sábado, 16 de outubro de 2021

Shoujocast no Ar! Um Pouco de Nostalgia: Mostrando Minha Coleção de Japan Fury e Animax

Houve um tempo que as revistinhas informativas eram a salvação dos fãs de mangá e anime.  Arrumando minhas coisas, encontrei minhas coleções de Japan Fury e Animax e decidi falar sobre essas revistas que foram fundamentais para o início da minha caminhada como fã e como pesquisadora de mangás.   Depois de muito tempo, lancei mais um Shoujocast falando de algo que foi muito importante na minha vida de fã de anime e mangá, as revistinhas informativas que se multiplicaram nas bancas do Brasil após o lançamento de Cavaleiros do Zodíaco pela rede Manchete.  Se quiser assistir, é só clicar!

Artbook de Wotakoi lançado no Japão

No dia 14, houve uma série de lançamentos relacionados à série Wotakoi (ヲタクい), que sai no Brasil pela Panini.  Saíram as duas versões do volume final da série, o #11, em versão normal e especial, que traz Blu-ray com um especial mostrando os eventos de um capítulo do volume #6 do mangá.

Além dos dois volumes e brindes para quem comprasse os exemplares nas lojas da rede Animate, foi lançado, também, um artbook chamado Wotaku ni Koi wa Muzukashii - Official Art Works (ヲタクに恋は難しい official art works) com ilustrações feitas pela autora, Fujita, em diversas ocasiões, além de originais nunca publicados.

Wotakoi teve série animada, além de especiais, e um filme live action.  Surgido no Pixiv, fez tanto sucesso que migrou para a revista Comic Pool e se tornou um sucesso mundial ao retratar o dia-a-dia de um grupo de otakus adultos, com profissão, enfim, uma vida que não se restringe aos seus hobbies.  As informações vieram do Comic Natalie.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Ranking da Oricon - Semana 04-10/10

Saiu o ranking da Oricon e temos um shoujo e um josei no top 30.  Gakuen Babysitters é um dos sucessos da Hana to Yume e já teve anime.  Já Kimi wa Mendou na Konyakusha, que sai na revista Love Jossie, ainda está no volume #4 e, como já entrou no ranking, acredito que possa ter um dorama anunciado em breve.  Não achei nenhum resumo decente desse mangá, nem parece ter scanlations.

1. Jujutsu Kaisen #17
2. Boku no Hero Academia #32
3. Five Star Monogatari #16
4. Black Clover #30
5. MASHLE #8
6. Dandadan #2
7. Sangatsu no Lion #16
8. Ao no Hako #2
9. Owari no Seraph #25
10. Tokyo Revengers #24
22. Gakuen Babysitters #22
25. Kimi wa Mendou na Konyakusha #4

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Wataru Yishizumi vai desenhar mangá baseado no dorama Kasouken no Onna

A conta oficial no Twitter dorama Kasouken no Onna (科捜研の女) anunciou que a autora de Marmalade Boy (ママレード・ボーイ), Wataru Yoshizumi, vai desenhar um mangá curto baseado no primeiro episódio da vigésima primeira temporada da série.  

Nossa!  Que seria longa!  Kasouken no Onna estreou em outubro de 1999 e conta a história de uma cientista forense que trabalha no Departamento de Polícia da Prefeitura de Kyoto.


  

Segundo o ANN e o Comic Natalie,  o novo mangá de Yoshizumi é contado da perspectiva do colega de Sakaki, Ami Wakuta, e foca na relação entre Sakaki e o detetive Kaoru Domon.  Se entendi bem o CN, haverá também um voice comic do mang´.

Recomendação: Confinadas merece ser lida

Não é uma resenha, mas a recomendação de um livro que está em Catarse.  Vou colocar o resumo da página do projeto: "Escrita ao longo de 2020, durante a pandemia de coronavírus, a tira CONFINADA, criada por Leandro Assis e Triscila Oliveira, conquistou centenas de milhares de leitores nas redes sociais. Combinando crítica social, drama e humor, CONFINADA lança um olhar agudo para o racismo e as desigualdades sociais no Brasil, e traz à tona um país que muitos preferem não enxergar."

