sábado, 5 de maio de 2018

Para quem ainda não compreende o que é feminicídio, mais um post.


Ontem, aqui, no DF, na Ceilândia, uma de nossas áreas pobres e periféricas, que chamamos de Entorno, um policial militar de 29 anos, Ronan Menezes do Rego, matou à tiros a ex-namorada de 25 anos, Jessyka Laynara da Silva.  A moça tinha acabado de ser aprovada para o concurso do Corpo de Bombeiros, o que certamente lhe daria melhores condições financeiras e autonomia, além de colocá-la em contato com um número grande de homens.  Jessyka namorava com Ronan desde os 13 anos.  Em uma ocasião, chegaram a romper e ela arrumou outro namorado. Ronan teria ameaçado o jovem e sua família. Jessyka havia sido agredida por ele dias antes de ser morta, mas decidiu não denunciá-lo.  

Segundo uma prima da vítima, "Era um relacionamento abusivo e, assim como acontece com várias outras mulheres, ela tentava sair e não conseguiu.".  Será que a denúncia faria diferença?  Iria manter um homem que podia LEGALMENTE andar armado distante?  Segundo um primo de Jessyka, Ronan a ameaçava e dizia que: "(...) ia matar e que não ia ficar muito tempo preso porque era PM. Ele falava que ia matar a nossa avó se ela denunciasse as ameaças.”  Quantos feminicidas ameaçam matar os filhos e os parentes de suas vítimas como forma de mantê-las caladas?  Ele cumpriu a ameaça e matou a ex-namorada, além de ferir gravemente um amigo da vítima, Pedro Henrique  da Silva Torres, que permanece hospitalizado correndo risco de morte, segundo o G1.

A outra vítima, um professor amigo de
Jessyka, está em estado grave no hospital.
Mas, talvez você ainda não entenda o que é feminicídio. Cabe ao post explicar.  Feminicídio tem a ver com desigualdade, com posse, com a complacência da sociedade em relação à violência doméstica, ao contrato social que diz que uma mulher pertence a um homem e que ele, como dono, pode dela fazer o que desejar.  Querem ver?  A própria uma parenta de Jessyka disse o seguinte: "A tia da Jessyka morreu do mesmo jeito, morta por tiros do marido. Pelo menos ela deixou um filho no mundo, a Jessyka não teve essa sorte."  Mulher é morta, mas há um consolo para os parentes ela deixou um filho órfão no mundo.  Cumpriu sua função natural e obrigatória, procriar, cumpriu plenamente sua função aqui nesse planetinha.

Feminicídio se relaciona com as próprias estruturas do patriarcado. Não é como se esta moça, tão jovem, tivesse sido morta em um assalto, ou atropelada, isso pode acontecer com qualquer ser humano.  Eu já fui assaltada muitos anos atrás e ainda que os dois adolescentes que o fizeram pudessem se sentir superiores a mim por serem homens, tenho certeza de que não pensariam duas vezes em assaltar um homem, se o considerassem uma vítima vulnerável.  Não há agravante de gênero aí.  Agora, quando ocorre um feminicídio, e muitos deles em tempos idos seriam chamado de "crimes de honra" (*e com a honra de um homem não se brinca, não é mesmo?*) ou passionais (*esses pobres homens que enlouquecem por amor... mas as emocionais somos nós, mulheres!*), a mulher é morta pelo HOMEM que dizia amá-la e que não aceitava que este AMOR (*que não sei se um dia existiu*) havia acabado. Jessyka foi morta por um HOMEM que acreditava-se seu DONO, porque imaginava AMÁ-LA e, como DONO, a podia destruir, afinal ELA ERA DELE, SOMENTE DELE.

