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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Até Jane Eyre entre os livros banidos de escolas nos EUA e IA está sendo usado para montar as tais listas

Faz muito tempo que, nas escolas nos EUA, especialmente nos estados republicanos, com destaque para a Flórida, os pais se organizam para banir livros.   Normalmente, os materiais banidos são aqueles que abordam questões de gênero (*papéis atribuídos a homens e mulheres em uma dada sociedade*), identidade de gênero e sexualidade.  O Conto da Aia é figurinha fácil nessas listas.  Outros livros foram acusados de trazer linguagem profana (*palavrões*), conteúdo sexual e violência incompatíveis com aquilo que seria recomendado para menores.  Os mangás normalmente são pegos por causa disso.  Com o  passar do tempo, livros que discutem racismo e direitos civis começaram a entrar nessas listas.  Mesmo livros e  quadrinhos sobre o Holocausto já foram banidos, como Maus de Art Spiegelman.  Um documentário excelente chamado O ABC da Proibição de Livros (The ABCs of Book Banning) trata muito bem desse absurdo e foi indicado ao Oscar em 2024. 

Tudo isso é coisa que vem de anos e foi amplamente endossada pelo presidente Trump. Desde que assumiu, a prática se tornou corrente nas escolas das bases militares norte-americanas.  Segundo o The Guardian, "Os Estados Unidos registraram quase 12.000 proibições de livros em escolas públicas durante o ano letivo de 2025-2026, o maior número em um único ano, de acordo com a organização sem fins lucrativos de defesa da liberdade de expressão PEN America.".  Mas eis que a Newsweek coloca no título de uma matéria (‘Jane Eyre’ and Manga Join List of 11,000 Banned Books in America)  que Jane Eyre, de Charlotte Brontë, está entrando nessas listas, não sei se no Texas ou na Flórida, ou nos dois.  

Por qual motivo incluíram Jane Eyre nessa lista?  Será que o fato da protagonista desse livro publicado em 1847 ter uma mocinha insubmissa para os padrões da época? "Não sou um pássaro, e nenhuma rede me aprisiona; sou um ser humano livre com vontade própria." ("I am no bird, and no net ensnares me; I am a free human being with an independent will.").  Será que frases assim incomodam?  É feminista demais?  Será que a tensão sexual entre Jane e Mr. Rochester é o problema?  E, vejam, tensão sexual padrão vitoriano leve.  É difícil de explicar.  A matéria não explica e eu fui procurar outras fontes.  Não encontrei explicação.

Jane Eyre foi um dos livros favoritos da minha adolescência.  Acho que li com 14 anos e já reli várias vezes.  E tenho resenhas de várias das adaptações da obra para o cinema e  para a TV aqui no blog (1943, 1970, 1983, 1996, 1997, 2006, 2011), porque se sai alguma coisa relacionada a Jane Eyre, normalmente, vou atrás.  Aliás, ano que vem teremos mais uma adaptação para o cinema.  Privar adolescentes do direito de escolher ler esse livro e tantos outros é uma crueldade.

Uma das minhas versões favoritas... E eu não resenhei até hoje.

O artigo da Newsweek ainda aponta também que, agora, essas associações de pais reacionários estão usando IA para construir essas listas.  Imagino que essas pessoas não leem os livros que pedem para banir.  Enfim, as  coisas são ruins, mas elas sempre podem se tornar piores.  E essa onda deve engrenar no Brasil novamente caso a eleição deste ano termine como parece que vai terminar.  Se vocês procurarem, já comentei várias vezes sobre banimento de livros no Shoujo Café.

sábado, 19 de setembro de 2026

Comentando Coyote vs. Acme (EUA/2026): uma crítica às grandes corporações que quase foi vítima de uma delas

Por causa de toda a polêmica em torno do filme, fui com a minha filha assistir a Coyote vs. Acme no sábado passado.  Para quem não sabe do que estou falando, em 2023, a Warner Bros. decidiu arquivar e/ou destruir o filme sem lançá-lo nos cinemas ou no streaming e usar a legislação dos Estados Unidos para conseguir uma restituição de impostos.  Foi o que fizeram com o filme da Batgirl.  Só que houve muita gritaria, os profissionais e artistas envolvidos falaram publicamente sobre o tema e a Warner decidiu colocar preço no filme.  Ele custou 70 milhões de dólares e a Ketchup Entertainment adquiriu os direitos de distribuição por 50 milhões.  Deve lucrar muito mais que isso.  Mas vamos a um resumo do filme: 

Wile E. Coyote decide contratar um advogado azarado chamado Kevin Avery (Will Forte) para processar a Acme depois de seus repetidos planos de capturar o Papa-Léguas serem frustrados porque os produtos da empresa não funcionam direito.  Como ele é muito organizado, tem registro de tudo o que falhou, tem os produtos guardados e, ao ver um outdoor de um advogado, decide que irá processar a Acme pelos danos sofridos.  O advogado, que é especializado em violência contra os desenhos animados, assume o processo contra a Acme e pretende pedir uma pequena indenização e fazer um acordo, mas o Coyote quer ir até o fim. No entanto, Avery logo descobrirá que um antigo colega de faculdade é o chefe da equipe de advogados da Acme, Buddy Crane (John Cena).  Crane é extremamente bem-sucedido, tudo o que Avery não é, além de ser capaz de tudo.  

O caso do Coyote pode salvar ou destruir o escritório de Avery, porque lutar contra uma grande corporação é algo extremamente difícil, mas a situação se torna ainda pior quando Avery começa a desconfiar de que seu caso pode ser somente a ponta do iceberg e que isso pode colocar em risco a sua própria vida.  Conforme a investigação avança, Avery acaba mudando a sua atitude como profissional e estabelecendo um vínculo inesperado com o seu obsessivo cliente, que parece demasiado preocupado em saber quando o Papa-Léguas irá depor no tribunal.

Nascida em 1976, cresci vendo os desenhos da Looney Tunes. Eu sempre gostei mais do Pernalonga do que de Coyote e Papa-Léguas, pois era um desenho que me parecia extremamente repetitivo, mas continuava assistindo, porque a gente não tinha opção mesmo; estava na TV, a gente consumia no automático. Às vezes, ao mudar da Globo para a TVS (SBT), acabávamos vendo de novo o mesmo desenho, porque eles eram exibidos em ambos os canais simultaneamente e o mesmo valia para material da Disney ou Popeye.  Já adulta, ainda parei para ver Animaniacs, que deve ter sido o último resquício de criatividade da Looney Tunes; já o material mais recente me parece bem ruim.

Estabelecido isso, Coyote vs Acme é mais do que uma homenagem aos clássicos da Looney Tunes; não se trata de saudosismo somente.  O filme tem um roteiro consistente e boas atuações do elenco humano, pois se trata de um filme híbrido.  E isso torna ainda mais horrível a ideia da Warner de destruir a película.  Se o ponto de partida do filme é o Coyote e sua fixação pelo Papa-Léguas ao longo do filme, temos uma crítica aguda às grandes corporações e, inclusive, às experiências pouco éticas, com o intuito de tornar a vida do cidadão comum mais cômoda.  Quer dizer, o argumento das corporações passa pela instrumentalização desses discursos de desenvolvimento, progresso e um acesso maior à tecnologia, mas, no fim das contas, o objetivo é o lucro a qualquer custo, de preferência, o mais baixo possível para a empresa.

