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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Campanha de Financiamento planeja lançar um documentário monumental sobre Osamu Tezuka

O canal do YouTube da Tezuka Productions colocou no ar no dia 3 de maio o primeiro trailer do documentário de longa-metragem sobre Osamu Tezuka, intitulado Tezuka: Deus do Mangá . O projeto do documentário terá uma campanha de financiamento coletivo no Kickstarter , que começará em uma data ainda não especificada, segundo o ANN.

O diretor Jason Andrew Cohn e a equipe de produção da Bread & Butter Films, composta por Camille Servan-Schreiber, Jinko Gotoh, Glen S. Fukushima e Roland Kelts, estão produzindo o documentário.  O documentário contará com entrevistas com criadores de mangá e anime como Katsuhiro Ōtomo (Akira ), Riyoko Ikeda (A Rosa de Versalhes), Naoki Urasawa (Monster , Pluto), Gō Nagai (Devilman), Yoshiyuki Tomino (Gundam), o cofundador da MADHOUSE e produtor de anime Masao Maruyama (Tokyo Godfathers), o diretor de anime Rintarō (Metropolis), a autora de fantasia Ada Palmer (Too Like the Lightning), Samuel Sattin (Unico Awakening) e Jorge R. Gutiérrez (O Livro da Vida). O documentário também contará com entrevistas com renomados estudiosos de mangá, como Fred Schodt (The Astro Boy Essays: Osamu Tezuka, Mighty Atom, and the Manga/Anime Revolution) e Helen McCarthy (A Bíblia do Mangá).

Caso a campanha de financiamento coletivo seja bem-sucedida, os produtores agendarão entrevistas com os artistas Paul Pope ( THB ) e Ronald Wimberly ( Prince of Cats ).

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

O Agente Secreto Marca presença no BAFTA

O Agente Secreto, o filme sensação do Brasil em 2025, recebeu duas indicações ao BAFTA (The British Academy Film Awards), um dos prêmios cinematográficos mais importantes do mundo. Filme foi indicado ao prêmio de melhor roteiro original e melhor filme em língua não-inglesa. As duas indicações para O Agente Secreto no Bafta, mesmo com uma distribuição deficiente no Reino Unido. Aliás, foi assim como Ainda Estou Aqui no ano passado. A Mubi deixou muito a desejar e decidiu focar seus esforços em Valior Sentimental.  Por conta disso, Wagner Moura sequer apareceu na pré-lista para melhor ator.  As distribuidora nos Estados Unidos é diferente.

Outra indicação brasileira foi o documentário Apocalipse nos Trópicos.  Não gostei do novo trabalho de Petra Costa, verdade, mas ele recebeu vários prêmios importantes e foi lembrado no BAFTA, apesar de ficar fora do Oscar.   Outro indicado brasileiro foi Adolpho Veloso para Melhor Fotografia, por seu trabalho em Sonhos de Trem.  A cerimônia do BAFTA acontece no dia 22 de fevereiro e pode funcionar como uma prévia do Oscar, porque há muitos eleitores em comum.  A lista completa dos  indicados pode ser vista aqui.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Todas as Resenhas de 2025: Filmes no Cinema e em Casa

Fui poucas vezes ao cinema e, pior, assisti poucos filmes em 2025.  Nem fiz a contagem, mas sei que meus números serão dos piores.  Nem tudo o que eu assisti foi resenhado, pelo menos de um filme eu me lembro, Caras Malvados 2, que eu assisti com Júlia.  Até  foi simpática a animação, mas acredito que não comentei mesmo.  E não fiz resenha da série Miss Austen, que foi a única série assistida no ano passado, e nem resenhei The ABCs of Book Banning,  comentei ambas no último Shoujocast, o da retrospectiva do ano. Wicked 2 foi assistido duas vezes, em casa e no cinema.  Deveria render um segundo texto. Enfim, segue a lista das resenhas que eu fiz este ano, para quem quiser  ler: 

No Cinema:

  1. Super-Homem.
  2. Wicked 2.
  3. O Agente Secreto.
  4. Branca de Neve.
  5. Minecraft.
  6. Zootopia 2.
  7. Elio.

Em Casa:

  1. Maria Antonieta (2006).
  2. Northanger Abbey (2007).
  3. Northanger Abbey (1987).
  4. Conclave.
  5. Anora.
  6. Jane Austen arruinou minha vida.
  7. É Tempo de Amar.
  8. Homem com H.
  9. Flow.
  10. Apocalipse nos Trópicos. (documentário)

Muito pouco mesmo.  Só fui oito vezes ao cinema.  Houve época em que eu ia semanalmente, às vezes, duas vezes por semana. E os textos também me parecem bem mais pobres do que em outros tempos.  Inferiores mesmo, salvo raras exceções. É bem triste isso, mas os números gerais são ruins como um todo por assim dizer, mas foi um ano complicado para mim e não deve melhorar este ano, não.

terça-feira, 22 de julho de 2025

Comentando Apocalipse nos Trópicos (Brasil/2024), o decepcionante novo documentário de Petra Costa que transforma Malafaia no maior líder evangélico do país

Ontem, assisti ao novo documentário de Petra Costa, Apocalipse nos Trópicos (Apocalypse in the Tropics), disponível na Netflix desde a semana passada, acredito.  Comparado com Democracia em Vertigem, ele é bem inferior.   A proposta do novo trabalho de Petra Costa é apresentar  o "papel do movimento evangélico na ascensão de Jair Bolsonaro à presidência é explorado com comentários de figuras importantes em todo o espectro político brasileiro, incluindo o antecessor e sucessor de esquerda de Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o televangelista Silas Malafaia, um associado próximo de Bolsonaro." (*resumo da Wikipedia*)  O filme começa com a eleição de Bolsonaro e segue até a tentativa de golpe em 8 de janeiro.

