quarta-feira, 31 de julho de 2024

Série sobre noiva substituta vai virar anime

Sábado fiz uma resenha de dois mangás com protagonistas que são noivas substitutas , até brinquei que elas estavam na moda e, logo no início da semana, foi anunciado que a série de livros Zutabro Reijou wa Ane no Moto Konyakusha ni Dekiaisareru (ずたぼろ令嬢は姉の元婚約者に溺愛される), de Tobirano (história) e Murasaki Mai (ilustrações), vai virar animação.  Tem mangá, também, claro, e é web comic, todo colorido e com arte de Nakakura Chikage.  Vamos para a história, estou usando o resumo do Bakaupdates:

"Uma pobre filha de barão vivia sob a sombra da irmã, onde nada era para ela. Seu cabelo é cheio de bolas de pelo, ela não tem um único vestido e tudo o que tem são roupas esfarrapadas de trabalho. Sua irmã chamou a atenção de um nobre rico, mas morreu a caminho do casamento. Marie foi enviada como noiva substituta no lugar de sua irmã, porque o barão não conseguiu devolver o dote, que já tinha sido dado pelo conde. (...)  Uma linda e feliz história de amor sobre a filha de um barão caído e um conde eloquente."

A série de novel tem sete volumes no momento e o mangá tem scanlations em inglês até o capítulo 39.  Eu dei uma olhada.  Não gostei muito do traço, mas é mero detalhe, acho que a artista só sabe desenhar gente jovem e bonita.  Enfim, a irmã mais velha é loura e considerada muito bonita, a protagonista, ruiva, é vista como feia.  

No mangá, pelo menos, não é como se a família fosse pobre, simplesmente, tudo o que eles têm investem na mais velha, enquanto a mais nova é tratada como menos que criada da casa. Quando a mais velha é enviada para se casar, o navio afunda e o patriarca decide enviar a filha caçula no lugar da irmã.  Sei lá, não me empolguei muito, mas vamos ver, só olhei o comecinho do mangá mesmo.

Mangá-kas famosas vão publicar one-shots de terror no site da Flowers Comics

Segunda o Comic Natalie, quatro mangá-kas muito experientes, Chie Shinohara (Anatolia Story), Nao Maita (12-sai。~Kokoro Diary~), Yumi Tamura (Não Chame de Mistério) e Setona Mizushiro (Houkago Hokenshitsu) terão one-shots de terror disponibilizados gratuitamente no site da revista Flowers.

Começando com Chie Shinohara, que é muito experiente no gênero, e Yumi Tamura, que entraram no dia 27 de julho, mas já há outras obras disponíveis.  

Este mangá está creditado à Yumi Tamura.

Eu abri o de Chie Shinohara, é de graça mesmo.  Agora, não vi nada que lembrasse o traço da Yumi Tamura, não.  Mas é o nome dela que está na matéria e vi alguns perfis que falam de shoujo comentando, também.

Ao todo, serão 13 trabalhos disponibilizados previamente publicados em revistas da editora Shogakukan.  Mais trabalhos estarão disponíveis até o início de setembro, pelo menos, é o cronograma que está no site da Flower Comics.

terça-feira, 30 de julho de 2024

Ginástica Feminina consegue medalha histórica e é preciso deixar esse momento registrado aqui!

Não assisti a final da ginástica artística por equipes.  Estava tão nervosa que acreditei que não iria suportar.  Olhei o Twitter e os trend topics falavam em injustiças da arbitragem.  Normal, normalíssimo, para que os brasileiros cheguem ao topo em determinados esportes em que a avaliação pode ser um tanto subjetiva (*ginástica artística e rítmica, nado sincronizado etc.*) é preciso trabalhar dobrado. O erro conta mais do que o cometido por atletas de países com tradição nesse tipo de esporte.

 Enfim, por essas e outras, eu não tive coragem de olhar até que veio a notícia da medalha.  Bronze que vale ouro, porque acompanho faz tempo as lutas da ginástica brasileira.   Acredito que foi em Seul (1988), eu era criança, e me lembro de uma reportagem com Luisa Parente, única representante do Brasil, caminhando com sua mochila rumo ao estádio.  Sozinha, parecia não ter nem técnico.  

Faz algum tempo que temos uma equipe de competentes ginastas.  Sim, EQUIPE.  Jovens que podem contar umas com as outras, que tem técnicos, algumas conhecidas do grande público, e inspirando novas gerações a ingressarem no esporte.  Não somente meninas brancas parecidas com as soviéticas, romenas e norte-americanas da minha infância e adolescência, mas garotas com todas as cores do Brasil, algumas delas vindas das periferias do país.

Fui buscar o que publiquei sobre a ginástica, aqui, no blog e achei vários posts.  Lá de 2008, um que falava da dissolução do centro de treinamento da seleção de Curitiba por pressão dos clubes, afinal, não houve medalhas em Pequim.   Outro, de 2009, falava de quando o Flamengo cortou verba da ginástica deixando Jade Barbosa e Diego Hypólito sem salário.  Em 2012, comentando a crueldade da torcida brasileira com os atletas que não conseguiram medalha em Atenas, dentre eles, Daiane dos Santos e Diego Hypólito.  Em 2016, fiz um post sobre a prata de Diego Hypólito e lembro de não ter tido coragem de assistir, estava nervosa, também.  E, em 2021, dois posts sobre Rebeca Andrade, afinal, ela ganhou prata e ouro.  Sim, eu acompanho a ginástica e comento por aqui.  Até deixei uns dois posts de fora do parágrafo, porque esses resumem bem a história da modalidade aqui.

Torcia pelas nossas atletas, que, como alguém pontuou, representavam três gerações Jade Barbosa era iniciante quando Daiane e Daniele Hypólito estavam no auge e é a ginasta mais velha das Olimpíadas; Rebeca Andrade, talvez a segunda melhor ginasta do mundo hoje (*Simone Biles não está em discussão*), Lorrane Oliveira e Flávia Saraiva estão no auge, enquanto Júlia Soares, que já tem um movimento da ginástica registrado com seu nome, está começando.  Fosse na época em que eu era jovem, aos 18 anos, a chamariam de velha.  Muito bom terem colocado limite na idade de participação e estendido a carreira das ginastas mulheres, que dependeu, também, de mudanças nas formas de preparação das atletas.  Algo importante, pelo menos no caso do Brasil, parece ter sido o suporte psicológico dado às atletas.  

O que definiu o bronze foi o salto de Rebeca.  Já havia gente que não acreditava na virada, mas ela veio.  E eu não chorei, mas fiquei com a voz embargada ao recontar para a minha filha o quanto foi difícil a caminhada até aqui.  Ela parece ter entendido, mas não sentido, ela não se liga muito em esportes, talvez, no futuro, ela consiga compreender a grandeza daquilo que essas meninas fizeram.  Que a Rebeca já tinha feito, que Daiane tinha desbravado e Daniele Hypólito tinha sofrido para alcançar, da coragem solitária de Luísa Parente e tantos outros e outras.  Venceram em um esporte subfinanciado, contra (pre)conceitos que foram derrubados.  

Hoje, a melhor ginasta do mundo é uma mulher negra.  Nossa equipe é majoritariamente negra.  Vocês, jovens, talvez não consigam imaginar o quanto isso é incrível.  Agora, basta que o governo deixe de investir nas bolsas de patrocínio, que poderiam ser maiores, mas para um atleta de ponta são boas, que os clubes deixem de se interessar e, rapidamente, podemos retroceder uma década.  Estou muito feliz por nossas atletas, orgulhosa delas, e ainda teremos mais, porque a disputa individual ainda está por vir.  Torçamos por Rebeca e por suas companheiras, porque será duríssima a final por aparelhos.

domingo, 28 de julho de 2024

Shoujocast no Ar! Apresentando o Livro “Animês no Brasil: História e Influênmcia Cultural e Econômica” + Algumas das Minhas Memórias e Impressões sobre esses mais de 60 Anos de Animês No Brasil.


