sábado, 31 de dezembro de 2011

Comentando Honey & Clover - Mangá e Anime



Hoje de madrugada finalmente respondi uma pergunta que o Carlírio, do blog Netoin, tinha deixado lá no meu Formspring mais de 10 meses atrás. Ele queria saber o que eu achava de Honey & Clover (ハチミツとクローバー), o mangá e o anime. Lembro que, na época, eu disse para ele que iria esperar a série terminar no Brasil. Ela terminou, eu comecei a escrever várias vezes e larguei... Mas seria bom encerrar o ano com uma resenha de Honey & Clover, uma das poucas séries que eu li o mangá e assisti o anime com gosto.

Honey & Clover ou Hachimitsu to Kuroba ou ainda Hachikuro é um mangá josei. A série, que catapultou a autora Chika Umino ao estrelato internacional, começou em junho 2000 e foi encerrada em julho de 2006, contando com 10 volumes. Honey & Clover segue a vida de um grupo de universitários e os fortes laços de amizade que nascem entre eles. Com humor bem peculiar e muito drama, Hachikuro consegue ser fiel aos sentimentos e vivências de jovens adultos, criando identificação com a faixa etária mesmo fora do Japão. Eu vi algumas das coisas que vivi dentro da série e não pude permanecer fria diante de uma obra tão sensível.


Honey & Clover tornou-se um sucesso tão grande que foi sendo transferida de revista em revista – CUTIE Comics, Young You, Chorus – sem que sua popularidade ou regularidade fosse abalada. Imaginem que tanto a CUTIE, quanto a Young You foram canceladas durante a publicação da série. E 2003, Hachikuro venceu o 27º Kodansha Awards na categoria shoujo, lembrando que shoujo e josei não são separados nessas premiações, e que os mangás femininos são discrimnados, pois nunca gannham na categoria geral. Em 2005, Honey & Clover se tornou série animada com 26 episódios e foi exibida na Fuji TV. Com o sucesso, uma segunda temporada foi garantida em 2006 e tivemos mais 12 episódios. Um filme live action japonês foi feito em 2006 e Hachikuro ainda teve dois doramas (*novelas para a TV*), uma feita no Japão e outra em Taiwan. Preciso assistir os live actions, pena que esqueci o dorama japonês em casa.

Enfim, Honey & Clover foi um dos melhores mangás que já li. E um dos poucos que fiz questão de comprar ao mesmo tempo a edição americana – que comecei a colecionar antes – e a nacional. Analisado no todo, ele pontua muito alto em construção e desenvolvimento de personagens, tem um bom roteiro, e, depois que a gente se acostuma, a arte também é muito bonita. O início é um pouco difícil, até que nos acostumemos com a quantidade absurda de texto, alguns tão pequenininhos que ler era uma dificuldade. 


Larguei o primeiro volume umas duas vezes, mas, a partir do momento que cheguei ao final, eu devorava cada volume. Aguardava ansiosamente a próxima edição. Assim como faço com Black Bird, não corria atrás de scanlations e quem me deu os spoilers foi o anime... As personagens, mesmo quando envolvidas em situações absurdas, eram tão humanas e os sentimentos tão críveis, tão identificáveis... Eu não conseguia deixar de lembrar dos meus amigos de faculdade, dos bons momentos que passei no IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais) da UFRJ. Especialmente dos piqueniques no Parque da Cidade e no esforço de alguns colegas em me fazer deixar de ser tão tímida e travada.

Uma das coisas legais em Honey & Clover, e que é muito realista, é a preocupação com o mercado de trabalho, os estudos, as expectativas dos pais, o dilema prazer/satisfaçãoXganhar dinheiro. Outro mangá que me lembro de ter tocado nisso, mas de forma cômica, foi Genshiken. De comum, ambas são séries para jovens adultos. Nessa discussão temos o dilema da genialidade, tanto Hagu, quanto Morita são gênios. Mas ser brilhante, acima da média, pode significar solidão. Já Takemoto, precisa se descobrir, acreditar em si mesmo, por conta disso, ele parte em uma jornada... Já outros, resolvem melhor a questão, como Mayama e Yamada. De qualquer forma, a série mostra como é difícil a transição para a vida adulta. A parte cômica, pois não poderia faltar, é a discussão sobre os alunos que acreditam faculdade é sua casa, como o Morita, e não se formalmente nunca ...