A Acme testa suas invenções em desenhos animados para criar produtos seguros para os seres humanos.  Esse argumento é o argumento usado pelo Frangolino, o CEO inescrupuloso da corporação.  Os humanos compram a ideia, porque faz sentido para eles, expondo sua falta de empatia.  Eu estou dando aula de Segunda Guerra neste momento e, em uma das minhas turmas, ao falar da Unidade 731, uma aluna ressaltou que não saberíamos de muitas coisas, como a porcentagem de água no corpo de um ser humano, sem os atrozes experimentos feitos pelos japoneses.  O mesmo vale para testes com animais.  Partimos do princípio de que os bichos existem para nos servir.  Então, quem se importa com seu sofrimento?  Mas será que não poderíamos chegar às mesmas descobertas e conclusões sem que tantos abusos e crueldades fossem praticados?  Essa discussão pesada está no filme, mas de uma forma acessível ao público infantil.

Outro aspecto é o da luta do cidadão comum contra as grandes corporações.  Esse tipo de drama acontece todos os dias e é muito típico dos Estados Unidos.  Avery está acostumado com as migalhas, os pequenos acordos; um confronto como o que o caso do Coyote desencadeia é algo que exige uma série de gastos e pode destruir a vida de um advogado, de um escritório pequeno e mesmo do sujeito que move a ação.  O cinema já falou disso várias vezes, mas nunca usando desenhos animados.  Nesse embate, um advogado como Avery, acomodado na sua mediocridade, acaba se inspirando na persistência do Coyote para repensar sua própria vida profissional.  Ele não precisa ser tão empolgado quanto sua assistente recém-formada (*e sobrinha*), Paige Avery (Lana Condor), mas pode ter uma atitude mais digna em relação à advocacia.

E o filme fala de amizade.  Daquela que nasce entre Avery e o Coyote a partir de uma relação que começa acidentada, cheia de desconfianças, mas que vai se aprofundando ao longo da película.  E daquela entre o Coyote e o Papa-Léguas, algo que produz uma cena engraçada e ao mesmo tempo singela já no final do filme.  Por qual motivo o Papa-Léguas está sempre se esbarrando com o Coyote?  Porque gosta dele, porque o vê como um companheiro no meio do deserto.  E o uso das placas para comunicação e do Código Morse foi genial.

O filme tem muitas referências a animadores e gente que teve papel importante na história da Looney Tunes.  Vários artigos falam sobre isso; eis um deles.  Também temos participação de vários personagens da Looney Tunes, alguns somente fazendo figuração, outros, como o Gaguinho, o Patolino, a Vovó e o Piu-Piu, com falas e alguma função no filme.  Já o Pernalonga, minha personagem favorita da Looney Tunes, tem papel importante na história, mas não vou detalhar, porque seria spoiler.  Aliás, senti falta de personagens dos Animaniacs do filme.  Talvez alguns estivessem lá e eu simplesmente não os vi.  E vocês também acham que o Frangolino do filme foi parcialmente inspirado no Trump?

Concluindo, fico muito feliz que a mobilização de atores, animadores e do público tenha conseguido, assim como no filme, vencer a grande corporação, porque o abuso da Warner, a ideia de destruir o filme, é o tipo de atitude autoritária que a Acme tem.  Ao assistir ao filme, é fácil associar o abuso da Warner ao da Acme no filme, assim como refletir sobre as ações das grandes empresas capitalistas.  E tudo isso acessível para as crianças se ofender a inteligência dos adultos.  Enfim, ainda bem que consegui assistir ao filme no cinema e queria ter ficado para ver a mensagem da equipe da produção, mas a Júlia ficou impaciente e eu tive que ir embora.  E me desculpem pelas poucas resenhas este ano.  Tenho várias pendências que espero resolver antes de dezembro.

sábado, 16 de maio de 2026

Mangá de Moyoco Anno vai virar musical nos Estados Unidos

O mangá Bikachou Shinshi Kaikoroku (鼻下長紳士回顧録) também conhecido como Memoirs of Amorous Gentlemen irá virar musical nos Estados Unidos.  Segundo o ANN, o musical estreará  em Nova York, no circuito Off-Broadway, neste outono. A peça será apresentada no The Night Egg, um novo teatro no bairro de Chelsea, em Manhattan, cujo nome faz referência ao bordel francês do mangá.  A direção e coreografia ficará sob a responsabilidade de Rob Ashford, vencedor do Prêmio Tony (Thoroughly Modern Millie, Curtains, Frozen).  O ANN traz outros dados sobre a produção.

No site da Shodensha, Anno descreve a produção teatral como o primeiro musical original em inglês baseado em um mangá japonês. O ANN observa que o mangá Death Note ganhou uma adaptação para os palcos criada por uma equipe nipo-americana, incluindo veteranos da Broadway, embora tenha estreado primeiro no Japão após ser traduzido de volta para o japonês. 

Preconceito meu, eu sei, mas nunca me interessei por ler esse mangá, histórias de prostitutas felizes ou conformadas com sua vida raramente irão me atrair, então, segue o resumo do Bakaupdates: "Os pervertidos são pessoas que conhecem a forma dos seus desejos. Eles traçaram cuidadosamente esses contornos como um cego que usa as duas mãos para medir a forma de um vaso. Colette trabalha num bordel no início do século XX em Paris, uma ocupação da qual não consegue escapar. Ela e as outras garotas se apoiam mutuamente, satisfazendo os desejos dos clientes, dia após dia. A única fonte de esperança em sua vida difícil era seus encontros com Léon. Mas Colette nunca podia ter certeza se Léon realmente a amava... A força das mulheres em seus prazeres íntimos; os desejos nus dos cavalheiros apaixonados."

A série começou a ser publicada em 2013 na revista Feel Young e chegou ao final em 2018, fechando com 2 volumes.  O Ministério da Cultura do governo japonês homenageou o mangá na 23ª edição do Japan Media Arts Festival Awards, em 2020.

domingo, 8 de março de 2026

Shoujocast no Ar! Hoje é 8 de Março: Temos alguma coisa para comemorar? #8M


8 de março é um dia de luta, é um dia em que devemos lembrar das gerações de mulheres que vieram antes de nós para que tivéssemos o mínimo de direitos, é uma data para que nos unamos para defender o que temos, porque os direitos das mulheres estão sob ataque. Mas este ano não temos muito o que comemorar e eu estou aqui com um programa bem depressivo para provar.  Sim, poderia ter sido um texto, mas eu tive que escolher e acabei fazendo o vídeo.  Para a minutagem é preciso ir até o Youtube.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Vencedores do Globo de Ouro + Algumas considerações

De ontem para hoje foi transmitido o Globo de Ouro, no original, Golden Globes, porque são várias estatuetas.  Não vou comentar nada de TV, porque não assisti nada dessas séries e realmente só estava me importando com cinema.  O Globo de Ouro é um prêmio com votantes internacionais e cada vez mais diversificado, daí o crescimento da importância da premiação.  Queria ter assistido na Globo com a participação do Dalenogare, mas ficou aquela palhaçada de Big Brother, que dá muito dinheiro para a emissora, e eu não ia ficar perdendo meu tempo por lá.  Fui para a HBO.  Estou na casa dos meus pais, conexão ruim, tive que sair do Wifi para meus dados móveis, talvez tenha esgotado tudo.

