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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Saiu o guia Kono Manga Sugoi! 2026: Veja a lista feminina. Em 2025 o guia completa vinte anos.



O guia Kono Manga Sugoi! (このマンガがすごい!, "Este mangá é legal!") existe desde 2005 e publica três listas, uma com os melhores mangás femininos, outra com os melhores mangás masculinos e uma terceira (*que não tem aparecido traduzida por aí*) com as melhores revistas.  Faz alguns anos que eu publico a lista no blog.  Nos últimos tempos, primeiro sai o top 10, depois o top 20 (*que eu olhei primeiro no My Anime List*) e o ProShojo Spain traduziu o top 50, então, é a primeira vez que teremos essa lista longa no site.  

O ProShojo Spain marcou o que era seinen/shounen infiltrado na lista feminina, o que é sempre péssimo, porque tira espaço de mangás que foram publicados em revistas, plataformas e selos para o público feminino e a gente NUNCA vê material shoujo ou josei na lista masculina.  Para se ter uma ideia, até shounen apareceu na lista feminina este ano.  Alguns dos marcados pelo ProShojo Spain estavam sem demografia no Bakaupdates e um que estava como josei, é seinen e eu coloquei, porque a Comic Bunch é uma revista seinen, por isso, temos diferenças nessa marcação em relação ao post do ProShojo Spain e ao meu.  Eu peguei os links para o Twitter das autoras (*e autores*), a maioria estava no ProShojo Spain, alguns não estavam.  O link para a  Ulli Lust, quadrinista austríaca, é do Instagram.  O ProShojo Spain colocou curiosidades do guia no post delas.  Essa ilustração de abertura veio de lá, foi criada pela autora de Hanbun Kyoudai para comemorar o primeiro lugar.  Importante dizer que esse mangá trata de racismo no Japão, de gente que é mestiça e, quando anúnciado nos Estados Unidos, fez com que um monte de racistas aparecessem para atacá-lo.  Eu comentei sobre isso em um Shoujocast.

De tudo o que está na lista e é mangá, somente Girl Crush da MPEG já está em publicação no Brasil.  Marquei o que não é mangá e coloquei link. Pele de Homem, que é um quadrinho francês, tem resenha no blog.  E achei interessante que Nazo no Clover, shoujo de 1934, tenha entrado no ranking, ele foi republicado.  Escrevi sobre ele aqui.  E achei curioso Roca, mangá sobre fado, aparecer na lista, só que é seinen.  Segue o ranking comemorativo dos 20 anos do guia.

1. Hanbun Kyoudai (半分姉弟) de Yoiko Fujimi
2. Sukima (隙間) de Yan Gao - seinen
3. Kishou Tenten (起承転転) de Sumako Kari
4. Tamon-san no Okashi na Tomodachi (多聞さんのおかしなともだち) de You Toi - seinen
5. Shiokaze to Ryuu no Sumika (汐風と竜のすみか) de Asato Shima
6. Nagi no Oitoma (凪のお暇) de Misato Konari
7. Ringo no Kuni no Jona (林檎の国のジョナ) de Arare Matsumushi
8. Orizuru (おりずる) de Machiko Kyou
8. Akuyaku Reijou no Naka no Hito ~Danzai sareta Tenseisha no Tame Usotsuki Heroine ni Fukushuu Itashimasu~ (悪役令嬢の中の人~断罪された転生者のため嘘つきヒロインに復讐いたします~) de Nazuma Shiraume e Makiburo
8. Host to Shachiku (ホストと社畜) de Mitsuru Kawajiri - seinen
11. Toshoshitsu no Kihara-san (図書室のキハラさん) de Kaoru Maruyama - seinen
11. Anata no Oshiro no Kobito-san ~Gohan Kudasai, Hatarakimasu~ (あなたのお城の小人さん ~御飯下さい、働きますっ~) de Kazumi Kurihara e Kazuhito Minagi
13. Genki de Ite ne (元気でいてね) de Hal Fujiwara
13. Tsukumogomi (つくもごみ) de panpanya
15. Otto no Yuigon ga "Doujinshi Kake" Datta Mono de (夫の遺言が「同人誌描け」だったもので) de Munko
15. Koisuru Lip Tint (恋するリップ・ティント) de Nana Kusunoki
15. Koiseyo Mayakashi Tenshi-domo (恋せよまやかし天使ども) de Coco Uzuki
18. Sora Iro Sin Gyou (空色心経) de Fumiyo Kouno
18. Uesugi-kun wa Onnanoko wo Yametai (上杉くんは女の子をやめたい) de Yuu Yabuchi
18. Sou desu, Watashi ga Biyou Baka desu (そうです、私が美容バカです) de Mankitsu
21. Keito No Zubon Chokuno Sachiko Torauma Shojo Manga Zenshu (毛糸のズボン 直野祥子トラウマ少女漫画全集) de Yoshiko Naono
22. Roca Complete de Hisaichi Ishii - seinen
23. Gohan ga Tanoshimi (ごはんが楽しみ) de Chiaki Ida
23. Hatsukoi no Tsugi (ハツコイノツギ) de Takako Shimura
25. Otoko no Kawa no Monogatari (男の皮の物語/Peau d' Homme) de Zanzim e Henri Hubert
25. Girl Crush (ガールクラッシュ) de Midori Tayama
25. Shukufuku no Ceska (祝福のチェスカ) de Yoshitaka Nohara
25. Branch Line (ブランチライン) de Aoi Ikebe
29. Ookami no Musume (狼の娘) de Yuki Kodama
29. Ohitori-sama Hotel (おひとりさまホテル) de Hirochi Maki e Maro - seinen
29. Kimi ni Kawaii to Sakebitai (君にかわいいと叫びたい) de Happy Jelly Punch
29. Jaa, Anta ga Tsukutte Miro yo (じゃあ、あんたが作ってみろよ) de Atsuko Taniguchi
29. Mai Peisu to Aruku (マイペースと歩く) de Hanna Mitsumoto - seinen
29. Wakakusa Doumei (若草同盟) de Akira Nitta - seinen
35. Amika wa Potato ni Naritakatta Ogawa Shirasu Sakuhin-shuu (あみかはポテトになりたかった) de Shirasu Ogawa - seinen
35. Oda-chan to Akechi-kun (織田ちゃんと明智くん) de Giyo Tokiwa - seinen
35. Hoje é o último dia do resto da sua vida de Ulli Lust (*não sei o nome original*)
35. Yumei Patisurii Rengoku-do (幽冥パティスリー 煉獄堂) de Sanho
39. Suberu Tenshi (スベる天使) de Sakurabako
40. Tsui no Hanayome (終の花嫁) de Kazuno Tani
40. Mahou Shoujo Dandelion (魔法少女ダンデライオン) de Kaeru Mizuho
42. Akuyaku Reijoutachi wa Yuruganai (悪役令嬢たちは揺るがない) de Nina Akabane e Wakatsu Yatsuki
42. Iemori Kitan (家守綺 譚)de Kaho Nashiki e Youko Kondo
42. Nazo no Clover (なぞのクローバ) de Katsuji Matsumoto
42. Perfect Glitter (パーフェクト グリッター) de Hinao Wono
42. Kemutai Hanashi (煙たい話) de Fumiya Hayashi
42. BFF (ビーエフエフ) de Oto Obana - shounen
42. Maoni (マオニ) de Natsuko Ishitsuyo - seinen
42. Mama Haha no Kokoro-e (継母の心得) de Sora Hoonoki, Thor e Mamenosuke Fujimaru
42. Yakyuu Bunmei Alien (野球・文明・エイリアン) de Sai Yamagishi e Teito Heji - shounen