Eu acompanhei Confinada pelo Instagram do Leandro Assis e, se você não tem condições de apoiar, pode ler Confinada e outras obras, como Os Santos, na página do autor.  A Triscila é ativista feminista negra e é extremamente certeira nas suas críticas.  Agora, se você quiser ter em casa a obra, garanto que vale muito mesmo e é um belo painel do Brasil durante o primeiro ano de pandemia, porque sabemos já que não vai acabar tão cedo...  

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Comentando Orgulho Além da Tela (Globoplay/2021): A Globo fala dos LGBTQIA+ nas suas novelas

Ontem, aproveitei o feriado para três coisas: trabalhar, me angustiar porque volto para o presencial amanhã e assistir aos três capítulos do documentário Orgulho Além da Tela do Globoplay.  Gostei bastante dos três capítulos, mas como normalmente acontece em produções da Globo sobre a história da TV, elas terminam ficando restritas à emissora, é algo meio que masturbatório mesmo, ainda que com grandes méritos.  É a Globo falando dela mesma, como se nada existisse no entorno.  De qualquer forma, seguindo o mesmo molde da série Falas Negras, Falas de Orgulho e Falas Femininas (*que eu deveria ter resenhado e não resenhei*) o material foi muito bem feito e sensível, cheguei a me emocionar em vários momentos.  

O primeiro capítulo buscou apresentar cronologicamente a aparição de personagens LGBTQIA+, em especial, gays, lésbicas e bissexuais, nas novelas e em uma única série da emissora; o segundo capítulo foi sobre o drama do beijo gay; o terceiro episódio foi sobre outras sexualidades e identidades nas novelas.  Os programas contaram com a participação de autores (Glória Perez, Euclydes Marinho, Walcyr Carrasco, Manuel Carlos, Aguinaldo Silva, Gilberto Braga,  Ricardo Linhares e Sílvio de Abreu, espero ter lembrado de todos), atrizes e atores de algumas das produções, jornalistas, ativistas da causa LGBTQIA+ e pessoas comuns que foram tocadas, tiveram sua vida ajudada, ou se sentiram representadas por situações apresentadas na teledramaturgia global.  


O episódio #1 segue uma linha do tempo apresentando o primeiro personagem homossexual em uma novela da emissora, Assim na Terra como nos Céus (1971) de Dias Gomes, o costureiro Rodolfo Augusto (Ary Fontoura).  Esta primeira parte do documentário discutiu as limitações impostas pela censura, como tudo tinha que ser muito sutil e, ao mesmo tempo, como era importante usar as telenovelas como um veículo de inclusão daqueles que não tinham voz.  Logo na abertura, Ary Fontoura encontra com um homem que era criança quando desta primeira novela e que comenta da importância da personagem gay na trama para sua vida.

Acredito que o grande destaque desse primeiro capítulo, que foi acompanhando cronologicamente até o final dos anos 1990, mas deixou o resto para depois, foram as participações de Gilberto Braga, que tem um jeito meio antipático, mas é o jeito dele mesmo e cada um tem o seu, mas que deixou ali explícito o quão difícil foi sua trajetória como novelista que buscou incluir personagens gays e lésbicas em suas tramas. Ele comenta a censura e o quanto o mordomo de Dancin' Days (1978) foi perfeito, porque o gay cômico é aceito, e, ao mesmo tempo, um desserviço, porque reforçou estereótipos, depois passou para Brilhante (1981), a novela mais antiga da qual lembro alguma coisa (*a abertura*), e a personagem Inácio (Dennis Carvalho), filho de Chica (Fernanda Montenegro). 

Como ele teve que driblar a censura, em especial D. Solange, a mais voraz de todos eles, colocando signos que faziam sentido para o público gay e que poderiam passar despercebidos para os demais.  Este recurso é o mesmo usado, por exemplo, em Ben-Hur e relatado no documentário The Celluloid Closet (1995).  Dennis Carvalho participa de todos os capítulos, porque ele foi ator e diretor de algumas das produções que aparecem ao longo dos episódios.  Euclydes Marinho fala de um dos episódios de Malu Mulher (1979-1980) que mostra quando a protagonista (Regina Duarte) passa a noite com uma amiga (Ângela Leal) e que foi mutilado pela censura, perdendo o sentido e passando a ideia de nojo.