Gobo de Ouro divide a premiação cinematoráfica em drama e musical/comédia.  Se a gente para pra observar, isso não faz sentido, mas permite que você tenha mais prêmios, inclusive para atriz e ator.  Diretor é uma premiação só, roteiro idem.  É prévia para o Oscar?  Sim, mas ninguém fique se fiando muito nisso, porque em um prêmio votam menos de 400 pessoas e no outro 10 mil.  Fora as regras que são um tanto diferentes.

No geral, o grande vencedor da noite foi Uma Batalha Após a Outra: Melhor filme de comédia ou musical, Diretor, Roteiro e Atriz Coadjuvante (Teyana Taylor).  É o favorito para filme e diretor no Oscar.  Fora a vitória brasileira, inesperada em Melhor filme em língua não-inglesa, porque o favorito era Valor Sentimental, que terminou saindo somente com Melhor ator coadjuvante (Stellan Skarsgard).  Tinha seis indicações, Agente Secreto tinha três, o destaque é Guerreiras do K-Pop.  O filme que a Netflix comprou sem saber o que tinha nas  mãos levou Melhor filme de animação e Melhor canção em filme (Golden).  Os discursos foram feitos por mulheres de origem asiática e falaram das dificuldades em convencer que o filme era viável, mais do que isso, foi um sucesso muito lucrativo.  E vai repetir no Oscar.

Wicked saiu de mãos abanando.  Pecadores levou Melhor destaque em bilheteria e Melhor trilha sonora de filme,que foi entregue fora do palco, porque cedeu lugar para Melhor podcast.  E que ninguém pense que o lindo do Michael B. Jordan não é capaz de levar o Oscar, mas acredito que é  o Timothée Chalamet, que levou Melhor ator em filme de musical ou comédia, o grande adversário do Wagner Moura no Oscar.  Vamos esperar.  Enfim, acho que é  isso.  A cerimônia foi legal.  Abaixo a  lista dos vencedores:

  • Melhor filme de drama: "Hamnet: A vida antes de Hamlet".
  • Melhor filme de comédia ou musical: Uma Batalha Após a Outra.
  • Melhor ator em filme de drama: Wagner Moura.
  • Melhor atriz em filme de drama: Jessie Buckley, "Hamnet: A vida antes de Hamlet".
  • Melhor filme em língua não-inglesa: "O Agente Secreto".
  • Melhor filme de animação: "Guerreiras do K-Pop".  
  • Melhor direção em filme: Paul Thomas Anderson, "Uma batalha após a outra".
  • Melhor destaque em bilheteria: "pecadores".
  • Melhor ator em filme de musical ou comédia: Timothée Chalamet, "Marty Supreme".
  • Melhor atriz em filme de musical ou comédia: Rose Byrne, "Se eu tivesse pernas, eu te chutaria".
  • Melhor roteiro em filme: Paul Thomas Anderson, "Uma Batalha Após a Outra".
  • Melhor trilha sonora de filme: "Pecadores".
  • Melhor canção em filme: "Golden", "Guerreiras do K-Pop".
  • Melhor ator coadjuvante em filme: Stellan Skarsgard, "Valor Sentimental".
  • Melhor atriz coadjuvante em filme: Teyana Taylor, "Uma Batalha Após a Outra".

Wagner Moura levou o Globo de Ouro de Melhor Ator Drama

Wagner Moura levou o Globo de Ouro de Melhor Ator Drama.  Dois prêmios para o Agente Secreto. Ah, a corrida do Oscar mudou agora e muito.  É o primeiro ator brasileiro a ser indicado ao Globo de Ouro, antes somente mulheres haviam sido indicadas para prêmios de cinema: Sônia Braga por três vezes, Fernanda Montenegro e Fernanda Torres. Em 2016, Wagner Moura tinha sido indicado por Narcos e Sônia Braga foi indicada duas vezes por produções para a TV. 

Enfim, foi emocionante assistir a tudo isso, a dupla vitória, a virada em cima do favorito (Valor Sentimental).  O prêmio de Wagner moura não eracerto, mas era esperado, era possível, já para o filme, podem procurar algum crítico sério que tenha apostado nele.  Não vai achar, não.   😍 


Agente Secreto levou o Globo de Ouro de filme internacional!!!! 🤩

 


Eu não acreditava.  Apostei que Valor Sentimental poderia não levar, fiz um post no Instagram, mas esperava Sirat ou Foi Apenas um Acidente. Esse prêmio redimensiona a corrida para o Oscar.  Que emocionante! 🤩  Agora é esperar por Melhor Ator Drama.  Vamos torcer por mais um prêmio. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

GROK está sendo utilizado para violar a integridade de meninas e mulheres e um mangá-ka se meteu em encrenca por utilizar a ferramenta.

Um dos escândalos da última semana para cá é o uso do GROK, a inteligência artificial do Elon Musk para criar fotos eróticas e violentas de mulheres e meninas menores de 14 anos.  Estamos falando aqui de se apossar de fotos que estão online e adulterá-las ou de deepfake mesmo.  E eu vou escrever aqui o que vi em um perfil norte-americano: há pornografia de sobra na internet, material que pode ser apropriado gratuitamente, no entanto, a gaça está em não ter o consentimento, em violar a integridade de uma mulher ou menina, porque se trata de violação mesmo.  É uma forma nova de abuso sexual e de intimidação, porque pode prejudicar a vida profissional e pessoal da vítima, desde a sua saúde mental até a sua empregabilidade.  E a culpa não é de quem colocou a foto na internet ou não colocou seu perfil no privado; esses sujeitos podem se apropriar de fotos de pessoas utilizando várias ferramentas; eles são os criminosos.

Isso cresceu tanto nos últimos dias que virou uma trend no Twitter (*Onde mais?*), inclusive já colocaram fotos adulteradas de biquíni de Renee Nicole Good, cidadã  norte-americana assassinada pelo ICE anteontem.  Para se ter uma ideia, segundo uma matéria da Folha de São Paulo: "Durante uma análise de 24 horas das imagens que a conta @Grok publicou no X, o chatbot gerou cerca de 6.700 por hora que foram identificadas como sexualmente sugestivas ou de nudez, de acordo com Genevieve Oh, pesquisadora de mídias sociais e deepfakes. Os outros cinco principais sites para esse tipo de conteúdo tiveram uma média de 79 novas imagens de nudez por IA por hora no período de 24 horas, de 5 a 6 de janeiro, segundo Oh.".  

Como no Brasil existe legislação a respeito, não especificamente para IA, mas para a divulgação de fotos não autorizadas e de material erótico-pornográfico com menores, a deputada Erika Hilton acionou o Ministério Público, e mesmo com deboche do Elon Musk, aparentemente (*vejam bem, APARENTEMENTE*) o GROK terá alguma limitação no Brasil.  Veremos isso.