Vamos lá, logo no início do documentário, depois de assistir um culto dentro do Congresso, conversar com o deputado Cabo Daciolo e receber uma Bíblia com sua recomendação de começar a ler pelo Novo Testamento, Petra Costa admite sua  perplexidade e ignorância (*no sentido de não conhecer mesmo*) em relação ao meio evangélico no Brasil e fora daqui.  Argumentando que sua formação foi laica, de esquerda (*não existe evangélico/protestante de esquerda, vocês sabem*🙄), e adepta de um modelo iluminista e liberal de estado, ela diz que se propôs a estudar.  Estudou pouco, eu diria, não deu voz a nenhum pesquisador do tema em seu filme (*sociólogos, antropólogos, cientistas da religião, historiadores e mesmo teólogos*), focou em somente duas figuras, Billy Graham, que ela chamou em dado momento de "Papa do Protestantismo ou dos Evangélicos", e Silas Malafaia, chamado de "Kingsmaker", ou o "Fazedor de Reis".  🙄

Billy Graham era um pastor batista e evangelista internacional.  Ele participou dos esforços norte-americanos durante a Guerra Fria, inclusive promovendo a maior Cruzada Evangelística de todos os tempos no Brasil.  Todos os velhos que eu conheço, nasci em uma família batista, cresci e congrego em uma igreja batista, falam de quando o Maracanã se encheu para ouvi-lo pregar em 1974.  Consta que havia cerca de 225 mil pessoas no estádio.  Graham atraia muito mais do que batistas, não tenham dúvida, mas jamais ouvi ou li que ele foi apelidado de papa.  Revirei essa internet atrás da informação.  Primeiro, porque o meio protestante/evangélico é muito fragmentado, segundo, porque existe um anticatolicismo arraigado e que, pelo menos até algum tempo atrás, era fortíssimo nos Estados Unidos e foi trazido de lá para o Brasil.  Aqui, para piorar, os evangélicos eram (*ainda são*) uma minoria, tinham que marcar de forma muito evidente a sua diferença em relação aos católicos e uns em relação aos outros.  Os Batistas, aliás, eram especialistas nisso, estabelecer cercas entre a denominação e as demais.  Beirava a antipatia, às vezes.

Falando em Malafaia, ele é o protagonista do documentário, maior que Bolsonaro e Lula, afinal, ele foi apresentado como "Kingsmaker" e, bem, o filme lhe dá uma importância que ele não tem e isso é perigoso.  Malafaia é estridente, é vaidoso, certamente é próximo de Jair Bolsonaro, mas ele não o elegeu sozinho.  O meio evangélico é diverso e mesmo que 70% dos evangélicos tenham votado em Bolsonaro em 2022, conforme afirma o documentário, não fui checar os números, não foi o pastor Malafaia que assegurou todos os votos dos evangélicos, muito provavelmente, nem mesmo 1/3 deles.

Malafaia é líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, um ramo menor das Assembleias de Deus no Brasil, a maior denominação evangélica do país, com aproximadamente 12 milhões de membros.  Só que o ramo mais importante é o do Ministério de Madureira e seus líderes apoiaram Bolsonaro, também.  E eles não precisam estar gritando em falsete no microfone para se fazerem ouvir.  Outra coisa, como você faz um documentário sobre a influência evangélica sem ressaltar a diversidade e falar sobre líderes como Bispo Macedo e RR Soares?  Poderiam até ignorar o apoio aberto da maioria dos batistas, que tem míseros 1,8 milhões de membros, agora, como ignorar a Universal com tudo que Macedo tem nas mãos?

O documentário acerta ao falar da Teologia do Domínio e como os líderes evangélicos adeptos dessa visão de mundo, desejam governar o país.  Só que ao calar sobre o Bispo Macedo ignora o sujeito que primeiro se posicionou publicamente sobre chegar ao poder e lançou livro, em 2000; o nome dele é exatamente Plano de Poder.  A Universal tem TV, rádios e até partido político, o Republicanos.  E como deixar de falar, também, dos pastores perseguidos por se posicionarem contra a Teologia do Domínio e o apoio a Bolsonaro?  Como não dar voz pelo menos ao pastor presbiteriano Antônio Carlos Costa, da ONG Rio de Paz?  Como não citar o pastor Ricardo Gondim, que, em 2015, escreveu o polêmico texto "Deus nos livre de um Brasil Evangélico" e foi demitido de uma das principais revistas evangélicas do país e ostracizado?  Só que o objetivo era colocar os holofotes em Malafaia, transformando-o no líder máximo dos evangélicos brasileiros e, em dado momento, até dos cristãos do país.

E se a história de Kingsmaker é tomada ao pé da letra, vejam só, foi Malafaia quem elegeu Lula em seus dois primeiros mandatos?  Ridículo.  E se ele é o Kingsmaker, como ele não elegeu Serra e Aécio Neves, porque o próprio filme diz que ele os apoiou.  O documentário compra, também, o discurso de Malafaia e seu fantoche Sóstenes, de que os evangélicos brasileiros só passaram a se interessar por política nos últimos 10, no máximo 15 anos.  E o livro do Bispo Macedo?  E as campanhas da Universal contra a eleição do Lula?  Lembro da minha finada Tia Ruth chegando lá em casa e dizendo que Lula iria fechar todas as igrejas, que o pastor tinha dito isso no culto.  Era papo reto. Fora as principais rádios evangélicas do Rio fazendo campanha aberta por FHC e contra Lula, isso lá nos anos 1990.  Mamãe ouvia todos os dias e, se eu estava em casa, ouvia por osmose.  Petra Costa foi estudar, mas não estudou direito, eu diria.  Nem ela, nem quem a ajudou a fazer o roteiro.