Os primeiros animes foram chegaram ao Brasil em 1968 e passaram a fazer parte da nossa vida. O livro da experiente jornalista Sandra Monte reconta essa história, começando nos anos 1960 até que os animês se tornem parte do nosso cotidiano a tal ponto que a morte de Akira Toriyama foi comentada e lamentada por chefes políticos e nos mais importantes meios de comunicação no Brasil e no Mundo. O livro também tenta discutir como a nossa economia ajudou nesse boom e, vejam só, Cavaleiros do Zodíaco tem, no Brasil, a idade do Plano Real. O programa é sobre o livro e meus comentários sobre ele e minhas lembranças. 

Se for comprar o livro, dê preferência à autora.  Clique aqui.

 

sábado, 27 de julho de 2024

Noivas Substitutas estão na moda nos mangás femininos? Duas resenhas de séries que estou acompanhando.

Parece que um dos temas que está na moda dentro dos mangás femininos é o da noiva substituta.  Decidi escrever finalmente uma resenha dupla, porque me apareceu um terceiro mangá do gênero no Comic Natalie, trata-se de Migawari Romantica ~Seiryaku Kekkon Aite ni Dekiaisarete Shimaimashita!~ (身代わりロマンチカ 政略結婚相手に溺愛されてしまいました!) de Igarashi Nozomi e Suzu Hoshimori, e serviu de gatilho para esse esforço, afinal, acabaram-se minhas férias e eu tenho muitas pendências ainda.  

O resumo do mangá nos conta que a mocinha fica órfã e na miséria, porque o restaurante da família pega fogo, e recebe uma proposta de uma poderosa família, substituir uma noiva que desapareceu.  Não fica claro se o noivo conhece a noiva, talvez, a tenha visto criança, ou elas sejam fisicamente muito parecidas, mas a garota aceita.  Normalmente, nesse tipo de arranjo, a família poderosa pretende encontrar a moça desaparecida/fugida e fazer a troca depois.  Claro, que nada vai funcionar desse jeito.  Esse mangá é shoujo, está saindo na Comic Polaris e teve seu primeiro volume recém publicado no Japão.

Os dois mangás que pretendo resenhar são TL, isto é, mangás eróticos para mulheres.  então, se você não tem pelo menos uns 16 anos, não vá atrás deles.  Kishin Kakka no Migawari Hanayome ~Yotsugi ga Dekitara Rien Desu~ (鬼神閣下の身代わり花嫁 〜世継ぎができたら離縁です〜), de Rin Hachikumo, que parece estar parado no volume #3, foi o que comecei a ler primeiro e é uma história novelão com um monte de clichês.  É divertido, mas não passa muito disso.  A segunda, Haramu Made Midare Ike - Migawari Hanayome to Gunpuku no Mouai (孕むまで乱れいけ~身代わり花嫁と軍服の猛愛), de Yuzu Kanzaki, é um mangá cujas scanlations vão muito rápido e parece ser um dos mangás TL mais importantes no momento (*1 - 2*).  É novelão como o outro, mas tem pretensões de ser denso e profundo.  A autora ainda não me convenceu muito.

Nesses mangás de noiva trocada, a coisa tem aparecido de duas maneiras, ou é um casamento arranjado em que uma jovem é colocada no lugar de outra, porque acreditam que o noivo não irá descobrir, ou é uma irmã casando no lugar da outra como forma de "sacrifício". Kishin Kakka no Migawari Hanayome meio que junta as duas coisas em uma só. Em ambos os casos, quando não é uma completa desconhecida, o noivo aceita a coisa pacificamente, porque, de alguma forma, a mulher que ele queria era efetivamente a que recebeu.  

Obviamente, como sempre temos dramalhão, a gente sabe que o romance mesmo não vai andar rápido, quando é TL, o sexo, por outro lado, vem em doses cavalares, às vezes, até atrapalhando o fluxo da história.  Outras duas características, sempre é um mangá histórico ou de fantasia histórica, a mocinha eventualmente pode ser uma viajante do tempo e é idêntica à desaparecida e o noivo é militar.  Imagino que as autoras achem muito elegantes esses uniformes inspirados nas Eras Meiji e Taisho.  Fetiches, enfim.  Comecemos por Kishin Kakka no Migawari Hanayome, que é simples, sincero e entrega a farofa que promete sem enrolação.

Hanako iria se casar, mas foge com um empregado da casa, por conta disso, Tsukiko, sua irmã gêmea, acaba se casando com Kishi Naotsugu, um jovem que subiu na hierarquia como tenente-general. Ele também é conhecido como o "General Demônio" devido à sua crueldade. Desde a infância, Tsukiko tem uma saúde frágil e é considerada um fracasso por aqueles ao seu redor. Depois de conhecer o general apenas uma vez, ela foi emocionalmente apoiada por sua gentileza. Mas agora ele diz a ela que depois que ela lhe deu um herdeiro, eles devem se divorciar?!

Neste mangá, temos duas famílias poderosas que desejam juntar suas fortunas.  Hanako é vista como uma dama perfeita, mas nunca se mostrou gentil com seu noivo.  Ela é sempre fria e distante.  Já Tsukiko, que é quase que mantida reclusa pela família em seu quarto, só falou com Naotsugu uma única vez.  Ele estava voltando da guerra, tinha muitas bandagens e ferimentos, e ela tinha escapulido do seu quarto-prisão e estava no jardim.  Não sabemos qual a diferença de idade entre os dois.  Eu chutaria entre 8 e 10 anos, essas autoras gostam de colocar homens grandões e mulheres bem menores, mas ele esconde a menina debaixo de sua capa para que ela escape da governanta.  O que sabemos de idade até agora é que Tsukiko tem 18 anos.  É de maior, portanto.

Naotsugu não esquece a gentileza da menina, que não sentiu repulsa das suas cicatrizes.  Aliás, outro clichê desses homens militares dessas histórias, eles são todos lanhados, deve ser outro fetiche, mas para o sujeito ficar todo destruído (*menos o rosto, claro*), imagino que bom guerreiro não deve ser.  Hanako, sempre que o encontra, parece sentir nojo delas.  Muito bem, com Hanako fugida,  Tsukiko é mandada em seu lugar.  Ela, que sempre foi tratada como incapaz, precisa fingir que é a irmã, enganar Naotsugu, mas o sujeito percebe desde o primeiro momento que trata-se de outra pessoa.  

Ele humilha Tsukiko por aceitar pacificamente o lugar da irmã, ele chega a compará-la a uma prostituta.  A moça, que tem uma autoestima abaixo de zero, aceita a ofensa, se desculpa, e lhe diz que só quer ser útil (*à família e ao marido da irmã*), mas que, infelizmente, não acredita ter a competência de uma profissional.  Naotsugu, que a ama, lembrem disso, fica meio quebrado e a deixa ficar, mas estabelece que tão logo ela tivesse um filho homem seu, ele se divorciaria dela, mas que lhe daria a compensação de uma viúva, o que possibilitaria à Tsukiko se casar de novo, ou ser uma mulher independente, sem precisar mais se submeter às vontades de sua família.

Um acordo muito bom, mas a moça vê como uma confirmação de que ele ama Hanako e que ela é somente uma substituta.  Já Naotsugu, não sabe como colocar em palavras o óbvio, ele recebeu a esposa certa.  Par atentar ajudar os dois temos o clichê mordomo-melhor-amigo-de-infância do mocinho e que parece fazer as vezes de "amigo gay" nesse tipo de história.  Ele ajuda Naotsugu a ser mais gentil e Tsukiko a ter mais confiança, ele saca de cara que o arranjo é mais que satisfatório.

