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domingo, 12 de abril de 2026

A temporada de animes pode não ser a melhor do ano, mas em termos de confusão e gritaria ela deve ser a de maior destaque

A nova temporada de animes começou em 28 de março com Agentes das Quatro Estações (*que eu preciso olhar ainda*).  Esta nova temporada não atraiu tanto a minha atenção quando a do início do ano, e estou ainda com vários animes pendentes, e muita gente está mais ansiosa pela temporada de verão (*julho*), mas o fato é que já tivemos dois problemas e nós ainda estamos na segunda semana...

O primeiro escândalo ou baixaria veio com a denúncia de que o Estúdio WIT usou inteligência artificial na sequência de abertura  de Honzuki no Gekokujou: Shisho ni Naru Tame ni wa Shudan o Erandeiraremasen (本好きの下剋上 ~司書になるためには手段を選んでいられません~)/Ascendance of a Bookworm: Adopted Daughter of an Archduke (*no Brasil, O sonho de uma Apaixonada por Livros*).  O anime estreou em 4 de abril e quem estava assistindo percebeu a estanheza, há quem aponte que houve, também, erro de continuidade no primeiro episódio.  

Enfim, depois de uma tentativa de negar o ocorrido, o estúdio se comprometeu a refazer toda a abertura e substituir a que utilizou IA a partir do segundo episódio. Não sei mesmo distinguir uma da outra, vou ser franca, e achei a feita com IA com fundos mais harmônicos do que a feita a toque de caixa para substituir.  Poderiam ter feito DIREITO desde o início, não é mesmo? O fato é que o uso da IA é incontornável, mas é necessário estabelecer limites e regras para  a utilização da ferramenta ou a ente terá material de baixa qualidade, o roubo do trabalho alheio (*a IA "aprende" com o que está disponível na internet*) e gente desempregada.

O outro caso, que me parece mais sério por estar ligado a práticas lamentáveis dos fãs ocidentais, começou e terminou no Twitter (*SURPRESA!*).  Enfim, está no ar a série BL Ganbare! Nakamura-kun!!(ガンバレ! 中村くん!!)/Go for It, Nakamura!, baseado em um trabalho original da mangá-ka Syundei.  A autora tinha perfil no Twitter, vários mangá-kas usam a rede e eu tenho uma lista juntando todos os que consigo encontrar, é uma forma de divulgar seu trabalho, seu dia a dia e interagir com os fãs.  Normalmente, não há problema nisso, mas fãs de Ganbare! Nakamura-kun!! passaram a assediar a autora a ponto dela fechar a conta e se perguntar se valia a pena continuar na carreira.  Sério!  E pode parecer exagero, mas temos que pensar que Syundei pode estar fragilizada neste momento por algum problema pessoal ou ter algum transtorno emocional recorrente, como depressão.  Esse tipo de pressão é perigosa.  Uma pessoa fragilizada pode desistir de viver.  Há um caso recente que nos serve de alerta.

Ao que parece (*1 - 2*), fãs ocidentais ou amaram o anime, que foi meio que amenizado para ir ao ar (*desconfiava que iria rolar isso e tem se tornado meio que comum, vide Hana-Kimi*) ou ao ir atrás do mangá, se ofenderam com coisas que estavam lá.  O que esses cretinos decidiram fazer?  Ir encher o saco da autora no Twitter e ofendê-la.  Há muita gente hoje em dia que não tem vergonha nenhuma de ofender outras pessoas na rede, que não entende que a ficção não é realidade e que é possível conversar sobre problemas em uma obra, fazer críticas até duras, mas de forma educada.  

Alguns fãs foram além, pegaram obras antigas da autora e viram que ela criou um mangá sobre um relacionamento professor/aluno e foram fazer escândalo, porque era um MENOR de idade.  Enfim, não sei qual o mangá, mas será que esse povo não sabe o que é BL?  Será que esse povo limpinho nunca se atentou para o fato de que romances com parceiros com grande diferença de idade são comuns em TODAS as demografias?  Será que esses INFELIZES não têm a noção de que há muito material no mercado e para TODOS os gostos?  Atacar a autora por qual motivo?  O fato é que a autora ameaçou fechar a conta no Twitter e fechou mesmo.  Só tenho o print em inglês:

"Só recebo reclamações sobre por que diabos eu desenharia algo assim, e não tenho a capacidade de criar algo que agrade a todos como esperam, então não faz mais sentido fazer mangá, né? Achei que deveria pelo menos me despedir no final, mas estão me dizendo para sair daqui o mais rápido possível, então vou embora antes do meio-dia."

Para quem quiser, Nakamura-kun foi publicado no Brasil pela Newpop.  Me pergunto se teremos outro escândalo nessa temporada, ou ficaremos por aqui.

domingo, 23 de novembro de 2025

Shoujocast no Ar! Animes polêmicos, Perna Cabeluda no Oscar e Consciência Negra!

Depois de muito tempo, mais um Shoujocast. Estavam com saudades? Espero que sim. Hoje (deveria ter sido no dia 20), temos minhas impressões sobre dois dos animes da temporada, o anime da mocinha p*******a, Scarlet,  e o romance furry que a gente queria odiar,  as não consegue (e se odeia por causa disso), os candidatos do Brasil no Oscar (1 - 2) e minhas considerações sobre o dia da Consciência Negra. Eu tive problemas técnicos,  por isso, o som não está uniforme, desde já peço desculpas. E Beastards tem uma autora, não,  autor, como eu disse mais de uma vez. Os outros links do programa estão no Youtube.

Eu deveria ter feito um post sobre o Dia da Consciência Negra.  Não consegui.  Falei da data no Shoujocast.  Não considero o suficiente.  De qualquer forma, vou deixar abaixo o programa incorporado na minutagem certinha de quando eu falo da data.  E queria historicizar a data.  O texto era a introdução do post que eu não consegui terminar.  A primeira vez em que o dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, foi proposto como data alternativa para o 13 de maio, foi em 1971, em Porto Alegre, pelo Grupo Palmares.  Em plena Ditadura Civil Militar, se organizar politicamente, falar em diversidade, inclusão e racismo poderia ser motivo de perseguição.  1971 faz parte do momento mais atroz da Ditadura.  OK, temos um feriado, a maioria de nós gosta de feriados, mas é preciso lembrar que a data deve ser utilizada para lembrar das muitas  lutas e do quanto ainda precisa ser alcançado.  