Enfim, não é um documentário inútil, ele traz vídeos, imagens, entrevistas muito importantes, documentos dessa época tenebrosa em que vivemos.  Agora, ele é raso ao falar dos evangélicos, ignora sua diversidade, ignora as elites que abraçaram o neopentecostalismo.  Se a maioria dos evangélicos é negra, pobre e mulher, os que têm assento no Congresso, os que foram recebidos por Bolsonaro, que se tornaram ministros (*um genro do Sílvio Santos, inclusive*) não são bem esses.  O documentário é condescendente ainda, porque os evangélicos são apresentados como gente curiosa, um tanto inculta, fácil de manobrar.  E dá-lhe pintar Malafaia como o gigante que ele não é. Ele é perigoso, mas há gente tão ou mais perigosa que ele que nem foi citada. E sorte nossa que o ego desses empresários da fé seja enorme e isso os impeça de se unirem de verdade, ou já seríamos o Evangelistão.  Decepcionante esse Apocalipse nos Trópicos.


domingo, 7 de janeiro de 2024

Todas as resenhas de 2023 - Parte 2

Este ano, estou demorando muito a postar, mas aqui está o segundo post com as resenhas do ano.  Reuni anime, mangá, quadrinhos que não são japoneses, os livros de Watashi no Shiawase na Kekkon.  Coloquei o documentário de Sailor Moon em anime, ele faz parte do programa Manga Explosion, houve um programa sobre a Rosa de Versalhes, mas eu não resenhei.  Até que houve muita coisa, porque eu resenhei primeiros capítulos de anime e fiz o Shoujocast cobrindo todos os episódios de Watashi no Shiawase na Kekkon.  Agora, de mangá, houve muito pouco, infelizmente.  Espero fazer melhor este ano.

Anime

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Todas as resenhas de 2023 - Parte 1

Nos últimos tempos, porque o blog é muito antigo, sempre faço posts com todas as resenhas que fiz durante o ano.  É uma forma de manter um registro das coisas e sempre penso que posso ter esquecido de marcar com a tag "review" alguma coisa.  Como imaginei, foram poucas resenhas este ano.  Não assisti tantos filmes, deixei de resenhar alguns, como Trolls 3, séries que poderia ter resenhado também não comentei, como Outlander, além de ter falhado miseravelmente nos meus comentários de telenovelas.  Não conclui meu texto final de Vai na Fé até hoje, nem sei se vale a pena, não comentei ainda nem Elas por Elas, nem Direito de Amar.  

Enfim, neste primeiro post com resenhas, coloquei os filmes, o que vi em casa e no cinema, os seriados, as novelas e os textos sobre novela, porque acredito que eles são importantes para compor o quadro, também. Uma das resenhas de série é de livro, também, e é para maiores, estão avisados. Como só fiz resenha de uma série documental no blog, deixo o link para o texto Felicidade Aparente – Os Segredos da Família Duggar aqui.  Há coisas que só comentei no Shoujocast Retrospectiva de 2023, então, se não assistiu ainda, fica o convite.  No próximo post, coloco os mangás, quadrinhos e animes, em um terceiro falo do Shoujocast.


Filmes:


Séries


Novelas


Textos sobre Novela

sábado, 9 de setembro de 2023

Eu disse que iria falar de Barbie novamente... Vamos lá!

Está disponível no Prime Vídeo um minidocumentário sobre a produção do filme Barbie (*resenha*Shoujocast*), é aquele tipo de material que viria como extra em um Blu-ray ou DVD e que mostra aquele trabalhão que dá para colocar nas telas um bom filme.  Sim, goste dele, ou não, Barbie é um bom filme, além de muito lucrativo para o estúdio e para a Mattel e demais envolvidos.  Becoming Barbie tem a seguinte descrição "Mostrando como Margot Robbie, Greta Gerwig e equipe deram vida à Barbie."

O documentário foca em como colocar a boneca na tela.  Ela deveria parecer uma boneca?  Deveria ter as articulações à mostra e o andar robótico?  A resposta foi que poderia ser divertido por alguns minutos, mas não funcionaria por um filme inteiro.  Concordo.  E algo que eu odeio na Barbie em oposição à Susie são as tais articulações à mostra. A outra coisa é que as Babies não têm calcinha.  Como ninguém teve a ideia de colocar uma calcinha na boneca?  Enfim, sigamos.

Margot Robbie deveria parecer uma boneca, a nº1, a estereotipada.  Decidiram que ela iria alternar vários looks e teria uma maquiagem o mais natural possível.  E o cabelo?  Aqui, a discussão ocupou um bom tempo do curto documentário.  Ivana Primorac, responsável pelos cabelos e maquiagem no filme, tem grande destaque no minidocumentário, tanto quanto Greta Gerwig e Margot Robbie.  Foram 23 perucas ao todo, uma para cada look vestido por Margot Robbie.  Quiseram dar uma aparência de cabelo plástico, optaram por manter, no início, o tom de louro da boneca nº1, mas modificando-se com o andar do filme.  No mundo real, o cabelo da Barbie deveria parecer mais humano.  

Eu não me atentei para isso, mas quando rever, porque eu vou ver de novo quando estrear no streaming, vou prestar mais atenção para isso.  Algo que eu aposto é que Barbie será indicado a melhor figurino, direção de arte e, depois da informação das perucas, cabelo e maquiagem no próximo Oscar.  Acredito que leve indicação de diretora, mas Hollywood não é gentil com as mulheres na direção, mesmo que goste da Greta Gerwig.  E eu gostaria de Ryan Gosling indicado pelo Ken, porque ele foi muito mais divertido no filme do que a protagonista.  E recomendo o minidoc, ele tem menos de sete minutos.

Agora, queria discutir dois comentários que encontrei no grupo Women's Rights News sobre o filme.  O primeiro, dia o seguinte: "Pensando em como a Barbie foi capaz de ser assertiva sobre seus limites com o Ken todas as vezes em que ele tentou avançar sobre ela, porque ela nunca  viveu em um mundo no qual as mulheres temem as consequências de dizer "não"."