E, sim, é mangá TL, então temos sexo.  O mocinho tenta manter as coisas em um nível "profissional".  Como há algo de virginiano nele, ajusta as datas para os encontros, a hora e diz que será rápido e não tocará Tsukiko em nenhum lugar que não seja necessário (!!!).  Primeira noite dos dois, tudo muito bem, a mocinha sente tanto prazer que desmaia/dorme.  É outro clichê do gênero.  Ele fica meio alarmado e acredita que machucou a menina.  Só que ela quer continuar sendo útil (🤗) e vai tentar mostrar para ele que tudo bem.  E o sujeito se torna menos cuidadoso, por assim dizer, e ela menos frágil.  Desses encontros sexuais dos dois, temos como momento ápice até agora a vez em que ele a beija pela primeira vez, porque, sim, você pode fazer mil coisas, mas beijar é muito sério.

Na altura que estamos do mangá, e eu acredito que a autora colocou a série em hiato (*infelizmente*), Tsukiko passou por um intenso treinamento por parte do mordomo alcoviteiro, porque teria que fingir que é Hanako em uma festa.  Ela se sai muito bem, ela consegue dançar e ter momentos de sonho, ainda que dentro de sua cabecinha, apesar de todos os sinais que Naotsugu já deu, ela acredite que é a substituta.  Pois bem, aparece um mensageiro da família para avisar que Hanako foi encontrada e que logo elas irão trocar de lugar.

Desesperada, Tsukiko confunde as bebidas e fica completamente embriagada e confessa seu amor pelo marido.  As scanlations terminam nesse miserável momento. Estão paradas desde então, pelo menos, no site que eu acompanho.  Naotsugu fica encantado e, obviamente, não irão aceitar a troca.  Primeiro, porque ama Tsukiko, segundo, porque dentro da lógica da história, um homem desse jamais aceitaria como esposa a moça que fugiu com o rapaz da estrebaria.  De resto, não dá para saber se Tsukiko e Hanako são meio Raquel e Ruth de Mulheres de Areia e nem sei se a autora vai nos mostrar alguma coisa da personalidade da irmã fugitiva.

O traço da autora funciona bem.  Não é dos mais elaborados, mas consegue ser bonito em vários momentos.  O figurino é aquela mistura de roupas japonesas com vestidos femininos ocidentais vitorianos farofa, isto é, a gente não identifica a época, mas todos os clichês de mangá feminino estão lá.  Não são feios, mas não impressionam, também.  Agora, Tsukiko me lembra um pouco a Belldandy de Aa! Megami-sama (ああっ女神さまっ).  Ela lembra, não o traço geral do mangá, que fique claro.

Vamos então para Haramu Made Midare Ike, o mangá TL que acredita ser denso e profundo.  E sempre que um desses me aparece, me desperta a ideia de que a autora queria fazer outra coisa, mas só conseguiu publicar em selo/site/revista TL.  No caso de Haramu Made Midare Ike, o sexo parece atrapalhar o fluxo da narrativa em vários momentos.  Veja, há muita história para contar, não é por falta dela.  Vamos para o resumo começando com o que está em TODO lugar:

""Eu farei você dar à luz meu filho no lugar de sua irmã."  Eu pensei que não havia amor em casamentos... mas os dedos deste soldado de sangue frio são inesperadamente doces, apaixonados e ferozes..." Estamos na Era Taisho (1912-1926), Asako é a filha solteirona (*o que pode significar que ela tem uns meros 19 anos, nenhuma idade apareceu ainda*) e é muito protetiva em relação à caçula, Hiroko, que tem a saúde muito frágil.  Elas pertencem a uma família aristocrática.  

A mais velha é vista como um problema, alguém que pode atrapalhar os planos dos pais de um futuro brilhante para a caçula.   Afinal, se a mais velha não consegue casar, a mais nova deve ter algum defeito.  Logo no início, isso é dito quando Asako defende a irmã do assédio de um homem em uma festa da nobreza. O cara é tão ousado que chega a tocar em Hiroko. Vários convidados, especialmente, as mulheres começam a comentar o quanto Asako é desagradável com sua atitude tão agressiva.  O sujeito fica tão ofendido ao ser interpelado por uma mulher, que decide agredir Asako fisicamente, afinal, ela deveria ser submissa e mostrar respeito por QUALQUER homem.

Neste momento, aparece o Capitão Shintaro Kido e intervém.  Ele é temido, ele tem um histórico militar impecável e é o oficial mais jovem a chegar ao posto de capitão na história do Japão.  Só que a família Kido tem origens fora da nobreza e vários dos convidados se perguntam o que ele estaria fazendo ali.  Alguém informa que ele está atrás de uma noiva nobre, afinal, ele tem o favor do imperador e sua família enriqueceu, para que ela lhe dê um filho.  Alguém comenta qual seria a moça azarada o suficiente para casar-se com um homem de aparência tão fria e cruel.  

Ao chegar em casa, Asako apanha do pai por ter se comportado de forma vergonhosa na festa.  Como mulher, ela não deveria levantar sua voz, ela é uma vergonha e atrapalha os planos de casamento da filha caçula.  Naquele mesmo dia, chega uma proposta de casamento do Capitão Kido.  Ele quer se casar com Hiroko.  Asako fica desesperada, afinal, sua irmã tem uma saúde delicada, e vai atrás de Kido.  Ela se oferece para ser sua esposa e ter um filho no lugar da irmã.  Ela pode não ser tão bonita, pode ser uma solteirona, mas ela é capaz de cumprir essa missão.  Kido fica surpreso, examina o material (*mangá TL*), não é gentil com ela, mas aceita a proposta.  Eles se casam, ela acha que é a substituta, mas não sabe que, desde o início, era Asako a escolhida.

Vamos lá, este mangá aqui se propõe a fazer um monte de discussões sérias sobre classe, papéis de gênero e relações familiares.  A família de Asako é horrenda, sabemos isso desde a primeira aparição do pai e da mãe. Eu fico pensando se Asako é mesmo filha da casa, se não é ilegítima, se não é fruto do adultério da esposa, porque tamanha crueldade com ela não se justifica.  Aliás, os pais chegam a ofender Kido ao oferecerem uma festa de casamento miserável.  

Eles desprezam a moça, que acredita que a culpa é dela, que ela não se esforçou o suficiente para se comportar como uma mulher deveria.   Eles são muito orgulhosos e imagino que para aceitarem a proposta de Kido, devem estar meio falidos, ou desesperadamente desejosos da apreciação do imperador.  A festa de casamento ofende profundamente Kido que decide cortar laços com eles, ainda que não tenha a crueldade de impedir Asako de ver a irmã e escrever para ela.  

Bem mais adiante no mangá, conhecemos a família de Kido.  Terror de novo.  Ele é filho único.  Sua mãe deveria ser uma mulher da nobreza, casou-se com um militar alpinista social que não se sente satisfeito ao descobrir que a esposa tem uma saúde frágil.  Muito provavelmente, ela não pode ter mais filhos depois de Kido.  O marido coloca amantes dentro de casa, humilha publicamente a esposa e desperta a ira do filho que passa a odiar o pai, que repete que ele é fraco como sua mãe.  Kido vai para a escola militar disposto a mostrar ao pai que ele não é fraco, algo que efetivamente ele consegue fazer, mas sua mãe é internada em um sanatório.  Não fica claro na história se para doenças físicas, ou mentais.  

Quando o velho descobre que Kido se casou com Asako, ele quer que ele se separe.  Ela é uma solteirona (*de novo, ninguém diz sua idade*), logo, uma mulher de menor valor, com a carreira brilhante que o filho tem, ele deveria buscar alguém que o ajudasse a subir mais.  Kido se recusa a largar Asako, ele mantém pé firme, e rompe com o pai que manda destruir as coisas do filho e da finada esposa.  Pouca coisa se salva, graças a uma criada de confiança.  Qual pai é pior?  Não sabemos.  Famílias horríveis.

