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domingo, 14 de junho de 2026

💙 Falando de grandes shoujo mangá que chegaram aos 50 anos 💙

A década de 1970 é considerada um momento de experimentação dentro do shoujo mangá. Novas propostas conviviam com o que era considerado tradicional dentro da demografia que, agora, era cada vez mais dominada por autoras mulheres. Os anos de 1975 e 1976 foram particularmente felizes, pois viram nascer mangás que continuam sendo vistos como importantes, inesquecíveis, alguns até divisores de águas no shoujo mangá. O programa de hoje é sobre alguns desses mangás inesquecíveis que, assim como eu, chegaram aos seus 50 anos.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Swan, o mais lindo de todos os mangás de Balé, terá peça teatral no Japão

 

Swan: Hakuchou (スワン 白鳥), de Kyoko Ariyoshi, é mais um shoujo mangá que está completando 50 anos, que não tem anime, e que, agora, terá uma peça de teatro comemorativa.  No Comic Natalie, é dito que a peça mistura balé e leitura.  Imagino que algumas partes mais importantes do mangá, 21 volumes, serão encenadas e lidas.  Não sei o que imaginar fora disso.  Vou reproduzir o que está no CN:

"O roteiro e a direção serão de Kaori Kobayashi, e a supervisão e coreografia do balé ficarão a cargo de Keigo Fukuda. O elenco da leitura dramatizada já foi definido, com Hiroe Igeta como o protagonista Masumi Hijiri , Eri Murakawa como Sayoko Kyogoku , Keisuke Higashi como Hisho Kusakabe , Ryo Nishino como Aoi Yanagisawa e Seiji Fukushi como Alexei Sergeyev . O elenco do balé também foi anunciado." 

Kyoko Ariyoshi fez uma ilustração reproduzindo o cartaz que traz Igeta como a protagonista da série Masumi Hijiri.  A peça estará em cartaz de 4 de setembro (sexta-feira) a 9 de setembro (quarta-feira) de 2026, no Novo Teatro Nacional de Tokyo.  Para quem não conhece Swan, trata-se de uma série com estrutura de mangá de esporte, porque balé, teatro, tudo recebe tratamento de esporte mesmo e foi publicada na revista Margaret.   Segue o resumo inicial, porque há MUITAS reviravoltas na história:

"Masumi Hijiri é uma estudante de balé de 16 anos que frequenta uma pequena escola no Japão. Quando inesperadamente recebe um convite para participar de uma competição especial de balé e, posteriormente, é admitida em uma renomada academia de balé, ela embarca em uma grande aventura de amizade e desafios. Sendo a mais frágil entre as alunas, ela enfrenta diversas dificuldades, mas sua determinação e fé em si mesma a ajudam a navegar pelo implacável mundo do balé."  Swan começou a ser lançado nos EUA, mas foi cancelado.  Tenho os volumes que saíram por lá.

Peça teatral na Alemanha junta Doctor WHO e a Rosa de Versalhes

O Dokomi é o maior festival da Alemanha dedicado a anime, mangá, jogos, cosplay, J-pop e cultura japonesa.  É realizado anualmente em Düsseldorf desde 2009, inicialmente por dois dias, e desde 2023 por três dias.   Uma das atrações deste ano é uma peça crossover de DOCTOR WHO com a Rosa de Versalhes.  Sim, é isso mesmo!  Para quem estiver interessado em saber qual a proposta, o conteúdo do post do evento está abaixo:

"🎭 Apresentando o espetáculo: “Doctor Who - A Rosa de Versalhes”

Um Senhor do Tempo errante, um comandante em conflito e uma revolução à beira do caos.

Quando a TARDIS aterrissa na França do século XVIII, o Doutor e Donna encontram não apenas ideais revolucionários, mas também Lady Oscar, dividida entre o dever e a emoção. Linhas temporais começam a ruir, a própria realidade está em jogo e dois seres misteriosos intervêm no destino da França com poder divino.

Vivencie o musical crossover único da Serenata, com vocais ao vivo poderosos, figurinos deslumbrantes e coreografias cativantes. Uma história repleta de drama, suspense e emoção, com espaço para risadas atrás de elegantes leques. 🎶✨

📍 Palco Preto
🗓️ Sábado
🕦 12:00"

terça-feira, 26 de maio de 2026

Vários eventos marcam os trinta anos da morte de Jun Mihara


O livro Soo Tokushuu Mihara Jun Zouho-ban ― Omoi Afure, Monogatari wa Tsudzuku ― (総特集 三原順 増補版 ―想いあふれ、物語は続く―), em português algo como Edição especial: Jun Mihara  Edição Expandida - Repleta de emoção, a história continua ―, será lançado em 26 de junho no Japão, como uma forma de celebrar a obra de Jun Mihara, mangá-ka muito importante e que faleceu em 1995 por causa de problemas cardíacos.  A autora tem uma obra extensa, mas é conhecida principalmente por sua obra Hamidashikko (はみだしっ子), sobre  um grupo de crianças que ninguém queria.  


Este volume é uma versão expandida de Bungei Bessatsu Mihara Jun (文藝別冊 三原順), publicada em 2015, com 48 páginas adicionais. Inclui a primeira publicação de um manuscrito desenhado pouco antes da criação da série Hamidashikko, apresentado como um "manuscrito fantasma".  Além de novas contribuições de Akiko Monden, Keiko Nishi e Nami Nami Sasou, também inclui muitas de suas ilustrações coloridas características. Uma nova Mesa Redonda do 30º Aniversário da Morte de Jun Mihara também estará nessa publicação.