Olha, são muitas as reflexões que a gente pode fazer a partir o filme Barbie.  Há críticas, e eu fiz algumas, mas, no geral, o filme é muito sensível quando se trata de representar o que poderia ser o mundo sem que as mulheres tivessem que ter medo da violência machista e/ou misógina, ou aceitarem migalhas de reconhecimento por aquilo que fizeram.  Dizer "não" e ter o "não" aceito é um privilégio.  Até hoje, e eu tenho um texto antigo sobre isso, parece vigorar a premissa de que "Sua boca diz 'não', mas o seu corpo diz 'sim'", em muitos dos materiais feitos para o consumo feminino (*filmes, mangás, seriados, novelas, livros etc.*).  

É uma espécie de endosso da cultura do estupro, na medida que legitima o assédio.  Basta ter um corpo feminino (*não importa a sua idade, ou mesmo, aparência*), basta estar em um lugar público sem um homem do lado (*às vezes, até com um*), ou aceitar a gentileza de um homem.  Você estava pedindo.  Apesar da sua evidente frustração, Ken aceita a negativa de Barbie e ela não precisa temer que ele se torne violento.  A parte dos homens, dos que se manifestaram contra o filme na internet pelo menos, a aceitação por parte do Ken da negativa da Barbie foi lida como sintomático de uma falta de virilidade, um homem de verdade não aceita um "não" como aquele.  Se não aceita, o que ele faz?  Um?  O quê?  

Mais adiante, quando estamos não mais na Barbielândia, mas na Kenlândia, as coisas mudam e é recomendado que Barbie não seja tão assertiva, porque, bem, os homens não gostam disso, mas preferem mulheres subservientes e gentis.  Os Ken tinham liberdade na Barbielândia desde que não tentassem se impor às Barbies e tentar ser mais do que assessórios da boneca, sim, é isso que eles são naquele mundo, não percam isso de vista, mas eles não eram mantidos em completa opressão.  Completa, guarem esta palavra.

Enfim, este comentário sobre o filme foi ótimo, mas achei outro, no mesmo grupo, que era péssimo.  Ele diz o seguinte: "Os Kens não eram oprimidos na Barbielândia. Quando as Barbies estavam governando a Barbielândia, todos os Kens podiam decidir o que vestir, se comportar, jogar, ir para a praia.  Mas quando Ken a transformou no "Reino do Ken", todas as Barbies foram privadas de suas funções e de suas roupas - vestidas como empregadas domésticas e obrigadas a servir os homens.  Existe uma diferença entre um mundo com as mulheres por cima e um mundo construído por cima das mulheres.  Esta é a diferença entre feminismo e patriarcado."

Eu realmente não compartilho da visão de mundo feminista da autora da afirmação, porque eu vejo opressão na Barbielândia.  Os Kens são assessórios, esta é uma realidade do universo da própria boneca, que fique claro, e, no filme, os homens não têm horizontes a perseguir.  As Barbies ocupam os postos de mando, de poder, de status e os Ken são menos que zangões ao seu redor.  

E vejam que curioso, não sabemos onde as Barbies que fazem os trabalhos subalternos e braçais moram (*as lixeiras, operárias da construção civil que aparecem no filme*), porque o filme só nos mostra as casas das Barbies que ocupam postos importantes, não sabemos, também, onde moram os Ken, mas sabemos que existem excluídas nesse mundo perfeito.  Midge e Allan, as Barbies e Kens que não deram certo, a Barbie Estranha, todos estão às margens dessa sociedade ideal, são discriminados abertamente.

Em um mundo feminista, a diversidade deveria ser respeitada, mesmo quando ela não pode ser enquadrada, normalizada.  Há uma Barbie interpretada por uma atriz trans com passabilidade, isto é, sem o devido aviso (*ou uma dublagem brasileira sugestiva*), eu duvido que alguém iria dizer que não se trata de uma mulher cis no papel.  Por outro lado, a Barbie Estranha é vista como alguém que não pode estar na Barbielândia, ela prejudicaria a beleza do ambiente.  E, repito, onde moram as Barbies proletárias?  Elas se divertem?  Elas frequentam as festas?  O filme não nos mostra, porque a Barbielândia não questiona o capitalismo, tampouco, reflete sobre ele.

Voltando aos Ken, eles são na Barbielândia quase uma versão das esposas e filhas das classes ociosas do final do século XIX até meados do século XX nas sociedades capitalistas avançadas.  Digo quase, porque elas têm tudo, desde que não contrariem as expectativas da sociedade e dos homens que a dominam.  Elas têm lazer e luxos, mas estavam obrigadas a casar e procriar, era seu destino.  Os Ken não tem essa obrigação, mas, de igual modo, não podem ocupar postos de mando e poder, eles são um deleite para os olhos, sua vida é estéril, por assim dizer.  Mesmo no final do filme, quando fica exposto que os Ken são infelizes por não terem vida própria, a igualdade lhes é negada, afinal, é a Barbielândia.

A Mattel deveria investir, estou pensando em termos capitalistas mesmo, em Kens com profissão, já houve alguns, até para caminhar junto com o filme.  O fato é que a Barbielândia seria o mais próximo que eu diria de um matriarcado, porque, sim, no feminismo, as mulheres não deveriam estar por cima, porque esta noção de hierarquia e subordinação, mesmo que amena, gentil, condescendente, não deveria sequer ser aventada.  Concordo que mesmo o patriarcado galhofa construído no filme é horrível, mas a gente não deve defender um modelo ruim, porque há outro pior.

sexta-feira, 21 de julho de 2023

Massacre na Escola: A Tragédia das Meninas de Realengo: Infelizmente, isso não é uma resenha

Eu assisti todos os quaro episódios da série documental da HBOMax chamada Massacre na Escola: A Tragédia das Meninas de Realengo.  Para quem nao se lembra, o que aconteceu em 7 de abril de 2011, na Escola Municipal Tasso de Silveira, foi o maior massacre ocorrido em escola no Brasil, com 12 mortos, 10 meninas e 2 meninos, além de vários feridos, a maioria do sexo feminino.  Eu fiz vários textos à época sobre o caso, também quando ele completou dez anos, e queria estar escrevendo este texto para elogiar os méritos da produção, que entrevistou sobreviventes, profissionais que trabalhavam na escola, o policial que impediu que mais mortes acontecessem e mesmo a querida Lola Aronovich, mas não será nada disso.