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Série animada com personagem trans faz com que Netflix receba ataques, inclusive no Brasil

Dead End: Paranormal Park é uma série da Netflix que estreou em 16 de junho de 2022 e que foi cancelada em janeiro de 2023 contando com duas temporadas.  Continua no catálogo, mas é somente isso.  Segundo a Wikipedia, "A série acompanha Barney e Norma, os mais novos funcionários do parque temático local, Phoenix Parks, um parque no estilo Dollywood criado pela famosa celebridade Pauline Phoenix.  Acompanhados por Pugsley, o cachorro de infância de Barney, e Courtney, um demônio de mil anos, eles descobrem o mundo do Paranormal e também aprendem coisas novas sobre si mesmos."  O cachorro é um fantasma, enfim?  Nunca vi Júlia, minha filha de 11 anos, assistindo essa série.

Muito bem, AGORA, somente AGORA, o empresário e mega vilão, empresário e quase homem mais rico do mundo, Elon Musk, que está sumido desde que foi chutado do governo Trump, decidiu iniciar uma campanha contra a Netflix, estimulando o cancelamento de assinaturas e acusando a empresa de usar desenhos animados para colocar a "Agenda Woke", essa coisa que não existe, dentro das casas das famílias de bem.  Motivo?  Barney, o protagonista, é trans e gay.  Para Musk, o cancelamento deve ser feito, porque a Netflix dá  espaço para personagens LGBTQIAPN+ em suas produções.  Como ele é inteligente demais para ter descoberto isso somente agora, imagino que haja mais alguma coisa por trás desse interesse repentino.

Gente, a perseguição às pessoas trans é real, a tentativa de transformá-las em párias, em novos ciganos ou judeus ou XXX (*ou escolha qualquer minoria que tenha sido desumanizada, perseguida, privada de qualquer direito e até da vida*), ela não é uma cortina de fumaça.  Por outro lado, temos outros interesses na mesa, quando Trump anunciou que iria taxar em 100% qualquer produção cinematográfica (*e seriados, também, imagino*) feita fora dos EUA, na semana passada, e que eu não comentei ainda por aqui, as ações da empresa despencaram.  Agora, a ação de Musk em 1 de outubro jogou as ações da empresa ainda mais para baixo.  Certamente, há alguma estratégia econômica em andamento em conjunto com a perseguição às pessoas trans e qualquer material que as mostre como o que são, pessoas, seres humanos, como quaisquer outros.

Como desdobramento da campanha, Hamish Steele, o criador da série, se pronunciou acreditando que a coisa merecia umas boas risadas, afinal, a série está cancelada há tempo.  Só que, o bom humor do autor logo se deteriorou, pois ele passou a comentar que estava recebendo e-mails homofóbicos, antissemitas e ameaças de morte (*sugerindo que ele merecia receber uma morte semelhante à de Charlie Kirk ou que ele celebrou a morte do ativista cristão nacionalista de  extrema-direita*).  Por fim, Steele veio a público dizer que iria se retirar da internet por algum tempo pelo bem de sua saúde mental.

Muito bem, segue a tradução das postagens de Steele no Bluesky:  Primeira imagem: "Post 1: "Provavelmente este vai ser um dia muito estranho."; Post 2: "Elon Musk: Isso não é OK"; Post 3: "Libs of TikTok: "OMG ["Oh, meu Deus!"]. Dead End Paranormal Park, um programa na Netflix, está forçando pró-transgênero em CRIANÇAS.  Esse programa é anunciado para CRIANÇAS DE 7 ANOS.  Está sendo promovido agora no @netflix kids.  Pais – CUIDADO."" Segunda imagem: "Post 1: "Eu só vou dizer que hoje está muito, muito pior e eu basicamente vou ficar fora de cena por um tempo. Minhas desculpas."; Post 2: "Meus comentários no Instagram agora estão cheios de respostas dizendo que EU SOU O CHARLIE KIRK e que eu comemorei a morte dele (o que eu nunca fiz) e tudo em que consigo pensar é na Yvie Oddley gritando 'O QUE ISSO TEM A VER COM QUALQUER COISA?'"; Post 3: "Eu estive basicamente muito bem hoje e achei tudo até meio engraçado, enquanto realmente aprecio todos que me procuraram, mas os e-mails extremamente desagradáveis, homofóbicos e antissemitas começaram a aparecer e isso está ficando um pouco assustador, então peço desculpas se demorar mais para responder às coisas.""  

Só para constar, a animação é recomendada para maiores de 10 anos.  Eu fui checar.  E não pensem que a extrema-direita, por ser pró-Israel, não é antissemita; são coisas separadas e recomendo o último livro do Prof. Michel Gherman sobre o tema: O não judeu judeu: A tentativa de colonização do judaísmo pelo bolsonarismo.

Muito bem, aqui, no Brasil, no dia em que a isenção do IR para quem recebe até 5 mil reais foi aprovada por unanimidade, algo que é importantíssimo para a maioria das pessoas desse país (*e não somente para o governo atual*), Nikolas Ferreira foi para a internet não falar do que realmente importa e até lucar com isso, mas para apoiar essa campanha repulsiva.  Segundo esse adolescente de quase trinta anos, que eu espero ver pagando por pelo menos algum dos seus crimes antes que eu morra, foi mostrar para seus milhões de seguidores que cancelou sua assinatura da Netflix.  Essa é a agenda da extrema-direita twitteira, falar de tudo que não importa de verdade e alimentar pânico moral, porque eles não têm propostas para o Brasil real.

Dentro do cercadinho dos progressistas, a Crunchyroll também está sob ataque.  O Sugoi Lite, perfiil do Twitter que é muito importante, porque consegue antecipar os anúncios de animação, fez uma série de postagens apontando que a Netflix estaria migrando de um programa de legendagem de código aberto para outro que é israelensse: "A maioria da equipe de legendagem da CR utilizava o Aegisub, um software de fonte aberta (OSS), mas recentemente houve várias mudanças. Agora, todos foram forçados a abandoná-lo e migrar para um software baseado em nuvem. Chamado de "OOONA", é um software totalmente israelense. Muitos funcionários ficaram muito chateados com a decisão.".  Não achei muito mais do que isso, mas deve haver coisa em português por aí.  Fora, claro, que o pessoal está falando em cancelar a Crunchyroll em protesto e "voltar" para a pirataria.  Houve, também, quem apontasse que isso é coisa velha.  É isso.  A gente não morre de tédio nesse mundo, mas eu preferia não ter que ler essas coisas, não.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Sessão de cinema de Kimetsu no Yaiba (Demon Slayer) termina na delegacia

Por algum motivo inexplicável, o Ministério da Justiça e Segurança classificou o filme Demon Slayer: Castelo Infinito como desaconselhável para menores de 18 anos.  Digo inexplicável, porque o argumento foi a violência, mas Bacurau, só para citar um exemplo, que tem muita violência, sexo e nudez, recebeu 16 anos.  A Sony Pictures, distribuidora do filme, queria que a classificação fosse 14 anos, o que seria muito justo, chegou a recorrer, mas o Ministério não cedeu.  Minha filha de 11 anos é fã da série e ela queria assistir ao filme no cinema, mas, com essa classificação indicativa, o Estado toma a tutela e o responsável, neste caso, EU, não pode decidir a respeito.  Ainda assim, mesmo com essa sabotagem, parece que o filme vai muito bem de bilheterias e tem sessões legendadas em cinemas de Brasília que nem exibem filmes legendados, uma surpresa.