Kido não diz que ama Asako, mas ele é tão gentil e carinhoso com ela ao longo do que vemos no casamento dos dois que a coisa grita.  Depois que eles vão morar juntos, não há momento em que ele não mostre em gestos e palavras que ela é a mulher certa para ele, que não é uma substituta.  Só que nossa mocinha se considera tão pouco, tem tantos traumas, que não consegue perceber que está enganada.  E ela sempre o chama de "senhor" (danna-sama) quando estão fazendo amor, e fica evidente que ele, na verdade, quer ser chamado pelo nome.

Ao longo da história, é mostrado como Kido conheceu Asako.  Ele estava no hospital se recuperando de ferimentos de guerra (*outro homem lanhado*) e ela ia da escola para o hospital todos os dias e ajudava a cuidar dos feridos.  Ele reconhece que ela é uma moça nobre, mas que se mostra sempre gentil e solícita com todos.  Ele se apaixona por ela.  Um dia, porém, o pai de Asako aparece de surpresa, faz um escândalo, diz que a adolescente estava sujando a honra da família, afinal, ela era nobre, não deveria fazer esse tipo de serviço.  Ela diz que até princesas estão servindo como enfermeiras.  Imagino que estivessem na 1ª Guerra Mundial.  Ela apanha, claro, e nunca mais volta ao hospital.  Asako não lembra de Kido, mas ele guarda a memória dos acontecimentos.

Como comandante, Kido incorpora aquele clichê de líder duro, porém protetor e que sabe reconhecer as qualidades de seus soldados.  É um clichê e sempre é usado para mostrar que o sujeito que é chamado de demônio (*oni*), na verdade, é um bom homem.  Tipo Kiyoka em Watashi no Shiawase na Kekkon (わたしの幸せな結婚).  Mesmo modelo de homem, só que fazendo sexo a cada dois capítulos.  Agora, em Kishin Kakka no Migawari Hanayome, que tem uma carga de humor (*voluntário e involuntário*) muito grande, Naotsugu é bem bestial com seus comandados mesmo.  Sei que é piada, mas ele parece ser um comandante horroroso.

Conforme a história avança, além dos entreveros familiares, do sexo e da tentativa de Kido de mostrar para Asako que ela não é uma substituta sem ter que dizer em palavras, aparece um assediador (*tentou abusar da mocinha, na verdade*), um colega militar.  Kido deveria ter fatiado o cara, mas Asako intervém e pede que ele pense na carreira.  O sujeito era de família importante.  Nesses últimos capítulos, e preciso ler os três que saíram recentemente, Hiroko estava internada e Asako a visitando com frequência.  Aparece um homem para visitar a moça, também, era um velho amigo de infância.

Sim, clichê do amigo de infância.  O sujeito era um tanto mais velho que Asako e o único, fora Hiroko, que a valorizava e tratava bem.  Só que ele entrou para a Marinha, passava muito tempo fora.  Clichê dois, Exército X Marinha.  Qual uniforme vocês preferem?  Um?  Entenderam? OK.  Ele casou-se.  O sujeito pede a ajuda de Asako para comprar um presente para a esposa, ele diz que tem dificuldades em escolher.  Ela decide ajudá-lo e ele a leva para colocar o presente no túmulo da mulher.  A forma como o amigo de infância olha para Asako diz bem o que vai dentro dele.  Ele teve uma boa esposa, mas foi um casamento arranjado, o coração dele sempre pertenceu à protagonista.  Bem, estamos nesse pé, isso se a história não andou em três capítulos.

Ah, sim, Asako está preocupada de não ter engravidado ainda.  Afinal, foi para isso que ela se casou no lugar da irmã, não foi?  Ela morre de medo de Kido querer trocar de mulher e Hiroko morrer, porque o capitão é muito ardoroso na cama.  Falando nisso, a arte de Yuzu Kanzaki é bonita.  Os rostos são bem expressivos, agora, as sequências de sexo que ela desenha, e vejam que TL tem o sexo como algo central, são muito confusas, há momentos em que não dá para entender o que está acontecendo.  Se fosse um mangá josei padrão, que tem sexo, mas não tem que se valer disso o tempo inteiro, seria um mangá ainda melhor, porque, efetivamente, é uma obra interessante, mas que eu acredito que está na demografia errada.

Falando em sexo, quase esqueci de algo importante.  Asako gosta de sexo, mas foi educada para acreditar que uma mulher decente não deve se sentir assim.  Ela deve se submeter ao marido, a quem pertence e que, como homem, tem todo o direito de exigir sexo e gostar do ato.  Lembrem que nossa mocinha tem complexo de inferioridade e que sempre reforçaram que ela era um fracasso por não se enquadrar naquilo que era esperado por uma dama.  E o que Kido faz?  Ele tenta convencer a esposa de que ela pode, sim, gostar de sexo e ser ativa durante o ato.  

Enfim, material para  mulheres com função didática, vale para mangá, vale para literatura feminina popular, porque esse tipo de ideia é real, atravessa várias culturas e temos fontes suficientes para atestá-la.  A ideia, claro, não é somente negar às mulheres o direito ao prazer, mas de promover o controle dos corpos femininos.  Uma mulher que gosta de sexo pode não aceitar qualquer coisa que lhe seja oferecido.

É isso.  Se você quiser ler as scanlations de  Haramu Made Midare Ike - Migawari Hanayome to Gunpuku no Mouai ou Kishin Kakka no Migawari Hanayome ~Yotsugi ga Dekitara Rien Desu~ elas estão disponíveis em alguns sites na internet.  Pelo que sei, nenhum dos dois mangás foi licenciado ainda fora do Japão.[*]  E uma pergunta: vocês conhecem outros mangás de noivas substitutas que se enquadrariam nesse modelo?  Eu poderia citar outros mangás, mas o texto já ficou longuíssimo.

[*] Retirei os links para as scanlations, porque o Blogger tinha comunicado que o post infringia a DMCA (Digital Millennium Copyright Act), uma lei de direitos autorais dos Estados Unidos que parece servir para interferir em qualquer lugar do mundo.  Se o problema for os links, OK, se não for, devem tirar o post do ar, ou mesmo o Shoujo Café.  Se  o post voltar a ser rascunho, retiro as imagens, é o que eu posso fazer.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Quadrinho coreano sobre uma mulher infeliz no casamento que tenta se matar e tora de corpo com o marido estreia no Japão

O Comic Natalie deu destaque para o lançamento do primeiro volume do manhwa Dangsinui Ihaereul Dopgi Wihayeo (당신의 이해를 돕기 위하여), em japonês Anata no Kokoro ga Wakaru you ni (あなたの心がわかるように), em inglês What means to be you (O que significa ser você) ou To Help You Understand (Para ajudar você a compreender), de Leebora e Lanyong (roteiro( e Ocean (arte).  Basicamente, é a velha história da troca de corpos.  Tem ele todinho no Bato.to  Fiquei curiosa e fui dar uma olhada.  Resumo e alguns comentários.

A refinada Princesa Violet está pronta para se casar com Winter, o filho ilegítimo (e temperamental) de um nobre, para quitar a dívida de sua família. Para ela, é amor à primeira vista, mas o casamento mergulha no desastre quando o status real de sua família se torna nulo e sem efeito e ela é rotulada como uma vigarista. Três anos depois desse pesadelo, a ex-princesa decide acabar com tudo... apenas para acordar no corpo de Winter! Intrigada com a troca repentina de corpos e incapaz de confiar nos outros, os dois finalmente se entenderão?

Vamos lá, o traço é mais ou menos com alguns quadros bonitos.  A ambientação é uma mistura de Europa estilizada do século XIX e mundo corporativo coreano.  O pai da mocinha era o rei do país, tudo mergulhou em um caos, ele morreu.  No dia do casamento de Violet e Winter, o irmão mais velho da protagonista aproveita para fazer um discurso abdicando do seu direito ao trono e do status real da família.  Eles seriam plebeus a partir de então.

Winter fica furioso!  O sujeito diz para a noiva que pagou muito caro por uma princesa, muito provavelmente para se elevar socialmente, já que ele é um bastardo (*com direito a passado triste, claro*), e passa a tratá-la feito lixo, além de praticamente não ficar em casa.  Seguindo o exemplo dele, todos a tratam mal.  A mocinha cai em depressão, é humilhada seguidas vezes, assediada por um sujeito que não entendi bem quem é e o médico diz que ela está fingindo doença.  