No mesmo dia do lançamento da Edição Especial: Jun Mihara, também será lançada a Mihara Jun Special Box (Edição Limitada) (三原順スペシャルBOX ). A caixa incluirá a versão completa de 64 páginas dos "manuscritos fantasmas", e ambos os livros serão acondicionados em uma bela caixa.   Além disso, de 26 de junho a 14 de julho, a Exposição de Obras Originais de Jun Mihara ~Sonho~ (Mihara Jun Genga-ten ~ Yume o Goran ~/三原順 原画展 ~夢をごらん~) será realizada no Centro Cultural Morishita, no bairro de Koto, em Tóquio. No dia 13 de julho, como evento relacionado, haverá um bate-papo com Sasou e Sakai Miwa intitulado O Mundo de Jun Mihara~Sasao Nami e Sakai Miwa falam sobre 'Outcast' pela primeira vez!~ (Mihara Jun no Sekai ~ Sasou Nami Sakai Miwa Hajimete Kataru “Hamidashi” Touku/三原順の世界 ~笹生那実・酒井美羽 初めて語る『はみだし』トーク!~). E de 17 a 27 de julho, a Exposição de Obras Originais de Jun Mihara ~50º Aniversário de LaLa~ estará em cartaz na Galeria de Arte Span.  As informações vieram do Comic Natalie.

Sazae-san é lançada pela primeira vez em formato digital no Japão

Sazae-san (サザエさん) é uma instituição no Japão, o clássico de Machiko Hasegawa estreou em 22 de abril de 1946 no  jornal Fukuchi (Fukuchi Newspaper Company) e 80 anos depois continua sendo um grande sucesso.  Seu anime está no ar até hoje, temos especiais, produtos e tudo mais que se possa imaginar.  Quando Sazae-sanestreou, a protagonista era uma adolescente vivendo o drama do pós-guerra, mas ela se casou e sua família se tornou um modelo para as camadas médias da Era Showa (1926-1989).  Deveria ter publicado esse post em 22 de abril.

A edição original, publicada pela Shimaisha, editora fundada por Hasegawa e sua irmã Mariko, foi reimpressa e disponibilizada como e-book. Sazae-san também inclui datas de publicação no jornal e explicações da terminologia da época, que não estavam presentes na edição original, tornando-se um documento cultural valioso que oferece uma visão das condições sociais daquele período. Um novo e-book de Sazae-san será lançado todas as quartas-feiras, segundo o Comic Natalie.  A partir de 22 de abril, os volumes 1 a 16 de Sazae-san e todos os volumes de Ijiwaru Baasan (いじわるばあさん), outra das séries de Machiko Hasegawa, estão disponíveis para download.

Animação da Netflix revisitará A Princesa e o Cavaleiro de Osamu Tezuka: a estreia é em agosto

O longa-metragem de animação "THE RIBBON HERO", baseado em "A Princesa e o Cavaleiro" (Ribon no Kishi/リボンの騎士) de Osamu Tezuka , será transmitido exclusivamente pela Netflix em agosto de 2026. Estou com essa notícia do Comic Natalie aberta aqui faz tempo.  Só que hoje saiu um vídeo promocional do longa-metragem.  A primeira imagem promocional, desenhada pelo designer de personagens Kei Mochizuki, apresenta a protagonista, uma jovem garota. Seu marcante laço vermelho remete ao clássico "A Princesa e o Cavaleiro" e o slogan, "Eu não quero ser a pessoa que os outros querem que eu seja", sugere as lutas da garota e sua determinação em resistir às expectativas de gênero daqueles que estão ao seu redor e escolher ser ela mesma. 

Esses sentimentos se transformarão em uma espada.

Hoje, o CN trouxe novas  imagens e um vídeo promocional do filme.  Coisa pequena ainda, certamente, outros virão.  A menina de cabelo preto é Saphire, não sei até que ponto ela é a mesma da "Princesa e o Cavaleiro", a princesa com dois corações, um de menino e outro de menina, ou uma personagem totalmente diferente.  Aguardemos mais detalhes.  O vídeo está abaixo: 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Um "monstro de ação e espionagem" disfarçado de mangá shojo (Artigo Traduzido): Eroica yori Ai wo Komete também está completando Cinquenta Anos


Tropecei nesse artigo por acaso.  É uma coluna fixa nesse site japonês Anime! Anime! sobre mangás que mereciam ter um anime.  Não acredito que Eroica Yori Ai wo Komete (エロイカより愛をこめて), que também está completando cinquenta anos, vai ser animado, mas, nos nossos dias felizes de fã de shoujo e josei, quem sabe?  Agora, apesar de ser um artigo elogioso, porque ele é, se esforça muito para dizer que é  um shoujo que não parece shoujo.  É até engraçada a insistência em dizer que não é um romance.  Aliás, o Pro-Shojo Spain repostou uma fala de uma mangá-ka, que é meio especializada em ficção científica, reclamando que sempre que um shoujo é elogiado, mesmo no Japão, sempre vão ressaltar o "é espetacular, apesar de ser shoujo" ou "é muito brilhante para ser um shoujo" e por aí vai.  Enfim, o original está aqui.  Ah, sim!  O autor ou autora do texto se pergunta o motivo do traço hiperrealista na capa de um dos mangás de Yasuko Aoike.  Bem, algumas reedições bunko de mangás antigos dela, inclusive Eroica tinham capas com um traço assim.


Um "monstro de ação e espionagem" disfarçado de mangá shojo. Os últimos 50 anos mudaram com "Eroica yori Ai wo Komete", que vendeu mais de 10 milhões de cópias — razões pelas quais aguardamos ansiosamente sua adaptação para anime. [Recommended Manga Notebook]

A obra-prima de Yasuko Aoike, "Eroica yori Ai wo Komete", publicada desde 1976, é um mangá shojo com mais de 10 milhões de cópias vendidas. Seu apelo reside na intensa ação de espionagem entre o ladrão de obras de arte Eroica e o Major espião da OTAN em seu mundo denso ligado à Guerra Fria e em seu relacionamento requintadamente interminável.


A equipe editorial da "Anime! Anime!", apaixonada por anime e mangá, apresenta uma série chamada "Caderno de Mangás Recomendados", onde recomendam mangás que ainda não foram adaptados para anime, mas que eles realmente querem que você leia.

Desta vez, apresentamos a obra-prima "Eroica yori Ai o Komete", de Yasuko Aoki, que começou a ser publicada em 1976 na revista "Bessatsu Viva Princess" da Akita Shoten. A série durou um longo período, passando também por revistas como "Monthly Princess" e "Princess GOLD", e totalizou 39 volumes (23 em brochura), com uma tiragem acumulada de mais de 10 milhões de exemplares!

