quarta-feira, 24 de outubro de 2012

“Shoujo Não Vende” ou parem de encher o saco das editoras!



Sabe aquelas coisas que precisam ser repetidas para que as pessoas acreditem? Assim, ninguém mostra vendagens de mangá nesse país, mas você precisa convencer o público que somente um gênero de mangá não vende no país? Certo, pois é, rolou a Fest Comix no fim de semana passada e o Gyabbo! fez um post sobre a Coletiva da editora JBC. Lá pelas tantas, o pessoal do SOS Sailor Moon perguntou sobre a possibilidade de lançamento do mangá no Brasil. A resposta foi uma evasiva, mas vou reproduzir o que o Gyabbo! escreveu depois:
Aproveitando a oportunidade e fiz algumas perguntas (emendei três em uma pela falta de tempo) também. A primeira era sobre a falta de investimentos da editora em shoujo e josei, qual seria o motivo para tal. Cassius foi bem enfático e direto ao afirmar que isso se dá simplesmente pelas baixas vendas que esses produtos apresentam – algo que confirma uma informação que eu havia recebido de um contato da Panini no mesmo sentido, com exceção para títulos maiores como Kimi ni Todoke.
Enfim, pessoal, se as editoras dizem, a gente acredita, certo? Eu imagino que todos os mangás shounen e seinen devam vender muito, especialmente se levarmos em conta, e isso foi publicado na Folha de São Paulo, que a Mauricio de Sousa Produções é responsável por 87% das vendas de quadrinhos no Brasil. Sobram 13% de mercado para comics, mangá e tudo mais... Difícil acreditar que as vendagens dos mangás shounen e seinen - fora Naruto, claro - sejam assim, de encher os olhos...


Enfim, a gente pode lembrar de cabeça de vários títulos seinen e shounen descontinuados, algo que é normal em qualquer mercado normal (*não é redundância, é ironia*), mas nunca vi ninguém usando o rótulo da demografia da forma como fazem com shoujo para dizer “não vende”. De qualquer forma, escrevi ontem e reitero: eu não me importo mais. Pessoal que quer ler shoujo e josei, procure scanlations. Aproveite para treinar e/ou aprender uma língua estrangeira – inglês, francês, italianos, espanhol, e japonês, claro – lendo mangá. Eu expandi muito meu conhecimento da língua inglesa lendo quadrinhos de Jornada nas Estrelas lá nos anos 1990. Sabe esse banner do Book Depository que vocês vêem ali á esquerda, pois é, eles não cobram frete. Há vários mangás shoujo, josei nem tanto, que você pode comprar em inglês. Inclusive a bela edição de Sailor Moon da Kodansha. Sabe por quanto está saindo o box com brindes? U$61.58 por seis volumes. O preço normal do volume é U$12. Salgado? Mas coloque na ponta do lápis, pense na encadernação e qualidade do material. Peça de Natal.


A partir dessas evidências – a palavra dos editores e somente ela – parem, por favor, de pedir publicação de shoujo ou josei para as nossas editoras. Afinal, elas não são casas de caridade. Se shoujo mangá não se sustenta – daí tantos cancelamentos (*me lembro de Peach Girl... E... E... E...*) e tantos encalhes (*vocês tropeçam neles aos montões nas bancas e sebos...*) não podemos ser tão inconscientes de ficar insistindo para que as empresas arquem com enormes prejuízos. Tenham dó... E piedade! Falando sério, agora, não pensem que eu estou chateada, zangada, eu só acho muito curiosa a forma como o machismo (*e o amadorismo*) se manifesta nos discursos e nas práticas, mesmo em detrimento de possíveis ganhos econômicos.  Realmente, curioso...  E leiam, por favor, o poste do Gyabbo! Só comentei dois parágrafos, a cobertura é muito maior que isso.