Outros destaques deste episódio foram: Buba (Maria Luisa Mendonça) em Ranascer (1993) e como o tema da intersexualidade foi trazido para a trama com cuidado e com o que se tinha na época de informação. Eu lembro do impacto, de como a atriz ficou marcada e é surpreendente que não se tenha tocado nisso de novo em oputra produção. A Próxima Vítima (1995), com a participação de um casal, um deles negro, falou da importância da novela na sua vida e que se a história de Sandrinho e Jefferson tivesse uma continuação, eles certamente teriam filhos como ele mesmo tem com o marido. Vale Tudo (1989) com o casal Cecília (Lala Deheinzelin) e Laís (Cristina Prochaska).  Lembro, adolescente, que eu só percebi que elas eram um casal já no final da novela.  Para se ver o quão sutil a coisa era, ou o quão tapada era eu.  Mas o fato é que a novela levantou uma discussão super importante sobre a questão os direitos de herança, a falta de regulamentação das relações homoafetivas, pois Cecília morre e seu irmão, o vilão da trama, quer tirar tudo de Laís.  

O episódio fala dos limites da representação e da tristeza que foi Torre de Babel (1998).  É um dos pontos altos do capítulo, porque mostrou o papel da imprensa da difusão de notícias falsas que estimularam o preconceito da audiência contra o casal de lésbicas maduras, felizes e bem sucedidas.  Outro momento importante da trama foi o depoimento da mãe que teve seu filho de 14 anos morto em um ataque homofóbico, mesmo que o menino em si nunca tivesse se identificado como homossexual, e que se sentiu consolada por uma trama semelhante na novela Insensato Coração (2011), que tinha um número recorde personagens homossexuais, com a punição do criminoso.  

Críticas?  Sim.  Omitiram o mordomo Eugênio (Sérgio Mamberti), ele estava em Vale Tudo e o ator faleceu recentemente, não lembro dele nem de passagem em algum dos episódios.  Passaram voando por Roda de Fogo (1986) e, caramba, foi ali que tivemos um primeiro vilão LGBTAQIA+, muito antes de Félix.  Mário Liberato (Cecil Thiré) era bissexual  (*tenho cá minhas dúvidas*) ou gay e tinha uma relação muito íntima com seu mordomo Jacinto (Cláudio Curi), ex-torturador da Ditadura, e uma paixão mal resolvida pelo protagonista Renato Villar (Tarcísio Meira).  Desculpe, mas era muita coisa para comentar dessa novela.  E como não vou retornar ao caso, registro que a novela Desejos de Mulher (2002) de Euclydes Marinho, que falou em todos os capítulos, foi apagada, não apareceu em momento algum.  O casal da trama, José Wilker (Ariel) e Otávio Muller (Tadeu) foi tão rejeitado, teve que parar de usar aliança e não podia trocar um carinho sequer.  E isso já me aponta para algo atinente ao segundo capítulo, a maioria das representações de homossexuais não caricatas aceitas pelo público são representadas por atores e atrizes jovens.  

O segundo capítulo foi sobre o beijo e quem acompanha a teledramaturgia da Globo sabe o quanto demorou para que um mísero beijo entre pessoas do mesmo sexo fosse trocada na tela.  Falaram, claro, de América (2005) e eu esperava ver o beijo que nunca foi ao ar, mas foi gravado SETE vezes em posições e ângulos diferentes.  O que disseram?  Que a emissora destrói cenas que nunca foram exibidas.  Olha, esse material foi deliberadamente destruído, porque programas como Vídeo Show passaram anos exibindo erros de gravação e essas sobras que nunca foram ao ar.  Outra coisa referente à América foi dizerem que Júnior (Bruno Gagliasso) não dava pistas de sua orientação sexual, quando desde a primeira cena ele quase devora Zeca (Erom Cordeiro) com os olhos.