A obra cativou inúmeros leitores e se consagrou como um marco brilhante na história do mangá shojo. Continua sendo amada por muitos fãs até hoje, uma verdadeira lenda.

No início da série. Como a série durou quase meio século, a arte mostra algumas mudanças. O Major foi ficando cada vez mais forte.
A história gira em torno de dois personagens principais: o protagonista é Eroica, um distinto aristocrata britânico e um magistral ladrão de obras de arte que opera em todo o mundo; e o outro protagonista é o Major Eberbach, também conhecido como "Klaus de Ferro", um espião frio e calculista da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), responsável pela defesa dos países ocidentais.

A história acompanha um "ladrão de arte" e um "espião obstinado que prioriza sua missão acima de tudo", duas pessoas que normalmente jamais se cruzariam, mas que, de alguma forma, continuam se encontrando aonde quer que vão. Às vezes, eles se desentendem, outras vezes cooperam (a contragosto) e se envolvem em uma comoção global que envolve várias agências de inteligência, incluindo o agente da KGB Misha, o filhote de urso.

Mas aqui está a parte incrível. Embora a série tenha começado como uma comédia sobrenatural sobre um ladrão brilhante, o impacto após a aparição do Major foi inesquecível! Eu estava lendo um "shoujo mangá", mas, antes que eu percebesse, uma história complexa se desenrolou, como algo saído de um filme de espionagem de Hollywood!

Escutas, infiltração, decifração de códigos e tensas manobras internacionais... Isso não é uma paródia; é uma história de ação de espionagem completamente "real". O simples fato de ter sido publicada em uma revista shoujo é, na minha opinião, uma inovação incrível, quase anacrônica.

É uma história de espionagem e ação do início ao fim, jamais confinada ao típico gênero de "romance de mangá para garotas"! Esse é o maior charme desta obra, e é incrível como ela estava muito à frente de seu tempo.
"Uso este estojo há mais de 40 anos. Desde o ensino médio. Sempre achei que o substituiria quando quebrasse, mas ele ainda está firme e forte, e continuo usando mesmo agora que sou diretor de anime. É mais novo que minha panela de arroz obscura... ou talvez da mesma idade?!"

É claro que não é só a ação de espionagem que impressiona. O mundo de *Eroica*, especialmente a descrição dos locais, é verdadeiramente de tirar o fôlego!

Em Berlim, a tensão e o peso da história estão em primeiro plano.  Em instalações militares, a disciplina e a impessoalidade reinam absolutas.  As cidades ocidentais são descontraídas, mas essa despreocupação é inquietante.  No Leste, há uma constante sensação de vigilância.  No sul da Europa e no Oriente Médio, o calor e a densidade da vida se tornam a própria história.

As charmosas ruas de paralelepípedos da Europa, a tensão palpável dos sofisticados países ocidentais e a atmosfera opressiva dos países orientais, onde a vigilância está sempre em alerta máximo... Nada disso é mero "pano de fundo". Só de virar as páginas, você se sente como se estivesse realmente "vivendo" nesses lugares.

Além disso, a cada mudança de cenário, não se trata apenas de "mudar de localização". Quando o país muda, toda a "atmosfera" que emana das páginas se transforma completamente. Cada paisagem urbana, a aparência de cada edifício desempenha um "papel" na história. Os personagens são completamente dominados pela atmosfera daquele país, e o leitor é transportado para aquele mundo junto com eles... Você ficará cativado pela densidade avassaladora da visão de mundo, algo que raramente se experimenta em mangás comuns.

Aliás, sou um grande fã da Áustria, então "Nº 14: A Valsa do Imperador" me encantou. A Ópera de Viena, a tão desejada cidade de Innsbruck, as conversas sobre os bastidores do filme musical "A Noviça Rebelde" — tudo foi tão delicioso. O Major até mencionou logo no início que tinha sangue Habsburgo.

O Museu do Palácio Hofburg em Innsbruck, onde o Major travou uma feroz batalha com um agente da CIA no terraço.

◆KGB e OTAN… Uma “Escala Extraordinária” Totalmente Ligada à História Real

E aqui está algo que absolutamente não pode ser ignorado! Esta obra não usa o “mundo” apenas como um mero cenário ficcional. A série começou em 1976, bem no meio da “Guerra Fria Oriente-Ocidente”. Era uma época em que a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), à ​​qual o Major pertencia, e a KGB do Bloco Oriental estavam em conflito (é claro que o serviço de inteligência britânico MI6 também estava envolvido).

A história incorpora diretamente as mudanças na realidade da realidade internacional em tempo real! A queda do Muro de Berlim, o colapso turbulento da União Soviética e as mudanças no papel da OTAN e as novas questões internacionais após o fim da Guerra Fria… Espera aí, isso é mesmo um mangá shojo!? Ele retrata os eventos globais de forma tão vívida e realista que você poderia confundi-lo com um documentário sobre a história moderna!

É precisamente por estar ligada à história real que as representações da tensão no Ocidente e da sociedade de vigilância no Oriente não parecem mera fantasia, mas possuem um poder de persuasão avassalador. Essa "grande escala que evoluiu com o tempo" é também o que torna esta obra uma lenda.

Há também um spin-off com o subordinado do Major, o agente novato Z. Uma história séria de espionagem.

◆Absolutamente incontrolável dentro dos limites do "romance"! Eroica, o "Belo Desastre".  E Eroica! Eu simplesmente não me canso desse personagem.

Seu nome verdadeiro é Conde Dorian Red Gloria. Embora membro de uma distinta família nobre britânica, sua outra identidade é a de "Eroica", um mestre ladrão de obras de arte que opera no mundo todo! Com seus exuberantes cabelos loiros cacheados, aparência extravagante e, acima de tudo, sua motivação — simples: "Eu amo coisas belas". Mas essa simplicidade é incrivelmente profunda! Seu "amor" se torna viciante quanto mais você lê. Joias, obras de arte e homens bonitos — o senso estético de Eroica é único, e é isso que o torna tão fascinante. Em particular, seu "amor" pelo Major é uma emoção verdadeiramente única, difícil de descrever.