Enfim, um mangá-ka utilizou o GROK para desnudar uma idol do grupo STU48.  O mangá-ka Yoichiro Tanabe, que faz mangás sobre idols, usou o GROK para  criar uma foto sexualizada de Riko Kudo, do grupo STU48, usando um biquíni.  A moça viu, a coisa chegou aos empresários do grupo e o mangá-ka pode enfrentar alguma ação judicial.  Correu a internet brasileira a história de que ele havia sido demitido.  Não encontrei nada disso, o que eu achei foi o pedido de desculpa do sujeito e cito o Oricon News:  "Em resposta, Tanabe divulgou uma declaração escrita intitulada "Sobre minha recente publicação inadequada", na qual pediu desculpas. Ele escreveu que lamentava profundamente ter causado desconforto e reconheceu diversas falhas, incluindo a falta de conhecimento sobre direitos de imagem, compreensão insuficiente do uso de IA generativa e um julgamento equivocado e arrogante sobre os limites apropriados com os ídolos com quem trabalhou profissionalmente."

Balela essa historinha de falta de conhecimento da lei e do uso de IA.  Espero que ele tenha que indenizar a moça.  Aliás, a tentativa é de enquadrá-lo por assédio sexual. Não se trata de "cancelar" como aparece em várias páginas em português e espanhol do Facebook e Instagram, é crime mesmo, tem que punir.  E, repito, não achei fonte segura alguma sobre demissão, se alguém tiver fonte em japonês, por favor, me passe.  E, como pontuei lá em cima, isso é uma nova forma de violação, de estupro mesmo.

Atualização (10/01): a Indonésia bloqueou o GROk temporariamente por causa dessa sujeira toda.  A GrÃ-Bretanha pode fazer o mesmo, mas há políticos republicanos que estão ameaçando o país na internet. O post da deputada republicana ameaçando o primeiro-ministro da Inglaterra e o país inteiro está abaixo:  


"Se Starmer conseguir banir o @X na Grã-Bretanha, darei prosseguimento à legislação que está sendo elaborada para sancionar não apenas Starmer, mas a Grã-Bretanha como um todo. Isso espelharia ações tomadas anteriormente pelos Estados Unidos em resposta a governos estrangeiros que restringiram a plataforma, incluindo a disputa com o Brasil em 2024-2025, que resultou em tarifas, revogações de vistos e sanções e consequências relacionadas a preocupações com a liberdade de expressão contra autoridades brasileiras devido a preocupações com censura e violações da liberdade de expressão. Starmer deveria reconsiderar essa linha de ação, ou haverá consequências. Sempre há falhas técnicas durante as fases iniciais de novas tecnologias, especialmente de IA, e esses problemas geralmente são resolvidos rapidamente. O X trata essas questões com seriedade e age prontamente. Para que fique claro: isso não se trata de conformidade técnica. Esta é uma guerra política contra @elonmusk e a liberdade de expressão — nada mais."

Se  Trump é o imperador do mundo, esse pessoal se acha no direito de fazer o que quiser.  Mas, repito, quem ganhou a queda de braço com o Musk foi o Alexandre de Moraes, ou melhor dizendo, os representantes do Estado brasileiro na figura do STF.  E Elon Musk diz que a reação é desculpa para censura, está em vários lugares.  Oh, estou muito surpresa com a reação dele... Aliás, apesar de supostamente ele ter restringido as funções do GROK, essa postura de acusar censura denuncia o quanto ele está preocupado.  

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

2026: Feliz Ano do Cavalo de Fogo!

Hoje, começa o novo ano pelo calendário Gregoriano (*o nosso*), mas muitas mangá-kas estão postando ilustrações lembrando que estamos no ano do cavalo pelo horóscopo chinês e este ano é o do elemento fogo.  São cinco os elementos do Horóscopo Chinês: Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água.   Por exemplo, eu sou dragão de fogo (1976).  O Ano Novo Chinês começa no dia 17 de fevereiro.  A ilustração que está no post é de Kazuki Irodori, autora do mangá da série Isekai no Sata wa Shachiku Shidai (異世界の沙汰は社畜次第) ou The Other World's Books Depend on the Bean Counter.  O anime da série estreia no dia 6 de janeiro, anotem aí.  

Agora, quando eu vejo "Ano do Cavalo de Fogo", só consigo lembrar da animação Cavalo de Fogo (Wildfire), que completa quarenta anos este ano, ele foi lançado em 1986.  Cavalo de Fogo foi exibido pelo SBT, como era comum em desenhos norte-americanos da época, foram somente 13 episódios.  Tratava-se de um isekai, com uma jovem princesa, chamada Sarah, sendo enviada para o nosso mundo como uma forma de protegê-la da vilã, Lady Diabolyn, depois da morte de sua mãe, a rainha de Dar-Shan.  Aos 13 anos, a garota recebia a visita do tal cavalo de fogo, que falava e era tão racional quanto os humanos.  Ele revela para a garota o seu passado e o seu destino, tornar-se rainha depois de derrotar a usurpadora.  Sarah e o cavalo atravessam de um mundo para outro.  O que Sarah nunca descobriu, se eu bem me recordo, é que seu pai em nosso mundo era seu pai biológico, porque ele mesmo tinha sido retirado de Dar-Shan para não ser morto.  Enfim, eu adorava cantar a música de abertura brasileira e ela ficou grudada na minha cabeça. Seria um excelente ano para um revival de Cavalo de Fogo, quem sabe até para terminar a série finalmente.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

O Agente Secreto faz história e é indicado a três Globos de Ouro

As indicações aos Globos de Ouro saíram hoje e O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho estrelado por Wagner Moura, recebeu três indicações, duas esperadas e uma não.  As duas que já se contavam como certas são Melhor Filme Internacional e Melhor Ator em Drama, porque os Globos de Ouro separam Drama e Comédia-Musical.  Wagner Moura foi o primeiro ator brasileiro a ser indicado.  Antes dele, somente mulheres haviam sido indicadas, Sônia Braga (*Três vezes: coadjuvante em 1986, melhor atriz de comédia-musical em 1989 e coadjuvante em minissérie de TV em 1995.*), Fernanda Montenegro (*melhor atriz de drama em 1999.*) e Fernanda Torres, que venceu como atriz em filme dramático em 2025. Moura tem boas chances de levar.

A indicação surpreendente foi na categoria de Melhor Filme em Drama.  A Neon, distribuidora do filme nos Estados Unidos e vencedora com Anora no Oscar este ano, conseguiu enfiar três de seus filmes na categoria (*Foi Apenas um Acidente, O Agente Secreto, Valor Sentimental*), todos são filmes em língua não-inglesa.  Desses três filmes, o favorito em filme internacional é Valor Sentimental.  Foi indicado em várias categorias.  Eu vi o trailer de Valor Sentimental, trailers normalmente fazem propaganda do filme, às vezes, se vendendo como o que não são.  Infelizmente, achei um trailer muito chato e que não me chamou para o filme.  Vou me obrigar a assistir, mas o trailer não me atraiu, não, sabe?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

O Agente Secreto e Wagner Moura vencem prêmios de Melhor Filme Internacional e Melhor Ator no NYFCC

O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho, vem construindo uma carreira sólida de premiações e rumo a possíveis indicações ao Oscar.  Desta vez, os prêmios vieram do New York Film Critics Circle Awards (NYFCC), O Agente Secreto venceu nas categorias melhor Filme Internacional  e Melhor Ator.  Essa é a primeira vez que um ator latino vence o prêmio.  Segundo a matéria do Correio do Povo, contando com os prêmios no NYFCC, premiação realizada pelo mais antigo grupo de críticos dos Estados Unidos, já são 26 prêmios.  Para fechar, O Agente Secreto está indicado a melhor filme internacional no Independent Spirit Awards, a principal premiação do cinema independente nos Estados Unidos.


sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Série animada com personagem trans faz com que Netflix receba ataques, inclusive no Brasil

Dead End: Paranormal Park é uma série da Netflix que estreou em 16 de junho de 2022 e que foi cancelada em janeiro de 2023 contando com duas temporadas.  Continua no catálogo, mas é somente isso.  Segundo a Wikipedia, "A série acompanha Barney e Norma, os mais novos funcionários do parque temático local, Phoenix Parks, um parque no estilo Dollywood criado pela famosa celebridade Pauline Phoenix.  Acompanhados por Pugsley, o cachorro de infância de Barney, e Courtney, um demônio de mil anos, eles descobrem o mundo do Paranormal e também aprendem coisas novas sobre si mesmos."  O cachorro é um fantasma, enfim?  Nunca vi Júlia, minha filha de 11 anos, assistindo essa série.