Bem, o auge do capítulo #2 foi Amor à Vida (2014) e a importância de Félix e do seu beijo com Nico para a teledramaturgia, mais ainda, como a relação dele com o pai, César, aquele final muito bonito, teve impacto na vida de pais de filhos gays.  Raoni, o convidado, e seu pai deram depoimentos muito emocionantes. Eu detestava a personagem do Antônio Fagundes, mas eu entendo a importância da trama.  Aliás, eu não gosto de novelas de Walcyr Carrasco, mas parei para ver as cenas de Félix e Nico (Thiago Fragoso), porque não acreditei, no início, que ele estava fazendo o que estava fazendo.  E fez e Mateus Solano tomou a novela para ele.  Não foi o primeiro vilão gay, Roda de Fogo está aí para provar, mas foi o primeiro protagonista de novela.  Problemas houve, mas eu imagino o quanto isso tenha feito diferença na vida das pessoas que não se veem representadas na tela, que não tem direito ao amor e à família nas teledramaturgia.  Foi um grande passo, sim.

O capítulo chega a passar a mensagem de que chegamos ao ponto em que beijar, ter casal de gays, lésbicas, trans, já está quase normalizado na ficção.  Acredito que isso é perigoso e prematuro, porque vivemos um momento de forte reacionarismo que pode, sim, se materializar em leis de censura, ou em pressões sobre a emissora para que ela recue de pautas progressistas.  Aliás, a série não perde isso de vista, porque o jornalista Jorge Luiz Brasil, comenta as questões mercadológicas e como elas podem impactar uma novela.  Falando nisso, há a questão de Babilônia (2015) com a rejeição ao casal formado por Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg.  Aqui, eu acredito que a série patinou muito.  Vamos lá!

As duas atrizes se beijaram no primeiro capítulo, em um ambiente íntimo, o quarto do casal.  Todas as vozes que analisaram o caso no capítulo destacaram a rejeição ao beijo como o motivo do fracasso da novela.  Primeira coisa, esse pessoal precisa assumir que Babilônia foi uma novela ruim, isso pode ser mapeado nas matérias de época, se não tivesse beijo de um casal lésbico no primeiro capítulo ia continaur sendo ruim.  Outra coisa, em dado momento falam dos grupos de pesquisa de como houve se tocou no aspecto "idade".  Olha, uma das marcas dos casais bem aceitos nas novelas era ser formado por atores e/ou atrizes jovens, os gays idosos (lésbicas não me lembro) na teledramaturgia eram sempre figuras cômicas e/ou solitárias.  Eu defendo que a rejeição foi ao casal de mulheres idosas, ao corpo da velha, que não normalmente não é fetichizado, não é alvo do desejo. E os gays, lésbicas e outros tendem a ser percebidos pelo grande público a partir da sua sexualidade, não como seres humanos completos.  Resultado?  Deu curto na cabeça de muita gente.  E vamos para Aguinaldo Silva.

O autor está desde o primeiro capítulo, quando ajudou a falar do momento de fim da ditadura e criação do jornal Lampião da Esquina, o primeiro feito por homossexuais e um grande marco.  OK, aqui, mas eis que ele aparece várias vezes ao longo da série para falar o quanto fez "progredir" a representação dos LGBTQIA+ nas telenovelas.  E ele cita Senhora do Destino (2004) e o casal formado por Bárbara Borges (Jenifer) e Mylla Christie (Eleonora) e como ele decidiu não brigar pelo beijo, mas colocou as duas atrizes, jovens, bonitas, acordando juntas na cama em uma cena que deixava claro que elas tinham feito amor.  Lindo e, ao mesmo tempo, ele estava oferecendo dois corpos jovens e que poderiam ser consumidos pelo olhar masculino, de repente, um homem poderia ser mais um naquela cama.

Velhas não podem se beijar, até imagino que velhos também não possam, nem homens um tanto fora do padrão, vide o caso de Desejos de Mulher.  Até já temos gays afeminados conseguindo ser aceitos na ficção, desde que permeados por certo humor, mas a lésbica caminhoneira, fora do padrão de consumo masculino, como algumas das mulheres que apareceram comentando a importância das telenovelas na sua vida, elas não têm espaço na ficção da Globo.  Sinceramente?  Faltou alguém para dimensionar isso. Faltou alguém do movimento feminista, não é?  E, repito, Babilônia não fracassou por causa do beijo de duas mulheres idosas, mas porque era ruim e estava competindo com um fenômeno chamado Os Dez Mandamentos.