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12 pessoas comentaram:

É claro que shoujo não vende para a JBC - eles não publicam nenhum mangá shoujo! Quer dizer, exceto por Sakura... Aquele que ganhou edição especial... com até páginas coloridas... Mas que de certo não vende também, não é?
A Panini tem encalhe de shoujo também, mas o mesmo vale para shounens (Kekkaishi é um exemplo, infelizmente).
Quando será que as editoras vão entender que o problema não está na demografia, mas na falta de marketing? Mesmo o boca a boca (que já é uma péssima prática da JBC e Panini) é ineficaz quando se trata de um mangá desconhecido, de autora desconhecida (Mad Love Chase, alguém?). Não me leve a mal, adoro muitos shoujos assim publicados por aqui, como Sunadokei, mas não seria muito menos arriscado apostar em mangás shoujos famosos, ou pelo menos de autoras queridas? Matsuri Hino teve todos os mangás lançados aqui, de certo é porque vendeu, e eram todos shoujo. Então por que a Panini insiste na velha prática de apostar no desconhecido? Quando Kimi ni Todoke faz imenso sucesso, e mangás como Lovely Complex até hoje não foram lançados em bancas brasileiras.

De qualquer forma, é risório ver editor da JBC dizer tal coisa quando TODOS os shounens lançados por eles já eram bem conhecidos por aqui. E duvido que Nana tenha vendido mal (JBC não aumentou o preço em volumes com quase 300 páginas, sinal de venda ruim/prejuízo não é, muito pelo contrário).

Se eu tivesse cartão internacional, não pensaria duas vezes antes de parar de comprar mangás lançados em nossas bancas. A qualidade da edição americana é muito superior *tenho Gran Guignol Orchestra vol.01 da VIZ*.

Bom, uma saída seria o formato digital, o "prejuízo" seria mínimo ou mesmo inexistente, pois só teriam os custos de licenciamento e de salário dos funcionários. Eu ficaria muito feliz se as editoras considerassem esse novo mercado, e utilizando preços bem menores já que não teria custos de impressão, aposto que as vendas seriam bem satisfatórias. ˆˆ E poderiam continuar a venda de mangás físicos, pois muitos gostam, só que em uma tiragem menor. ˆˆ

Sinceramente? A dica da Val de aproveitar para estudar uma outra língua é ótima. Há duas semanas atrás eu tava na casa de uma amiga de SP que é fujoshi. Todo o material dela é praticamente comprado lá fora, pela Amazon. A qualidade é incrível gente. E estudando e lendo mangás ao mesmo tempo, ela já sabe falar inglês, alemão e está cada vez melhor no japonês. As editoras brasileiras não sabem trabalhar com os seus produtos. Isso vale para shoujos e mangás de outros estilos também. A maior propaganda quem faz são os fãs mesmo. Ridículo.

Já cancei de ver edição encalhada de Inuyasha, Rurouni Kenshin, Yu Yu Hakusho e vários dos mangás novos deles em sebos. Eles falam que shoujos não vendem, mas não provam com números. 99,9% dos shoujos que lançaram era do Clamp. Os outros foram vendidos até o fim ou até onde parou no Japão. É fato que não pegaram mais nada da Tanemura, mas Fullmoon deve ter vendido bem, já que não demorou pra Panini Lançar Gentleman. Quanto ao encalhe da Panini, tá no meio a meio. Eles sumiram com Otomen, alegando vender pouco, mas não param de lançar shoujo. Pra mim a JBC quis repetir a informação sobre Otomen.
Se eu tivesse cartão internacional e mais dinheiro sobrando eu não pensaria 2 vezes antes de importar meus mangás. ç.ç

Acho engraçado é o pessoal indo comentar lá no Gyabbo! e acreditando que é verdade, porque o editor da JBC (*que sempre investiu em shoujo, vocês sabem*) disse. E o autor do post também acreditando... Espero qeu o pessoal entenda que meu post é ironia.

yo!

Eu passei lá no Gyabbo,e realmente achei risível a ingenuidade das pessoas...
Como falei lá, shoujo no Brasil é só pra cumprir "cota", só pra não dizer que não tentaram...afinal porque as fãs de shoujo reclamam, se a cada dez títulos, UM é shoujo, poxa, é chorar á toa...rsrsrs

Me entristece tbm é que só percebe o desprezo pelo shoujo, quem gosta de shoujo, pois os fãs de shounen dizem cheios de orgulho que " o mercado de mangás no Brasil está bom demais, tem uma variedade para todo mundo",é claro que é fácil demais ser feliz quando seu gênero favorito SEMPRE foi valorizado. Quando falo da falta de josei ou yaoi, me olham como se esses títulos fossem leprosos ou fetichistas, que shoujo é "fraco","ruim mesmo".