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Notícias do Festival de Angoulême

Começa amanhã, dia 25, o Festival de Quadrinhos de Angoulême (Festival international de la bande dessinée d'Angoulême), o maior do mundo e que está em sua 51ª edição.  Hoje, saiu o nome da vencedora do Grand Prix, a maior condecoração dada pelo festival. A britânica Posy Simmonds, conhecida no Brasil pelo seu álbum Gemma Bovery, foi a vencedora deste ano, juntando-se a um grupo restrito de mulheres contempladas, ela é somente a quarta, as demais são Florence Cestac, Rumiko Takahashi e Julie Doucet.  Posy Simmonds é quadrinista e autora de livros infantis.  Ela escreve e ilustra suas obras e começou sua carreira em 1972, desenhando para o The Guardian.

Sobre sua premiação, Posy disse o seguinte: “Sempre pensei que, em um mundo perfeito, o gênero do vencedor do prêmio não deveria ser notável (...)Mas é um mundo imperfeito e o mundo dos comics e da bande désinée sempre foi um meio masculino, uma espécie de clube de meninos. Mas, pouco a pouco, especialmente na última década, as mulheres infiltraram-se, por isso tenho o prazer de ser uma delas, claro.”  Ela está corretíssima e o "clube" são os próprios homens que criam e estabelecem as regras, excluindo as mulheres por serem mulheres.  Achei uma entrevista interessante dela do ano passado, para quem quiser.  Se desejarem que eu traduza, deixem o pedido nos comentários.

E, no caso de Angoulême, sempre é preciso lembrar que, em 2016, um dos organizadores do evento justificou a não premiação de mulheres em virtude da sua irrelevância na história dos quadrinhos.  Foi um escândalo, mas, de lá para cá, tivemos mais mulheres indicadas, este ano eram duas e um homem, mas não, de premiadas.

A outra notinha é que foi aberta a exposição da obra de Hagio Moto e apareceu no Twitter a foto da mangá-ka em Angoulême.  O nome da exposição da autora é Hagio Moto, au-delàs des genres, em português, "Hagio Moto, além dos gêneros".  Para mim, é óbvio que se trata de um jogo tanto com gêneros de mangá, porque Hagio Moto já fez de tudo, como com gênero, no sentido de papéis desempenhados por homens e mulheres em uma dada sociedade.  Como ela fez ficção científica, a coisa vai além do masculino e feminino mesmo.  

domingo, 7 de janeiro de 2024

Todas as resenhas de 2023 - Parte 2

Este ano, estou demorando muito a postar, mas aqui está o segundo post com as resenhas do ano.  Reuni anime, mangá, quadrinhos que não são japoneses, os livros de Watashi no Shiawase na Kekkon.  Coloquei o documentário de Sailor Moon em anime, ele faz parte do programa Manga Explosion, houve um programa sobre a Rosa de Versalhes, mas eu não resenhei.  Até que houve muita coisa, porque eu resenhei primeiros capítulos de anime e fiz o Shoujocast cobrindo todos os episódios de Watashi no Shiawase na Kekkon.  Agora, de mangá, houve muito pouco, infelizmente.  Espero fazer melhor este ano.