Agora, acho que compreendo melhor a
 instabilidade emocional de Diego Hypolito
em vários momentos de sua carreira.
Espero que Ronan seja punido pelos vários crimes que cometeu, mas não é suficiente, porque a questão não é somente individual, mas estrutural.  Precisamos mudar a forma como as masculinidades são forjadas em nossa sociedade, pela violência e para a violência.  Meninos submetidos a uma rotina de abusos - físicos ou emocionais - podem não crescer para serem abusadores em alto grau, mas tenderão a ver a violência como aceitável, formativa, e, talvez, até um dos laços que os une aos outros homens, vide a camaradagem dos que praticam bullying, por exemplo.  Vítimas um dia, agressores mais adiante, como se fosse um ciclo normal, como se fizesse parte da vida, desde que, claro, você não seja SEMPRE a vítima.  Alguém leu o depoimento do Dyego Hypólito sobre sua infância e adolescência como atleta?  Pois é, ele veio à tona no meio de inúmeras denúncias de abusos cometidos por homens (técnicos) e meninos ginastas contra outros meninos ginastas.  Isso é normal?  Pelo jeito foi, para uma geração ou mais de atletas brasileiros.  Esse caso está me dando angústia, mas não sabia bem como comentá-lo aqui.

Meninos e homens são vítimas do machismo e da sua violência, e suas identidades pessoais e sociais são forjadas assim.  Daí, vários se tornam opressores, agressores e cúmplices, porque a classe dos homens se protege e há vantagens em estar do lado dos opressores e não nas vítimas usuais, as mulheres, as crianças, os machos considerados mais fracos.  E pedir ajuda pode transformar você em um desses machos fracos, ou em um traidor.

Ser mulher poderia ser um motivo para que a odiassem mais,
mas isso não caracteriza feminicídio.
E terminando, hoje são 52 dois dias do assassinato de Marielle e que vitimou seu motorista, Anderson.  A última notícia foi de que na véspera (*NA VÉSPERA*) as câmeras de rua da prefeitura que monitoram regularmente o percurso que o carro da vereadora faria foram desligadas.  A agenda de um político é pública.  Quem as desligou?  E todas elas?  Enfim, para quem não entende, ou quer entender feminicídio, o caso Marielle não é feminicídio, ainda que os criminosos pudessem ter mais raiva dela por ser mulher, mas, provavelmente, também por ser negra, de origens humildes, alguém que não reconheceu o "seu lugar" na sociedade.  Foi um assassinato político, provavelmente, planejado e deve ficar impune, pelo menos, no Brasil que vivemos hoje.

P.S.: Dois posts seguidos que não falam de cultura pop ou algo relacionado... Prometo dar um tempo, mas eu tinha que escrever.  Eu precisava escrever sobre isso.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Júlia e seus loooongos quatro anos...


Estou tentando retomar meu ritmo, depois de uma semana de muito trabalho e Júlia meio doentinha.  Como algumas pessoas me pedem relatos da minha experiência de maternagem, vamos lá, algumas conversas que rolaram com minha pequena esses dias.

Júlia e a fralda, essa desgraça que parece que nunca vai deixar de atormentar minha existência, que ainda faz parte da vida dela: "Quero continuar usando fralda durante toda a minha vida de 4 anos. Depois, eu paro.". Looonga vida de 4 anos. Na verdade, lembrando de quando era criança, realmente, o tempo parecia passar bem devagar.  Nossa percepção de tempo varia muito e na primeira infância, estamos aprendendo a compreender essas coisas.  Pelo menos deixou de ser "para sempre".  Antes, quando eu falava em largar a fralda, ou largar o peito, produzia-se um choro desesperado, angustiado mesmo, como se fossem arrancar dela algo fundamental para sua vida.  
A coleção da vez, os minúsculos Shopkins... 
Na verdade, ela tem dificuldade em deixar as coisas irem embora, que rasgaram, que quebraram, sempre vem pedir ao pai que use "cola forte" para consertar.  Difícil é fazer entender que nem tudo se cola, ou conserta... Não sei se isso é dela, ou de todas as crianças da idade, não sei mesmo.  Mas ela tem um espírito de colecionista e isso se manifesta desde cedo, para meu desespero.  No momento, são os Shopkins.  Eu lembro que gostava de brinquedos pequenos, que cabiam na minha mão, então, não sei se herdou de mim, ou sei lá... Falando em Shopkins, chegamos aos outros tópicos recentes:  Casais do mesmo sexo, Procriação X Adoção e Monogamia.