Muito bem, o G1 trouxe uma notícia curiosa: segundo relatos, em um cinema da rede Cinemark, na Zona Leste de São Paulo, a sessão foi interrompida por funcionários, porque havia crianças na sessão.  Eles pediram que as crianças e seus responsáveis deixassem a sala.  A família se recusou a sair, as pessoas que estavam na sessão começaram a reclamar, e apareceram quatro policiais para resolver a questão.  O Cinemark soltou uma nota dando sua versão dos fatos: "uma família com dois menores de idade chegou ao cinema para assistir a Demon Slayer: Castelo Infinito e, devido à classificação indicativa de +18 anos, foram impedidos de entrar. Não aceitando a determinação, a família decidiu entrar na sala, sem autorização, e foi acompanhada de outras duas famílias que, ao perceberem esse movimento, também resolveram se dirigir à sala sem estarem autorizadas".

A mãe da família terminou indo até a delegacia registrar uma ocorrência, argumentando que, ao comprar os ingressos, não havia informação sobre a classificação indicativa.  Mais adiante na notícia, há uma nota mais extensa do Cinemark com mais explicações sobre o comportamento dos clientes que "Não aceitando a determinação, a família decidiu entrar na sala, sem autorização, e foi acompanhada de outras duas famílias que, ao perceberem esse movimento, também resolveram se dirigir à sala sem estarem autorizadas. Após todos serem chamados para se retirarem, e não terem colaborado com o pedido, a sessão foi interrompida e a polícia foi acionada, tanto por uma das famílias quanto pelos colaboradores da Cinemark.".

Vamos por partes, começo afirmando que lei a gente cumpre, mas pode reclamar, pode usar as redes sociais para deixar claro o absurdo da coisa e tudo o que tem direito.  Pela matéria, me parece que a família foi desrespeitosa.  Sabe gente mimada que não consegue aceitar um não ou seguir uma regra simples?  Pois é.  Agora, é fato que a classificação indicativa dada ao filme é absurda e, muito provavelmente, fruto de (pre)conceitos contra os animes.  Kimetsu no Yaiba é uma obra do tipo para toda a família e voltada principalmente para o público infanto-juvenil.  Colocar uma classificação tão alta, e que nem filmes live action realmente violentos recebem, é excluir o público principal do anime, um estímulo à pirataria e um duro golpe para a distribuidora que poderia investir mais nesse filão.  

Só para reforçar, no Japão, a classificação foi PG12, nos Estados Unidos foi R (*seria o equivalente ao 16 anos no Brasil*) e, no México, foi B15 (*menores de 15 anos somente acompanhados*).  Não encontrei outros países, mas em todos os casos, qualquer menor pode entrar acompanhado de um responsável.  Alguém que fez a classificação no Brasil, certamente odeia anime..

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Nikolas Ferreira é condenado a pagar indenização a cartunista por vídeo difamatório


Não sabia, mas a Cecília Ramos, mais conhecida como Cartumante, estava envolvida no caso em que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) acusou o falecido prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, de produzir um livro de caráter pedófilo, isso, durante a última campanha eleitoral para prefeito.  Muito bem, ele já tinha sido condenado a tirar o tal vídeo do ar, mas o material calunioso envolvia outras pessoas, também.  Segundo a UOL, o deputado foi condenado pela Justiça do Rio de Janeiro a pagar R$ 10 mil por um vídeo difamatório contra ela, trata-se da Cartumante.  Cabe recurso, mas espero que seja feita Justiça.  Aliás, o caso do Fuad Noman já resultou em uma ação do Ministério Público Estadual pedindo a cassação do deputado e outros políticos mineiros que difundiram as informações falsas e se beneficiaram delas durante a campanha.

Como a Cartumante entrou nessa história?  Enfim, durante a eleição de 2024, Nikolas Ferreira fez vídeo mostrando a 12ª edição do Festival Internacional de Quadrinhos de BH (FIQ) e acusou o então prefeito (*ele concorria à reeleição*) de patrocinar um evento que pretendia ensinar crianças da rede pública a praticar violência sexual.  Houve acusação de que crianças estavam sendo expostas à conteúdos adultos durante a feira, algo que não acontece, porque tudo é sinalizado e as visitas escolares são guiadas.  Ou seja, o vídeo de Nikolas e outros políticos, porque houve outros, ajudaram a demonizar os quadrinistas  exploravam  a ideia de que  quadrinho é somente coisa de criança.  O nome de Cecília Ramos apareceu no vídeo de Nikolas e sua imagem, também. Resultado?  Vou citar direto da Carta Capital“Ao destacar de maneira isolada o nome e o perfil da autora, insinuando que ela estaria envolvida em condutas criminosas e imorais, provocou imediata repercussão negativa: Sra. Cecília passou a receber mensagens agressivas, sofreu a perda de patrocinadores e viu suas negociações comerciais desandarem”.  Quem conhece o modus operandi da extrema-direita e o esgoto que é a seção de comentários de qualquer portal de notícias imagina o que aconteceu.


Como sempre, o deputado alegou imunidade parlamentar, como se isso lhe desse o direito de cometer crimes.  A juíza do caso não comprou o argumento, claro. Segundo o UOL, a "Magistrada citou decisões do STF e afirmou que imunidade parlamentar "não é absoluta". "A prerrogativa não se aplica a manifestações desvinculadas das atribuições legislativas"" e acrescentou ainda "O vídeo não se refere à atividade legislativa concreta, mas consiste em conteúdo produzido e divulgado fora do ambiente institucional, com ataques diretos à honra da autora, sem base fática verdadeira, conforme já reconhecido por decisão judicial anterior. A conduta do réu, portanto, revela-se ilícita, por violar o direito da autora à honra e à imagem.".  

Como sempre, o deputado mimizento tenta se colocar como vítima.  Segundo Nikolas Ferreira, estão querendo deixá-lo inelegível por ter denunciado um livro pornográfico escrito pelo antigo prefeito de Belo Horizonte e que "Parlamentares de direita são perseguidos neste país.".  Aham... Aham... Aham... Eu realmente desejo que esse senhor, pois ele já tem quase 30 anos e não é criança, pague por todos os seus crimes, mas vamos combinar que DEZ MIL REAIS é MUITO POUCO, mesmo com os mil reais de multa diária caso o vídeo continue no canal do Telegram do deputado.  Detalhe, desde o ano passado havia ordem judicial de tirar o material do ar e ele não cumpriu.  A Cartumante pedia R$60 mil, que ainda era pouco.  Espero que ele recorra mesmo e tenha que pagar muito mais do que o que a juíza determinou em primeira instância.