O documentário da HBOMax contou com a participação do consultor educacional Ricardo Chagas, ele aparece nos quatro episódios sempre alertando do perigo da internet, dos jogos violentos e, o que deveria ser o objetivo dessas falas, como aliciadores se aproveitam de canais do Youtude e da Twitch, provavelmente, para aliciar os jovens.  Há estudos suficientes sobre os chans e outros espaços que são verdadeiro criadouro de extremistas misóginos, lgbtfóbicos e racistas.  Negar isso é chover no molhado, assim como ignorar que a extema-direita tem se infiltrado na cultura pop.  Não existem tantos imbecis raivosos usando avatar de anime e mangá à toa.  Sobre isso, recomendo o vídeo do Load junto com o João Carvalho e o do Alexandre Link sobre o problema na dublagem do anime de Chainsaw Man, porque são muito explicativos.

O problema é que Ricardo Chagas não parece ser a pessoa mais adequada para falar do tema e os responsáveis pelo documentário e a HBOMax foram extremamente irresponsáveis ao não pesarem as falas do sujeito.  Eu tinha percebido uma citação absurda feita por ele ao anime Assassination Classroom, que nada tem a ver com crimes em ambiente escolar, ou com qualquer coisa que possa conduzir à violência contra alguém, ou si mesmo.  Salvo, obviamente, se a pessoa tiver algum problema, neste caso, trata-se o indivíduo, não se demoniza o produto.  O trecho está aí embaixo, eu gravei direto da TV.  

Para quem não conhece a Assassination Classroom, Ansatsu Kyoushitsu (暗殺教室), no original,  esses três parágrafos a seguir são um acréscimo feito em 22/07 ao texto original.  A série tem como ponto de partida o seguinte: Uma criatura super poderosa destruiu 70% da Lua e ameaça fazer o mesmo com a Terra em um ano.  Na verdade, este alien guarda segredos e tem uma grande vontade: ser professor.  Ele vira o homeroom teacher (*aquele que é o responsável por uma turma especifica, seu professor representante*) da turma 3-E do Ginásio Kunugigaoka.  Esta turma está cheia dos piores alunos da instituição e seu professor passará o ano inteiro ensinando o que eles devem fazer para matá-lo e evitando que eles consigam fazê-lo, porque Koro-sensei tem super poderes.  Se eles conseguirem, a Terra estará salva e eles receberão uma recompensa do governo japonês.  Enquanto isso, o alien realiza o seu sonho e é para aqueles meninos e meninas, o melhor professor que eles poderiam desejar: eles melhoram suas notas, aprendem a ter confiança em si mesmos e sonhar com um futuro melhor.  E o professor tem formato de polvo, super conexão com a realidade, não é mesmo?  

Na verdade, essa história toda é para fazer uma crítica ao sistema educacional japonêse  há quem tenha usado o mangá em trabalhos acadêmicos (*Exemplo*) para discutir práticas de ensino. Assassination Classroom teve 21 volumes e saiu pela Panini no Brasil, teve anime que está na Crunchyroll, além de filme live action para o cinema.  Mas se você visitar o Instagram do Sr. Ricardo Chagas, verá que todo ele é estruturado sobre terrorismo, teorias da conspiração típicas da extrema-direita (pseudo) cristã muito preocupada em demonizar tudo o que parece popular e visto como diferente daquilo que eles acreditam ser o correto.  O primeiro post dele foi algo sem nexo sobre Red da Pixar e foi daí para pior e muito pior.

Aliás, nada de novo sob o sol, eu lembro das palestras de igreja sobre Nova Era demonizando animações, símbolos, músicas e tudo mais que poderia ser minimamente divertido, colorido e atraente para as crianças desde a segunda metade dos anos 1980 até o final da década de 1990.  Agora, essas ideias absurdas encontram sua acolhida na internet e são amplificadas por escolhas inexplicáveis como as que foram feitas pela produção do documentário da HBOMax.

Na minha ignorância, no entanto, eu tinha perdido o que de pior os documentários tinham feito, que foi associar um importante Youtuber à aliciamento de menores e outros crimes.  O especialista diz no documentário: "Core, o maior canal de conteúdo infantil, que não é infantil. E é um jogo que parece bobo, mas vem de um massacre e fizeram um joguinho que não é infantil, nunca foi infantil e ali é um prato cheio para aliciador".  Nada disso é verdade, nem se trata de um canal infantil, nem o jogo em questão,  Five Nights at Freddy's, faz referência a qualquer massacre real.  Recomendo a matéria do F5, sobre o problema que as falas desse sujeito produziram.  Em um vídeo postado em seu canal, o Youtuber conta a sua versão dos fatos e como sua vida e a de sua família se encontram ameaçadas pela exposição feita pelo documentário da HBOMax.  O vídeo dele está abaixo:

E quando eu escrevo "sua versão dos fatos", que fique claro, é a única versão que me parece válida.  Olhando o canal dele, lembrei que minha filha de 9 anos já viu algum vídeo de lá.  Se ela assistiu, a responsabilidade é minha e do meu marido, porque, como o Youtuber bem coloca, a plataforma é para maiores de 13 anos.  Crianças deveriam estar no Youtube Kids.  Ter bichinhos fofinhos não torna um material infantil.  Fora isso, os responsáveis tem o dever de estarem atentos ao que seus filhos e filhas menores de idade estão consumindo.  Da mesma forma, se aliciadores se infiltram em fóruns ou chats, isso não quer dizer que os donos dos canais sejam coniventes com suas ações.  Aliás, o próprio especialista explica que eles jogam iscas, essas iscas são inocentes.  