Para a Júlia, cor, adereços, voz tem menos
peso do que cílios como marcas de gênero.
Entrei no meu quarto anteontem e ela estava brincando com dois dos Shopkins, dois pedacinhos de lenha.  Sim coisa pequenininha.  Daí, ela me disse, "Eles são namorados e são dois meninos."  Os brinquedos são meninas, se tem longos cílios.  Quando ela era bebê, antes de introjetar essas marcas artificiais de gênero, todos os brinquedos eram meninas, agora, a maioria não é.  Olhei para ela e disse, "Está certo, há meninos que namoram com meninos, meninas que namoram com meninas, mas a maioria dos meninos namora com meninas e vice-versa".  Ela riu."Mas não podem ter filhinhos."  Crianças podem ser astutas, ela certamente estava testando minha reação, talvez, alguém tenha dito alguma coisa na escola, ou ela vai se tornar uma autora de BL, sei lá.  Também não cabe ainda entrar em detalhes, a gente fala o que é adequado à idade e na medida que a própria criança demanda. "Podem, sim.  Podem adotar e, aí, terão filhinhos.".  


Já falei de adoção para a Júlia diversas vezes e que queria adotar uma criança, mas que ela nasceu e papai não quer mais. Sim, porque eu gostaria.  E insisto que filho é filho e ponto.  Ontem, ela usou a expressão "não é filho de verdade" para se referir a uma personagem de desenho animado que foi adotada.  Eu corrigi.  Nada mais cruel do que separar filhos em verdadeiros e os que não são.  Há outras formas de explicar as coisas e Júlia é hábil com as palavras, quando quer.  Enfim, ela estava revendo o filme Missão Cegonha, que vimos no cinema e eu não resenhei no blog.  É um filme interessante, pois aborda uma série de temas sérios de forma acessível à crianças pequenas.  De qualquer forma, ela prontamente lembrou de Gumball (*está na Netflix, ela já tinha visto no Rio, e ela assiste um pouco, ainda que eu não ache lá muito OK para a idade dela*), onde uma gata e um coelho são casados, tem dois filhos naturais (*um gato e uma coelha*) e um filho peixe, que deduzo eu, é adotivo.  Só que, ao escrever este post, descobri que não é, mas não vou falar para a Júlia.
Júlia gosta de Gumball.
E como chegamos à Monogamia?  Eu ouço música no carro, já comentei que ela me pede para traduzir, pergunta se é música de filme ou novela e para contar a história do filme ou novela, por tabela (*alguns são complicados de explicar...*), pede para colocar a Rita (Pavone), dá opiniões sobre a música... "Always look on the bright side of life", da Vida de Brian, por exemplo, deve ser, na opinião dela, "uma música boba de um filme bobo".  Não está muito errada.  Preciso ter cuidado com o que coloco em português, porque ela já me perguntou coisas difíceis de explicar... Era uma música dos anos 1980 e ela disse que o sujeito que cantava era maludo.  Imagina só!  Colocar fogo na cama da moça! Na verdade, era linguagem figurada e eu não poderia explicar do que se tratava o verso (*"Eu venho como fogo incendiar sua cama"*), então, concordei que o Ritchie era maluco, sim.  Daí, estava ouvindo Conquistador Barato, do Léo Jaime, que era tema de abertura da novela Bambolê.


Ela pediu para explicar a música.  É cheia de gírias de época.  Conta a história de um sujeito namorador compulsivo.  Mamãe diz, "É errado beijar um monte de meninas.  Ele está enganando todas elas. O certo é namorar uma só." Sim, eu acredito nisso.  Quando ela crescer, pode acreditar no que quiser. Daí, ela comenta, "E se beijar um monte de meninas, vai ter um monte de filhinhos igual no Sing.".  Sing, que eu também não resenhei no blog, tem a família de porquinhos com muitos, muitos filhos, era disso que ela falava.  "Filha, quando a gente beija não tem filhinhos, ali era desenho".  Ela insistiu na história dos porquinhos e eu comentei "Se a cada beijo que eu desse no seu pai, nascesse um filhinho, você teria muitos irmãozinhos. É preciso mais que beijar para ter filhinhos."  Ela riu e continuou falando de Sing.  Espero que tenha entendido, não voltou ao assunto.