Muito bem, AGORA, somente AGORA, o empresário e mega vilão, empresário e quase homem mais rico do mundo, Elon Musk, que está sumido desde que foi chutado do governo Trump, decidiu iniciar uma campanha contra a Netflix, estimulando o cancelamento de assinaturas e acusando a empresa de usar desenhos animados para colocar a "Agenda Woke", essa coisa que não existe, dentro das casas das famílias de bem.  Motivo?  Barney, o protagonista, é trans e gay.  Para Musk, o cancelamento deve ser feito, porque a Netflix dá  espaço para personagens LGBTQIAPN+ em suas produções.  Como ele é inteligente demais para ter descoberto isso somente agora, imagino que haja mais alguma coisa por trás desse interesse repentino.

Gente, a perseguição às pessoas trans é real, a tentativa de transformá-las em párias, em novos ciganos ou judeus ou XXX (*ou escolha qualquer minoria que tenha sido desumanizada, perseguida, privada de qualquer direito e até da vida*), ela não é uma cortina de fumaça.  Por outro lado, temos outros interesses na mesa, quando Trump anunciou que iria taxar em 100% qualquer produção cinematográfica (*e seriados, também, imagino*) feita fora dos EUA, na semana passada, e que eu não comentei ainda por aqui, as ações da empresa despencaram.  Agora, a ação de Musk em 1 de outubro jogou as ações da empresa ainda mais para baixo.  Certamente, há alguma estratégia econômica em andamento em conjunto com a perseguição às pessoas trans e qualquer material que as mostre como o que são, pessoas, seres humanos, como quaisquer outros.

Como desdobramento da campanha, Hamish Steele, o criador da série, se pronunciou acreditando que a coisa merecia umas boas risadas, afinal, a série está cancelada há tempo.  Só que, o bom humor do autor logo se deteriorou, pois ele passou a comentar que estava recebendo e-mails homofóbicos, antissemitas e ameaças de morte (*sugerindo que ele merecia receber uma morte semelhante à de Charlie Kirk ou que ele celebrou a morte do ativista cristão nacionalista de  extrema-direita*).  Por fim, Steele veio a público dizer que iria se retirar da internet por algum tempo pelo bem de sua saúde mental.

Muito bem, segue a tradução das postagens de Steele no Bluesky:  Primeira imagem: "Post 1: "Provavelmente este vai ser um dia muito estranho."; Post 2: "Elon Musk: Isso não é OK"; Post 3: "Libs of TikTok: "OMG ["Oh, meu Deus!"]. Dead End Paranormal Park, um programa na Netflix, está forçando pró-transgênero em CRIANÇAS.  Esse programa é anunciado para CRIANÇAS DE 7 ANOS.  Está sendo promovido agora no @netflix kids.  Pais – CUIDADO."" Segunda imagem: "Post 1: "Eu só vou dizer que hoje está muito, muito pior e eu basicamente vou ficar fora de cena por um tempo. Minhas desculpas."; Post 2: "Meus comentários no Instagram agora estão cheios de respostas dizendo que EU SOU O CHARLIE KIRK e que eu comemorei a morte dele (o que eu nunca fiz) e tudo em que consigo pensar é na Yvie Oddley gritando 'O QUE ISSO TEM A VER COM QUALQUER COISA?'"; Post 3: "Eu estive basicamente muito bem hoje e achei tudo até meio engraçado, enquanto realmente aprecio todos que me procuraram, mas os e-mails extremamente desagradáveis, homofóbicos e antissemitas começaram a aparecer e isso está ficando um pouco assustador, então peço desculpas se demorar mais para responder às coisas.""  

Só para constar, a animação é recomendada para maiores de 10 anos.  Eu fui checar.  E não pensem que a extrema-direita, por ser pró-Israel, não é antissemita; são coisas separadas e recomendo o último livro do Prof. Michel Gherman sobre o tema: O não judeu judeu: A tentativa de colonização do judaísmo pelo bolsonarismo.

Muito bem, aqui, no Brasil, no dia em que a isenção do IR para quem recebe até 5 mil reais foi aprovada por unanimidade, algo que é importantíssimo para a maioria das pessoas desse país (*e não somente para o governo atual*), Nikolas Ferreira foi para a internet não falar do que realmente importa e até lucar com isso, mas para apoiar essa campanha repulsiva.  Segundo esse adolescente de quase trinta anos, que eu espero ver pagando por pelo menos algum dos seus crimes antes que eu morra, foi mostrar para seus milhões de seguidores que cancelou sua assinatura da Netflix.  Essa é a agenda da extrema-direita twitteira, falar de tudo que não importa de verdade e alimentar pânico moral, porque eles não têm propostas para o Brasil real.

Dentro do cercadinho dos progressistas, a Crunchyroll também está sob ataque.  O Sugoi Lite, perfiil do Twitter que é muito importante, porque consegue antecipar os anúncios de animação, fez uma série de postagens apontando que a Netflix estaria migrando de um programa de legendagem de código aberto para outro que é israelensse: "A maioria da equipe de legendagem da CR utilizava o Aegisub, um software de fonte aberta (OSS), mas recentemente houve várias mudanças. Agora, todos foram forçados a abandoná-lo e migrar para um software baseado em nuvem. Chamado de "OOONA", é um software totalmente israelense. Muitos funcionários ficaram muito chateados com a decisão.".  Não achei muito mais do que isso, mas deve haver coisa em português por aí.  Fora, claro, que o pessoal está falando em cancelar a Crunchyroll em protesto e "voltar" para a pirataria.  Houve, também, quem apontasse que isso é coisa velha.  É isso.  A gente não morre de tédio nesse mundo, mas eu preferia não ter que ler essas coisas, não.

sábado, 13 de setembro de 2025

"Mulheres do Conforto" Sul-coreanas abrem processo judicial contra o exército americano pela primeira vez

Durante a ocupação japonesa na Ásia, mulheres e meninas, algumas com 10 anos de idade, foram obrigadas a prestar serviços sexuais às tropas japonesas.  Poucas dessas mulheres se ofereciam para esse serviço, mas, ainda assim, dificilmente eram remuneradas.  A maioria era enganada, sequestrada ou vendida por familiares para os japoneses.  Sim, vendidas, não vou dourar a pílula, não.  A prática de tratar mulheres e crianças como propriedade não foi inventada pelos japoneses, ou pelo capitalismo, é coisa do patriarcado mesmo.  