Enfim, a forma como a coisa apareceu nos documentários mancha um material que é, sim, muito bom, aliás, bastaria editá-lo e retirar das falas de Ricardo Chagas, que olhando o conjunto da obra, só atrapalharam os documentários.  O estrago, no entanto, já está feito e cabe reparação ao Core.  Espero que a HBOMax, responsável por veicular os documentários tenha que pagar uma grande indenização a ele, porque, no mínimo, ele deveria ter sido ouvido antes de qualquer menção ao seu canal.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

"Inheriting the Sailor Crystal ~Pretty Guardian Sailor Moon Special!~": Comentando o tributo da NHK à Sailor Moon

No dia 14 de dezembro foi ao ar na NHK um especial discutindo a importância e o legado de Sailor Moon (美少女戦士セーラームーン).  O documentário de 28 minutos tem também o objetivo de promover o último filme animado da série, Sailor Moon Cosmos, que estreia em 2023 e fecha o ciclo do novo anime, que começou a ser produzido em comemoração aos vinte anos da série e só irá se fechar com os quase trinta anos do mangá original.  O documentário é feito para a NHK internacional e com narração em inglês, as legendas só aparecem quando a língua falada não é o inglês.

O documentário visita a exposição "Sailor Moon Museum" e entrevista várias mulheres adultas que são fãs da série desde a infância, ou início da adolescência.  Algumas estavam levando seus bebês e acompanhadas dos maridos, uma delas era colecionadora de itens da série e teve um casamento inspirado em Sailor Moon com a supervisão das roupas feitas pela própria Naoko Takeuchi.  O documentário entrevista, também, uma fã norte-americana que visitava a mostra, e que destaca o caráter feminista da série. e uma brasileira residente no Japão.  

A moça norte-americana destaca que uma das coisas que a chamaram para Sailor Moon, e que ela aponta como a característica feminista, é que cada uma das guerreiras tem uma personalidade diferente e aspirações profissionais, ou seja, ela não desejam somente casar (*a fã nem toca nesse ponto, eu estou apontando*).  E isso é uma verdade, mesmo que elas possam flertar, namorar até, se pensarmos em Netuno e Urano, elas são mais que suas relações amorosas.  Aliás, um ponto que é destacado pelo documentário é de como a série contemplou a diversidade.  Sim, para época, Sailor Moon era bem moderna, especialmente, para os padrões ocidentais.

A moça do Brasil fala em português, comenta a importância que Sailor Moon teve para que ela vencesse momentos de dificuldade financeira enfrentadas pela família.  A jovem trabalha em uma loja de itens da série e comenta, também, da importância das novas fãs, porque o documentário está todo no feminino, e que os desenhos animados de quando era criança no Brasil eram muito simples e exatamente por isso, Sailor Moon lhe causou impacto desde o começo.

Do staff do mangá e da animação original e nova, destacam-se Mitsuishi Kotono (dubladora de Usagi) e Tadano Kazuko (character design).  Mitsuishi fala que era uma novata quando ganhou as audições para o papel de Usagi, da sua emoção e mostra o roteiro original do primeiro capítulo da série de 1992.  Ela descreve muito empolgada como o final da primeira temporada, como a morte das sailors a deixou emocionada e afetou a audiência.  Esta sequência não estava no mangá original.  

Já Tadano, que não mostra o rosto, comenta que Sailor Moon foi o seu primeiro shoujo anime, que ela sempre trabalhou com shounen e que tentou dar formas, subentende-se sensuais, para as guerreiras da lua.  Neste ponto, a narração estaca a importância das cenas de transformação na série original e que havia o destaque da silhueta das meninas.

Talvez, a participação mais importante do documentário, porque Naoko Takeuchi infelizmente não aparece, é do editor da mangá-ka, Osano Fumio (editor do mangá).  Na época ele era um jovem editor e queria deixar uma marca na Nakayoshi.  Ele chama para si boa parte da parte criativa de Sailor Moon, desde a ideia de serem guerreiras, de usarem o sailor fuku (uniforme escolar de marinheira).  Diz que o projeto deslanchou a partir do momento que ele descobriu que Takeuchi era fã de super sentai.

Alguns pontos importantes ditos por Osano é que já nos anos 1990 havia um número crescente de mulheres editoras de mangá, suponho que nas revista femininas; o destaque que ele dá para a questão do nome em inglês da série, que deveria ser "Pretty Soldiers", mas que optaram por trocar de soldados para guardiãs (Guardians), porque a ideia era de proteção, não de violência.  Ele pontua, também, como os sailor fuku eram populares entre as meninas e que muitas escolhiam a escola onde gostariam de estudar pela beleza do uniforme.

Osano louva as capacidades de Takeuchi e de como ela colocou temas adultos dentro de Sailor Moon, uma série que deveria ser voltada para crianças, adequando as discussões.  Terminou a parte bonita e vamos para a controversa.  Osano destaca que o anime começou praticamente junto com o mangá, que isso era arriscado, porque não havia frente de capítulos necessária, mas que ele e Takeuchi ficaram no pé dos animadores para que o anime seguisse de perto o mangá, seu espírito pelo menos.  

Eu acabei encontrando um texto de 2014 no meu blog citando um texto do Okazu, site muito sério, que falava das reclamações da autora por causa das mudanças feitas no original, que não houve respeito, ela também tinha ficado chateada em ver que a produção do anime estava na mão de homens.  Quem viu a série dos anos 1990 sabe que um dos defeitos que ela tem, defeito em uma série muito amada, que fique claro, é de manterem Usagi imatura e a tornarem burrinha.  A cada nova temporada, ela tinha seu amadurecimento apagado e retornava como uma garota bobona e chorona.  Aliás, emburrecer protagonistas de shoujo anime era meio que regra na época, pegue Fushigi Yuugi  (ふしぎ遊戯) e compara Miaka no mangá e no anime.  A quem agrada uma heroína burra e insegura?

