uma espécie de mocinha secundária e serve para mostrar que Austen estava atenta à diversidade étnico-racial da Inglaterra de sua época e que muita gente negou por tanto tempo.  Uma diversidade que se fazia presente inclusive nas classes abastadas, o que não implica que não houvesse racismo ou discriminação mesmo nesses círculos.  Havia.  Mas no período de vida de Austen, o racismo científico ainda estava se estruturando, acredito que as coisas tenderam a piorar.  Enfim, eu participei de um podcast, o Café com Jane Austen, analisando a primeira temporada da série da BBC de Sanditon. Ela recebeu uma segunda e uma terceira temporada, às quais eu nunca assisti, nem pretendo.

Dito isso, antes que alguém ataque o Walcyr Carrasco por fazer a sua edição de Sanditon, olhe o quanto de gente já fez, o quanto de variações de obras de Austen existem, com níveis de qualidade muito diferentes umas das outras.  Se você rejeita por não gostar do Walcyr Carrasco, entendo.  Não sou muito fã das novelas dele, mas a minha curiosidade está sendo atiçada pelo fato de descobrir que o autor é fã de Jane Austen assim como eu.  Aliás, esta semana uma aluna estava com um livro de Jane Austen sobre a mesa e só havia o nome da autora escrito mesmo e tive que assuntar o que era aquilo.  Tratava-se de uma edição da Martin Claret com Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito e Persuasão.  Acabei comentando do filme do cinema de Razão e Sensibilidade, da série da Netflix de Orgulho e Preconceito e dos 250 anos de nascimento da autora.  Descobri que havia pelo menos umas seis que ou eram fãs ou estavam descobrindo as obras da autora.  Talvez, pela minha empolgação, outras irão procurar ler e assistir às adaptações.  A maioria estava por fora das estreias ou não sabia que havia tantas adaptações de obras de Austen.  Não podia parar a aula por muito tempo, mas fiquei curiosa em saber como descobriram a autora.  Enfim, na apresentação de Sanditon do Walcyr no Amazon está escrito o seguinte: 

(...)  Walcyr Carrasco dá continuidade ao manuscrito, oferecendo ao leitor um desfecho emocionante. Seu estilo versátil ― capaz de unir emoção popular e refinamento literário ― faz deste Sanditon um encontro raro entre tradição e modernidade, Inglaterra e Brasil, Austen e Carrasco. O resultado é uma obra que preserva a essência austeniana e ganha nova vida com a imaginação de um dos maiores narradores contemporâneos.

Só há uma avaliação no Amazon e é negativa.  Uma avaliação e nada são a mesma coisa, aliás, acredito que é difícil superar a ruindade da série da BBC.  De resto, o próprio comentário é meio estranho, porque Sanditon é um rascunho, a gente sabe que o material seria muito burilado por Jane Austen antes de ser lançado.  Não é a mesma coisa que pegar Emma, Orgulho & Preconceito e outros livros acabados da autora e fazer uma variação.  Estou curiosa e, provavelmente, devo comprar.  E eu fiquei sabendo do livro pelo programa Coisas de TV; eles só erraram ao dizer que era o único romance inacabado de Austen. 

0 pessoas comentaram:

Related Posts with Thumbnails