No entanto, os sentimentos de Eroica pelo Major claramente não são o que você chamaria de "amor romântico". Na verdade, ele se sente intensamente atraído pelo Major simplesmente porque ele é "interessante demais". Essa obsessão extraordinária é a própria fonte do charme de Eroica! Como os sentimentos dele pelo Major não se encaixam na estrutura existente do "romance", Eroica é uma personagem infinitamente fascinante.

E o conhecimento dele sobre arte é incrível! Ele fala com detalhes minuciosos impressionantes. Honestamente, uma parte significativa do meu conhecimento de história da arte vem deste mangá. Se eu não o tivesse lido, provavelmente nunca teria me deparado com pinturas como "O Julgamento de Páris", de Lucas Cranach.
"Edição Especial de Outubro da Mystery Bonita"
Bônus Premium: "De Eroica com Amor"
Em exibição no Museu de Arte da Cidade de Shimonoseki até 14 de outubro
"60º Aniversário da Artista de Mangá Yasuko Aoike: Contrail - O Brilho do Despertar"
Uma ilustração inédita criada para a exposição especial agora é um pôster especial!!

◆A emoção de ver um homem inabalável mergulhado no caos! O charme irresistível de "Klaus de Ferro"

Enquanto isso, temos o nosso "Klaus de Ferro", o Major. Seu nome verdadeiro é Major Klaus Heinz von dem Eberbach (só de pensar nisso já dá vontade de ler em voz alta!). Descendente da nobreza alemã, ele é um oficial linha-dura da inteligência da OTAN. Sempre impecavelmente vestido com um terno preto, ele é um homem que adere perfeitamente à "disciplina" e cumpre seus deveres com frieza.

Mas aqui está o ponto crucial. O próprio Major nunca vacila emocionalmente. Não importa o quão caótica seja a situação, ele mantém desesperadamente sua "perfeição", enquanto é lentamente desmantelado por fatores externos (embora talvez sua raiva em relação ao seu superior e subordinados seja emocional?).

Esse lado do Major é verdadeiramente irresistivelmente charmoso! O cenário de "um homem inabalável sendo jogado de um lado para o outro pelas circunstâncias" estranhamente se torna cativante da perspectiva do leitor. Por mais calmo, sereno ou leal que seja ao seu dever, o "desastre da liberdade excessiva" conhecido como Eroica o atinge, e o mundo que construiu desmorona em pedaços... O brilho absoluto desse colapso cativa o leitor por completo.

◆Nem amor, nem rivalidade. Um pântano sublime onde uma "relação sem nome" dura para sempre.

Existem também obras com dois personagens que parecem ser ancestrais do major e do conde. Mas por que a capa da edição de bolso foi desenhada nesse estilo?

E, acima de tudo, o maior encanto desta obra reside no fato de que a relação entre Eroica e o Major "nunca termina". Não é romance, nem amizade, nem simplesmente uma relação de rivalidade. Essa relação ambígua e em constante transformação permanece atemporal, mesmo depois de décadas, proporcionando continuamente aos leitores novas emoções e prazeres.

Em uma história típica, a relação converge em algum ponto, chegando a algum tipo de conclusão. Mas "Eroica yori Ai wo Komete" nunca dá um nome claro à relação, nem a encerra. Estamos destinados a sermos eternamente cativados por essa "relação sem fim".

◆Agora, em meio ao boom de histórias de espionagem! Por que eu quero pedir uma adaptação em anime de "Eroica"?

Então, se algum dia "Eroica yori Ai wo Komete" for adaptado para anime... eu, sem dúvida, aguardarei ansiosamente por esse momento! Com a incrível tecnologia de animação de hoje, só de imaginar como a intrincada ação de espionagem, o mundo profundo ligado à história real e a relação requintada entre Eroica e o Major ganhariam vida na tela... já dá vontade de vibrar!

O mundo dos animes está vivenciando um boom sem precedentes no gênero "espionagem". Com sucessos como "SPY×FAMILY" conquistando o país, uma adaptação em anime de "Eroica yori Ai wo Komete" certamente criaria uma sensação que transcenderia tendências e épocas! Não consigo deixar de sentir que uma obra-prima do anime, com uma profundidade sem precedentes, tecida com ação de espionagem intensa e personagens únicos, nasceria...

Exposições e outros eventos são realizados regularmente.

◆As Raízes das "Emoções Avassaladoras" Aqui!? Sua Influência Incalculável na Cultura Otaku Posterior.

Falando de uma perspectiva otaku, outra tremenda inovação de *Eroica* é a representação de um relacionamento que não se reduz ao romance. Acredito que isso seja uma ponte importante para as interpretações posteriores de BL (Boys' Love) e para o "bromance" tão apreciado pelos otakus modernos.

É claro que esta obra não retrata diretamente um relacionamento romântico entre dois homens. No entanto, o fato de o relacionamento entre Eroica e o Major não convergir facilmente para o romance, mas simplesmente "continuar" — essa requintada sensação de distância sem dúvida teve uma enorme influência na representação de "relacionamentos incertos" em mangás e animes posteriores.

Será que esse relacionamento milagroso construído entre Eroica e o Major se espalhará para o mundo dos animes no futuro? Pensar nisso é um dos prazeres irresistíveis de ser fã.

《cotonooto》

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Grande Exposição celebra a obra de Moto Hagio, Ryoko Yamagishi e Waki ​​Yamato

Não queria estar falando de tantas exposições esses dias, mas não poderia deixar de comentar esta, me desculpem.  De quarta-feira, 28 de outubro de 2026 a segunda-feira, 8 de fevereiro de 2027, a exposição Shoujo Manga Infinity: Moto Hagio x Ryoko Yamagishi x Waki ​​Yamato San'nin-Ten (少女漫画・インフィニティ 萩尾望都×山岸凉子×大和和紀 三人展/Shoujo Manga Infinity: Moto Hagio, Ryoko Yamagishi e Waki ​​​​Yamato, uma exposição de três pessoas) estará em cartaz no Centro Nacional de Arte de Tokyo.  Como o texto da página do evento ficou bonitinho, vou reproduzi-lo abaixo:

Esta exposição conjunta, que traça as carreiras artísticas de três grandes mestres do mangá shoujo — Moto Hagio, Ryoko Yamagishi e Waki ​​Yamato — será realizada para comemorar o 20º aniversário do Centro Nacional de Arte de Tokyo.