Uma das coisas que meu marido, fã de Sailor Moon, reclamou muito assistindo ao documentário, foi a ausência de fãs homens japoneses.  O programa não se aprofunda nisso, mas parece ser voltado para as fãs mesmo, consumidoras do mangá, que eram meninas trinta anos atrás.  Os fãs homens, no entanto, aparecem na multidão de um desfile em Nova York portando itens colecionáveis e vidrando com as moças vestidas de Sailor em um carro aberto.  Há dois homens na mostra de Sailor Moon que não parecem estar acompanhando esposas ou namoradas, ou, pelo menos, foram filmados sozinhos.  

Agora, o documentário fala, sim, de fãs homens, porque destaca que Takahashi Tomoya, diretor do novo movie, decidiu tomar essa carreira na animação por causa do seu amor ao anime original de Sailor Moon e que está se inspirando nas cores e cenários da série clássica para construir o novo filme.  Se tomamos o depoimento dele como verdade, Sailor Moon causou grande impacto em muitos meninos japoneses, mesmo que o documentário não lhes dê espaço.

Concluindo, é inegável a importância de Sailor Moon, um marco cultural que revolucionou os animes de garotas mágicas. Terminei de assistir ao documentário, no dia primeiro deste ano, enquanto voava de Brasília para o Rio, emocionada e coloquei a trilha original no meu tablet logo em seguida.  A abertura e Princess Moon são minhas músicas favoritas e acho lamentável que anova série tenha optado por uma abertura diferente e sem a mesma força.  

Algo a se destacar, no entanto, é ver que Naoko Takeuchi parece ter parado ali e só participou indiretamente deste tributo.  Sempre me questiono sobre o que terá acontecido com ela, porque ela poderia, sim, claro, viver somente de Sailor Moon para todo o sempre, mas poderia, também, continuar criando e produzindo coisas novas.  Enfim, o documentário está disponível no site da NHK e eu consegui baixá-lo usando este site aqui

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Todas as resenhas de 2022 - Parte 1: Filmes e documentários

Todos os anos, desde um bom tempo, eu faço posts no início de janeiro listando todas as resenhas do ano.  Acredito que em 2022 assisti menos filmes, com certeza fui menos aos cinema, e deixei de fazer textos de materiais importantes, por exemplo, assisti Os Eternos e Red e não resenhei, falha minha.  Dividi as resenhas em filmes vistos em casa, os assistidos no cinema e os documentários, que apareceram mais do que em outros anos.  Como grande decepção do ano, entre os filmes vistos, está Persuasão da Netlfix.  Aliás, no Shoujocast retrospectiva, eu comento destaques de 2022.

Comentando Last Christmas (Reino Unido/2019): Um pouco de comédia, algum romantismo e uma crítica ao Brexit
Porque Hoje é Natal, vamos comentar Little Women (EUA/1949): a primeira adaptação em cores do clássico de Louisa May Alcott.
Porque Hoje é Natal, vamos comentar Little Women (EUA/1933): A primeira versão sonora do clássico de Louisa May Alcott.
Comentando Frozen Flower (Coreia do Sul/2008): Uma tragédia anunciada e muito bem executada
Comentando Lovespell (Irlanda/EUA/1981): Uma modesta, mas convincente versão para a história de Tristão & Isolda
Comentando Persuasão (2007/ITV): Um bom filme, mas com muita correria e um resultado irregular
Comentando Persuasão (1995/BBC): Uma Adaptação de Jane Austen que merece ser assistida
Comentando Persuasão (2022/Netflix): Sim, é pior do que eu poderia esperar
Comentando King's Man: A Origem (2021/Inglaterra/EUA): Uma Prequel que não faz justiça à série
Comentando Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (EUA/2021) ou tudo o que você precisa às vezes é um bom fanservice!
Comentando Guilherme, o Conquistador (França, 2015): Uma boa ideia desperdiçada


Foi um dos anos que menos fui ao cinema, mas foi melhor que o ano passado, isso quer  dizer que estou me sentindo mais segura para ir ao cinema com o enfraquecimento da pandemia.  Ainda assim, foi só filme pipoca (shame on me!), espero corrigir isso este ano, ir mais ao cinema e para ver melhores filmes.

Comentando Pantera Negra - Wakanda Forever (EUA/2022): Um filme poderoso que presta homenagem a Chadwick Boseman e mostra que é preciso seguir em frente
Comentando Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (EUA/2022): Um dos melhores filmes do MCU e um dos piores, também.
Comentando Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore (UK/EUA/2022): Mais uma Decepcionante Incursão ao Universo de Harry Potter
Comentando Os Caras Malvados (EUA, 2022): Animação muito bobinha que nem deveria ter ido para os cinemas.
Comentando Sing 2 (EUA/2021): Um filme musical para iluminar o início de 2022


Bem mais documentários resenhados, eu assisto menos do que deveria e, às vezes, não resenho mesmo.  Dos que vi este ano e não resenhei está Em Busca de Anselmo (HBO Max/2022), que me embrulhou o estômago, e 8 Presidentes 1 Juramento - A História De Um Tempo Presente, que me causou angústia e eu não consegui terminar.  Quem sabe agora, eu consigo, não é mesmo?