Anime

domingo, 31 de dezembro de 2023

Feliz 2024! Que venha o Ano do Dragão!

Último dia de 2023, gostaria de agradecer a todos que visitaram o blog e assistiram ao Shoujocast este ano.  Este blog existe por tantos anos, também por causa de vocês.  E o dragãozinho é por causa do ano do Dragão no Horóscopo Chinês.  Eu sou de Dragão, mas como além do signo temos os elementos, o ano que vem será do dragão de madeira, o meu é o de fogo.  Os elementos do Horóscopo Chinês são Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água; eles se alternam também em ciclos, como os signos.  

A ilustração cima é da Suu Morishita, ela postou no Twitter. Várias autoras estão postando suas ilustrações de Ano Novo na rede do Elon Musk.  Abaixo, o Shoujocast de Retrospectiva do ano de 2023.  Ficou longo, mas tem a minutagem e, se você quiser assistir, pode fazer aos pedacinhos.  Outra coisa, saio de Brasília hoje, então, tanto o blog, quanto o Shoujo Café, vai entrar em ritmo de férias.  A internet onde vou ficar é ruim.  Feliz 2024 para todos, todas e todes!

domingo, 23 de abril de 2023

O Shoujocast voltou! Conversa com Natania Nogueira: Pesquisa com HQs, Quadrinhos não são literatura, Maurício na ABL etc.

Finalmente, o Shoujocast voltou! E, neste primeiro episódio oficial do ano, vamos conversar com a professora e pesquisadora Natania Nogueira. Ela fez mestrado sobre mulheres nos quadrinhos norte americanos nos anos 1940 e seu doutorado sobre a subversiva revista feminina Ah! Nana. Além disso, falaremos da candidatura de #MauríciodeSousa para a #ABL (Academia Brasileira de Letras) e a história de quadrinhos serem, ou não, literatura. (Infelizmente, não sei se dará para fazer um índice, porque ficou muito misturada a nossa conversa.)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Duas mulheres estão indicadas ao prêmio principal do Festival de Angoulême

O Festival de Angoulême, o maior do mundo quando se trata de quadrinhos, chegou a sua 50ª edição e ocorrerá entre 26 e 29 de janeiro.    Dentre as várias premiações, a mais importante é o Grand Prix, que visa eternizar um autor e autora pela sua contribuição para os quadrinhos.  Há votantes de língua francesa (franceses e belgas) e de outros países.  Este ano, e acredito que seja inédito, temos mulheres em maioria com duas autoras indicadas, a norte-americana Alison Bechdel, que teve vários de seus trabalhos lançados no Brasil (*Exemplo*); a francesa Catherine Meurisse, que trabalhava na Charlie Hebdo na época do atentado, que está completando dez anos, e só escapou por ter chegado atrasada à reunião; e o francês Riad Sattouf, autor da série autobiográfica O Árabe do Futuro (*vol.1*).  Meu amigo Pedro acredita que Bechdel irá vencer, porque os votos dos franco-belgas vão se dividir.  É aguardar o resultado.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Mulheres e Arte Sequencial: Elas Pesquisam, Elas Produzem: Lançamento de livro

Ontem, o Programa de Pós-graduação em Arte e Cultura Visual (FAV/UFG), em parceria com a ASPAS, Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial, lançou o "Dossiê Mulheres e Arte Sequencial: elas pesquisam, elas produzem".  O livro (e-book) foi organizado e editorado pelas pesquisadoras Danielle Barros Silva Fortuna (UFSB), Maiara Alvim de Almeida (IFRJ), Cátia Ana Baldoino da Silva (UFG) e Nataly Costa Fernandes Alves (UFF) e leva o selo do Centro Editorial Gráfico da UFG - CEGRAF.  

Recebi o convite e participei com um texto "Shoujo Mangá e História Alternativa: A Reinvenção dos Papéis de Gênero em Ōoku de Fumi Yoshinaga".  Falei do mangá em um dos últimos Shoujocast e tinha anunciado que o livro deveria sair em breve.  Para quem quiser ler o material, ele pode ser acessado gratuitamente, basta clicar aqui.  O lançamento contou com  uma palestra da Prof.ª Sônia Bibe Luyten (ECA/USP), pioneira nos estudos sobre quadrinhos na universidade brasileira e a primeira pessoa a defender uma tese de doutorado sobre mangá.  O vídeo está abaixo:


quarta-feira, 30 de março de 2022

Chantal Montellier: Uma das maiores quadrinistas francesas será publicada no Brasil pela Comix Zone

Chantal Montellier é pertence à primeira geração de quadrinistas francesas e foi uma das responsáveis pela revista Ah!  Nana, uma revista comercial pioneira feita por mulheres e que foi interrompida pela censura governamental francesa (a revista foi acusada de pornografia), ela também foi uma das criadoras do Prêmio Artemisia, em homenagem à pintora  Artemisia Gentileschi, que é concedido no dia 9 de janeiro, aniversário de Simone de Beauvoir, aos melhores quadrinhos feitos por mulheres.  Enfim, Chantal é feminista e socialista, também.  