Hagio, Yamagishi e Yamato estrearam no final da década de 1960 e desempenharam um papel fundamental na "era de ouro do mangá shoujo" na década de 1970, expandindo enormemente as possibilidades de expressão. Desde então, eles continuaram a publicar obras com energia, tornando-se verdadeiramente "testemunhas de uma era", tendo acompanhado a história da exploração da diversidade de expressão.

Esta exposição revisita a trajetória criativa dos três artistas até o momento, por meio de desenhos originais de suas obras representativas e materiais valiosos, explorando as trajetórias de suas carreiras individuais e as fontes de sua criatividade.

Com o lançamento de O 11º Tripulante em nosso país, Hagio Moto finalmente está entre nós, mas Riyoko Yamagishi e Waki Yamato continuam inéditas, infelizmente.  

domingo, 19 de abril de 2026

Mangá adaptação de o Alquimista chega ao Brasil pela JBC

 

A JBC, que não podemos esquecer que é um selo da poderosa Cia das Letras, usou a Folha de São Paulo para anunciar o mangá de  O Alquimista, de Paulo Coelho.  Ele é parte da Kadokawa Masterpiece Comics e eu fiz post no Shoujo Café  quando ele foi anunciado no Japão, em 2024.  A FSP postou um resumo da obra: ""O Alquimista" acompanha Santiago, um jovem pastor que viaja ao Egito em busca de um tesouro antigo. Na jornada, ele conhece uma cigana, um autoproclamado rei e um alquimista, que o levam a questionar a sua própria vida.".  

Ainda segundo a matéria do jornal, há  um filme baseado no livro em produção e ele pode ser dirigido por Philip Barantini da premiada série Adolescência. Lançado em 1988, O Alquimista é o livro brasileiro mais traduzido do mundo, com tradução para 88 idiomas. Lembro que quando eu estava no colégio, meu professor de Literatura do 3º ano odiava Paulo Coelho, mas o fato é que o autor pode ser a porta  de entrada para o interesse estrangeiro pela literatura brasileira.  De resto, nunca li nada do autor e nem tenho interesse. ☺️

Adaptações de clássicos da literatura para mangá são coisa comum; alguns recebem várias adaptações de autores diferentes.  Little Women, por exemplo, já foi adaptado mais de uma vez.  Quando são livros para adultos, as adaptações repetidas são menos frequentes, mas praticamente todos os livros de Jane Austen já foram transformados em mangá; já E o Vento Levou tem uma belíssima adaptação em quatro volumes e feita por uma autora importante.  Normalmente, essas coleções como a que lançou o Alquimista, usam mangá-kas de segunda e/ou terceira grandeza.  Em ambos os casos que citei, normalmente, tem autoras mais renomadas e que olham para o livro e para as adaptações para o cinema e TV com um resultado bem interessante e nada burocrático.  É muita falta de visão das editoras brasileiras não aproveitarem os 250 anos de nascimento de Jane Austen e o lançamento da nova série da BBC para lançarem a adaptação em dois volumes do livro.

Procurando por informações para o post, acabei descobrindo que além dessa adaptação de E o Vento Levou que eu tenho, saiu na revista Seventeen e é de 1977-1979, houve pelo menos mais uma feita  em 1968 para a Ribon (!!!).  Há mais imagens dela aquiATUALIZAÇÃO: Na verdade, foram TRÊS mangás de E o Vento Levou.  Foi publicado na Nakayoshi, em 1967.  A autora parece se chamar Yumiko Matsui (松井由美子) e as imagens do mangá que eu vi não parecem se inspirar no filme, mas terem uma estética própria e de acordo com o shoujo mangá  da época.

Ouke no Monshou terá grande exposição itinerante para comemorar seus CINQUENTA ANOS de publicação

Ouke no Monshou (王家の紋章), de Chieko Hosokawa e Fumin, elas são irmãs, acredito que as precursoras dessa história de duo de mangá-kas, está completando 50 anos este ano.  A série é um isekai, pois  o passado é uma terra estrangeira,   na qual a protagonista, Carol Reed, vai parar no Egito no século XIV a.E.C.  Mesma época de Anatolia Story, só que o faraó da história é fictício.  Enfim, Ouke no Monshou nunca teve animação (*só um OAV especial*) ou peça do Takarazuka (*apesar de ter tido mais de uma peça musical*), mas tem um conjunto de fãs fiéis e é louvado por retratar o Egito e outras civilizações da antiguidade com fidelidade dentro dos limites  da ficção, além disso, a série  já vendeu mais de 40 milhões de exemplares.

Muito bem, a exposição comemorativa será aberta em 28 de agosto em Tokyo e passará ainda por Osaka e Fukuoka, terminando sua trajetória somente em 2027.  Segundo o site oficial do evento e seu perfil no Twitter, a exposição trará uma coleção de ilustrações originais, românticas e lindamente coloridas  juntamente com manuscritos do mangá de cenas icônicas.  Imagino que haverá recriação de figurinos do mangá e lojinha, claro.  Seria muito oportuno o anúncio de uma animação; como a série é feita de arcos, talvez fosse possível selecionar alguma coisa para uma série comemorativa.  De resto, não esperem que Ouke no Monshou seja concluída, acredito que as autoras vão continuar fazendo esse mangá até a morte, porque  idade para se aposentar ambas já têm.  Hosokawa, por exemplo, estreou em 1958 e nasceu em 1935.  Já sua irmã, que não tem verbete na Wikipedia japonesa, é 5 anos mais jovem.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Os anos 1990 estão de volta! Confirmado o anime de Kanata Kara.

Em fevereiro, surgiu o boato de que Kanata Kara (彼方から), também conhecido como From Far Away, um isekai publicado entre 1993 e 2003 na revista Lala (*que está completando 50 anos*), iria virar anime.  A confirmação do anime da série de Kyoko Hikawa veio hoje.  Já temos site oficial, Canal no Youtube e Perfil no Twitter.