Chegamos ao último capítulo, o das novas sexualidades e identidades.  É o capítulo que fala de pessoas trans e travestis, mas não abriram espaço para Cintura Fina de Hilda Furacão.  Ora, se falaram de Malu Mulher, poderiam ter aberto um espaço neste capitulo para a personagem de Matheus Nachtergaele.  A Força do Querer (2017), Gloria Perez, Silvero Pereira, Carol Duarte, tiveram um bom espaço neste capítulo, merecido, aliás.  Aqui, foi interessante mostrar como Ivana/Ivan ajudaram as pessoas a conseguirem uma referência sobre o que é um homem trans.  Falaram, também, da importância de Sarita Vitti de Explode Coração (1995), mas sem Floriano Peixoto, que está na Record faz tempo.  Trouxeram Rogéria, também, e sua Ninette de Tieta (1990).

Aqui, foi importante ouvirem mulheres trans já idosas até para dimensionar os obstáculos da sociedade e seus dramas internos e entender uma Rogéria, que nunca mudou seu nome social, e teve um reconhecimento para além dos palcos.  Agora, causou constrangimento, especialmente, para as mulheres trans militantes, gente séria que estava comentando a importância da teledramaturgia e de tudo o que passaram, ter Aguinaldo Silva comentando com muito orgulho as tosquices que colocou em algumas das suas últimas novelas.  Sim, e teve um bom espaço para Crô e as ponderações de Marcelo Serrado, mas nem é dele que estou falando.  Tipo, as convidadas se seguraram, mas, ainda assim, pontuaram que as representações não foram muito coerentes, não.

Enfim, recomendo muito a série, mas é preciso compreender que ela se omitiu em discutir certas questões, o silêncio às vezes grita, sabe?  E é uma série refém do material da Globo.  O que veio antes, e houve um beijo lésbico no início dos anos 1960 na TV, o que aconteceu na Manchete, ou no SBT, não existem para a emissora.  Senti falta, também, de gente como Diogo Vilela, porque seu Uálber fez muito sucesso, como atesta a foto de um do discos da trilha sonora, e a novela Suave Veneno (1999) sequer apareceu na cronologia, embora ele apareça em uma rápida aparição em um amontoado de cenas.  "Ah, não dá para falar de todo mundo!"  Crianças, até o ano 2000 foram tão poucas personagens que dava, sim, nem se fosse somente para dizer que a personagem estava lá e como e se fez sucesso, ou foi rejeitada.  Se deram espaço para o Crô, Uálber merecia muito mais.  E mais, é preciso vigiar, porque essa coisa de acreditar que um governo autoritário orientado por um ideologia cristofascista não pode impor censura e restrições várias é ser muito inocente.  

Agora, algo muito importante nesses documentários é dar a dimensão de como é importante para as pessoas se verem representadas.  É perfeito?  Não.  Além disso, do poder da telenovela e outras mídias para provocar a reflexão a respeito de temas difíceis e desconhecidos, ou mesmo a sua tradução para uma linguagem mais acessível.  Como enfatiza Sílvio de Abreu, telenovela é entretenimento, mas pode ser muito mais.

domingo, 10 de outubro de 2021

Reikoku Shitsuji wa Maid wo Dekiai suru: Recomendação de Mangá com ressalvas (+18/NSFW)

Sempre via ilustrações de Reikoku Shitsuji wa Maid wo Dekiai suru (冷酷執事はメイドを溺愛する) de Ashika Nozomu no Twitter.  Nunca parei para procurar informações, o traço era bonito, mas essa história de maid, enfim, nem lembro por qual motivo fui procurar se tinha scanlations no Bato-to, mas tinha e o mangá, que sai na Renai Hakusho Pastel, ainda está em andamento.  Vou postar o resumo da série que está no Bakaupdates e comentar umas coisas depois:  "Ele a domina, mima-a, a faz perder o equilíbrio ... Aos poucos, ela vai se afogando cada vez mais em sua tentação ... Mei, motivada por seus sentimentos pelo primeiro amor, Sena, acaba de realizar seu sonho de se tornar uma maid.  Ela finalmente consegue se reunir com Sena, agora um mordomo, apenas para ser confundida por sua atitude fria, que é diferente da personalidade gentil e agradável que ela costumava conhecer. Então, ele a beija de repente ...?!"