Seu álbum chamado Social Fiction foi anunciado pela Comix Zone e está em pré-venda.  Ele reúne uma série de histórias feitas pela autora, uma delas, Shelter, vem em duas versões, a primeira, dos anos 1970, critica o totalitarismo comunista, a segunda, feita já neste século, mostra a mesma história, mas em uma ditadura de extrema-direita.  Outro clássico da autora, Odile et les Crocodiles está no volume, também. O que Chantal faz é ficção científica social, um campo no qual as mulheres se firmaram tanto na literatura, quanto nos quadrinhos.  Trata-se de imaginar futuros para questionar a sociedade e os papéis sociais.  O bônus dessa edição é uma introdução da minha amiga Natania Nogueira.  Ela defendeu este mês uma tese de doutorado sobre a Ah!  Nana e é amiga da Chantal Montellier.  Imagino que a edição deve estar muito bonita como é a regra do material da Comix Zone.  Para quem quiser, o link para compra no Amazon  é este aqui.

terça-feira, 29 de março de 2022

Depois de Maus, agora é a vez de Persepolis ser banido de currículo de escola nos EUA

Em janeiro, virou notícia o fato de escolas de um distrito do Tennessee banirem Maus dos currículos, agora, é a vez de Persepolis, autobiografia de Marjane Satrapi, que tinha dez anos quando da Revolução Islâmica do Irã, em 1979.  Alguns pais do Distrito Escolar de Franklin, Pensilvânia, ou seja, não é nenhum rincão do Bible Belt, reclamaram da linguagem (palavrões, provavelmente) e da violência presentes na obra, que era recomendada para as turmas de 9º Ano, isto é, adolescentes de 14, 15 anos, na média.  Uma das mães acusou Persepolis de “Empurrar um idealismo liberal que não pertence à nossa escola.”  

Ou seja, uma série que faz usa o humor, inclusive, para fazer crítica limitações impostas às mulheres pelo regime de Teerã, que fala das hipocrisias, das formas de burlar o sistema, de choque entre culturas (em dado momento Marjane vai estudar na Europa), do absurdo da guerra etc. é um problema para esses pais. O fato é que o material pode não estar nas recomendações didáticas no ano que vem.  Nem sei o que dizer, mas Persepolis é uma obra que todos deveriam ler e, não, ser escondida dos adolescentes, que poderiam refletir sobre muitas coisas com a leitura da obra.  E não pensem que coisas assim não acontecem no Brasil, porque havia pais que queriam banir a versão em quadrinhos do Diário de Anne Frank da escola (*e quase conseguiram isso*), inclusive a minha, porque em dado momento uma menina de 13 anos fala alguma coisa relacionada à sexualidade.  Uma menina de 13 anos que viveu nos anos 1930 e 1940, uma menina morta em um campo de concentração.  Percebem o buraco em que estamos?

sábado, 24 de julho de 2021

Muito Além do Mangá: Comentando Pele de Homem, uma mensagem de Tolerância e Liberdade

No final do ano passado, meu amigo Pedro comentou no Facebook dobre Pele de Homem, o quadrinho mais premiado na França em 2020.  De autoria de Hubert (roteiro) e Zanzim (arte), o álbum se passava no século XVI, em uma cidade italiana genérica do Renascimento, e contava a história de Bianca, uma moça de 18 anos, já em uma idade um tanto avançada para estar solteira, e que tem seu casamento arranjado pela família.  A jovem acredita que é uma situação absurda essa de se casar com um homem que não conhece, na verdade, a garota nada conhece do mundo dos homens.  Sua madrinha consegue levar Bianca para sua casa nos dias que antecedem seu casamento e lhe conta o segredo da família, existência da tal pele de homem do título.


As mulheres do lado materno da família de Bianca herdavam uma pele mágica de homem, Lorenzo, que possibilitaria às adolescentes se transformarem em um rapaz e se misturarem no universo masculino experimentando, pelo menos por alguns dias, o que é ser um homem naquela sociedade. Uma de suas tias, que se tornara freira, tinha inclusive ido longe demais e deixado algumas moças com o coração partido e queria levar a pele de homem para o convento, mas a impediram, porque, bem, vai que a Inquisição descobre? Bianca se traveste e se torna fisicamente um homem, mas sua madrinha precisa treiná-la, porque ela precisa aprender a andar como um homem, sentar como um homem, enfim, ela foi socializada como mulher.  A moça consegue, mas nos primeiros dias é difícil para ela pensar como um homem e termina se chocando com o que ouve.

A situação de Bianca é como a experiência de Oscar no mangá da Rosa de Versalhes, quando ela se veste como uma dama para ir ao baile, mas tem uma série de dificuldades em andar e se movimentar como o vestido, enfim, em performar o papel feminino.  Gênero (*ou sexo social*), papéis associados à homens e mulheres em uma dada sociedade, é algo que aprendemos desde o nascimento, é algo ensinado e reiterado a cada momento da nossa vida.  Na série animada, ela se veste e, num passe de mágica, é uma dama perfeita, afinal, os autores (homens, ou mulheres assujeitadas a essa ideia) acreditam que há uma natureza feminina.

Em Pele de Homem, Bianca, agora Lorenzo, quer conhecer melhor seu noivo, Giovanni.  Ele é rico, jovem e bonito, Bianca tem mais sorte que as suas amigas, porém, ele é uma completa incógnita.  Na primeira cena, Bianca assiste de longe a um arranjo financeiro feito por homens jovens e velhos, aqueles que tem poder sobre as mulheres.  Na pele de homem, Bianca conhece Giovanni e sua primeira impressão não é das melhores, mas se sente atraída por ele.  Ela também tem a oportunidade de observar o comportamento de certos conhecidos durante a noite e comparar com a forma como se comportam diante da sociedade.  Todos são hipócritas e falsos moralistas.

