domingo, 27 de setembro de 2026

Primeiras resenhas do filme de Razão & Sensibilidade podem ser lidas como positivas ou sinal de tragédia. Fica ao gosto do freguês.

Por tudo o que vi sobre a adaptação de Razão & Sensibilidade para o cinema, estou muito pessimista em relação aos resultados, mas as primeiras impressões estão saindo e eu não sei se traduzo os artigos inteiros, ou simplesmente faço alguns comentários.  Ficarei com a segunda opção.

O artigo mais antigo que separei é o da Entertainment Weekly, uma espécie de entrevista com a protagonista, Daisy Edgar-Jones, e se chama "Daisy Edgar-Jones explica como as irmãs Dashwood "se sentem em relação à sua existência atual" na adaptação de Razão e Sensibilidade" (Daisy Edgar-Jones unpacks how the Dashwood sisters ‘feel like they exist today’ in Sense and Sensibility adaptation). Começo já questionando o que a atriz quer dizer com a frase "Parece uma fuga do mundo atual, mas também parece muito uma versão deste filme para 2026".   Versão do filme?  A ideia é fazer uma adaptação do livro ou uma versão do filme que eu suponho ser o de 1995?  Do que estamos falando nesse artigo?

A atriz, que é filha mais velha, diz entender Elinor Dashwood e sua necessidade de parecer responsável e ser bem-comportada.  Ela também enfatiza que, mesmo o livro tendo sido escrito há mais de 200 anos, as protagonistas são jovens que se parecem com as de nossos dias.  Sobre o figurino horroroso, a atriz diz: “Muitas das peças que usamos foram repetidas várias vezes ao longo do filme, em diferentes versões (...) Adoro esse detalhe porque essas mulheres perderam sua fortuna e provavelmente tiveram que reciclar roupas.”.  E não é horroroso por causa disso, aliás, a série da BBC de 2008 usa desse recurso. Estou falando que é feio por causa das péssimas escolhas feitas pela produção.

O artigo pontua, também, que a ênfase do filme é mais na relação entre as irmãs do que no romance.  Esse ponto vai no sentido oposto da resenha do The Empire que enfatiza que, a partir de certo momento, o filme sacrifica o que é o ponto central de Razão & Sensibilidade, a relação entre as irmãs, em favor de uma narrativa romântica tradicional. "(...) a relação central entre as duas irmãs, com atitudes tão opostas em relação ao amor, também parece um tanto subdesenvolvida, como se a expansão dos relacionamentos românticos centrais no roteiro significasse, ironicamente, o sacrifício da essência da história.".  O artigo também acrescenta que "Impulsionada por atuações sólidas, esta bela, porém derivada, versão é um tanto insossa, com o humor afiado de Austen suavizado para se adequar a um molde mais romântico.".  Nada promissor, eu diria.

O artigo do The Empire diz que a ideia do filme parece ser ressaltar a natureza e que o figurino se inspira em Orgulho & Preconceito de 2005, O Morro dos Ventos Uivantes (Qual versão?) e Far from the Madding Crowd (Qual versão?).  Tudo o que eu vi do figurino, salvo as roupas dos malvados (*o irmão mais velho e a cunhada das Dashwood*), é desalinhado e com cores monótonas.  Uma tristeza, enfim.

Já o artigo do The Independent é a rasgação de seda que já abre com um título revelador: "A nova adaptação não é para puristas de Jane Austen.".  É meio que um sinal de alerta de que se trata de uma adaptação para um público que não leu o livro, não quer ler o livro, não viu outras adaptações e que que acha isso ruim tem que calar a boca. Ele elogia a fotografia e diz  que "Elas [Marianne e Elinor] são filhas da Terra – sem um tom azul claro ou cachos à vista – cujas paixões transbordam para as flores silvestres, as lagartas e os zangões; seus reflexos, capturados no vidro da janela, as pintam em pores do sol de um vermelho intenso.".  O texto aponta que a inspiração para essa caracterização vem de Orgulho e Preconceito (2005), de Joe Wright, e mais diretamente de O Morro dos Ventos Uivantes (2011), de Andrea Arnold.

Mais adiante, o artigo diz que o filme parece menos baseado em Jane Austen e mais inspirado na obra das irmãs Brontë, ou mais especificamente em O Morro dos Ventos Uivantes.  E cito o texto: "O filme Razão e Sensibilidade de Oakley é voltado para a nova geração. E vivemos, eu diria, em tempos muito "Marianne", com nossa fervorosa obsessão pela "saudade", refletida no sucesso estrondoso de O Morro dos Ventos Uivantes , de Emerald Fennell , e da série de televisão Heated Rivalry.".  A seu favor, o artigo pontua que para quem quer o filme perfeito, basta buscar Razão & Sensibilidade de 1995. Sim, concordo que é a adaptação perfeita do livro de Austen para o cinema, o que não justifica certas alterações, como um Willoughby com cara de caipira e sendo chamado de charmoso pela autora da resenha. É sério que "as novas gerações" realmente acham aquele sujeito desalinhado e nada elegante atraente?  Como pontuei, o filme me parece muito pouco promissor.  Espero conseguir assistir no cinema.

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