Desesperada, nossa Violet decide morrer.  Toma uma overdose de remédios com uma garrafa de vinho.  Memórias de uma infância e adolescência felizes voltam nesse momento e ela flutua até perder a consciência.  Ao acordar, está no corpo do marido.  Só que ele é presidente de uma corporação, está fazendo um negócio grande.  Seu secretário percebe algo de errado e  obstrui a assinatura do contrato.  Será que Winter estaria de ressaca? Detalhe, rola aquele clichê da personagem olhar no espelho e ver seu eu verdadeiro e, não, o corpo que ocupa naquele momento.

Ah, mas a melhor parte até agora!  O marido, bonitinho, mas ordinário, acorda no corpo da mulher.  Demora a perceber, sai desesperado pela mansão e dá de cara com o médico, que petulante, diz que "ela" não tem nada e tem que parar de fingir.  Obviamente, isso não vai prestar e só a cara que Winter no corpo de Violet faz para o médico reduz o cara a um inseto.  Vamos ver no que vai dar quando ele encontrar o assediador... 

Imagino que tenha scanlations em português.  É derivado de livro.  Como tem situações de suicídio, abuso e violência, cada capítulo que abri até agora tem um aviso/advertência.  Pode ser promissor esse manhwa, agora, estou curiosa em saber como será, ou se haverá, qualquer intimidade entre os dois.  Certamente, o casamento não foi consumado, mas tem mais de 160 capítulos e eu sou velha e não tenho tanta paciência mais com essas coisas.  Se duvidar, uma das questões será a família dele tentando anular a união.  E, sim, antes deles ficarem juntos e trocarem de corpos, quero que o mocinho sofra, porque ele merece.

Erica Sakurazawa lança mangá sobre a pintora francesa Marie Laurencin e a estilista Coco Chanel

Erica Sakurazawa, de quem eu não ouvia falar faz algum tempo, foi a primeira mangá-ka josei que eu li e conseguiu me agradar.  Inclusive, há duas resenhas velhíssimas que fiz de obras dela, The Aromatic Bitters e Tenshi e Tenshi no Su (*que estão no Wordpress, vejam só!*).  Muito bem, segundo o Comic Natalie (*via ANN*), Sakurazawa estreou um mangá sobre a pintora francesa Marie Laurencin (1883-1956) e a estilista Coco Channel (1883-1971).

Paris 1921―Sasori-za no Onna to Shishi-za no Onna (パリ 1921―蠍座の女と獅子座の女), em português algo como Paris 1921― a Mulher Escorpião e a Mulher Leão (*preferi harmonizar usando mulher e, não, leoa*) estreou no site Kateigaho.com da Sekai Bunkai e é uma ficção histórica é centrada na pintora francesa Marie Laurencin e na estilista francesa Coco Chanel. O mangá se passa em Paris, na década de 1920, também conhecida como "loucos anos 20", quando as duas mulheres usaram seus talentos para chegar ao sucesso.  Sakurazawa desenhou o mangá com a cooperação da diretora do Museu Marie Laurencin, Yoshizawa Kimihisa.

Você gosta de cachorrinhos? Teremos um anime shoujo de cachorrinhos!

Post atrasado, porque o anime já foi anunciado faz algumas semanas, mas a estreia é somente em outubro.  Muito bem, a série Tono to Inu (殿と犬) estreia em outubro, ela é baseada no mangá de mesmo nome de Rie Nishida, que estreou em 2021 na revista Comic Polaris.  

Com três volumes até o momento, Tono to Inu é centrado em um samurai muito habilidoso, outrora temido no campo de batalha por sua grande habilidade. Mas depois que seu clã foi à ruína, ele viveu uma vida tranquila e humilde, seu rosto intimidador é a única prova de sua vida de guerreiro anterior. Um dia, ele encontra um curioso cão corgi, por quem ele imediatamente se apaixona, e eles começam uma vida juntos.  O cachorrinho ainda é um corgi!  O que pode dar errado?  O trailer está abaixo, as informações vieram do Comic Natalie, do ANN e do perfil do Twitter da série.

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Quais os 30 Mangás TL mais vendidos do primeiro semestre de 2024 no Japão? (+18/NSFW)


Hoje, apareceu no Twitter o link para o site do Comic Seymour, um importante site de distribuição de e-books operado pela NTT Solmare Corporation, postou a lista dos 30 mangás TL mais vendidos do primeiro semestre de 2024.  Dos trinta títulos, acho que só conheço Nanako to Kaoru - Daraku shite Iku, Bokutachi wa。e Haramu Made Midare Ike ~Migawari Hanayome to Gunpuku no Mouai~, que estou para fazer resenha.  Enfim, tentei encontrar o Twitter de todas as autoras, assim, se vocês quiserem, podem acessar e ver a arte das mangá-kas.  Uma das coisas boas do Twitter é que a maioria das mangá-kas tem perfil lá.  Imagino que vários dos mangás da lista tenham scanlations.  Se vocês visitarem a página, verão imagens dos cinco primeiros colocados e as capinhas dos demais.  No final da página, há link para os 30 mangás BL mais vendidos.

1. Suki na Yatsu Hodo Ijimetai。XL na Rival Douki no Bukiyou na Dekiai de ako.
2. Ai ga Omoi Kishi Koushaku wa, Tsuihou Reijou no Subete wo Ubai Tsukushitai。de Umibara Yuta.
3.Nanako to Kaoru - Daraku shite Iku, Bokutachi wa。de Omame Tsukino.
4.Kiss de Fusaide, Bare Naide。de Fudono Fudou.
5.Kuro Bengoshi no Chijou Sekai de Ichiban Omoi Junai de Sumi.
6.Zetsurin Osananajimi no Dekiai H de Mitasaretai de Asaba Sabako.
7.Hatsukoi Gurui - Otouto da to Omotteta Osananajimi ni Gekijuu Kanjou wo de Natsuo Tsunao.
8.Tensei Saki de Meta Hatsugen wo Shitara Kouryaku Taishou no Ouji ga Hyouhen Shimashita de Overkill (bita).
9.Ijiwaru Osananajimi to Toroama Fuufu Seikatsu ~Kono Keiyaku Kon wa, Kekikakuteki Dekiai deshita de Hisamatsu Eight.
10.Taido mo Karada mo Zenbu Dekai Segawa-san no Gachi Koi Taishou ni Narimashita de The Waidan/Yasuda Meshimeshi (roteiro) e Haruyama Haruo (arte).
11.Zecchou Aite wa Konyakusha!? ~Konya mo Iku Made Hame Ochiru~ de Okonogi Happa.
12.Akuyaku Ouji no Ichizu na Shuuchaku, Hatenai Dekiai。de Mikurayama Anju.
13.Yandere Koroshi!! ~Shuuchaku Yabame no Osananajimi ni "Watashi mo Suki" to Tsutaetara。de Toyama Monaka (roteiro) e Kazuichi (arte).
14.Kono Mama ja Watashitachi, Shinyuurashiku Irarenai de The Waidan (roteiro) e Nekopi the Cat (arte).
15.Hatsujou suru Unmei - Elite α no Risei ga Genkai de Nanao Rion.
16.Zangyakukou no Kawaii Tsugai ~Aishitagari na Danna-sama ni Hajimete wo Sasagemasu~ de Crane (roteiro) e Kitaya Kuro (arte).
17.Sono Keisatsukan, Tokidoki Yajuu! ~Kitaeta Karada ni Mori~ de Torai Sigma.
18.Buchou no Yoru teku ga Sugo Sugite Koshi ga Ukimasu Uzukimasu de Ootsuka Akira.
19.Seifuku no Renjo Migawari Kekkon Nostalgia de Kanade Souma (roteiro) e Azumi Yuu (arte).
20.Osananajimi Bartender to Hajimeru Kaikan Lesson de Takashino Rami.
21.Inukai-san wa Kakure Dekiai Joushi - Konya Dake wa "Suki" wo Gaman Dekimasen! de Itosuge Joe.
22. Konna koto Yari tai no! ~Darenimo Tomerarenai Kare~ (*não consegui identificar a autora*)
23.Haikei Oji-sama Outei Denka, Ichiya Kagiri no Hazu ga Kon'yaku no Moushikomi wa Soutei-gai desu! de Azutaka.
24.Osananajimi wa Ichi Tamagosei no Shishi Supadari Futago to Torotoro 3 nin Seikatsu de Sakura Ao (roteiro) e Awai Poppo (arte).
25.Okuchi ga Ecchi na Jakuten Datte, Rival no Elite Douryou ni Barete Shimaimashita de Awai Poppo.
26.High-spec Kare ga Watashi wo Suki sugiru - Innen no Aite no Kojirase Ai wa Dekiama de de Sakura Ao (roteiro) e Kikkawa Tei (arte).
27.Haramu Made Midare Ike ~Migawari Hanayome to Gunpuku no Mouai~ de Kanzaki Yuzu
28.Burikaesu Juusei。~Kaasuto Joui na Otoko no, 10 Toshikoshi no Gekiai~ de Komagome.
29. Kakure Tenaide Dete Oide ~Shuuchakukei Motokare ni Trauma~ de Tofu Pizza Maru.
30.Mojo to Hime-sama Irekawari Isekai Tensei ~Oku Made Uzuku Kiss wo shite... de Aomori.