ATUALIZAÇÃO 25/07:  Comentário deixado no grupo do Shoujo Café sobre o post da condenação do Nikolas Ferreira a pagar indenização para a Cartumante por tê-la associado a um crime, que sequer havia sido cometido.  

É fácil entender o motivo de tantos sujeitos conseguirem se manter sempre em cargos públicos.  As pessoas se movem por ódios e afetos e nem sequer querem se informar sobre os atos que essas criaturas cometem.

segunda-feira, 10 de março de 2025

Shoujocast no Ar! Café e Conversa: Anora é plágio?, Time Sett ou Time Azure?, Shoujos obrigatórios e Dia Internacional das Mulheres.

Como já tivemos um programa sobre Watashi no Shiawase na Kekkon, este é um programa tema livre.  Peguei uma série de coisas que eu queria comentar, esqueci de umas duas, ficou longo demais, mas tem um Sumário com a minutagem bem certinha (*está no Youtube*).  Por conta dos tais "Shoujo Obrigatórios", retomei a leitura de 200 M Saki no Netsu  estou indignada de alguém acusar a série de ser ruim, ou tóxica.  Vou ter que fazer uma nova resenha (escrita), é urgente.  Enfim, espero que vocês gostem do programa.  Tinha que ter saído ontem, mas não deu.  Coloquei vários links no programa, mas estão no Youtube.

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Shoujocast no Ar! Watashi no Shiawase na Kekkon Ep. 7: Desejos de Ano Novo + Assuntos Diversos.

Atrasado, eu sei, mas eis a resenha do último episódio de #watashinoshiawasenakekkon. Foi um episódio de calmaria antes da tormenta, depois de dois episódios bem atribulados. Como não temos conflito, temos aprofundamento da relação entre Kiyoka e Miyo, além de alguns mistérios por resolver. Além do episódio, como tenho feito, comento outras coisas. E peço desculpa pela cachorrada, houve uns momentos em que o som ficou muito incômodo, mas eu não tinha como parar de gravar. O microfone da minha câmera é muito bom isso pode ser um problema, já o do laptop é bem fraco.  Para quem quiser o sumário com a minutagem, é preciso ir até o Youtube.  Os links do episódio também estão lá.

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Shoujocast no Ar: Watashi no Shiawase na Kekkon 4: Quem é Kaoruko? Será que Miyo arrumou uma amiga? + Tretas do Oscar

Chegamos ao episódio 4 de Watashi no Shiawase na Kekkon e estão todos ppreocupados com a aparição de Naoshi  Usui, membro poderoso da família Usuba e líder de uma perigosa seita.  Ele chama Miyo de filha e é necessário protegê-la e impedir que ele se aposse dela.  Mas o centro do episódio foi a introdução de uma nova personagem, Kaoruko Jinnouchi.  Essa jovem militar surpreende Miyo pedindo que ela seja sua amiga.  Será que Kaoruko é confiável?  

Como se trata de um episódio 2 em 1, eu falo do Oscar, do blackface de Fernanda Torres e do grande escândalo da semana, as postagens da estrela de #EmiliaPerez, Karla Sofia Gascón.  O fato é que a disputa para o Oscar está acirrada e cheia de detalhes meio sórdidos.  Só depois que já tinha gravado tudo, vi uma história sobre um vídeo de Demi Moore que pode ser um problema para ela.  O negócio é de QUARENTA E TRÊS anos atrás e eu considero um exagero.  E continuamos torcendo por #AindaEstouAqui.  E a série de entrevistas com grandes atrizes que citei no vídeo se chama Damas da TV, tem no Viva e no pacote premium do Globoplay.

E peço mil desculpas pela qualidade do vídeo.  Houve uns bugs na gravação e nem tudo foi cortado.  Ficou feio, mas se eu jogasse fora, o programa não iria ao ar de jeito nenhum.  E teve o Meteoro, meu cachorro, fazendo todos os barulhos possíveis.  Acredito que tecnicamente é o meu pior vídeo. 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto: 80 Anos da Libertação de Auschwitz

Há 80 anos, Auschwitz foi libertado pelas tropas soviéticas. Os alemães estabeleceram o complexo do campo de Auschwitz na primavera de 1940 na Polônia ocupada pelos alemães. Cerca de 1,1 milhão de pessoas foram mortas lá, incluindo cerca de um milhão de judeus.  Esta é a data em que lembramos as vítimas do Holocausto.  Normalmente, pensamos nos judeus, mas o projeto de extermínio nazista incluiu ciganos, pessoas com deficiência física, homossexuais, dissidentes políticos (socialistas, comunistas e mesmo liberais), testemunhas de Jeová etc.  Todos os que não eram considerados arianos, como os eslavos, estavam destinados ao extermínio em algum ponto futuro, caso o projeto nazista prosperasse.

Oito décadas para a História não é nada, há vítimas do Holocausto que ainda estão vivos e participando de cerimônias, dando palestras, ainda assim, enfrentamos hoje uma ressurgência do fascismo no mundo.  As células neonazistas proliferaram em nosso país no governo anterior e a maioria deve estar por aí.  Durante os eventos da posse de Donald Trump, dois elementos que lhe são próximos, Steve Bannon e Elon Musk fizeram a saudação nazista.  Sim, fizeram.  É inegável, ainda que, no caso de Musko próprio primeiro-ministro de Israel tenha vindo em sua defesa.  Nada de novo sob o sol, porque as extremas-direitas conversam entre si, mesmo contra toda a racionalidade.  

Falando de Musk, neste fim de semana, estava ela na Alemanha fazendo campanha para a AFD (Alternativa para a Alemanha), partido cheinho de neonazistas, onde disse que os alemães deveriam voltar a ter orgulho de serem alemães e deixar de lado "culpa pelo passado, pelos pecados de seus bisavós".  Esquecer do passado é um convite a voltar aos velhos erros. 

Hoje, estamos assistindo a ascensão da extrema-direita alinhadíssima ao grande capital, e não há extrema-direita sem um grande inimigo.  Nos Estados Unidos, os alvos já foram escolhidos, são as pessoas trans, os imigrantes e qualquer um que tenha um discurso que pareça levemente cristão para além das aparências e extremismos.  Misericórdia, por exemplo, é uma palavra maldita.