Lendo esse trecho imaginei que o tal Sena fosse algum sujeito problemático, dominador, mas não é por aí que a coisa vai.  Aliás, não sei se vai, porque para além do romance de Sena e Mei, eu acho o plot do mangá um tanto complicado.  Vamos lá.  Ambos os protagonistas são filhos de membros da criadagem de uma poderosa família japonesa.  Sabe aquele tipo de gente rica que até deve existir no Japão, mas que a gente só vê em novela ou em mangá?  Pois é, por aí.  O pai de Sena era o mordomo da casa.  A mãe de Mei, antes de se aposentar e abrir uma escola de formação de maids, era a governanta.  Se você assistiu Downton Abbey sabe como é a dinâmica desse tipo de coisa.  O mordomo comanda todos, mas seu braço direito é a governanta que organiza o grosso da criadagem.

O problema é que o chefe da família e da corporação morreu em um acidente aéreo junto com a esposa e o mordomo.  Sena, que não desejava ser mordomo, assume o lugar do pai.  É tradição de família.  Já Mei, assume a posição de maid depois de se formar no curso e em substituição à irmã, que engravidou do sobrinho do cara que morreu e teve que casar às pressas com ele.  Ah, sim!  Há um herdeiro, que, no início, pensei que seria uma criança, mas que é adulto e enrola uma noiva de outra família rica faz sete anos.  O casamento foi adiado por causa da tragédia, ocorrida dois anos antes.  A moça é uma gracinha, mas tem um fetiche por maids e deixa Mei um tanto constrangida, porque ela a transforma em sua criada pessoal, mesmo não tendo casado ainda.

E Sena?  Bem, ele é todo profissional e frio durante o dia.  Parece não reconhecer Mei, quando, na verdade, ele a conhecia desde criança e ela tinha decidido ser maid para ficar perto dele.  Essas escolhas profissionais... Bem, a coisa é assim na primeira semana da moça, até que ela encontra o mordomo sozinho no jardim e as coisas escalam para aquilo que marca os mangás TLs, pegação e sexo, não tudo isso na primeira vez.  Mei resiste pouco, se entrega rápido e não vi nada de não-consensual.  Sena é um tanto pervertido, mas nada além da média.  E o traço é liiiiindo!  Os dois protagonistas são muito bonitos.  Sena é seis anos mais velho que Mei e a ama desde que ela era uma criança.

Mas eis que há uma trama de espionagem.  Maids que são demitidas.  Mei é suspeita de estar passando informações sobre a casa.  Já ela não entende alguns comportamentos de Sena.  Há uma governanta que é uma detetive infiltrada.  Confuso, confuso, confuso.  E acaba pedindo transferência para a casa secundária da família, que é onde mora o tal sobrinho e sua irmã.  Nesse ínterim, a agência da mãe de Mei é descredenciada pela família, por causa da história de espionagem.  Mas estão espionando exatamente o quê?  É confuso.  Ah, e o uniforme dessa outra mansão é feio, bastante.

Onde parei de ler, capítulo 6 de 8 traduzidos, Sena foi atrás de Mei e a trouxe de volta deixando claro que sabe que ela não é espiã.  A moça fica informada de que sua própria irmã a estava usando para passar informações ao marido, que é o vilão até esse ponto da história e que tem cara de sujeito mau e traiçoeiro.  Volta a governanta verdadeira das férias e não parece gostar nem de Sena, nem de Mei, apesar de conhecê-los desde a infância.  E quem resolve essa fofocagem de família que não parece ter objetivo? A noiva do herdeiro da corporação que vai dar queixa do primo que quer tomar o poder, acho que esse é o ponto, para o pai dele que dá um aperto no sujeito.  