Os japoneses chamavam as mulheres escravizadas de  ianfu (慰安婦), o que, traduzido para as línguas ocidentais, virou mulheres do conforto.  Coreanas, chinesas, filipinas, malaias, indonésias e mesmo ocidentais eram obrigadas a servir aos japoneses, às vezes sendo levadas para terras distantes.  Estima-se que até 200 mil mulheres possam ter sido submetidas a essa condição.  Já escrevi sobre isso várias vezes por aqui (*1 -  2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8*), pois as mulheres coreanas lutam faz tempo para terem pelo menos um pedido de desculpas, coisa que os sucessivos governos japoneses negam.  Há até a resenha do manhwa Grama, que eu recomendo muito a leitura. 

Meninas chinesas e malaias levadas à força de Penang pelos japoneses para trabalhar como "mulheres de conforto" para as tropas.

Muito bem, as mulheres do conforto sobreviventes estão movendo processo não contra o Japão dessa vez, mas contra o Exército Americano.  Motivo?  Depois da expulsão dos japoneses, mulheres continuaram sendo enganadas e/ou obrigadas a prestar serviços sexuais aos militares norte-americanos.  O sistema de bordéis mantidos pelo Estado começou em 1950 e seguiu até 1980 (*há controvérsias*).  Sim, você não leu errado.  1980.

Segundo, o jornal português Público, durante a Guerra da Coreia (1950-53), em torno das bases norte-americanas, "(...) criaram-se os chamados kijichon, zonas de prostituição que continham um aglomerado de bares, lojas e bordéis geridos pelo Governo coreano, de forma a atrair os soldados norte-americanos e a convencê-los a gastar dólares no país, numa tentativa desesperada de salvar a economia."  A maioria das mulheres tinha sido enganada com promessas de emprego como vendedoras de loja ou garçonetes, enquanto outras foram vendidas para cafetões, elas são conhecidas por “Camptown women” e, diferentemente das vítimas dos japoneses, sobre elas foi guardado silêncio.  

Cartaz de advertência do Código Uniforme de Justiça Militar contra prostituição e tráfico de pessoas publicado pela USFK (Frças Armadas dos Estados Unidos na Coreia).

Uma dessas mulheres, na casa dos 60 anos, disse à AFP: “Não me esqueço de ser espancada por soldados americanos – esbofeteada por baixar a cabeça enquanto servia bebidas, por não sorrir, ou sem motivo algum”.  Com apenas 17 anos quando foi prostituída, ela continua: "Todas as noites éramos arrastadas até os soldados americanos e abusadas sexualmente. Todas as semanas, éramos obrigadas a fazer exames para doenças venéreas. Se houvesse qualquer coisa anormal, éramos trancadas em um quartinho e injetavam uma agulha grossa de penicilina muito forte".  Ela não quis revelar o seu nome.

Segundo grupos de ativistas, o sistema perdurou até  2004, mesmo com a prostituição sendo proibida pela constituição da Coreia do Sul.  E cito o The Independent: "Durante décadas, a situação das mulheres que trabalhavam em acampamentos perto de bases militares americanas permaneceu amplamente ignorada pelo público e pelas autoridades na Coreia do Sul. A conscientização pública sobre a exploração sexual nos acampamentos sul-coreanos aumentou após o assassinato brutal de uma mulher chamada Yun Geum-i por um soldado americano em 1992.  Entre 1960 e 2004, pelo menos 11 profissionais do sexo foram mortas por tropas americanas, de acordo com o grupo de defesa Saewoomtuh."

A luta das "mulheres do conforto" é antiga, mas sobre as que "serviram" aos norte-americanos, há silêncio.

A atual ação judicial solicita uma indenização de 10 milhões de wons (US$ 7.200 dólares, R$ 39 mil) por vítima e responsabiliza tanto o governo da Coreia do Sul quanto as autoridades militares norte-americanas, segundo a advogada Ha Ju-hee.  Em 2022, as mulheres decidiram abrir um processo contra o governo coreano e ganharam: o Supremo Tribunal da Coreia do Sul ordenou ao governo que compensasse as 120 signatárias pelo trauma sofrido enquanto “mulheres de conforto” dos soldados dos EUA.  Agora, o processo envolve as forças militares dos Estados Unidos na Coreia do Sul, que não irão comentar a ação até que ela seja julgada, segundo seu porta-voz.  Acredito que os norte-americanos vão fazer o possível e o impossível para não assumir qualquer responsabilidade.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Brasileira Bilquis Evely recebe o Prêmio Eisner na categoria Melhor Desenhista/Arte-Finalista

Na última sexta-feira, durante o San Diego Comic-con, a quadrinista brasileira Bilquis Evely recebeu o Prêmio Eisner na categoria Melhor Desenhista/Arte-Finalista pelo quadrinho Helen de Wyndhorn, que ela assina junto com Tom King, e foi publicado no Brasil pela editora Suma.  Nascida em São Paulo, Bilquis Evely começou sua carreira na revista Luluzinha Teen e sua Turma, em 2009.  Ela produz para o mercado norte-americano desde 2012 e já recebeu um HQ MIX.  A quadrinista já havia sido indicada ao Eisner anteriormente pela obra 'Supergirl: A Mulher do Amanhã'.  Está esgotado em português, mas, em inglês, está disponível no Kindle Unlimited de graça. 

Outros brasileiros premiados com o Eisner foram Rafael Grampá (Melhor Antologia em 2008), Fábio Moon (Melhor Antologia em 2008, Melhor Série Limitada em 2011 e Melhor Adaptação de Outra Mídia em 2016), Marcelo D'Salete (Melhor Edição Norte-americana de Material Internacional em 2018), Adriana Melo (Melhor Antologia em 2019), Fido Nesti (Melhor Adaptação de Outra Mídia em 2022) e Mike Deodato (Melhor Publicação de Humor em 2022). Bilquis Evely é a primeira artista mulher a  receber o prêmio.

Junji Ito no Hall da Fama do Prêmio Eisner

No dia 25, durante o San Diego Comic-Con, o mangá-ka Junji Ito entrou para o Hall da Fama do Prêmio Eisner, uma honra concedida a poucos quadrinistas.  Este ano, foram dezoito indicados e seis entraram para o seleto grupo. Junji Ito tinha sido indicado ao Prêmio Eisner por quatro vezes. Este ano, Shigery Mizuki também foi indicado, segundo o ANN, mas não ficou entre os escolhidos.  Junji Ito gravou seus agradecimentos, que foram divulgados pelo canal da VIZ no Youtube.

Os outros mangá-kas incluídos do Hall da Fama são Osamu Tezuka (2002), Kazuo Koike (2004), Goseki Kojima (2004), Katsuhiro Ōtomo (2012), Rumiko Takahashi (2018), Moto Hagio (2022) e Keiji Nakazawa (2024). Akira Toriyama e Naoki Urasawa foram indicados em 2019, mas não ficaram entre os quatro selecionados daquele ano.  Juni Ito é um mestre do terror e suas raízes estao no shoujo manga, porque é um gênero popular nos quadrinhos femininos e há várias revistas especializadas em terror/horror.

sexta-feira, 11 de julho de 2025

Comentando Super-Homem (EUA/2025): um Recomeço Inspirador

Fiquei feliz em ter ido assistir ao filme do Super-Homem (Superman) hoje.  Havia uma sessão legendada à tarde e fui atrás dela.  Confesso que a inserção de Krypto e os primeiros dois minutos do filme me causaram um desconforto. Eu via os antigos desenhos do Super-Boy e o Krypto era parte dele, só que eu era criança, para vocês terem uma ideia do tempo que faz.  Em quadrinhos, nunca li nada com o cachorro.  Praticamente todos os quadrinhos de Super-Homem que eu li, era coisa da EBAL, Era de Prata, portanto.  Sim, já sou velhíssima.  