Eu até gosto de Nurarihyon no Mago, mas não festejei a vinda porque sei que precisamos expandir mais. Não falo apenas de shoujos/josei do momento, falo de trazer clássicos.

Nós,fãs, existimos sim, e sei que há um público que nunca será fisgado por batalhas cansativas ou meninas com peitões. Que tal mostrar a essas pessoas que mangás podem ser mais do que isso?

Não gosto de Naruto, Bleach, One Piece, sabem porquê?Porque o leque do mundo dos mangás é mais amplo. Se não fosse, eu não seria fã.

bjus Valéria

O grande problema da JBC é que ela sempre deixou que os gostos pessoais de seus editores/Assistentes influenciassem nas escolhas pelos títulos que iriam publicar. E isso demostra a imaturidade da empresa e a visão 'restrita' que eles tem desse nicho no Brasil.

Se, por exemplo, o Del Greco fosse tão fã de Sailor Moon quanto é de CDZ o mangá ja teria saido no Brasil faz tempo . . .

Shoujo não vende bem? E o relançamento de Sakura Card Captor?! Como se todos os shonen lançados aqui vendessem milhões de exemplares. Tal afirmação (sem dados) tá mais para ‘Parem de Encher o Saco das Editoras’.

A desvalorização do shoujo / josei no Brasil é notória. Tratam o material como inferior e isso entristece qualquer fã. No mais, concordo com os comentários da Juliana e do silas_wing.

Cada vez mais adquiro menos mangás BR. É confortável ler em português, mas ter coleções incompletas, falta de qualidade das edições e torcer por mais títulos do gênero shoujo / josei serem lançados aqui, desanima bastante.

Entro num mangareader da vida, 'cato' um shoujo ou josei ou até seinem e leio em inglês, sou dessas. Treino mais a leitura da língua e me divirto. O pq das editoras ignorarem totalmente um segmento do mercado eu não sei. Acho que não quero mais saber. E devo estar ficando com raiva quem sabe. Ligar o 'foda-se' é uma sensação maravilhosa nessa vida.

Já dizia o ditado "desculpa de aleijado é muleta". Mercado brasileiro de mangá é uma porcaria. Como não bastasse uma boa parte do público alvo ser representada por uma maioria de otakinhos "porcaria",não há profissionalismo por parte das editoras, não há vontade de fazer as coisas direito para os vários públicos que temos.

Por essas e outras entendo bem o raciocínio daquele falecido ex-editor ( a despeito das bobagens que falava continuamente)que pegou raiva do "mercado" daqui. Os otakinhos não se tocam que são consumidores e aceitam ser feitos de tontos e as editoras tratam todo mundo com desrespeito.

Muito melhor mesmo pegar seu produto onde te respeitam e de quebra, ampliar os horizontes idiomáticos :)

Shoujo no Brasil não vende? Por que será? Por que querem lotar as bancas de títulos desconhecidos! Eu nem fico mais feliz quando tem anuncio de mangá shoujo por aqui, é sempre titulo que eu não conheço. O ultimo mangá shoujo que foi lançado aqui e eu conhecia foi Kimi Ni Todoke. Se eu não conheço o mangá dificilmente vou comprar, já que dinheiro não vem fácil, poucas são as exceções e o mangá tem que chama muito a atenção na banca, como Sugar Sugar Rune e Black Bird.

A uma quantidade infinita de bons títulos famosos aqui. Não entendo o porque de Lovely Complex, Hana Yori Dango, Hana-Kimi, Skip-Beat!, Sailor Moon, e outras toneladas nunca terem dado as caras no Brasil. São títulos muito populares aqui e só as editoras não percebem isso. Os doramas de Hana Yori Dango são dos mais famosos aqui no Brasil, não importa o país da produção. LoveCom tem uma quantidade absurda de fãs (mesmo que eu não entenda o porquê). E precisa comentar do fandom que Sailor Moon tem no Brasil?

Enquanto as editoras continuarem trazendo títulos "tão" conhecidos como os que andam trazendo, shoujo e josei realmente não vai vender no Brasil.

Mas, cá entre nós... Mais shoujos seria ótimo! Porém, estou consiente do que se passa no comércio e é algo bem mais complicado do que parece, infelizmente!

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