Mas, enfim, se você não se importar em saber quem está espionando o que para qual fim, ou por qual motivo o objetivo de dois jovens inteligentes seria seguir carreira como trabalhadores domésticos com uma rotina estressante que começa cinco da manhã e não tem hora para acabar, dá para ficar só com o romance dos dois.  Sena é bonito, sexy, viril e está longe de ser um abusador. O único aparente abusador da série é o chef da mansão, que tentou, inclusive, agarrar a mocinha e apanhou dela. 😜 Mei está um tiquinho acima da média das mocinhas do TL, ela é inteligente e ela não fica fingindo que não gosta da atenção que Sena lhe dá. Li comentários acusando o protagonista de ser assediador, imagino que seja por causa da primeira vez entre eles, porque ambos estavam meio bêbados, mas ela consentiu, vide a cena da luvinha.

Aliás, é engraçada a cena em que a noiva do patrão, que é visivelmente enrolada por ele, pergunta quantas vezes Sena e Mei fazem sexo por dia... As duas terminam se tornando amigas, espero que essa noiva arranje um sujeito melhor para ela, porque é gente boa.  Aliás, espiei o capítulo 8 e acabou de chegar um cara na história tão bonito quanto o Sena.  Espero que seja para a noiva que está n seca e, não, para tentar atrapalhar o romance dos protagonistas.  É isso.  Plot confuso, traço bonito, cenas de sexo interessantes, protagonistas e coadjuvante feminina simpáticos.  Para um mangá TL está até bom, de repente, eu é que estou lenta de raciocínio.

Abstinência de Kageki Shoujo!! ou Algumas palavras sobre o volume #2

Fiz uma leitura rápida, mas não detalhada, do volume #2 de Kageki Shoujo!! (かげきしょうじょ!!) já da parte publicada na revista Melody.  Enfim, estou com saudades da série, que resenhei completa (*basta clicar na tag*) e considero que o anime foi muito bom, uma bela homenagem ao Teatro Takarazuka, além de oferecer um elenco de personagens gostáveis sem nenhuma exceção.  Como pontuei ao longo das resenhas, o anime não conseguiu adaptar todo o mangá fazendo cortes e adaptações, além de eliminar praticamente todas as referências à animes.

O volume #2 cobre exatamente o capítulo #7 do anime.  Quem o assistiu, sabe que é um episódio que começa com Ai e Sarasa indo para Tokyo nas suas férias.  Sarasa está abalada pela avaliação que Andou-sensei fez de seu Teobaldo de Romeu e Julieta e Ai vai passar o feriado na sua casa.  O episódio mostra principalmente a infância de Sarasa, sua experiência com o Kabuki, o fato dela tomar consciência de que, por ser mulher, nunca poderá ser Sukeroku, uma personagem icônica do tradicional teatro japonês.  A série de TV cobriu muito bem a parte de Sarasa, mas reduziu ao mínimo a infância de Akiya, o amigo e namorado de Sarasa, herdeiro de uma tradicional família do Kabuki.

O pai e a mãe do rapaz são mostrados em profundidade e é explicado que o casamento dos dois não foi bem visto pela família dele.  A moça era muito mais jovem, não vinha de uma tradicional família do Kabuki e o sujeito rompeu com a tradição da família e seguiu outra carreira, ele é chef de cozinha.  É a mãe de Akiya, talvez por culpa, sei lá, decidiu pressionar o menino para ser ator de Kabuki.  Ele sofre bullying, ele se sente inferiorizado e fascinado por Sarasa e ele irá se culpar quando a menina é "expulsa" da escola de Kabuki.

O avô de Sarasa é mostrado melhor no quadrinho, enquanto a avó recebeu mais atenção no anime.  Outra diferença é que o tio de Ai, o professor de Balé, vai com Sarasa e a sobrinha no trem para Tokyo.  A conversa com as duas atrizes não foi somente com as meninas.  Outra coisa que é diferente, ou mais estendida, são os pensamentos de Ai, inclusive sua curiosidade sobre os sentimentos de Akiya por Sarasa e vice-versa.  Eles não se beijam?  São namorados mesmo? Sim, esta situação está no anime, mas Ai tem mais espaço no volume.  

Então, é isso.  O valume #2 do mangá é somente em cima do capítulo #7 do anime e com um corte que renderia outro capítulo, mas sem ser algo realmente problemático como o que aconteceu no capítulo #6, em que uma parte realmente bonita e comovente da história foi eliminada.  Estou com saudade do anime e queria muito este mangá no Basil.  Estou lendo as scanlations em inglês, conforme ela vai saindo.