quarta-feira, 24 de julho de 2024

E a próxima temporada será a do Benedict + Resenha do Livro Um perfeito cavalheiro (An Offer From a Gentleman)

Ontem, a surpresa do dia foi um pequeno vídeo anunciando que a próxima temporada de Bridgerton.  Como muita gente torcia, será a vez de Benedict, o segundo filho mais velho e que cedeu espaço para Colin e Penelope na terceira temporada da série, que eu ainda não terminei de resenhar, mas farei antes do final das minhas férias (*Está acabando...*).  Enfim, segue o vídeo:

Como eu li o terceiro livro da série, Um perfeito cavalheiro (An Offer From a Gentleman) e gostei bastante, queria deixar alguns comentários sobre ele.  Pelos dois primeiros livros fiquei com uma impressão ruim em relação aos livros da Julia Quinn.  A história do casamento forçado, situações de abuso sexual ignoradas, uma informações estranhas sem que fossem rebatidas (*mulheres grávidas não podem cavalgar*) e uns anacronismos bem bestas (*Anthony e seu problema com cor de rosa*), são exemplos.  Citei os livros em mais de uma das minhas resenhas de Bridgerton, que tem tag no blog, então, ficou fácil achar tudo o que eu escrevi sobre a serie.  Eu não leria mais nada, mas fiquei tentada e fui atrás do livro 3 e do livro 4.  Até olhei o da Francesca, mas só por alto mesmo.

Enfim, o livro três e o quatro são divertidos, são basicamente romances Harlequin, ou Avon, dá na mesma, tudo saia pela Nova Cultural no Brasil, bem escritos e simpáticos.  Sim, romance de banca, produção em série, tipo mangá e romances de guerra ou faroeste, que eram voltados para o público feminino.  O fato de, pelo menos aqui no Brasil, terem promovido esse tipo de literatura popular à material de livraria para cobrar mais caro e fazer com que algumas pessoas não torçam o nariz, não muda sua origem.  Muito bem, o volume do Benedict reconta a história de Cinderela e a coloca no contexto da Regência Britânica com suas questões de classe social, legitimidade e bastardia.

An Offer from a Gentleman (*e o título original é importante na história*) tem momentos românticos, dramáticos, divertidos e eróticos, também, porque isso não pode faltar nos modernos romances populares para mulheres.  Apesar da mocinha e do mocinho não estarem em posição de igualdade, e isso no que se refere à classe social, que fique claro, porque mulheres e homens não estavam equiparados no período histórico que a Julia Quinn retrata, Sophie, este é o nome de nossa heroína, não se deixa intimidar e tem traços de personalidade e caráter bem marcantes.  Mas vamos deixa organizar as coisas! Como começa a história?

Sophie Beckett é a filha bastarda de um conde.  Sua mãe morreu no parto e sua avó entrega a menina ao pai quando ela tem três anos.  O conde de Penwood nunca legitimou Sophie, para todos os efeitos, ela era a filha órfã de um amigo ou parente distante, que ele acolhera sob sua tutela.  Sophie recebeu uma educação esmerada, mas não teve amor do pai.  Quando o conde se casa, sua nova esposa, Araminta, traz consigo duas filhas de um primeiro casamento. A condessa não desejava Sophie convivendo com suas filhas, mas o conde impõe que menina continue recebendo as mesmas lições, só que o conde morre quando a jovem tem 16 anos e ela termina sendo reduzida a condição de criada, na verdade, menos que isso, porque criadas recebem salários e tem dias de folga e ela não tinha nada.  Araminta, sua madrasta, a odeia.  Mais tarde retornarei a isso.

Fonte: @rafafinhass

A vida de Sophie era de humilhações e violências, mas ela, às vezes,  sonhava que as coisas poderiam ser diferentes.  Ela lê a coluna de Lady Whistledown e deseja poder ir ao último baile de máscaras que será oferecido pela Viscondessa viúva em sua despedida da grande casa dos Bridgerton, afinal, seu filho Anthony e sua esposa deveriam morar lá.  Com a ajuda de uma antiga criada da casa, Sophie é vestida com roupas que pertenceram a sua avó.  Como o baile era à fantasia, também, uma roupa absolutamente fora de moda não seria um problema.  O cocheiro leva a jovem às escondidas até o baile e ela entra de penetra, mas tem que ir embora até a meia noite.

Benedict Bridgerton estava no baile promovido pela mãe e fugindo da pressão para dançar com wallflowers (*como Penelope*), que ficavam nos cantos do salão, e moças que a viscondessa considerasse candidatas a noiva.  Ele não quer se casar, ele nem queria estar na festa, mas eis que aparece uma bela dama com um vestido prateado e sua atenção é totalmente capturada por ela.  Ele a convida para dançar e se surpreende em saber que a moça não sabe como fazer.  Na verdade, ele fica surpreso da moça não saber quem ele é e fica fascinado com a genuína alegria que emana dela.  Sophie está feliz, pelo menos por algumas horas ela se dará esse direito.

A identidade de Benedict é revelada, claro, a festa era na casa dele e Sophie fica um tanto atordoada.  Ela lera sobre ele nas colunas de Lady Whistledown. Mesmo contra o que seria considerado decente, Benedict leva a jovem para um dos terraços privados da casa e começa a lhe ensinar a dançar.  Na conversa entre os dois, ele tenta tirar informações da jovem e já se imagina indo à casa dela no dia seguinte, mas ela é lacônica e misteriosa.  Teria ela ido escondida ao baile?  Seria jovem demais?  Quem era a sua família?  Ela morava em Londres ou viera de outro lugar?  Ele tenta conseguir indícios de quem ela seria, mas em vão.

Eles dançam, eles se beijam, porque Sophie imagina que aquela é sua única oportunidade de estar com um homem como Benedict Bridgerton.  A interação entre os dois vai também além do que seria considerado decente, toca meia noite e ela foge deixando a luva para trás.  Ele até a teria alcançado, se Lady Danbury não o tivesse interceptado no caminho.

Com a luva em sua posse, ele vai até sua mãe para que ela identifique a qual família pertence.  Lady Bridgerton diz que é dos Penwood e que ela conheceu o antigo conde e outros membros da família.  A moça poderia ser uma das enteadas do falecido conde e Benedict vai até a casa  onde Sophie é mantida em regime de escravidão.  Ele interage com a condessa, uma mulher que não lhe desperta simpatia, sua mãe, aliás, já tinha sinalizado que ela não era boa pessoa, e as duas filhas.  Nenhuma delas é a dama mascarada.  Ele chega a ouvir o nome de Sophie, tida como uma criada displicente pela condessa viúva, e tem pena dela, mas não a vê.