Foi bom ver especialmente a Hagu e o Takemoto crescendo, amadurecendo. Uma das melhores passagens do mangá, quando a Hagu dá aulas de pintura, foi fundamental para percebermos o quanto ela mudou, pena que foi tirada do anime. E a série animada foi muito fiel. Estranhamente, preferiu colocar os gaiden – que para mim não faziam diferença – e omitiu essa parte tão bonita. Por conta disso, teve que cortar outras coisas, como a visita que o ex-aluno de Hagu lhe fez no hospital. Eu mergulhei no anime quando acabei de ler o volume seis do mangá e queria continuar a jornada de auto-conhecimento do Takemoto. 

Gosto bastante do anime. Acho que ele se concentra demais em certas partes e no Morita, especialmente, mas, no geral, ele é excelente. E falo como alguém que abandona animes muito fácil. Eu lembro de ter varado uma madrugada assistindo episódio em cima de episódio e chorando, chorando muito... Falando em Morita, ele era a minha personagem favorita no início da série, mas, depois, descobri o quanto ele era infantil e egoísta. Revendo a série, percebi que era o Takemoto o protagonista, a melhor personagem masculina de Hachikuro.


Voltando ao mangá, exatamente por ele ter aquele tom agridoce, tipo “esses são os melhores anos de nossas vidas, aproveitem, porque eles nunca mais vão voltar”, é que eu acho que ele toca e emociona. É, claro, que não vejo essa obra como “universal”, nenhum mangá é, aliás, mas é preciso ter vivido um pouco para degustar Honey & Clover de verdade, para sentir e entender a série, para rir e chorar na medida certa. Não gostei do final da Hagu, acho que foi um deslize e muito infeliz, não tanto quanto em Usagi Drop, mas bem próximo. 

Sei que não havia futuro para Takemoto e Hagu, não naquelas condições (*não vou dar maiores spoilers*), mas o final da Hagu me deixou muito chateada. Mais do que tudo, o final me passou a mesma sensação daquele final de Candy candy, com Terry casando com a lambisgóia, porque ela perdeu a perna por ele. É aquela coisa do dever, que é absolutamente japonês e faz tão pouco sentido para nós ocidentais, ou, pelo menos, para mim.


Mayama e a Rika foram um casal interessante, ainda que ele ficasse fazendo aquele jogo meio doentio com a Yamada. Havia algo de irmão mais velho, mas, também, de amante egoísta, porque ele sabia exatamente o mal que fazia a moça dando tênues esperanças para sua paixonite de menina. Depois, ele amadureceu e a relação dele com a mulher mais velha e marcada pela vida foi muito comovente. Ele salvou a Rika. Já a Yamada, bem, gostava muito dela e o que lamento que o Nomiya não tivesse dado um beijão nela, porque duvido que não seria a cura para aquela fixação pelo Mayama. Mas a relação dela com o Nomiya rendeu aquela cena ótima da virgem defendida pelos unicórnios... Impagável isso! 

No início, como eu já escrevi, eu gostava muito do Morita, e continuei rindo muito com ele, mas o Takemoto acabou se tornando o protagonista para mim, junto com a Hagu. E não desgosto do professor, apesar do final, só que acho que foi uma forçação de barra transformar o sentimento paterno em outra coisa. Chorei muito com os últimos dois volumes do mangá, quando eles se lembram que nunca mais poderão se reunir como nos tempos da faculdade, porque na época eu tinha perdido um dos meus grandes amigos de universidade... E, no início, a infância de Hagu, desenhando ano após ano a mesma cena, me deixou com a garganta apertada. Enfim, Honey & Clover mexeu muito comigo. Mexe até hoje, só de lembrar de certas passagens. E tem a metáfora das caixas... Chika Umino foi um gênio ali, mas você terá que assistir para saber de que eu estou falando. ^____^


De resto, a arte da Chika Umino, mesmo relaxada, vai se tornando linda aos meus olhos. Eu não resisto ao traço de Honey & Clover, ao traço da Umino. E, no caso do anime, a trilha sonora é um presente, a primeira abertura da série, uma delícia. :) É isso. Agradeço a autora por ter feito Honey & Clover e a VIZ e a Panini por terem tornado esse material acessível para mim. 