Rosita e seus muitos filhinhos.
Tudo isso na metade da longa vida dos 4 anos.  E ainda teremos 5, 6, 7, 8... Espero que ela nunca perca o bom humor (*quer dizer, às vezes, o excesso de bom humor me incomoda, sim, mas eu sou uma chata...*) e essa capacidade de fazer perguntas. Espero sempre ter condições de respondê-las, ou, pelo menos, conseguir ajuda se necessário.  De resto, acho que foi um post chato... Vocês decidem.  Há quem queira que eu grave um podcast com Júlia, mas seria uma missão impossível.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Ranking da Oricon


Deixei passar uma semana e tenho dois rankings da Oricon a publicar.  Preciso evitar isso, porque acumula uma semana e, daqui a pouco, são três, quatro... Enfim, a semana atual traz vários shoujo (4) e josei (3).  A nova série de Io Sakisaka aparece em ótima colocação.  Não é um sucesso avassalador, como a série anterior da autora, mas está longe de fazer feio.  Akatsuki no Yona manteve-se por duas semanas no top 10.  Resta saber quanto tempo mais irá ficar.  Ainda no top 10 temos Ashi-Girl, que teve dorama recente.  O clássico Ouke no Monshou estava na semana passada, mas não resistiu.  Yume no Shizuku, Ougon no Torikago saiu do top 10, também.

4. Omoi, Omoware, Furi, Furare #8
8. Ashi-Girl   #10
10. Akatsuki no Yona #26
14. Uramichi Oniisan  #2
17. Honey Lemon Soda #7
23. Bread & Butter 7
30. Territory M no Juunin  #4

6. Akatsuki no Yona #26
12. Ouke no Monshou #63
21. Yume no Shizuku, Ougon no Torikago  #11
28. Niehime to Kemono no Ou   #7

terça-feira, 1 de maio de 2018

Mangá sobre as aventuras e desventuras de uma advogada termina no Japão


Rakuto Kaise cresceu em uma família pobre, por conselho dos pais, ela decide ser advogada, já que a profissão daria muito dinheiro.  Durante a faculdade, ela trabalha em um bar (*imagino que seja um hostclub*) para pagar seus estudos.  Formada, ela enfrenta o duro exame para se tornar advogada (*deve ser tipo o exame da OAB*) em um momento (*2007*) no qual o sistema jurídico japonês passava por uma reforma.  Aprovada, a protagonista começa a trabalhar em um pequeno escritório e descobre que o trabalho como advogada não é lucrativo como imaginava, mas que pode aprender muita coisa e ajudar para que a justiça seja feita.  Ao que parece, uma heroína da classe operária, por assim dizer.


Enfim, esse é o resuminho do mangá Soko wo Nantoka (そこをなんとか), de Mikoto Asou.  A série começou em 2007, ano da tal reforma não sei se das leis, ou da carreira jurídica no Japão (*eu vi esse detalhe na Wikipedia*), é publicada na revista Melody, e vai fechar com 14 volumes.  E, ainda que eu nunca tenha ouvido falar e não tenha scanlations (*Surpresa!*) teve duas temporadas de dorama em 2012 e 2014.  A notícia estava no ANN.

Comentando Vingadores: Guerra Infinita (Avengers: Infinity War, 2018)


Quinta-feira passada, assisti Vingadores: Guerra Infinita.  Primeira coisa a registrar, está longe de ser um filme maravilhoso e impactante, mas ele é muito bom e puxa todas as cordinhas necessárias para manter a nossa atenção.  Segunda coisa, é muito superior ao segundo Vingadores e à Guerra Civil, o que, aos meus olhos, foi um alívio.  Terceiro ponto, Thanos, e isso em se tratando de filmes da Marvel é um grande feito, é um bom vilão, não o melhor dos filmes da franquia, mas superior à média.  Desafio será fazer uma resenha sem spoilers, ou, pelo menos, grandes spoilers, então, faremos o seguinte, para quem não se importar, eu farei um texto corrido e comentarei algumas coisas depois do trailer.