 Para quem quiser, segue um resumo do início da série: "Um dia, caminhando para casa da escola, Noriko, uma simples colegial, acaba sendo pega em um atentado terrorista. Em vez de ser explodida em pedaços, ela se vê transportada para outro mundo; um mundo em que a escuridão parece estar aumentando, enquanto os poderosos dos vários estados locais procuram desesperadamente por um ser conhecido como o Despertar, que dizem que irá acordar o Demônio do Céu. Ela acha esse novo mundo perigoso e assustador, mas Noriko não tem escolha a não ser se juntar ao homem misteriosamente poderoso que ela encontra ao chegar. O enigma deste mundo e seu papel nele se revelarão gradualmente, mas o mais importante primeiro: Noriko deve aprender a língua deles!" Tem resenha do primeiro volume do mangá aqui no blog.

A série vendeu mais de 4 milhões de cópias no total. Em 2004, ganhou o 35º Prêmio Seiun na categoria de quadrinhos de ficção científica.  No estande da NBCUniversal Entertainment Japan na AnimeJapan 2026, que será realizada no Tokyo Big Sight nos dias 28 e 29 de março, um painel B2 com uma ilustração original de Hikawa estará em exibição, um vídeo promocional especial será apresentado e um livreto de amostra será distribuído.  O Comic Natalie trouxe falas do diretor e da autora da obra:

Kyoko Hikawa (Autora Original):  "Kanata kara" recebeu o feedback mais positivo dos leitores nos últimos 20 anos desde o fim de sua serialização, e houve pedidos intermitentes para uma adaptação para anime. Estou muito feliz que isso finalmente se tornará realidade."

Comentário de Noriyuki Abe (Diretor):  "Estou muito animado que esta obra-prima atemporal será animada pela primeira vez.  A história de Isaac e Noriko, que são lançados pelas vastas e invisíveis correntes do mundo enquanto nutrem sinceramente seu vínculo e amor, parece incrivelmente atual no mundo de hoje.  Quero retratar as lutas desesperadas desses dois, algo que tendemos a esquecer, com um profundo senso de imersão."

Agora é esperar ansiosamente por maiores detalhes e fazer um bolão apostando qual será o próximo anime baseado em mangá dos anos 1990.  Eu tenho uma lista, mas acho que o aniversário da LaLa e da Hana to Yume, também, pode promover algumas novas adaptações de mangás já animados, minha aposta é Ouran Host Club (桜蘭高校ホスト部).  Não quero Karekano, não, antes que alguém pergunte. 

sábado, 7 de março de 2026

Entrevista traduzida de Yukari Ichijo: Dicas para gerar ideias (Parte 3)

Tropecei nessa entrevista com Yukari Ichijo, uma das grandes mangá-kas dos anos 1970 e 1980 ainda em atividade, e traduzi.  Somente depois de chegar no final percebi que era a PARTE 3.  Bem, depois traduzo as demais partes, acredito que são quatro ao todo.  Como a coisa foi fragmentada em temas, não acredito que seja um grande problema, não.  A minha maior dificuldade é traduzir mesmo, porque eu não sei japonês, dependo de ferramentas da internet, por isso, desde já peço desculpas por qualquer imprecisão.  Nem sempre consigo compreender algumas nuances, mesmo conhecendo o assunto.

Como a entrevista está em um formato estranho, se você abrir o original irá entender, juntei as frases quebradas em parágrafos.  As ilustrações, no entanto, estão no texto original e as mantive nos lugares nos quais aparecem.  De qualquer  forma, é sempre bom ler essas mangá-kas das antigas falando de seu trabalho e Yukari Ichijo é uma das mais interessantes.  Tenho outra entrevista dela no blog, que não traduzi, mas comentei; ela está aqui.  Segue a entrevista:

Os inúmeros mangás de Yukari Ichijo são todos ricos em concepção, e eu fico impressionado cada vez que os leio.  A variedade é incrível, do sério à comédia, e todos são muito divertidos.  Não consigo deixar de me perguntar o que se passa na cabeça de Ichijo.  Yuki no Serenade (雪のセレナーデ), Designer (デザイナー), Pride  (プライド), Koikina Yatsura (こいきな奴ら), Suna no Shiro (砂の城), Yuukan Kurabu (有閑倶楽部).  Como essas obras surgiram?  Ela também compartilhou algumas histórias importantes que podem te dar dicas para pensar em ideias.

Aqui é Shimo, do Hobonichi.

Ichijo: A propósito, tenho um truque para ter ideias para histórias.

— Uau, qual é?

Ichijo: Normalmente, quando você está sem ideias e não sabe o que fazer, você senta na sua mesa e pensa: "Coloca isso para fora, coloca isso para fora, coloca isso para fora."  Mas uma história nunca surge assim.  Até agora, os lugares onde as histórias surgiram com mais facilidade foram no banheiro ou na banheira, ou quando estou apenas andando sem rumo pelo meu caminho habitual.  Descobri que são nesses momentos que elas surgem.  Então, se eu ficar sentada parada na minha mesa, elas não vão surgir.  É importante fazer coisas com as quais você está sempre acostumada.  Sinta-se à vontade e mova-se como que em transe.  É aí que as histórias sempre surgem.

— Que interessante.

Ichijo: É interessante, não é?  Além disso, o silêncio absoluto não funciona.   Por exemplo, em uma cafeteria, há um pouco de agitação, mas não é muito barulhento e não me afeta diretamente.  Como uma dessas pessoas, descobri que as ideias me vêm com mais facilidade quando estou distraída.  Acho que é por isso que tantas pessoas desenham seus storyboards em cafeterias.  Em momentos como esses, é mais provável que eu tenha aquela sensação de "algo vindo à tona".

— Essa é uma ótima descoberta.

Ichijo: Além disso, você pode tomar um banho relaxante.  Relaxamento completo não é bom, mas você pode relaxar e esvaziar metade do seu cérebro.  Talvez seja semelhante à meditação zazen.  Então, uma boa ideia é ficar olhando fixamente para as nuvens. Quando deixo meu cérebro relaxar assim, acho mais fácil ter ideias.  Se você estiver travado em um projeto, por que não tentar isso?