Queria muito saber se a série se pagou aqui no Brasil, porque se não recebeu a atenção necessária foi por falta de maturidade do público brasileiro e por falta de propaganda. Ainda tenho esperança de ver o anime no Brasil, nem que seja em canais fechados. Pena que não consegui comprar a figure da Hagu. Se você não leu Honey & Clover, ainda dá tempo de correr atrás da série. Tenha certeza e que vale a pena. E teremos um Shoujocast de Honey & Clover. Promessa é dívida.

GOSTOU?

7 pessoas comentaram:

O que eu posso dizer? Falou tudo ! Eu a-m-o Honey & Clover, a série aprofunda na gente.

O engraçado é que é isso mesmo, precisa ter uma certa idade (não necessariamente física) pra tomar gosto pela série..

Eu tive uma experiência engraçada, assisti bem quando lançou nos fansubs brasileiros..
salvo engano, eu tinha 14 anos.

DETESTEI o anime! riariaria :DD Parei no episodio 3!


Por agora, por algum motivo, retomei...e... não me arrependi nem um pouco !!


Assistam!! :DDD


[Eu também a-d-o-r-o o Takemoto-kun *-* odeio o Morita i.i
e acho o Mayama um bacaca (é, eu disse 8D)


Final da série TOTALMENTE WTH, mas... pelo menos surpreende a gente. Apesar de ruim, ninguém estava esperando.


...E eu, pessoalmente, gosto de coisas inesperadas.]

Eu não conhecia a série. Entrou para a lista de compras, com certeza.

Como bem disse a Valéria, quando vi Honey & Clover na banca, estranhei imensamente a arte e resolvi deixar pra lá. Alguns dias depois, num momento "sem nada para ler", resolvi dar uma chance, já que tinha cara de ser um manga diferente.
Posso dizer com certeza que foi uma das únicas apostas que fiz na vida que compensaram muito mais do que eu imaginava.
Honey & Clover é belíssimo, sensível, profundo, não te faz de bobo, e pra quem já tem certa idade, faz pensar e repensar a vida toda, cada escolha, cada sonho, cada frustração.
Por mais que o final possa desagradar alguns, este não me incomodou nem de perto como o final do Usagi Drop, já que o foco da história é completamente diferente, e a meu ver, até encaixou melhor do que as outras opções possíveis naquele contexto.
Recomendadíssimo!

Assisti as duas temporadas, os especias e comprei todos os mangás.
O final não posso dizer que foi ruim ou bom, mas me deixou bastante deprimido, já tinha acostumado demais com os personagens, já fazia parte das minhas lembranças (vi tudo isso bem aos poucos, no total, levei 4 anos pra terminar).

Acabei de ver o anime, vi um comentário seu sobre ele em algum post daqui e resolvi acompanhar.

Estou no último ano de arquitetura e você não imagina o deleite que for ver essa série, me apaixonei já no começo por todo o clima de faculdade, piadas e afins situações que eu realmente vivi nesses 5 anos de faculdade (A piada do rococó, de queimar sobre a luz, varar as noites sem dormir e afins parecia que a altura tinha feito arquitetura rsrs).

O dilema do Takemoto sobre talento, eu vivencio isso num curso desses pois você o quanto pode ter uma pessoa genial no seu lado que nasceu absolutamente para isso, sem dizer tbm o outro dilema sobre o futuro o que fazer quando se formar? Como se acha? Isso eu vivo agora mesmo.

As relações entre os personagens! Enfim é tudo maravilhoso, mas o mais maravilhoso ainda em se ver na série é que todos os personagens são importantes e até mesmo os cenários são.

Adorei amei, realmente tem que já ter uma certa carga para entender tudo o que o anime se propões a passar.

Vou correr atrás do mangá agora, espero achar.

Parabéns pelo blog!

Nunca se deixe enganar pela fofura e beleza do traço, pois a história é rica e madura.
Amo honey e clover apesar de ter achado o final do anime meio corrido =(

Chorei com sua belíssima resenha
Realmente Honey and Clover foi uma obra excelente!
Quem já passou pela universidade com certeza se identificou com a história
Sem falar da bendita crise dos 20 anos. O que fazer? No que vou trabalhar e por aí vai
Parabéns pelo blog ^^

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