No outro dia, ela volta a buscar a companhia de Giovanni.  Os dois começam a se tornar cada vez mais íntimos e o rapaz leva Lorenzo (Bianca) a um lugar onde somente os homens frequentam.  A moça se espanta, porque há mulheres lá, quer dizer, não são mulheres, mas homens travestidos.  Um deles, Peccorina e, na verdade, Peccorino, o maior artista da cidade.  Bianca fica atordoada pela quantidade de informações e novas sensações e termina sendo beijada pela primeira vez... Só que é beijada pelo noivo que acredita que ela é um rapaz.

Giovanni é homossexual e assim como Bianca é obrigado e performar uma atitude viril em uma sociedade que é misógina e homofóbica.  E ele se sai bem na tarefa, é preciso deixar claro.  Ele já fez sexo com mulheres, mas por dever, para que ninguém possa lhe apontar o dedo.  Ele vê o casamento com Bianca como uma obrigação, o prazer ele guarda para os rapazes, só que Lorenzo é especial, Giovanni quer que dure, o quer como seu companheiro, mesmo sabendo ser impossível.  E o que Bianca quer?  Ela quer o amor de Giovanni, ela quer prazer sexual e ele não pode lhe dar nada disso, não a ela, somente para Lorenzo.  

Para Lorenzo, Giovanni explica seus sentimentos.  Ele fala de como o mundo dos homens e das mulheres parece ser diferente, salvo por alguns poucos momentos de encontro.  As mulheres, sua virgindade, sua virtude e a honra, que era a da família, deveria ser preservada.  Por isso, a possibilidade de interação com as "moças de família" eram poucas e sempre vigiadas.  Pele de Homem não discute identidades, raros eram os homens que no século XVI deveriam ter consciência de sua orientação sexual.  Simplesmente, sabiam o que a sociedade esperava deles e que deveriam cumprir certos papéis e poderiam ter certos prazeres, desde que discretos.  Como todos, afinal, o próprio Giovanni fala sobre a sociabilidade entre os homens, a descoberta do sexo, suas intimidades, para uma surpresa Bianca, faziam (*ou tinham feito*) as mesmas coisas e raramente um denunciava o outro.  

Fácil lembrar de um episódio Downton Abbey no qual Mr. Carson (Jim Carter), o mordomo, quer denunciar Mr. Barrow (Robert James Collier) à polícia por sodomia e o Conde (Hugh Bonneville) pede que ele seja mais tolerante e lembre de como era nos tempos de escola.  Sim, mundos separados acabam possibilitando relacionamentos afetivos homoeróticos ou lesbianos sem necessariamente apontarem para uma orientação sexual.  Há curiosidade, há carência e há, em muitos casos, violência envolvida.

E Bianca descobre que a visão de Giovanni sobre as mulheres não é muito diferente da dos outros homens.  Ele acredita que uma esposa não deveria desejar prazer sexual, que isso é coisa de prostituta.  Ele se preocupa com a fidelidade da esposa, mas defende que um homem pode ter amantes mulheres e homens, se for discreto.  Bianca conseguirá mudar seu coração?  É possível que ele venha a amá-la?  Essa é uma das questões de Pele de Homem.  Mas o fato é que como Lorenzo, Bianca começa a testar os limites da sociedade e questionar o mundo ao seu redor.  Sua madrinha começa a ter medo e se arrepender de ter lhe dado a pele de homem... 

Pele de Homem tem um vilão, Ângelo, o irmão padre de Bianca.  Um sujeito fanático religioso e com sede de poder.  Ângelo foi mimado pela mãe e se acha que vai consertar o mundo, é seu dever e sua missão.  E ele comporta-se como um inimigo das mulheres, a fonte de todo o mal, e os sodomitas, que se fazem de mulheres para ter prazer.  Aqui, Hubert vai expor mais uma hipocrisia, ao separar homossexuais em ativos e passivos, os primeiros conseguem ter seu mau comportamento amenizado, afinal, eles não se colocaram na condição de mulher, ainda que tenham pecado e mereçam punição. Lorenzo questiona Giovanni sobre isso quando ele diz ser o ativo e é lembrado que nem sempre... Xiiii!  Ninguém pode saber.  Aliás, Giovanni é bem competente em se passar por viril em público.  Como o modelo de masculinidade hegemônico é moldada pela violência, ele precisa parecer agressivo, tem que intimidar outros homens, se quiser sobreviver.  

Voltando para Ângelo, ele também age como censor das artes, promovendo a queima de quadros e destruição de estátuas, além de impor um código de vestimenta às mulheres.  Inclusive o livro expõe uma ideia que eu defendi na minha tese de doutorado que são os homens que ao longo da História se preocuparam em vestir, ou despir as mulheres, de impor-lhes códigos que eram criados para atender seus próprios interesses e fantasmas.  O moralista Ângelo parece ser inspirado em uma personagem real, o dominicano Girolamo Savonarola (1452-1498), que pregou em Florença, denunciou os maus costumes, atacou a arte secular, entre outras coisas.  Teve muito poder, até cair em desgraça e ser condenado à morte.  Ângelo não termina morto, mas teve sérios problemas a partir do momento que decidiu mexer com os prazeres e o bolso dos homens.