Deutsche Welle (DW) trouxe, hoje, um artigo reagindo às palavras de Elon Musk intitulado Holocausto na Alemanha: O passado ainda presente?, nele se discute a cultura da memória alemã que, segundo a a politóloga e publicista Saba-Nur Cheema, seria   "Cultura de memória é um conhecimento coletivo e uma recordação do passado. No contexto alemão, refere-se principalmente à memória do Holocausto e ao confronto com o nacional-socialismo.".  Mesmo com todo o empenho educacional, a mesma matéria fala que os vários memoriais do país jjá sofreram vandalismo por parte de grupos de extrema-direita.

Não é possível esquecer o Holocausto, não é possível cuspir sobre a memória das vítimas normalizando os discursos nazistas, não deveria ser possível assistir genocídios acontecerem nos nossos dias, sendo o da Faixa de Gaza o mais visível, tampouco a desumanização de outros seres humanos deveria ser aceitável.  Tudo isso está acontecendo neste momento e é preciso escolher um lado.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

IA foi usada para melhorar a atuação de dois fortes candidatos ao Oscar

Esse texto era para ter saído anteontem, mas acabei tendo outras coisas para fazer.  Enfim, um ator ou atriz é premiado pela sua atuação.  No Oscar, a categoria de melhor ator e atriz são sempre extremamente disputadas e nem sempre justas, mas não é a minha discussão aqui.  No dia 18, foi revelado que Adrien Brody, para muitos o favorito ao prêmio de melhor ator, teve seu sotaque húngaro melhorado por inteligência artificial, o mesmo foi feito com Felicity Jones, também cotada para indicação por atriz coadjuvante  Foi exatamente esse sotaque perfeito que chamava mais a atenção no desempenho do ator, porque vale a brincadeira de que somente os húngaros sabem húngaro.  Havia muita gente dando como certo que ele levaria seu segundo Oscar, porque ele recebeu o prêmio de melhor ator por O Pianista, em 2002.

Quando postei sobre isso no Facebook, alguém me avisou de que não foi somente Brody que teve sua atuação melhorada, mas que a Inteligência Artificial foi usada, também, em Emília Perez para afinar a voz de Karla Sofía Gascón.  Vou citar o trecho da entrevista do técnico de som Cyril Holtz:

"A gente usou, para ser mais preciso, uma tecnologia de clonagem de voz por machine learning. Essa escolha foi feita muito, muito cedo, no início das filmagens. (...) Havia partes muito difíceis, principalmente porque ela já havia feito a transição e alguns registros vocais não estavam mais acessíveis. Além disso, a personagem passa por uma transição de gênero, o que tornava tudo ainda mais desafiador. Mesmo adaptando as melodias e a tessitura, era muito difícil para ela. (...) Obviamente, esperávamos que ela pudesse cantar tudo sozinha, mas precisávamos encontrar uma solução alternativa caso não fosse possível. A dublagem era uma opção, mas a rejeitamos por alguns motivos que já mencionei antes: queríamos manter o mesmo timbre de voz o tempo todo e evitar que isso fosse perceptível. (...)"

Vamos por partes nesse caso, gente dublada em musical é coisa comum, mesmo em filmes super premiados.  Aconteceu em Amor, Sublime Amor (1961), My Fair Lady (1964), Camelot (1967) etc. nenhum filme perdeu Oscar por causa disso, muito pelo contrário, mas não levaram as estatuetas de atuação.  Este é o meu ponto.  Essa questão descrita por Holtz traz uma outra questão, essa ligada especificamente ao caso da atriz.  Ela passou por transição, ela interpreta a personagem antes e depois, ela canta, ao que parece, nesses dois momentos.  É um desafio e tanto, mas a tecnologia deu uma mãozinha.  Não seria melhor deixar ao natural?  Usar dublagem?  Será que usaram somente com a Karla Sofía Gascón  MESMO?  Dá para confiar? E o programa usado em ambos os filmes foi o Respeecher, que é de uma empresa ucraniana.

E vou deixar o vídeo do Dalenogare Críticas, no qual ele coloca que os musicais usam programas para melhorar o desempenho dos atores faz muito tempo e ninguém em Hollywood fala do assunto.  O problema é quando isso se torna público e, no caso de O Brutalista, não é musical e ainda houve uso de IA para criar outras coisas no filme e não ter que contratar artistas para fazer as ilustrações.  Tem cabimento isso?  E concordo com ele, se premiarem O Brutalista, vai ser um liberou geral, porque, enfim, Hollywood está referendando a coisa.  No caso da interpretação, como meu marido falou quando comentei com ele, é como usar doping.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Falando de Ainda Estou Aqui nas premiações em andamento

Saíram os indicados para o BAFTA (British Academy of Film and Television Arts), Fernanda Torres já estava fora, porque não apareceu na lista preliminar, mas ainda estou aqui apareceu indicado a melhor filme em língua estrangeira.  O favorito, claro, continua sendo Emilia Perez, que tem uma campanha forte feita pela Netflix.  Mas há um detalhe importante, Angelina Jolie já estava fora da pré-lista, como Fernanda Torres, mas Nicole Kidman não apareceu no corte final.  Como estou pensando no Oscar de Melhor Atriz, isso tira a força das duas.   Jolie  ficou fora do BAFTA e do SAG, o prêmio do sindicato dos artistas norte-americanos, e Kidman, também.  Será que isso abre maiores possibilidades para que a quinta vaga fique com Fernanda Torres?  Talvez, afinal, Demi Moore praticamente já carimbou a sua indicação e Pamela Anderson, que está no SAG, está fortalecendo a sua candidatura.

Outra premiação, esta bem menor, é a do Online Film Critics Society (OFCS), que ocorre desde 1997.  Ainda Estou Aqui foi indicado ao prêmio de melhor filme em língua estrangeira e Fernanda Torres está na lista de melhor atriz.  O resultado sai em 27 de fevereiro.  O filme recebeu premiações e indicações em outros festivais e associações e está bem cotado em matérias de importantes veículos dos Estados Unidos, como a Variety. (Ex.: 1 - 2).  A minha percepção da coisa é a seguinte:

O filme tem grandes chances de ser indicado ao Oscar e as possibilidades de Fernanda Torres aumentaram com o Globo de Ouro, no entanto, essa aclamação de setores da imprensa norte-americana e de alguns festivais, não anula a campanha bem sucedida da Netflix por Emilia Perez.  Só que há algo importante ocorrendo, grandes influenciadores mexicanos estão fazendo campanha contra o controverso filme francês.  Como o diretor, que disse que não precisava pesquisar sobre o México do que já sabia para fazer seu filme, o que pegou muito mal, agora, ele veio a público se desculpar com os mexicanos (*ING. -  PORT.*).  Acredito que ele sentiu que, talvez, somente talvez, a campanha da Netflix pode não ser suficiente.