Araminta, que já estava desconfiada que Sophie tinha feito algo de errado na noite anterior, porque um dos seus sapatos estava machucado ou sujo, enfim, junta os pontos e decide expulsar a jovem de casa.  Sophie era ingrata e estava sendo sustentada por ela desde que completara 20 anos e terminará o prazo no testamento de seu marido para que ela cuidasse da moça, ou perderia parte do dinheiro que lhe cabia.  Antes de mandá-la embora, porém, impõe uma tarefa impossível para a moça, limpar todos os sapatos até o amanhecer, e a trança no closet.  Sophie fica desesperada.  O que seria dela?  Desesperada, Sophie rouba um par de adereços de sapatos de Araminta como uma pequena paga por tudo que passara.  Ela os venderia.  Antes do amanhecer, uma das filhas da madrasta, a única que lhe mostrava alguma simpatia, a liberta.

Benedict passou dois anos sonhando com a dama mascarada, procurando por ela, até acreditar que era tudo em vão.  Até que, em uma noite, ele salva uma jovem criada de três abusadores bêbados.  Um deles era o filho do patrão da jovem que se apresenta como Sophie Beckett.  Depois de enfrentar o sujeito e dois amigos bêbados, ele leva Sophie embora e promete lhe arrumar um emprego na casa de sua mãe.  Eles estão no interior da Inglaterra e Benedict a leva para a casa que mantém no campo.  No caminho, são pegos por uma tempestade.  O rapaz, que se recuperava de uma doença, tem uma recaída e Sophie, que desejava fugir o mais rápido possível, acaba ficando cuidando dele.  

Ela se sente aliviada e frustrada ao mesmo tempo, afinal, ele não conseguiu descobrir sua identidade.  Mas como poderia?  Passaram-se dois anos, ela estava com o cabelo empoado, além disso, teve que vender suas madeixas para um fazedor de perucas, e tinha emagrecido.  Na casa da madrasta, os criados que a conheciam desde pequena lhe davam mais comida (*mesmo que às escondidas*) do que ela recebia dos patrões atuais.  Conforme Benedict vai melhorando, ele começa a se apaixonar pela criada, eles conversam, eles tomam chá juntos, ela é muito mais educada do que ele imaginava que uma criada seria (*e ela tem que inventar mentiras para justificar*).  

Benedict sente culpa por se interessar por Sophie, por sentir desejo por ela, afinal, ele ainda sonhava em casar com a moça mascarada, ela, sim, era da mesma classe social que ele. Ao beijar a jovem, ele sente algo estranho, mas não consegue imaginar que sejam a mesma mulher. E Sophie quer fugir, porque sabe que não poderá ter nada com aquele homem.  Mas, depois do incidente do lago, quando a moça é surpreendida o espiando enquanto se banha (*e ele se meteu na água fria para aplacar sua luxúria*), ele lhe faz a oferta que ela não poderia aceitar jamais, se tornar sua concubina.  Percebem que o título original é importante?  "Uma oferta/proposta de um cavalheiro".  Pararei a descrição minuciosa aqui, estou no capítulo 8, acho.

Muitos homens ricos tinham concubinas, não vou usar o termo amante como tradução para "mistress", porque o sujeito montava casa para a mulher e a sustentava integralmente por toda a vida, ou enquanto lhe fosse conveniente.  Ter uma concubina não impedia um homem de se casar, mas poderia significar que os filhos e filhas nascidos daquela relação nunca seriam legitimados.  Sophie não deseja isso para nenhuma criança, muito menos par um filho seu.  E ela vai resistir à proposta de Benedict, mesmo que ele seja insistente em um nível autoritário, e que ela sinta desejo por ele, também.  E a ideia de que uma mulher sente desejo, que isso é normal, que podemos gostar de sexo é importante nesse tipo de literatura, pelo menos nos seus filões mais importantes.


Sophie, quase que à força, termina trabalhando para Lady Bridgerton e sendo dama de companhia de Eloise, Fancesca e Hyacinth.  Ser tão bem tratada a deixa surpresa, observar uma família que não é disfuncional, faz com que suas lembranças de dias ruins se tornem mais vívidas. E Benedict piora as coisas indo visitar com frequência a mãe.  Nesse estágio da série, Colin e Benedict tem suas próprias casas de solteiro e Gregory, o caçula, está na universidade.  Eloise continua enrolando para se casar e Francesca, diferentemente da série da Netflix, quer aproveitar a temporada e casar quando lhe convier.

Nessas visitas de Benedict, ele sempre faz investidas e tenta convencer Sophie.  Ele pode ser gentil, ele pode ser inconveniente, mas não desiste.  Dentro dele há algo que lhe empurra para a ideia do casamento com a moça, afinal, ele acredita amá-la e ela está ali, não é uma criatura de sonho, mas ele imagina que seria algo impossível.  Alguém de sua posição não pode se casar com uma criada.  Quem ajuda a desatar o primeiro nó é Lady Bridgerton.  Esqueça a mãe meio mosca morta da série, neste livro, ela luta pela felicidade do filho como uma leoa.

Lady Bridgerton diz, bem lá no início do livro, que dá mais importância ao caráter e à felicidade dos filhos do que à riqueza e posição.  Ao conhecer Sophie, ele já sabe o que está acontecendo, ela consegue ler os sentimentos do filho.  Com a convivência, ela passa a gostar da moça.  O que ela diz para Benedict é que eles teriam que pagar algum preço pelo seu casamento.  Não poderiam frequentar a alta sociedade, teriam, muito provavelmente, que morar no interior.  Mas isso, se ela fosse uma criada.  Sophie, eles descobrem, é uma bastarda não legitimada.  

O problema seria maior, vejam, não por ter nascido fora do casamento, até alguns dos filhos do Rei George III tinham vários bastardos, mas essa situação de ilegalidade.  Por fim, Sophie termina cedendo e tem lá uma noite de sexo com Benedict.  Na série da Netflix, colocam Penelope e Colin fazendo amor em um sofá, mas, nos livros, são Benedict e Sophie.  É uma sequência bonita, não tão erótica quanto a do lago, mas tem seu calor, também.  Sophie decide fazer algo que tinha jurado que não faria, mas ela queria viver este momento com o homem que amava.  E assim foi.  Só que, no dia seguinte, quando Benedict acredita que venceu e que a moça aceitou ser sua concubina, ela diz que não é nada daquilo.  Ele fica ofendidíssimo (*com razão, se pensarmos pelo ledo dele*) e termina tendo suas memórias destravadas, o que torna tudo pior.

O resultado é que ele confronta Sophie e é injusto com ela, porque a moça não tinha como fazer muito diferente.  Nesta altura, a moça também descobre que sua madrasta veio morar na casa da frente dos Bridgertons.  Resultado, ela tem que partir.  Só que se Sophie descobriu, a madrasta também o fez e ela odeia a moça com todas as suas forças.  Resultado?  Nossa mocinha é sequestrada e termina na cadeia acusa da de roubar os clipes de sapatos, mas algo mais valioso, também, a aliança de casamento da madrasta.  

Sophie é colocada em uma cela fétida e tem dois destinos diante de si, a morte, ou a deportação para a Austrália.  Araminta quer que ela sofra lentamente, quer que ela seja mandada para a Austrália.  Para quem não sabe, a colonização britânica na Austrália começou principalmente com colônias penais.  E ser enviado para o outro lado do mundo, uma viagem longuíssima em condições miseráveis já deveria causar a morte de muita gente.  Só para se ter uma ideia "Entre 1788 e 1868, cerca de 162 mil condenados foram transportados da Grã-Bretanha e da Irlanda para várias colônias penais na Austrália.". (FONTE)  Sophie estava perdendo a esperança, mas eis que teremos o barraco na cadeia, que é a melhor parte do livro.