A partir do momento em que a gente entende a função do cachorro, humanizar ainda mais o Super-Homem, porém, talvez passe a gostar de Krypto, que é, no filme, um vira-lata malcomportadíssimo e causa certa de destruição.  E Krypto é uma personagem importante na película, não está lá somente para oferecer momentos fofos e de humor.  Ele trabalha, por assim dizer. E eu não vi "John Wick", mas acredito que há uma piada referencial ao filme, porque a única vez em que vemos o Super-Homem realmente furioso é quando Lex Luthor sequestra Krypto e diz que não tem nada com isso.  Acredito que, ali, naquele momento, ele quase tomou uns tabefes.  Não se mexe com o cachorro de uma pessoa, nem com o gato, que fique claro.

Não fiz o resumo do filme ainda, ele segue agora a do site Adoro Cinema: "Um herói movido pela crença e pela esperança na bondade da humanidade. Em Superman, acompanhamos a jornada do super-herói em tentar conciliar suas duas personas: sua herança extraterrestre como kryptoniano e sua vida humana, criado como Clark Kent (David Corenswet) na cidade de Smallville no Kansas. Dirigido por James Gunn, o novo filme irá reunir personagens, heróis e vilões clássicos da história de Superman, como Lex Luthor (Nicholas Hoult), Lois Lane (Rachel Brosnahan), Lanterna Verde (Nathan Fillion), Mulher-Gavião (Isabela Merced), entre outros. O chamado de Superman será colocado à prova através de uma série de novas aventuras épicas e diante de uma sociedade que enxerga seus valores de justiça e verdade como antiquados."

David Corenswet é  um Super-Homem novo, ele é muito mais vulnerável que o de Christopher Reeve.  Se eu fosse brincar com horóscopo, acho que o mapa astral dele seria uma mistura de Peixes com Câncer, ou a gente gosta, ou não gosta.  Talvez, tenha Leão aí, também, porque há certa vaidade na personagem, que precisa ser repensada, mas que o filme não explora muito.  Ela fica evidente na entrevista dada para Lois Lane e só. 

E como o Super-Homem apanha nesse filme!  E sangra.  Lembro que quando o Super-Homem de Christopher Reeve sangra a primeira vez, no segundo filme, ele fica assustadíssimo.  No filme de James Gunn, o super-herói não é invulnerável, ele  tem limites e acredito que seja importante isso.  Personagens invencíveis exigem tramas que precisem se esforçar muito para justificar as suas derrotas, mesmo que temporárias.  O novo Super-Homem, poderia ser morto, ele é um ser vivo, ele está longe de ser um deus, ainda que as analogias messiânicas continuem lá.

Falando nisso, não gosto de letreiramentos e eles são despejados para nos situar no que está acontecendo no início do filme.  Uma escolha curiosa e a analogia messiânica está lá.  Super-Homem viveu trinta anos na Terra, faz três anos que está cumprindo sua missão e foi derrotado pela primeira vez.  Precisa, agora, se recuperar e há  uma preocupação no filme em mostrar que esse Homem de Aço não é  invencível, invulnerável, de novo, ele é um ser vivo e ele se tornou mais humano que os humanos por nos amar demais.  E se você não percebeu que o Homem de Aço é uma espécie de Jesus Cristo, recomendo o trabalho do professor Iuri Andreas, ele estudou intensamente esse aspecto da personagem.

Há outros super-heróis no filme, e sua participação grande na película me surpreendeu.  Temos o Lanterna Verde com corte de cabelo de tigela (Guy Gardner), o Sr. Incrível e a Mulher Gavião.  Eles formam a Gangue da Justiça, ou, pelo menos, esse é  o nome que agrada ao Lanterna Verde.  E eles aparecem bastante, muito mesmo, especialmente, o Sr. Incrível, que parece aqueles heróis de filmes para o público negro dos anos 1970 (*Blaxploitation é o subgênero*).  Gostei deles.  E há até um kaiju  (*monstrão de séries e filmes japoneses*) e aquela luta com com monstro gigante me lembrou coisa de Espectreman ou Ultraman, sabe?  Ridículo, mas o filme não se vende como algo tão sério assim.  E é preciso entender isso desde os primeiros minutos.  

E mais, enquanto a Gangue da Justiça não se preocupa tanto assim em salvar gente, mas em cumprir a missão, o Super-Homem se preocupa em garantir a vida de todo mundo, desde o esquilinho mais fofo.  Ainda assim, temos mortes no filme e sangue, mais do que eu imaginava que tivesse.  O Super-Homem novo é fofo, é compassivo, mas não vai deixar de se livrar dos vilões ou de seus minions se necessário for.  E foi em alguns momentos.

O filme apresenta, também, o núcleo  do Planeta Diário, ainda  que o Super-Homem apareça muito pouco como Clark Kent.  Gente que poderia ser irritante, como Jimmy Olsen (Skyler Gisondo) tem função no filme, aliás, praticamente todo mundo tem.  Já a Lois Lane de Rachel Brosnahan é muito boa e, da mesma forma que não contam a infância do Super-Homem, não contam como ela e o Homem de Aço se tornaram namorados, os apresentam assim, mesmo que em "segredo".  E essa parte romance é boa, mesmo discreta, e sem apelar para fanservices do protagonista, não que eu esteja reclamando de Henry Cavill só de cuequinha no filme do Zack Snyder, que fique claro, ainda que eu acredite que ele estava desnudando o ator para um púbico masculino hetero antes de tudo.  

Falando em beleza, David Corenswet é bonito.  Pelas fotos achava que não, mas não é uma beleza perfeita como a do Christopher Reeve, quase inalcançável, ou esse monumento à virilidade esculpida em academia do Henry Cavill, só para ficar com esses dois.  Corenswet é bonito sem parecer perfeito demais, tem aquele queixo quadrado que  é  típico desses atores que são colocados em papéis de super-heróis clássicos e um sorriso com covinhas que o deixa simpático.  E ele e a atriz que faz a Lois Lane ficam bem juntos.  Lois Lane, aliás, que é igualmente bonita sem ser demais, não é uma mocinha que precisa ser resgatada, mas também não tem uma atitude de eu sei tudo, eu posso tudo, que não raro é associada à personagem em algumas de suas encarnações.  Ela não é chata, ela é inteligente, ela tenta compreender o Super-Homem e os dois combinaram bem.

E chegamos ao Nicholas Hoult.  Ele é um excelente ator.  Acredito que ninguém vá colocar isso em disputa.  Deveria ter sido indicado ao Oscar por Jurado Nº 2 no ano passado, mas o filme foi boicotado pela própria Warner.  Enfim, o Lex Luthor de Hoult, não a interpretação dele, mas a personagem, não me convence muito, não.  Seu plano cebolinesco que envolve uma guerra visivelmente inspirada na invasão da Rússia à Ucrânia (*volto a isso daqui a pouco*) é somente uma desculpa para pegar o Super-Homem.  Motivo oficial? Xenofobia.  E há uma cena do filme que lembra tanto as prisões de imigrantes promovidas pelo ICE (*o Super-Homem se deixa prender para achar seu cachorro*), que não me espantaria se tivesse sido gravada e inserida, porque "extraterrestres não têm direitos".  Sim, o Homem de Aço exige seus direitos como cidadão, ou seus direitos humanos, e ouve isso.  