O que o povo não pode esquecer é que a disputa não é Emilia Perez x Ainda Estou Aqui.  No BAFTA, temos Tudo que imaginamos como luzA Semente do Fruto Sagrado, candidatos muito fortes e que podem tranquilamente levar o prêmio se Emilia Perez perder sua força.  E, no caso do Oscar, temos ainda uma situação curiosa, Tudo que imaginamos como luz, rejeitado pelo comitê da Índia, não pode entrar na categoria filme internacional, mas há quem acredite que Flow, que ganhou o Globo de Ouro em melhor animação, possa aparecer nessa categoria e em animação, também.  Não seria inédito na história do Oscar e Fçow foi indicado nas duas categorias no Critics Choice Awards deste ano.  É preciso prestar atenção nessas coisas e colocar os pés no chão.  

Concluindo, dentro da campanha de Ainda Estou Aqui nos Estados Unidos, Fernanda Torres foi ao programa de Jimmy Kimmel, um dos mais importantes do país.  Vi a entrevista e achei OK.  Ela está disponível com legendas em português, inclusive.  Acho que o apresentador esperava uma atriz sisuda, afinal, ela está brilhando por um filme dramático e quem estava lá era a Fernanda humorista.  E foi divertido e está fazendo sucesso, a despeito da reação exagerada (*e mal educada*) de alguns brasileiros.  Enfim, as indicações ao Oscar chegam já, vamos ver como o filme se sai.

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Atualização do caso das Luminárias (tori) da Rua dos Aflitos, Afroturismo e Reparação Histórica

Encontrei uma matéria no G1 melhor que esta da Folha de São Paulo falando da retirada das luminárias (tori) da rua dos Aflitos, no Bairro da Liberdade. No fundo da rua, fica a Capela dos Aflitos e encontrei uma foto antiga do lugar, não tenho a data. Ela fala de Afroturismo, que é o turismo de rua com grupos guiados focado exclusivamente nos lugares importantes para a história dos negros e negras.  Há Afroturismo em várias capitais brasileiras, além do turismo de rua comum, mas, no caso de São Paulo, existe um projeto do governo do estado que visa promover rotas em várias cidades paulistas.  

A retirada dos tori, as luminárias, e eu não vejo como correto, não mudei de ideia, faz parte do projeto de revitalização chamado "Ruas Abertas Liberdade".   É projeto do Município de São Paulo, não é da iniciativa privada.  Assim como não é da iniciativa privada o Memorial que se pretende construir atrás da Capela dos Aflitos, onde era o antigo cemitério dos escravizados.  Aliás, segundo matéria da Veja de um ano atrás, a verba, que é de 4 milhões de reais, já está garantida e é estadual.  Vejam bem, um ano se passou e o que foi feito?  Somente a retirada das luminárias.

A História de uma cidade, de um bairro, de um país, é complexa e dinâmica.  Ela é feita em camadas.  O apagamento dos negros e indígenas precisa ser questionado, porém a ideia de reparação histórica que vi nos comentários de algumas pessoas, parece mirar a comunidade japonesa, que não escravizou, matou, ou apagou essa história negra local.  Há racismos, criou-se a ideia de que a Liberdade é o bairro japonês, ou oriental, o que seria mais correto hoje, mas a reparação histórica, e eu não gosto desse termo, não é responsabilidade do japoneses e seus descendentes, não é culpa dos tori, mas responsabilidade do ESTADO e SEUS AGENTES, que tentaram construir uma cidade negando suas raízes negras.  E os japoneses no Brasil sofreram um tanto por causa do racismo, por causa da 2ª Guerra, não é uma história fácil, também.

Aliás, se a Lei Feijó (1831), que proibia o tráfico, tivesse sido cumprida, se o Estado não fosse conivente, a escravidão teria terminado muito antes e milhares de pessoas não teriam sido feitas escravas, quando deveriam ser livres, tampouco seus filhos e filhas, netos e netas.  Tivemos que fazer uma segunda lei proibindo o tráfico negreiro, a Eusébio de Queirós (1850), e ainda uma outra, a Lei Nabuco de Araújo (1854), prevendo sanções para as autoridades que encobrissem o contrabando de escravos. 

Enfim, eu sou historiadora e não gosto de ficar brincando de palavras de ordem e discurso fácil por aí.  Tenho mais o que fazer e estou velha para isso, não tenho mais meus vinte anos.  Agora, quem quiser ficar atrás da história verdadeira do Bairro da Liberdade, como se as outras fossem falsas e não fruto de disputas e camadas, que corra atrás desse engodo.  Espero não ter que voltar a isso e desejo que o memorial fique pronto logo e a rua dos Aflitos seja revitalizada.  O vídeo do G1 está abaixo:

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Luminárias japonesas são retiradas de rua na Liberdade a pedido de movimento negro e indígena


Eu gosto muito do Bairro da Liberdade.  Passei minha lua de mel lá, em 2001, voltei várias vezes.  Conheço por alto a história do bairro da Liberdade, essa rua, a da Capela de Nossa Senhora dos Aflitos, é, também, a de uma das entradas do hotel Issei, a principal é na Rua da Glória.  Agora, teremos postes de LED.  A matéria da Folha de São Paulo trouxe várias falas, vou transcrevê-las aqui: 

""Não somos contra a memória japonesa, mas as luminárias não têm a ver com o prédio histórico", diz Eliz Alves, 60, coordenadora da Unamca. "Não é luxo nosso, é preciso que a cidade tenha sensibilidade com um patrimônio de 245 anos."  "O que São Paulo busca apagar está guardado ali", afirma Alves sobre o beco que é tomado por caminhões, vans e motos que abastecem estoques de lojas na região. "A rua é uma doca, não conseguimos nem abrir o portão da capela", completa ela."

"A Prefeitura de São Paulo afirma, em nota, que a decisão respeita a diversidade cultural e histórica da cidade. "As lanternas, que remetem à imigração japonesa, foram consideradas inadequadas para o local, uma vez que o Beco dos Aflitos abriga a Capela de Nossa Senhora dos Aflitos, um marco histórico da época da escravidão no Brasil."(...) "As lanternas suzuranto foram mantidas no restante do bairro, preservando a herança da imigração japonesa.""

"Nas redes sociais, perfis se posicionam contra a substituição das luzes. "Apoiamos a cultura negra, mas não acreditamos em derrubar uma cultura para impor outra. Esse não é o melhor caminho", publicou a página Minha Liba, que tem 35 mil seguidores."

""Achamos uma falta de respeito com todo o trabalho que os orientais tiveram para construir o bairro. A igreja é um patrimônio histórico do nosso bairro, mas as suzurantos também são", conclui a publicação, curtida pela Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade)."