Não vou dar mais detalhes da trama.  Há algumas personagens secundárias com seus momentos na história, mas Pele de Homem é sobre Bianca, suas descobertas e a relação da moça com Giovanni.  O quadrinho é, também, sobre a nossa sociedade, porque os autores estão dialogando o tempo inteiro com a sociedade em que vivem as disputas de poder e de discursos que presenciamos hoje sobre moral, sobre sexualidade, sobre hierarquias entre homens e mulheres.  

Ao jornal Liberation, Zanzim disse que queria “desenhar uma história íntima que falasse sobre [Hubert], sua complicada adolescência, seu período gótico e sua homossexualidade”.  No site da Glenat, Zanzim comenta que pediu a Hubert que quando ele decidisse fazer sua autobiografia, que o chamasse para desenhá-la.  Há algo de autobiográfico em Pele de Homem.  E há outra questão, Hubert queria falar do casamento gay, que foi motivo de grande controvérsia na França com grupos (pseudo) conservadores católicos, evangélicos e muçulmanos se unindo em manifestações alguns anos atrás, e a história começou a ser gestada nesse momento.  Pele de Homem não fala de casamento gay, mas fala de aceitação, de companheirismo e de tolerância ao desenvolver a relação entre Bianca (Lorenzo) e Giovanni.  E, isso é um spoiler para quem conhece A Rosa de Versalhes, Bianca tem o seu André, mas sem que a coisa termine em tragédia.

A arte do quadrinho é bem dinâmica e bonita, se utilizando bem das referências históricas, sem ser realista.  Há momentos em que o figurino está com os pés firmes no século XVI, em outros ele se afasta.  Seria mais o que se pode chamar de para-realista, por assim dizer.  O espírito da época está lá, mas não de forma rigorosa.  O texto da tradução flui bem, não parece confuso em nenhum momento.  E, bem, é a qualidade da editora Nemo.  Aliás, quando soube do quadrinho, imaginei que era bem a cara da editora.

É isso.  A história é boa como história, as discussões sobre relações de gênero e sexualidade é muito bem desenvolvida.  O desenrolar da trama n]ao é óbvio, eu imaginei um caminho e o percurso e o final foi diferente e plenamente satisfatório, além de libertário, muito mesmo.  Mesmo com a autoria masculina, não teria problema nenhum em dizer que Pele de Homem é um quadrinho feminista que consegue dar voz à protagonista para além das discussões sobre homossexualidade masculina.  A condição das mulheres em uma sociedade patriarcal, suas limitações e estratégias de sobrevivência de de poder (*vide a mãe da protagonista*) foram muito bem abordadas.  Pele de Homem vale cada real gasto nele.  Quem quiser comprar o quadrinho, ele está disponível no Amazon em versão impressa e Kindle.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Pele de Homem vai sair no Brasil pela Nemo!!!!

Em dezembro, fiz um post sobre Peau D'Homme (Pele de Homem) de Hubert e Zanzim, o quadrinho mais premiado da França no ano passado.  É uma série que discute questões de gênero e sexualidade e revisita um dos meus contos de fada favoritos, Pele de Asno.  Fiz um resumão no post em que apresentei o quadrinho.  Enfim, a Nemo fez uma série de anúncios e os destaques, levando em consideração os assuntos do nosso blog, são Pele de Homem (*claro*) e Polina, de  Bastien Vivès, que mostra a relação de uma aspirante à bailarina russa e seu professor que, pela descrição que encontrei, não deixa a dever nada ao oni-chouch de Ace Wo Nerae (エースをねらえ!).  Enfim, Vivés é um autor controverso na França, seu nome começou a ser associado à apologia à pedofilia e, também, a um antifeminismo mal disfarçado.  Nunca li nada dele, mas as discussões em torno da obra do autor tem sido bem acaloradas.  Para quem quiser conhecer os outros lançamentos, é só clicar aqui.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Quadrinho mais premiado da França em 2020 discute gênero e sexualidade ao recontar Pele de Asno


Pele de Asno é um dos meus contos de fada favoritos.  Na minha versão favorita do conto, que é a que está no filme de Jacques Démy, o mesmo que dirigiu o live action da Rosa de Versalhes, temos uma bela princesa que é órfã e muito bonita.  Seu pai é pressionado a se casar novamente para gerar um herdeiro homem, mas diz que ele jurara para a esposa que só se casaria com uma mulher que seja tão bela quanto a falecida esposa.  Seus pérfidos conselheiros lhe sugerem que se case com a própria filha, a moça, aterrorizada, recebe o conselho de sua fada madrinha, que lhe sugere que peça presentes impossíveis para o pai.  Ela pede um vestido que tenha todos os azuis do mar, um que tenha todas as estrelas do céu e outro que seja brilhante como o Sol.  Tudo o pai cumpre.  Faltava um último presente e ela pede a pele do asno mágico do rei, que defecava ouro.  O rei lhe dá o presente.  A fada miniaturiza os vestidos em uma casca de noz e a princesa foge maltrapilha, suja e vestindo a pele do asno, se escondendo em uma floresta.

Um dia, a bela princesa é encontrada por um príncipe que estava caçando e se apieda dela.  a moça é transformada em criada em seu palácio, fazendo os piores serviços e sendo apelidada de Pele de Asno.  Mas o príncipe precisa se casar e temos três bailes em noites seguidas.  Pele de asno comparece belíssima e com cada um de seus mágicos vestidos.  O príncipe cai de amores por ela e lhe dá um anel de presente, mas não lhe sabe o nome e ela foge.  