── Obrigado.  Vou tentar!  Qual trabalho foi um ponto de virada para você, Ichijo-san?

Ichijo: Foi Designer.  Até então, mesmo dizendo que podia fazer o que quisesse, eu sempre obedecia ao que meu editor me mandava fazer.  Achei que precisava de um seguro, caso surgisse algo que eu realmente quisesse fazer.  Mesmo que me pedissem para fazer algo um pouco difícil, eu tinha que aceitar em silêncio, e quando chegasse a hora, eu tinha que ser capaz de dizer: "Você sabe o quanto eu me segurei até agora, né?  Eu vou fazer isso."  Essa era a hora de Designer.

— Ah. Como você decidiu trabalhar em Designer?

Ichijo: Eu estava em bons termos com meu editor na época, então, quando me pediram para fazer uma série em quatro capítulos, eu disse a eles: "Deixem-me desenhar como eu quiser." Eu sabia que havia certas coisas que eu não podia desenhar na Ribon,[1] então eu iria explorar os limites, mas não desenharia nada que fosse absolutamente proibido.   Então eu disse que não mostraria o storyboard a eles, e que também não teria nenhuma reunião.

— O quêêê!?

Ichijo: Que reação é essa? (risos)

— Mas isso pode mesmo!?

Ichijo: Bom, foi um caso totalmente excepcional.  Eu disse a eles que só queria desenhar um  mangá relacionado à moda, e começamos Designer sem nenhuma reunião.

— Foi realmente um projeto pessoal.

Ichijo: Sim. Eu queria desenhá-lo.  Depois que terminei a primeira parte, entreguei ao meu editor, e ele disse: "Então essa é a história."

— Editores são basicamente como leitores, não são? (risos)

Ichijo: Então, parece que se tornou popular de uma maneira um pouco diferente de antes, e fiquei feliz quando a serialização aumentou de quatro para seis capítulos.

— O que te inspirou a criar a história de Designer?

Ichijo: Às vezes, primeiro imagino uma cena que quero retratar, e depois penso na história.  Em Designer, a pessoa que eu queria retratar era Ootori Reika (*A rainha do mundo do design e mãe biológica da personagem principal, Ami)  Naquela época, a igualdade de gênero não era realmente uma realidade, e era uma época em que as mulheres tinham que trabalhar três vezes mais que os homens para alcançar o mesmo status.  Eu queria retratar uma mulher que "abriria mão de tudo para ser estilista".  Além disso, em outros mangás shoujo relacionados à moda, é comum vermos histórias em que o autor rouba a ideia de outra pessoa e diz: "Eu que fiz!", mas eu queria rejeitar isso. Então, quando a subordinada de Otori rouba o design de Ami (a personagem principal) e diz: "Eu que fiz, sensei!", ela responde: "Não zombe de mim!". Eu também queria desenhar isso.  

E então, “território sagrado”.  Designer”é o território sagrado dela.  O resto, ela pode fazer o que quiser. Eu queria retratar uma mulher firme, que se agarra apenas a uma única coisa.  E no final, há uma cena em que Ootori-san volta e recomeça do zero.  Eu pensei que, sem esse tipo de coragem, você não seria capaz de fazer o que realmente quer.  Depois de desenhar, me senti revigorada e exausta.  Acho que meu próximo ponto de virada foi Koikina Yatsura.  Até que ponto posso me distanciar de ser uma artista de mangá shoujo?  Não apenas coisas femininas, mas um mangá shoujo que homens também possam ler.

— Acho que não havia muitos naquela época.

Ichijo: Não havia muitos.  Mangá shojo policial (risos).  Comédias de ação sem romance.  Nunca pensei que realmente faria algo assim.

(Continua)

2026-03-06-SEX

[1] Só para explicar, não havia revistas shoujo para  mulheres adultas (ladies' comics ou josei) nos anos 1970, por isso encontramos séries que não são necessariamente infanto-juvenis em revistas como a Ribon, a Margaret e outras.  No entanto, pelas falas de Ichijo, havia limites, mas eles acabavam sendo esticados ao máximo para os  padrões atuais.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Por qual motivo a protagonista da Rosa de Versalhes se chama Oscar?

Eu não sabia o motivo da escolha de Riyoko Ikeda, mas o perfil The Rose of Versailles Book Shelf postou um trecho de uma entrevista em que a autora explica:

"15. Qual a origem do nome Oscar? Eu vi um filme chamado "Désirée, o Amor de Napoleão" (título original: Désirée). É um filme que retrata a vida da Rainha da Suécia, e nele há um menino chamado Oscar que um dia se tornará Imperador. Ele é tão adorável que pensei: "Vou chamá-lo de Oscar". Afinal, Fersen também é da Suécia."

Eu coloquei o nome brasileiro do filme, porque achei muito interessante esse pedaço de história.  Foi o primeiro filme sobre Napoleão ao qual eu assisti, estava no final da infância, início da adolescência.  Napoleão na minha cabeça sempre tem a cara do Marlon Brando.  Eu lembro da cena em que o bebê aparece, Napoleão tinha desfeito o noivado com Désirée Clary por causa de suas ambições políticas (*essa parte é  histórica*) e ela se casa com o general Jean-Baptiste Jules Bernadotte que se tornará rei da Suécia e da Noruega.  O bebê recém-nascido no berço e Napoleão olha e fala algo como "Mas ele é tão pequeno!", porque o marido de Désirée era muito alto e havia aquela bobagem de que Napoleão era baixinho, coisa que não era.  Era uma exclamação na linha "deveria ser meu filho", porque, no filme, ele nunca deixou de amar Désirée🤭  Em outro trecho, Ikeda diz: 

"Os nomes são escolhidos com base na sonoridade. "Normalmente, consulto dicionários biográficos para escolher nomes. Folheio-os completamente ao acaso, procurando um que soe parecido. Oscar vem do jovem Rei Oscar I da Suécia, que aparece no filme 'Rainha Désirée'. Ele aparece vestindo um uniforme militar. Achei tão fofo. Mas eu não conseguia decidir um nome do meio, então, quando encontrei François no dicionário biográfico, finalmente soou certo. Depois de decidir por Oscar, escolhi André por causa da sonoridade.""