"Para o arquiteto Silvio Oksman, a Liberdade concentra uma somatória de camadas histórias, assim como o bairro do Bom Retiro.  "Essas disputas na cidade são saudáveis", diz Oksman, 52, coordenador do curso de arquitetura e urbanismo do Ibmec-SP. "É absolutamente legítimo ter um grupo organizado reivindicando sua memória, temos que ouvi-los, assim como temos que ouvir a comunidade japonesa que também reconhece ali seu território."  Segundo ele, essa é uma questão que não existia há 20 anos na cidade. "É um bom debate, que mostra que evoluímos como sociedade", diz ele."

De minha parte, considero realmente triste a retirada dos postes.  Sei que há disputa, há apagamento da presença negra, mas será que retirar os postes, negando uma das presenças mais importantes do bairro da Liberdade ajuda em alguma coisa?  Há camadas várias histórias que se entrelaçam no bairro, são camadas de memórias, há disputas.

Rebatizar a estação de metrô de Japão-Liberdade é um erro, mas retirar os postes me parece outro erro.  O Bairro da Liberdade assim se chamava antes da chegada dos japoneses e seus descendentes.  Seu nome está ligado ao castigo e resistência dos negros.  Em 2023, a Praça da Liberdade foi rebatizada de “Liberdade África-Japão”, tentando deixar clara a múltipla origem do lugar.  E isso é importante.

Inaugurar, em 2022, a estátua de Deolinda Madre, também conhecida como Madrinha Eunice, fundadora de uma das primeiras escolas de samba de São Paulo, a Lavapés, foi um avanço.  Acredito que exista os espaço para as duas heranças, ou mais até, porque quem visita a Liberdade hoje, percebe outras presenças lá, como a dos chineses.  Enfim, só queria comentar a matéria e deixar o registro do ocorrido.

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Último volume de Sexy Tanaka-san é lançado no Japão

O volume #8 de Sexy Tanaka-san (セクシー田中さん) finalmente foi publicado no Japão, meses depois da trágica morte de sua autora.  O último volume tem 4 páginas coloridas e o one-shot Winter Fool lançado em 2016. Para quem não conhece a série, o começo do mangá é o seguinte:

Akari, uma funcionária de escritório de 23 anos, está procurando um futuro marido com quem possa ter uma vida de casada estável e "normal". No escritório, Akari acaba se interessando por sua colega de trabalho de 40 anos, Tanaka-san, uma mulher de mais de 40 anos, muito competente, mas que é apagada e desinteressante. Só que Akari suspeita que Tanaka-san esconde alguma coisa. E esse algo é a dança do ventre! Quando ela descobre o segredo de Tanaka-san, Akari se torna fã dessa mulher mais velha, estóica, mas sexy. À medida que uma amizade floresce entre elas, duas mulheres correm atrás de seus sonhos e do amor.

A série, que foi publicada na Ane-Petit, recebeu uma adaptação para dorama no ano passado e esteve no centro de uma tragédia que resultou na morte de sua autora, Hinako Ashihara, conhecida no Brasil pelo excelente mangá Sunadokei (砂時計).  Uma sequência de mal-entendidos com a produção da adaptação para a TV, resultaram no agravamento do estado mental da autora (*que eu desconfio que envolva não somente uma severa depressão*) e ela cometeu suicídio aos 50 anos.  

Segundo revelado posteriormente em uma investigação feita pela NTV, a condição estabelecida por Ashihara, isto é, que a adaptação deveria ser fiel ao seu mangá e que ela teria o direito de opinar sobre a produção NUNCA foi transmitida de forma adequada pelos representantes da Shogakukan, que faziam a ponte entre a artista e a produção da NTV.  Quando a autora expressou sua insatisfação com o que estava acontecendo na adaptação, ela acabou desencadeando uma reação nas redes sociais por parte da roteirista da série.  A autora, que certamente já estava mal, desculpou-se publicamente, fechou seu blog e desapareceu, sendo encontrada dias depois.

A Shogakukan, ao que parece, nunca se responsabilizou por não ter passado as condições da autora para a produção da NTV.  Já a rede de televisão criou uma série de diretrizes que devem ser colocadas em ação durante a pré-produção, inclusive o compromisso do máximo de fidelidade com o original e o diálogo com o autor do mangá, assim como o cuidado com o uso das redes sociais.  

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Algumas palavras tardias e, talvez, desnecessárias sobre o caso Sílvio Almeida

Desde o fim da semana passada estou devendo algumas palavras sobre o caso do (ex) ministro dos Direitos Humanos Sílvio Almeida, as acusações de importunação e/ou assédio sexual, inclusive contra sua colega da pasta de Igualdade Racial, Anielle Franco. Começo afirmando, como vários analistas bem apontaram, que não importa quem está falando a verdade, pois todo mundo vai sair perdendo.  Se Almeida for inocente, como ele mesmo afirma, trata-se de uma torrente de acusações falsas de assédio feitas por mulheres através da ONG Me Too Brasil.  Se verdade for, o maior intelectual brasileiro negro de nosso tempo (e isso ninguém poderá tirar dele) confirma nas suas práticas que, assim como é estrutural o racismo, o machismo também é estrutural.  E há um possível agravante, se as denúncias são antigas e os responsáveis por investigar dentro do governo federal não o fizeram, fica claro que se colocou a política antes da proteção das (supostas) vítimas.

Vou fazer o histórico da minha reação quando vieram as denúncias, algo que explica a minha demora em comentar, ainda que não a justifique.  Primeiro, fiquei perplexa.  Sílvio Almeida, que se afirmou inocente e se recusou a pedir demissão, não me parecia ter um perfil de assediador.  Segundo, quando o nome de Anielle Franco apareceu na história e, antes disso, a foto com Janja começou a circular, fiquei irritada com a atitude da ministra.  Ora, ela não está em posição inferior a de Almeida para temer retaliações, ela também é ministra, por qual motivo optou pelo silêncio?  Minhas duas reações iniciais são absolutamente equivocadas e conforme a minha perplexidade e irritação foram baixando e sendo alimentadas por mais informação, consegui colocar as minhas ideias nos lugares.

Vamos lá, não existe essa coisa de perfil de assediador ou importunador sexual.  Em uma sociedade patriarcal, a ideia de que homens podem (e até devem) assediar mulheres é quase inerente ao modelo hegemônico de masculinidade.  O assediador não precisa ser um indivíduo agressivo, bronco, ou um desconhecido em um beco escuro.  O importunador sexual pode ser qualquer um que tenha uma mulher ao alcance de sua mão.  O importante é que o assediador é um sujeito que tem um padrão de comportamento.  Seja descarado ou discreto, normalmente, é possível identificar um modus operandi.  

