quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Comentando o Trailer de Rebeca da Netflix

Faz um bom tempo que a Netflix anunciou uma nova versão de Rebecca, baseado no romance de  Daphne Du Maurier (1907-1989).  Fiz um post em 2012, quando começou o boato sobre o filme, eu acho, comecei a rever a primeira filmagem do livro, que foi dirigida por Alfred Hitchcock e venceu o Oscar de melhor filme, mas acabei não terminando.  O fato é que eu gosto bastante do primeiro filme com Laurence Olivier, Joan Fontaine e Judith Anderson.  Enfim, veio o trailer, ele está aí embaixo:


Para quem não conhece a história, Rebecca conta a história de uma jovem de pouco mais de vinte anos, no livro nunca sabemos seu nome, que é muito tímida, sensível, inteligente, virgem, claro, e conhece um homem rico e mais velho, um recém viúvo.  Eles se apaixonam e se casam rapidamente e ela vai morar na propriedade do marido, uma daquelas grande casas inglesas meio sombrias.  A governanta da casa, Mrs. Danvers faz questão de deixar claro para a nova senhora que ela não merece ocupar o lugar de Rebecca, que era uma mulher perfeita e superior em todos os sentidos. A jovem começa a ficar perturbada pela presença da falecida por toda a casa e passa a duvidar do amor do marido, afinal, ela não é Rebecca. Com o andar da história, ficamos sabendo que Rebecca não era nada disso, claro.


Olhando essa nova adaptação, assim como na versão de 1940, na qual o papel era do Laurence Olivier, escolheram um ator jovem demais para o papel de Maximilian "Maxim" de Winter.  Não vou reclamar de olhar para o Armie Hammer, mas a escolha não foi a melhor.  Lily James é aquilo, pegam a atriz para todos os papéis de época e a protagonista deveria ser mais jovem.  Sim, porque havia um abismo de idade entre ela e o marido, já a diferença entre Hammer e James não chega a quatro anos.  O trailer também mostra os dois tendo um namoro bem moderninho que vai afastar esse filme das versões anteriores, sim, porque há mais de uma.


Aliás, acabei tropeçando em uma que parece ter pego direitinho o espírito da coisa. A versão de 1997 foi protagonizada por Charles Dance (Tywin Lannister de Game of Thrones) e Emilia Fox (Georgiana Darcy de Orgulho e Preconceito 1995) e parece ter ficado perfeita.  Aliás, é possível encontrar essa versão no Youtube.  Parece interessante.

Eu sei, muita gente deve esperar que eu fale que Rebecca é um plágio de A Sucessora de Carolina Nabuco.  Sim, pode ser, mas também pode não ser.  Eu li A Sucessora, vi a novela (*foto acima, Suzana Vieira estava muito fora da idade para o papel*), também, e é a mesma história, mas veja que a ideia é muito simples e já tinha sido usada antes.  Tanto tinha sido usada que, em linhas gerais, é a trama de um dos romances menos badalados de José de Alencar, Encarnação.  Então, não serei eu a colocar minha mão no fogo nessa história.  A estreia do filme da Netflix será em 21 de outubro.  Darei uma olhada, com certeza.

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2 pessoas comentaram:

Se fosse mera coincidência ok, mas as circunstâncias são suspeitas - a Carolina Nabuco mandou a tradução para o inglês feita por ela mesma para a editora da Du Marrier e nunca obteve resposta (além da produtora da adaptação de Rebeca ter oferecido uma bolada para ela assinar um documento abrindo mão do processo de plágio...

Estou ciente de tudo o que você comentou, há outros posts tocando no caso, linkei alguns até. Só que não houve ação judicial e muito mais barulho. Sabe o motivo? Seria fácil, fácil, provar que A Sucessora bebeu em outras histórias anteriores e Rebecca, também. São duas histórias simples e com elementos já vistos, inclusive nos anos 1930. O Alberto Manguel fala sobre como Hollywood se especializou em derrubar argumentos de plágio em um dos capítulos de Os Livros e os Dias. Garanto a você, com razão, ou sem razão, Nabuco perderia e, como já ficou claro, eu realmente não coloco minha mão no fogo por uma história que já estava toda rascunhada em José de Alencar e, provavelmente, em outros autores e/ou autoras anteriores.

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