O moço adoece e ordenam que Pele de Asno lhe faça um mingau que ele gostava muito e ela fazia muito bem.  A moça coloca dentro do mingau o anel que o príncipe lhe dera.  Em algumas versões, o anel tem a função do sapatinho da Cinderela e não tinha sido dado pelo príncipe.  O resultado disso é que a farsa se desfaz e os dois se casam.

O quadrinho francês Peau D'Homme (Pele de Homem) de Hubert e Zanzim, se passa no Renascimento (Século XV ou XVI, ao que parece) e tem como protagonista uma jovem chamada Bianca, que está prometida a um rapaz chamado Giovanni.  Eles não se conhecem, a moça está ansiosa e cheia de temores, mas lhe é revelado que existe uma herança mágica passada de geração em geração entre as mulheres, a "pele de homem", que lhe permitirá conhecer melhor seu futuro marido sem ser reconhecida.  A moça se transforma em Lorezo.  Giovanni, que é homossexual, termina se apaixonando por Lorenzo sem saber que é Bianca.  

O resumo do quadrinho no Amazon traz o seguinte: "Mas ao vestir a pele de homem, Bianca rompe os limites impostos às mulheres e descobre o amor e a sexualidade. A moralidade do Renascimento, então, reflete a de nosso século e levanta várias questões: por que as mulheres deveriam ter uma sexualidade diferente da dos homens? Por que seu prazer e liberdade deveriam ser objeto de desprezo e coerção? Finalmente, como pode a moralidade ser o instrumento de dominação severa e inconsciente?"  Eu só sei que a arte é muito bonitinha e eu quero ler esse negócio.

Peau D'Homme venceu todos os grandes prêmios dos quadrinhos franceses este ano (Wolinski, RT , o Landerneau e o de Crítica da ACBD).  O quadrinho já é o grande favorito para o prêmio principal do Festival de Angoulême de 2021.  O site Fumettologica colocou ainda os elogios dos jornais franceses.  Peau D'Homme foi o último trabalho de Hubert, que faleceu em 12 de fevereiro deste ano aos 49 anos em virtude de um suicídio.

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Quadrinho francês conta a história das sufragistas inglesas lutadoras de Jiu-Jitsu

Em 2015, comentei sobre uma matéria da BBC chamada 'Suffrajitsu': How the suffragettes fought back using martial arts ('Suffrajitsu': como as sufragistas revidaram usando as artes marciais), que falava de como algumas sufragistas britânicas foram as primeiras mulheres a usar a arte marcial japonesa para se defenderem de seus agressores.  Na época, 2015, foi lançado o filme Sufragistas, que falava por alto da questão; o quadrinhos Suffrajitsu: Mrs. Pankhurst's Amazons, que eu nunca resenhei, era sobre o tema; lembrei que, no livro escrito nos anos 1920, a mocinha sufragista de Parade's End, lutava jiu-jitsu; e, claro, a coisa aparece em Enola Holmes para espanto de muita gente.

Pois bem, ontem meu amigo Pedro postou no Facebook uma matéria sobre mais um quadrinhos sobre as sufragistas e o jiu-jitsu, o nome é Jujitsuffragettes, les Amazones de Londres de Lisa Lugrin e Clément Xavier.  O resumo do Amazon Fr é o seguinte: "Edith Garrud é considerada a primeira instrutora de autodefesa feminista. Diante da violência sofrida pelos manifestantes, ela treinará os guarda-costas de E. Pankhurst em jiu-jitsu. , apelidadas de "As Amazonas". Com braços e pernas, as sufragistas sacodem as mentalidades, chutam as nádegas dos reacionários e demonstram a força do "sexo fraco".".

Acredito que já está na hora de um termos um filme falando das sufragistas lutadoras de jiu-jitsu e somente delas, sabe?  Material para escrever um roteiro decente o povo já tem.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Ministério das Forças Armadas da França cria uma premiação de quadrinhos

Por ocasião do “Ano dos quadrinhos”, o Ministério das Forças Armadas lança a primeira edição do prêmio “Les Galons de la BD” no Hôtel des Invalides, em 5 de outubro de 2020. Recompensa duas criações originais e os recentes tratando de um assunto militar.  Presidido por Florence Parly, Ministra das Forças Armadas, este evento insere-se na operação “BD 2020” iniciada pelo Ministério da Cultura e destina-se a profissionais do sector.

"Les Galons de la BD" está dividido em duas categorias: o Grand Prix Galons de la BD (tema ligado às forças armadas, algum fato militar de ontem e hoje) e o Prix Histoire de la BD (tema que trata  de algum conflito em que os exércitos franceses estiveram envolvidos).  Os editores de cada um dos quadrinhos vencedores receberão suporte promocional e publicitário. Os autores receberão um valor de € 6.000 para o Grande Prêmio e € 3.000 para o Prêmio de História.  O site da premiação é este aqui.