Agora, quando se trata de um assediador, é preciso que ele esteja em posição hierarquicamente superior a da vítima, por exemplo, um chefe ou professor.  Não sei se a lei prevê isso, mas eu diria que a superioridade pode ser somente simbólica mesmo, alguém com ascendência espiritual, emocional ou religiosa.  Algumas das denúncias que já estão aparecendo contra Almeida são de ex-alunas na Faculdade São Judas (*Veja - ICL*).  Elas sugerem coerção e troca de favores.  Sim, é coisa muito feia e que eu me lembro de ocorrer com pessoas conhecidas nos tempos em que eu estava na faculdade.  Normalmente, o professor era alguém que podia abrir, ou fechar portas, caso desejasse.

Ao longo da semana, e já se passaram mais de sete dias, o caso Anielle parece estar migrando do nicho de importunação sexual para assédio mesmo, porque, como foi noticiado pelo portal Metrópoles, a pasta da Igualdade Racial dependia diretamente do ministério de Silvio Almeida por falta de autonomia orçamentária.  Sim, temos mais essa questão se apresentando. Anielle Franco diz ter se calado, porque queria poupar a família, mas, acredito, que outras questões estavam na mesa.  Também o Metrópoles trouxe o depoimento do sociólogo Leonardo Pinho, ex-diretor do Ministério dos Direitos Humanos, que teria sofrido assédio moral e ameaças de Almeida nos meses que se seguiram a uma reunião na qual  citou que ouvira reclamações sobre a relação ruim entre o ex-ministro e a titular da pasta da Igualdade Racial.  Ainda é difícil imaginar um Sílvio Almeida transtornado e vociferando, mas é o que relata o depoimento de Leonardo Pinho.

Estou queimando Sílvio Almeida na fogueira?  Não.  Investigue-se tudo.  Agora, os raros casos de acusações mentirosas de assédio do qual estou inteirada, porque ocorreram no meu trabalho, com gente que eu conheço, eram casos isolados acusações levianas contra homens que estavam cumprindo com suas funções, ou simplesmente estavam lá e se tornaram alvo.  Foram acusações que  apareceram porque uma aluna se sentiu, sim, assediada, ou por mera instrumentalização dos discursos feministas ou por mero pânico moral.  Todas terminaram sendo desmontadas, mas o dano estava feito, porque antes de provada a inocência,  o sujeito é afastado do trabalho e, se professor, seu nome cai  na boca do povo.

O fato é que quem acusa precisa oferecer provas.  O problema é que, em casos como assédio, a coisa é mais delicada, trata-se de algo difícil de provar e o desgaste da vítima pode ser enorme.  Há o medo, a vergonha, a ideia de culpa (*o que você fez para merecer isso?  você provocou?*), às vezes, as vítimas não conseguiram discernir com clareza a situação que viveram, precisaram de tempo para compreender o que lhes tinha acontecido, por isso mesmo, a demora por denunciar pode ser de vários anos, especialmente, quando falamos de crianças e adolescentes.  O que não é o caso de nenhuma das supostas vítimas de Almeida.  “Quem vai acreditar em mim?.  "Como vou provar?" E quando o agressor é um homem poderoso, importante, acima de qualquer suspeita, a coisa se torna pior.  Vamos falar de Anielle então.

Como já pontuei, não recebi bem a informação de que Anielle Franco tinha sofrido importunação ou assédio sexual sexual e se calado.  Quando seu nome foi ventilado, ficamos sabendo que o abuso ocorrera meses atrás e que, segundo consta, ela optara por se calar pelo bem da família e, talvez, do governo.  Não gosto do argumento, embora entenda a posição dela.  Além disso, vai saber que tipo de pressão ela pode ter sofrido.

O fato é que quando um homem branco-hetero-cis-rico-extremista de direita comete um ato criminoso, ela é um indivíduo, nunca é uma questão coletiva, quando se trata de um membro de uma minoria política (*negros, mulheres, LGBTQIAPN+ etc.*) é como se eles fossem representativos de toda a coletividade.  Sílvio Almeida passa a ser visto como um desserviço a TODOS os negros e negras do Brasil, especialmente, aqueles que militam por causas sociais.  Sabe, a culpa e a responsabilidade passam a ser coletivas.

O caso todo, aliás, me fez lembrar da biografia em quadrinhos de Rosa Luxemburgo  (1871-1919.  Leo Jogiches (1867-1919), que foi companheiro da grande intelectual e militante política socialista, era violento com ela, era ciumento e não aceitou o fim de seu relacionamento.  Rosa Luxemburgo se calou para preservar Jogiches, afinal, ele era companheiro de partido e essas questões - a violência que ela sofria - eram menores diante do partido e da revolução.  Tão pequenas eram, que elas só aparecem em destaque em uma obra em quadrinhos escrita por uma mulher feminista, coisa que a própria Luxemburgo não afirmava ser.

Será que Anielle Franco não colocou na balança o dano ao movimento negro, mais ainda que ao governo Lula?  Não sei, ela é a única que pode dizer.  O fato é que não seria incomum sacrificar os direitos das mulheres, seu bem estar, em prol de causas maiores.  Sei... Conforme os dias correm, aparecem mais e mais provas.  Mesmo que o Me Too precise se explicar sobre a questão das licitações junto ao Ministério dos Direitos Humanos quando já tinha denúncias contra Almeida, o fato é que as evidências contra o ex-ministro parecem se avolumar.

Repito, não existe perfil de abusador.  Da mesma maneira que o racismo é estrutural, o machismo e a misoginia também são.  O fato de um homem ser muito consciente dos problemas sociais, um militante contra o racismo, não o torna menos assujeitado aos padrões de comportamento tóxicos em relação às mulheres.  Agora, o fato dele ser esse tipo de sujeito pode inibir denúncias e tornar mais frágil ainda a palavra das vítimas.  Olha eu aqui cheia de dedos a uma semana para comentar esse caso?

Além disso, o exercício do poder é algo que pode inebriar e fazer com que pessoas se comportem de formas muito condenáveis.  Foi o caso aqui?  Não sei.  O presidente Lula fez o certo ao demitir Almeida, já que o próprio nãos e retirou de cena, no entanto, não sabemos se as denúncias já eram sabidas por ele.  Há quem critique a primeira dama, Janja, por ter se posicionado ao postar a foto com Anielle.  Bem, não vejo erro nela, errado foi Sílvio Almeida usar a máquina do ministério para se defender.  Algo que, supostamente, teria irritado Lula.

Não sei se o texto, que estou martelando faz dias, acrescentou alguma coisa.  Como pontuei no primeiro parágrafo, não há vencedores aqui.  Inocentado Sílvio Almeida, abrimos franco para ataques aos direitos das mulheres e que sua fala seja respeitada, se culpado ele for, evidenciasse que mesmo um sujeito tão preparado e aparentemente tão consciente das discriminações pode se comportar da pior forma possível com as mulheres  e seus subordinados.  Todo o caso é para se lamentar, mas nunca, nunca mesmo, para se jogar para baixo do tapete.