Muito bem, o ódio de Luthor aos meta-humanos, termo ao qual fui apresentada no filme e que parece englobar todo tipo de criatura que não seja humana, de ETs à aparições, sei lá, e isso nem faz grande diferença no filme, parece focado no Super-Homem.  Focado a tal ponto, capaz de destruir o mundo até (* e se destruir a si mesmo*), que me parece ser desejo enrustido.  E só fiquei me lembrando do final da novela Pecado Mortal no qual o mocinho, depois de ter sido caçado e atazanado pelo vilão durante capítulos e mais capítulos, lhe dá  um amasso e diz o que precisa ser dito e somente o Carlos Lombardi seria capaz de colocar em uma trama.  E foi novela da Record.  O vilão confrontado com sua homossexualidade não admitida e atormentado por sua homofobia, que é real, termina se matando.  O Lex Luthor desse filme me parecia merecer algo assim.  Resolveria o problema dele.  Obviamente, isso JAMAIS seria posto em um filme de Super-heróis e, de resto, nosso Super-Homem talvez seja inocente demais para entender o que estava rolando ali.

Falando na guerra entre Borávia e Jarhanpur, essa é a parte ridícula do filme.  Não o fato do Super-Homem se achar no direito de intervir em uma guerra e impedir que uma nação governada por um ditador ridículo armado até os dentes por Luthor invadisse uma nação indefesa, mas a forma como a coisa é apresentada mesmo.  Borávia é a caricatura da ditadura e Jarhanpur é outra caricatura, só que de um país de terceiro mundo no qual boa parte da população é não-branca e armada com paus, pedras e facões.  O agravante aí é que o filme é claro em estabelecer que os dois países estão na EUROPA ORIENTAL.  A população de Jarhanpul parece indiana, sabe? Começando pelo nome, aliás. Achei o ponto baixo do filme. Já Metrópolis é uma cidade diversa, tão diversa que é quase um Rio de Janeiro em composição étnica.  Sem problema aqui.  E, para quem já está guinchando, Jimmy Olsen é ruivo e com sardinhas e ridiculamente assediado pelas mulheres.  Eis uma das piadas do filme.

Algo que me surpreendeu no filme, talvez por eu não ser leitora de quadrinhos, é a forma como os pais kryptonianos do Super-Homem são apresentados.  Não darei spoilers, mas não parece ter sido uma armação de Lex Luthor, não.  E essa nova abordagem é fundamental para que o Super-Homem encare seu papel nesse mundo de forma diferente e repense a sua própria identidade.  O melhor diálogo entre o herói e Luthor nesse filme está ligada a essa revelação.  Falando em pais, os humanos do Super-Homem aparecem em algumas cenas, e são cenas bonitinhas e eles são velhinhos como devem ser.  E quando Martha (Neva Howell) diz que já poliu as botas do filho para que ele possa ir salvar o mundo, é algo muito bobo, muito família tradicional, mas passa aquela ideia de que, sim, ela é a mãe dele e o compreende como ninguém.  A mesma coisa, a cena do Super-Homem com o pai (Pruitt Taylor Vince) no balanço.  Cenas pequenas e preciosas para mostrar que o herói é humano e é gente comum, pelo menos na perspectiva do norte-americano médio.

E o Super-Homem é muito conservador em seus valores, conservador DE VERDADE.  Ele tem um comportamento impecável, ele se preocupa com o que é bom e justo, ele se comporta como um cavaleiro medieval em um mundo marcado pela ganância, perversidade e cinismo. Mesmo a Gangue da Justiça, e o Sr. Incrível é muito importante no filme, não entende os valores humanistas da personagem.  Super-Homem veio para cuidar, não para destruir.  E esse conjunto de  valores somado a uma crítica ao ódio pelos imigrantes, pelo diferente, por aqueles que tiveram que deixar a sua terra, irritou a extrema-direita norte-americana, que está chamando a personagem de Woke-Man.  Descobriram agora que o o Super-Homem é um imigrante não-documentado?  Não, é cara de pau mesmo.  Queriam um Homem de Aço frio, desumanizado, incapaz de piedade.  O filme não oferece isso e o inimigo é um bilionário cheio de ódio (*ou desejo*) contra o protagonista.

Já caminhando para o fim.  Gostei do tema do filme retornar ao original de 1978 oferecendo algo de novo.  Reconhecer os acordes traz algo de nostálgico para mim.  E estou redigindo a resenha ouvindo o tema do filme de 2025.  Outra coisa boa do filme é ver cores.  O uniforme do Super-Homem não é tão brilhante quanto o do filme de 1978, mas rompe com a estética soturna que se tornou regra.  É colorido, sim.  É bonito, também. O resultado além de esteticamente interessante evoca bons sentimentos: humanismo, busca pela justiça, otimismo em relação ao futuro.  A cor não tira a seriedade de uma personagem, não a enfraquece.  Espero que seja uma tendência, porque uma das coisas que me atraiu para Star Trek Strange New Worlds foi também esse aspecto.  Que o tempo da palheta que só tem preto, cinza, marrom, azul marinho e roxo/vermelho fechados seja enterrada.

De resto, o filme não cumpre a Bechdel Rule.  Há cinco (*seis, se contar com a repórter decotada do Planeta Diário*) personagens femininas com destaque e falas: Lois Lane, a Mulher Gavião, a namorada de Luthor (*fiquem de olho nela*), Martha Kent e a Super Moça (*sim, ela aparece no final*), mas elas não conversam entre si.  Lois e Martha trocam umas palavrinhas, acho, mas falam do Super-Homem.  Problema com isso?  Não.  As personagens femininas são importantes dentro da proposta da história e o nome do filme é Super-Homem, precisamos lidar com isso.  Ah!  A namorada do Lex Luthor (*que ele trata como lixo*) é uma atriz e modelo portuguesa chamada Sara Sampaio.  Achei curioso isso, não imaginava.

Concluindo, gostei da nova releitura do Super-Homem humanista e que passa uma mensagem de fé na humanidade, ou, pelo menos, na sua capacidade de aprender e fazer as escolhas certas.  Gostei das personagens e o elenco estava bem.  Me acostumei com Krypto, mas sei que se meu marido tentar ver esse filme, ele desligará na primeira sequência por conta da cena boba com cachorro.  O Super-Homem do James Gunn não  é para todos, mas é muito mais acolhedor e humano do que a última releitura.  Eu fiquei bem satisfeita e devo ir assistir o filme da Super Moça, mesmo não sendo fã da personagem, e espero que esse novo Super-Homem renda, pelo menos, uma trilogia.  Material existe.  E fico pensando se a Gangue da Justiça, que recebeu novo membro no final do filme, não irá receber filme ou série própria, mas se ficar como coadjuvante no novo Super-Homem, é bom, também.  Há cenas pós-crédito, mas salvo a primeira, que vem no meio dos créditos e é  fofinha, a segunda não faz muita diferença.