Segundo o site Actua BD, as  Forças Armadas Francesas são o segundo ministério que mais investe em cultura na França, com museus, centros de documentação, bolsas de pesquisa e, a partir de 2020, um prêmio para os quadrinhos com temática militar.


domingo, 2 de agosto de 2020

Bate-papo com autores do livro"Gênero, sexualidade e feminismo no quadrinhos" e live de lançamento


O livro Gênero, Sexualidade e Feminismo nos Quadrinhos sai hoje.  Ele terá uma edição ebook gratuita e eu vou disponibilizar para vocês logo depois da live, hoje, 20h, com os editores (Natania e Amaro) no canal do Rapha Pinheiro, pesquisador e quadrinista, responsável pela linda capa do livro.   Para assistir, é só clicar abaixo 20h, ou depois, porque o vídeo estará disponível.


Ontem, houve um bate-papo com alguns dos autores, Dani Marino, Lucas Dalberto, Atilla Piovesan, Natania A S Nogueira e eu (Valéria Fernandes da Silva), sobre o livro.  Para assistir, é só clicar no vídeo abaixo:

E, se você ainda não estiver saturado, tem a live que eu fiz com o professor Amaro e está disponível aqui.

domingo, 28 de junho de 2020

Série animada feminista causa controvérsia na TV Pública Portuguesa


Pénélope Bagieu é uma quadrinista francesa que já teve algumas de suas obras lançadas no Brasil pela Editora Nemo.  Uma morte horrível, eu tenho aqui em casa, mas não tinha comprado ainda Ousadas: Mulheres Que Só Fazem O Que Querem.  O fato é que Ousadas, no original Les Culottées, uma série de Webcomics publicada no Jornal Le Monde se tornou animação.

Thérèse Clerc descrevia a si
mesma como insubmissa.
O episódio que deu problema foi o sobre a feminista Thérèse Clerc  (1927–2016), ativista pelos direitos das mulheres que chegou a ser agraciada com a Legião de Honra francesa em 2008.  Clerc era defensora do direito de aborto e chegou a transformar seu aparamento em uma clínica clandestina antes da aprovação da Lei Veil de 1975.  Enfim, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) recebeu várias queixas devido a um episódio da série infantil “Destemidas”, nome em Portugal, porque ele trata de temas como  aborto, homossexualidade, feminismo, divórcio e religião.

Thérèse Clerc no quadrinho.
Teresa Paixão, a diretora de programas da RTP2, falou ao site Observador que os temas certamente são sensíveis, mas que  “Compete sim à televisão pública falar de todos os assuntos e de todas as formas de vida (...) Além disso, nada do que a senhora defendeu é ilegal em Portugal”.  O fato é que o episódio específico foi tirado da grade para avaliação.  Eu até conversei com um amigo português que, talvez, o erro tenha sido alocar o desenho em um bloco infantil genérico.
Imagem da animação.
Ousadas é uma coletânea de biografias de mulheres notáveis, foi publicado em um jornal, sem indicação de idade.  O fato de ter sido convertido em animação, não o torna produto infantil automaticamente.  Como acontece muito ainda, há quem acredite que baste ser animação para ser infantil, ou que todas as crianças são iguais, logo, um desenho para crianças mais velhas, por exemplo, o novo She-Ra, pode ser colocado tranquilamente junto com Doutora Brinquedos, porque, afinal, tudo é desenho.  Acredito que o problema com Les Culottées no bloco Zig Zag da RTP  Rádio e Televisão de Portugal) deriva disso.


Por exemplo, Júlia tem seis anos, pelo que vi de Ousadas, ela poderia ver alguns episódios sem problemas.  Poderia assistir todos?  Será que o tema aborto é para ser introduzido nesse momento?  Eu não sei.  Mas suponhamos que ela visse em uma animação e viesse me perguntar, eu teria que explicar.  Muitos pais e mães não querem passar por isso, ou serem pegos de surpresa.  Minha impressão da série, e encomendei no Amazon os dois volumes dos quadrinho, é que é material para crianças mais velhas, adolescentes e adultos.  


Phulan, ou Phoolan, Devi não está na edição em língua inglesa.
Olhando na Wikipedia, consta, por exemplo, que a edição em língua inglesa do quadrinho sofreu censura, Phoolan Devi, conhecida como "Rainha dos Bandidos", foi excluída, porque aborda o tema do casamento infantil e Devi foi violentada pelo marido quando tinha 10 anos.  Eu não censuraria, mas, de novo, acredito que por conta do traço, as pessoas acreditam que se trata de um quadrinho para crianças.  Júlia, por exemplo, sabe o que é afeto, amor, heterossexualidade, homossexualidade, mas não lhe foi explicado ainda o que é sexo.  É hora?  Não sei.  Será que seria interessante ela ter acesso a isso de repente em uma animação?  Acho que não.  De qualquer forma, cabe aos responsáveis ficarem atentos ao que suas crianças assistem e às emissoras adequarem os conteúdos dos seus blocos de programação.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Animação Agrippine, baseada em obra de Claire Bretécher, disponível on line (Tem no Youtube, também)


No dia 11 de fevereiro, comentei que Claire Bretécher, uma das maiores quadrinistas francesas, tinha falecido.  Pois bem, o site Arte disponibilizou a série animada baseada na série Agrippine, que foi publicada entre 1988 e 2009.

A série, que conta as aventuras de uma adolescente fútil filha gerada por pais politicamente engajados nos protestos estudantis de 1968, conta com 26 episódios.  Infelizmente, não tem legendas, nem está disponível para a gente, que mora no Brasil.  Quando vi esse detalhe, até pensei em apagar, mas, bem, agora você sabe, como eu, que tem animação e pode ir atrás, já encontrei no Youtube.  Cada episódio tem em média 21 minutos.