terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Já temos a protagonista da segunda temporada de Bridgerton

Foi noticiado ontem que a atriz Simone Ashley será a protagonista da segunda temporada de Bridgerton fazendo par com Anthony (Jonathan Bailey), o filho mais velho da família e detentor do título de visconde.  Seguindo o que já se desenhou (mal) na primeira temporada, o mundo de Bridgerton da Netflix é um paraíso racial, assim, a família da mocinha, que no livro se chama Kate Sheffield, passará a se chamar Sharma e terá origem indiana.  Isso já sugere que a segunda temporada se afastará ainda mais dos livros originais.  De qualquer forma, o objetivo é construir um início do século XIX como um paraíso multirracial igualitário, porque o amor venceu.  Lindo?  Coisa nenhuma!

Eu não terminei de resenhar Bridgerton, mas estava torcendo para que abandonassem essa ideia, que aparece rapidamente em um único diálogo do capítulo #4 da primeira temporada, e simplesmente ignorassem as questões raciais simplesmente investindo na ideia de que o elenco diverso mostrar que qualquer ator, ou atriz, pode encarnar muito bem uma personagem.  E repito o que já escrevi antes, acredito que várias vezes, mas está na minha resenha de Enola Holmes com clareza, estão tentando criar um passado idealizado que pode ter impacto negativo sobre a forma como os jovens e o público em geral percebem as tensões raciais e as hierarquias que marcam as sociedades humanas e, em especial, as escravistas e imperialistas. 

E eu assisti um vídeo sobre Bridgerton de uma excelente Youtuber brasileira, historiadora, ou museóloga, defendendo que no início do século XIX o racismo não era um grande problema (!!!!).  Olha, eu pensei em deixar um comentário enorme, mas me controlei, percebam, no entanto, o estrago. Se alguém como Shonda Rhimes está embarcando nisso de forma inocente, tanto mais lamentável.  A graça é que o mundo que superou as barreiras raciais continua bem quadradinho quando se trata de questões de gênero, limitação das possibilidades para as mulheres e tudo mais.  É uma graça.  Vou terminar Bridgerton quando puder e resenhar, se conseguir.  Assistirei a segunda temporada com certeza.  Para quem quiser ler o segundo livro, O Visconde que me Amava está disponível em português.

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