Recomendação de Documentário: Filho da Mãe - Um Reencontro com Paulo Gustavo (Amazon Prime, 2022)
Recomendação de Documentário: Eles Poderiam Estar Vivos (Youtube/2022)
Pacto Brutal (HBO MAX/2022) precisa ser assistido e, sim, você vai se sentir muito mal quando terminar
Comentando Como pensam evangélicas, que podem definir eleição para presidente (BBC/2022): Como a defesa da "família" pode selar o destino do país
Comentando O Processo (2018): Nas Entranhas do Golpe contra o Povo e a Soberania do Brasil

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Especial da NHK fala do sucesso e da influência de Sailor Moon

No dia 14 de ddezembro, foi ao ar na NHK o documentário "Inheriting the Sailor Crystal ~Pretty Guardian Sailor Moon Special!~.  A descrição do programa, que tem 28 minutos e legendas em inglês é a seguinte: "A série japonesa Sailor Moon  encantou fãs em todo o mundo por décadas e continua a alcançar novos espectadores 30 anos desde sua estreia. Neste especial de bastidores, entrevistamos as pessoas envolvidas no processo criativo do lendário mangá e anime. Assista e aprenda os segredos do por que "Pretty Guardian Sailor Moon" foi capaz de capturar os corações das fãs do sexo feminino em todo o mundo."  E conquistou muitos fãs homens, também.  Há uma brasileira no documentário.  Para assisti-lo, basta clicar aqui. (Agradeço ao Pedro por ter me avisado do programa.)

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Recomendação de Documentário: Eles Poderiam Estar Vivos

Já havia até desistido de comentar este documentário, que está disponível no Youtube, sobre as negligências do Governo Federal que possibilitaram que as mortes por COVID-19 escalassem no Brasil.  Estou com COVID no momento e sou grata às quatro doses de vacina, porque se os sintomas são ruins, muito mesmo, no meu caso, imagino o que seria se estivesse sem vacina, como tantos estavam em 2020, 2021, mesmo com os primeiros imunizantes disponíveis. E esta semana, em debate, o presidente mentiu novamente dizendo que eles não estavam disponíveis no final de 2020MENTIU e quer se reeleger e pode efetivamente conseguir, mesmo tendo possível responsabilidade na morte de pelo menos 400 mil pessoas das cerca de 700 mil oficialmente perdidas para a doença.

Muito bem, o documentário  produzido pelos irmãos Gabriel e Lucas Mesquita foca nos familiares das vítimas, histórias tristes, cruéis, de gente que não pode enterrar seus mortos como se deve, isto é, contemplando pela última vez seu ente querido que partiu.  Gente que viu pai, mãe, irmãos, partirem sem terem tido acesso a uma única dose de vacina.  O outro foco do documentário são os cientistas, vários deles, de áreas relacionadas ao combate e prevenção da epidemia.  Alguns estiveram na CPI, outros são ligados a importantes centros de pesquisa no Brasil e no Exterior.  

Na comparação, acredito que há mais cientistas do que relatos de vítimas, eu teria invertido a balança e dado mais voz aos que sofreram as perdas.  Ainda assim, eu consegui me comover e estando doente neste momento junto com meu marido e filha, minha indignação é ainda maior.  Mas eu conheço pelo menos uma pessoa que quase morreu, perdeu pai, perdeu mãe e continua achando que tudo o que (não) foi feito pelo governo federal na pandemia foi corretíssimo.  E que trabalho domiciliar no auge da pandemia era coisa de quem não queria trabalhar de verdade.  

Por essas e outras, eu senti realmente falta foi da ponte com o Fascismo e a pulsão de morte, que possibilita a  defesa de que aqueles que morreram são os mais fracos, os indignos, os que representavam um peso para a comunidade.  Não se trata somente, como o documentário defende, de uma opção pela economia, até porque Paulo Guedes e Bolsonaro não tem nenhum planejamento econômico para além da espoliação das riquezas da nação e a possibilidade de garantir o enriquecimento de especuladores e dos lumpen capitalistas (*aqueles que querem ganhar o máximo, o mais rápido possível, sem pensar no amanhã*).  E cabe aqui ressaltar que, também nos debates, se ignorou o fato do governo atual, e isso depois de muito pressionado, ter defendido um auxílio de somente 200 reais.  Quem garantiu que fosse mais que isso foi o Congresso, em especial as oposições, e um arranjo com o STF.  

Não se priorizou a economia, portanto, se jogou com a possibilidade de dispensar um número de pessoas considerado inferior em um projeto de "imunidade de rebanho" que jogava com vidas humanas.  O nome é eugenia os resultados dessa "experiência" estão aí para quem quiser ver.  Eu perdi pessoas próximas, não perdi membros diretos da minha família, ou amigos íntimos, mas conheço mais de um caso trágico.  Vi meu irmão destroçado pela perda de quatro amigos em um mesmo dia, meus pais lamentando a perda de pessoas que estimavam, famílias inteiras, gente que eu conheci enquanto crescia.  Eles moram no Rio de Janeiro, eu em Brasília.  Eu trabalhei presencialmente, mesmo sem alunos em minha escola, durante todo o ano de 2020.  Eu saia de casa sem a certeza de que não voltaria trazendo a infestação para minha filhinha e meu marido, que era grupo de risco.

E é isso.  O documentário foi lançado no dia 22 de setembro.  Houve algumas exibições públicas, uma na UnB, inclusive, mas o acesso estava liberado no Youtube simultaneamente. De resto, NÃO PODEMOS ESQUECER DOS QUE PODERIAM ESTAR AQUI CONOSCO, SE AS VACINAS TIVESSEM CHEGADO.  E a pandemia, à despeito da suspensão de todas as medidas sanitárias, mesmo em ambientes escolar, local onde eu trabalho, não acabou.  E eu não esqueço, mesmo não tendo perdido nenhuma pessoa realmente próxima, ou passado uma temporada na UTI.  Você pretende esquecer?  Mais uma coisinha antes do fim, as ações do presidente ajudaram a colocar em questão a eficácia das vacinas, isso é muito bem tratado no documentário, dando peso para discursos antivacina que eram absolutamente marginais até então.  Resultado?  Voltamos a ter mortes por sarampo, a poliomielite pode voltar, também.  Deem mais quatro anos para este homem e os resultados não serão dramáticos somente na economia.