Depois de descobrir a identidade de Sophie e já tendo sido rejeitado antes várias vezes, Benedict está arrasado.  Deseja esquecer tudo, se embriagar até perder a consciência.  Colin chega em sua casa e eles decidem praticar esgrima. No livro, é dito que as duas coisas que Benedict mais gosta é esgrimir e desenhar/pintar, algo que ele escondia da família. Ele também não gosta muito de farras e orgias, ou não mais, ele já está com 30 anos. Se você viu a série, sabe o quanto mudaram a personagem aqui. Eis que, durante o exercício, Colin lhe dá alguns conselhos e ele decide chutar a sua vida na alta sociedade e ir atrás de Sophie, casar-se com ela DE VERDADE.  Só que ela se foi e sua mãe não sabe onde a moça está.

No meio da confusão, chegam Francesca e Hyacinth com a última coluna de Lady Whistledown (*Penelope reconheceu Sophie como a dama mascarada*).  Sophie foi presa.  Benedict diz que vai até lá, a mãe, diz que faz junto e ela não aceita um "não" como resposta.  As meninas, pro outro lado, tem que ficar.  E, na cadeia, temos um barraco fenomenal que se não estiver na série da Netflix será lamentável.  Coisa das boas novelas de Walcyr Carrasco.  Benedict quase estrangulou Araminta?  Sim, mas foi quase e sei que isso seria cortado da série.

Quem salva de verdade Sophie é Posy, que assume que roubou os clipes de sapato e que a aliança da mãe está guardada em casa, junto com o testamento do conde, onde ele deixou estabelecido que Sophie teria direito a um dote.  A revelação faz com que Lady Bridgerton ameace com seus advogados (*no plural, porque gente rica nunca tem um advogado só*) a madrasta de Sophie.  Antes da revelação, a mãe de Benedict já tinha dito que iria queimar Araminta diante da boa sociedade, a condessa viúva diz que é superior em titulação de nobreza, mas Violet Bridgerton diz ser mais popular (*e rica*).  Agora, com a informação de Posy, ela tem a lei para jogar em cima da outra.

O barraco é maior, eu só falei de algumas partes.  O resultado é um acordo pelo qual Araminta iria confirmar que Sophie era filha de um primo distante do conde e, portanto, não seria bastarda.  Isso bastaria para dar para a moça a legitimidade necessária para que o casamento com um Bridgerton não fosse um escândalo.  O resto do livro é deixo para vocês, o ápice é a altercação na cadeia.

Jovem mulher passando roupa, cerca de 1800.  
Louis-Léopold Boilly (1761–1845)

Dentro de An Offer from a Gentleman temos questões de gênero que se entrelaçam com questões de classe.  Quando está na casa de campo de Benedict, que ele chama de "My Cottage", mas era muito maior do que isso.  Sophie fala tanto para ele quanto para a governanta que ela só pode ficar sozinha com o rapaz, porque ela é uma criada.  Benedict pensa diversas vezes em o quanto as criadas, ou a criadagem em geral era invisível.  Ele se surpreende com certos pudores de Sophie, afinal, criadas entravam sem grande problema em todos os cômodos de uma casa, logo, a nudez masculina não deveria ser um problema para ela.  Poderia não ser, se ela não estivesse apaixonada, mas o que está em questão é que, para as classes aristocráticas e para a burguesia, criados devem trabalhar e não são vistos, em muitos casos, sequer como humanos.

O mocinho do livro é menos irritante, muito menos, do que o Duque e Anthony, ele é capaz de se arrepender das coisas que faz com sinceridade e sabe o significado da palavra consentimento. Quer dizer, ele sabe quando a questão é sexo, mas não na relação de proteção que impõe à Sophie.  Ela a salva do estupro principalmente por ver as irmãs em toda jovem mulher em perigo.  Agora, quando ela quer ir embora, o que obviamente estragaria todo o progresso da história, ele a ameaça, diz que vai acusá-la de roubo e assumir sua custódia, porque precisa "salvá-la de si mesma".  Além de saber o que é melhor para ela por ser homem, ele é, também, um aristocrata e ela é somente uma criada.  Submissão é o mínimo esperado.  

Durante o barraco na prisão, vem à tona uma questão importante, mas que a autora não desenvolve. Araminta odeia Sophie por ela ser amada pelo marido.  Ela se sentia menos importante para o antigo conde do que a menina.  Fora isso, segundo a vilã, o marido a culpava por não ter lhe dado filhos.  Então, ela invejava a mãe de Sophie, a quem se referia como prostituta, por ter conseguido.  A menina era um sinal de seu fracasso.  Bem, deveria ser um sinal do fracasso do conde de Penwood, mas, no fim das contas, o peso da (*suposta*) esterilidade recaía sobre as mulheres.  Como Araminta é vilã, e ama mais uma filha do que a outra, e tratou Sophie como escrava, além de roubar-lhe seu dinheiro, a autora não vai mexer com isso aqui.  Mas lembrei da cena do live action de Cinderela no qual a madrasta ouve o pai da mocinha dizendo que ela é a pessoa que ele mais ama na vida, ou algo assim.  A madrasta guardou com rancor essa informação.  O problema é que o pai de Sophie nunca conseguiu colocar em palavras seu amor e a deixou ilegítima.

Prometo que estou terminando e nem sei se ainda existe alguém lendo, porque ficou muito longo.  Muito bem, a próxima temporada de Bridgerton será de Benedict.  Há um boato de que a mãe de Cressida é Araminta.  Será?  É esperar para ver.  Benedict, na última temporada, foi confirmado como bissexual, antes, não estava claro.  Eu imaginava que Sophie poderia ser uma mulher trans, mas como Francesca foi escolhida para representar o casal diverso, imagino que Sophie seja uma mulher cis na série.


Espero que não escalem uma atriz negra para o papel, porque mesmo sendo Bridgerton história alternativa, colocar uma pessoa negra como criada e passando pela pressão que Benedict colocou sobre ela pode, sim, chamar sentidos ligados à escravidão.  Discuti isso nas resenhas de Ana Bolena do Channel 4 (*tem no Globoplay*).  Sophie será branca?  Oriental, talvez.  Não sei.  Será uma mulher cis ou trans?  Vamos ver por quanto tempo irão segurar a identidade da atriz que fará o papel.  De qualquer forma, eu acredito que Sophie seja uma das mocinhas mais amadas da série de livros.

Uma saída muito clichê para explorar o fato de Benedict ser bissexual seria colocar Sophie se travestindo de homem na sua versão criada.  Poderiam justificar isso como uma forma de enganar a madrasta, ou fugir de seu passado. Aí, teríamos aquela situação Mulan em que o mocinho se apaixona por um rapaz sem saber que é uma moça.  O fato é que dificilmente vão seguir o livro de perto.  Podem esquecer isso!  O que eu espero é que tenhamos pelo menos três coisas na adaptação: o baile, o lago e o barraco na cadeia.  Aliás, deem para Violet Bridgerton a chance de ser uma mãe leoa, porque, nos livros, ela é muito mais interessante. 

Antes do fim, aquela cena constrangedora em que Colin diz que não se casaria com Penelope está neste livro.  Benedict, Anthony e Colin estão entrando na casa da mãe e Penelope está saindo e ouve a ofensa.  Foi muito mais impactante do que na série.  Os irmãos ficam mortificados e Benedict e Anthony sentem vergonha por Colin.  Penelope guardou no fundo do coração a ofensa.  No final do livro, depois de um novo salto no tempo, Lady Whistledown está cansada e se pergunta se não é a hora de aposentar sua pena.  Eu realmente vejo como uma escolha ruim terem adiantado o livro de Penelope e Colin.  Agora, se nada mudar, é esperar até 2026 pela quarta temporada.  É isso.  O livro é divertido.