Retrato de Oscar I da Suécia (c. 1806) por  Jean-Baptiste Isabey.

A curiosidade é interessante, mas Oscar não é um nome francês mesmo.  É estranho, com certeza, especialmente, sem a explicação de que o nome seria uma homenagem para alguém.  E eu acabei lembrando que Ikeda desenhou Oscar criança vestida como o futuro rei da Suécia quando pequeno.  Queria achar a ilustração.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A Evolução do Mangá Shōjo na Década de 1970 com a Curadora Rei Yoshimura (Entrevista traduzida)

O ANN trouxe uma entrevista com Rei Yoshimura, ela é especialista em mangá e curadora de exposições sobre o tema.  Como ela está responsável no momento por uma exposição sobre Moto Hagio, Ryoko Yamagishi e Waki ​​Yamato em Londres, deu uma entrevista lá.  Eu a traduzi.  Na medida do possível, mantive a estrutura do original, que está aqui.  Os links do texto são do original, então, estão em inglês.  Minhas observações estão depois da entrevista.  

sábado, 17 de janeiro de 2026

Vestibular japonês traz questão usando a Rosa de Versalhes para discutir Revolução Francesa e Questões de Gênero

Quando a cultura pop aparece em exames vestibulares, seja aqui ou em qualquer lugar, eu fico feliz, se se trata da Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) ou outra série que eu aprecio muito, a coisa se torna realmente especial.  Muito bem, segundo vários sites japoneses (*Ex.: 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6*), e estou usando o MSN, uma questão do Exame Comum de Admissão na Universidade (大学入学共通テスト, Daigaku Nyuugaku Kyoutsuu Tesuto), que ocorre no primeiro fim de semana de janeiro após o dia 13,  sobre a Revolução Francesa usou a Rosa de Versalhes e discutiu questões de gênero, também.  A questão foi aplicada ontem e só mostra a importância que a série tem no Japão, mesmo que a própria Ikeda já tenha dito que os mangás não deveriam ter lugar nas universidades.

Segundo o site, uma das cenas citadas foi aquela em que Oscar, filha de um aristocrata, mas criada como menino por seu pai general, pergunta a ele: "Se eu tivesse crescido como uma mulher normal, teria sido casada aos 15 anos?" [Essa é uma das passagens do mangá que eu mais aprecio, quer dizer, toda essa parte em que o pai de Oscar quer casá-la com Gerodelle e ela fica se questionando sobre sua vida até então e vai se aconselhar com sua mãe, que lhe diz as coisas certas.]  A questão também utilizou a famosa cena em que Oscar, que se aliou aos cidadãos durante a Revolução Francesa, lidera o povo para a batalha, gritando: "À Bastilha!!"  A questão perguntava se os alunos conseguiam organizar corretamente essa cena em ordem cronológica com outros eventos relacionados à Revolução Francesa. O enunciado também incluía uma frase sobre a França da época, dizendo: "Acredita-se que as mulheres aristocráticas da época ocupavam uma posição subordinada a seus pais e maridos dentro de uma ordem patriarcal"🤩

Foto da questão do exame.

A questão causou surpresa e foi amplamente comentada nas redes sociais: "Tirei uma nota tão alta graças a 'A Rosa de Versalhes'!!!" e "Eu realmente deveria ter assistido 'A Rosa de Versalhes'".  A matéria diz que o exame de História Geral "também incluiu questões que convidavam os alunos a refletir sobre a história medieval e do início da era moderna a partir de uma perspectiva de gênero.".  

E vou citar o que a matéria diz sobre as questões de História Moderna e Medieval acrescentando links: "Como tópico sobre a relação entre mulheres e política na Idade Média, foi proposta uma questão que exigia que os alunos interpretassem uma passagem do livro histórico "Gukansho", que afirma que "o Japão realmente se tornou um país onde as mulheres deram o toque final à política", referindo-se a Hojo Masako, esposa de Minamoto no Yoritomo, o primeiro xogum do xogunato Kamakura, que ascendeu ao poder após a morte de Yoritomo.  Também foi apresentada Hino Tomiko, esposa de Ashikaga Yoshimasa, o oitavo xogum do xogunato Muromachi. Embora sua avaliação histórica tenha sido tradicionalmente negativa, com seu envolvimento ativo na política e nas atividades financeiras do xogunato sendo visto como o de uma "mulher má", a questão abordou como as pesquisas têm mudado sua perspectiva para uma visão mais positiva. Alguns pesquisadores observaram que "seu envolvimento na política do xogunato ocorreu em um momento em que seu marido, Yoshimasa, havia abandonado os assuntos governamentais, e que suas atividades financeiras foram essenciais para administrar as finanças do xogunato, além de fornecerem apoio econômico àqueles a quem ela emprestava dinheiro".  O tema das mulheres e da política é debatido desde o período Edo, mas a questão abordou a disseminação de valores patriarcais, incluindo o fato de que a frase confucionista "as galinhas se levantam pela manhã", que significa "uma família ou país onde as mulheres assumem a liderança perecerá", apareceu em textos morais e preceitos familiares de samurais no final do século XVII, e que "resumos e traduções japonesas de biografias chinesas de mulheres começaram a ser publicados, e apoiar os homens passou a ser visto como uma virtude para as mulheres"."

Mangá de Fujita Motoko sobre Hino Tomiko.

Achei lindo isso aqui.  Queria saber se essa prova recebeu reações  negativas do povo que odeia mulheres, que nega a sua participação na política ou que acredita que a manutenção da sua subordinação nos espaços público e privado é legítima.  Imagino que elas também tenham pipocado na internet.  De repente, eu procure ver o que outros sites estão dizendo sobre o ocorrido.  E, para quem não sabe, o mangá da Rosa de Versalhes foi publicado no Brasil pela JBC, que deveria ter relançado no ano passado por conta da nova animação.  O volume #1 continua esgotado e outros estão com o preço exorbitante.  Abaixo, o Shoujocast que eu fiz sobre a animação, mas há muito material sobre o mangá aqui no blog e no meu canal do Youtube, também.