Thanos (Josh Brolin) deseja recolher as jóias do infinito (*que foram sendo introduzidas ao longo dos diversos filmes da Marvel*) e, para tanto, terá que enfrentar os Vingadores e outros super-heróis da Marvel.  Para enfrentar o ser que tem status de divindade, os Vingadores precisam unir forças com os Guardiões da Galáxia, ao mesmo tempo em que lidam com diferenças entre alguns de seus integrantes.  O que vem a seguir é uma luta desesperada em vários cantos da galáxia e que cobrará um alto preço de alguns dos super-heróis.  Eu sei, foi um resumo bem sintético, mas o que tiver que comentar a mais, virá depois do trailer para quem, como eu, não se importa com spoilers.  

O ataque a Nova York é um aperitivo somente.
Vingadores: Guerra Infinita é um filme espetáculo, não se trata somente (*como se pouca coisa fosse*) de um filme de culminância dos dezoito que o precederam, mas de um grande evento midiático e que já bateu recordes de bilheteria com uma facilidade que poucos admitiriam imaginar.  Aqui, no Brasil, "roubou" o recorde de abertura do "mega sucesso imperdível" Nada a Perder, mas  como é uma trilogia, a biografia de Edir Macedo poderá derrotá-lo de uma próxima vez?  Quem sabe?  Piadas a parte, praticamente todas as personagens apresentadas no universo Marvel estavam lá, de Homem de Ferro, que inaugurou essa fase de filmes em 2008, até o elenco do Pantera Negra, que arrasou bilheterias e corações este ano.  Senti falta de Lupita Nyong'o, ao contrário do Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e do Homem Formiga (Paul Rudd), nada foi dito sobre ela, então, imagino que não esteja no segundo filme.  

De qualquer forma, unir todo um mundaréu de gente em uma história compreensível, em vários espaços diferentes, é um grande mérito.  Os diretores – Anthony Russo e Joe Russo – fizeram um grande trabalho.  Assistindo ao filme, em um primeiro momento, pensei que a película estava um tanto irregular, mudanças bruscas de tom na narrativa, mas assistindo a crítica do Pablo Villaça, ele me alertou para uma coisa, o filme consegue captar as diferentes atmosferas dos filmes da Marvel.  O tom muda, porque ele circula entre os vários heróis que tem protagonismo temporário.  A única coisa que efetivamente não gostei, foi do excesso de piadas.  Em uma situação limite, acredito que o humor deveria ser enxugado.

Thor é resgatado pelos Guardiões da Galáxia.
No quesito humor, realmente não consigo gostar do tom que foi dado ao Thor (Chris Hemsworth) e que veio de Ragnarock.  O humor do Deus do Trovão nos seus dois primeiros filmes era involuntário, no terceiro, ele assume uma postura diferente de piadista até inconveniente e meio loiro burro, também.  No confronto com Os Guardiões da Galáxia (*1-2*), já que o grupo de heróis regata Thor, depois que Thanos destrói a nave dos Asgardianos, ele acaba levando a melhor no quesito piadinhas infames, já que Star-Lord/Peter Quill (Chris Pratt) que se sente diminuído pela beleza do outro super-herói. Sim, essas piadas à respeito do efeito que o corpo de Thor tem sobre as pessoas (*homens incluídos*) funciona, PORÉM exageraram um tanto.  E, bem, é verdade que o Chris Pratt está mais rechonchudo nesse filme.

Injetaram uma boa dose de romance e sofrimento no filme, especialmente, expondo o drama de Visão (Paul Bettany) e da Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), afinal, o herói tem uma das jóias do infinito cravada na testa, logo deve morrer (*Será?*), e de Peter Quill e Gamora (Zoe Saldana).  Quanto a esta última, uma das questões centrais e trágicas do filme é sua relação conturbada com o pai adotivo, que a ama, ainda que de seu jeito enviesado.  Thanos não faz o que faz por ser mau, mas ele se alça acima dos outros mortais (*porque imortal ele não é*) e acredita ter o direito de decidir por eles.  Enfim, um pai tão onipotente dificilmente se daria bem com um filho, ou filha.

Tony Stark desenvolve um carinho paternal pelo jovem Peter.
Falando em relações pai-filho, começamos o filme com Tony Stark (Robert Downey Jr.) sonhando em ter um filho com Pepper (Gwyneth Paltrow), só que o que nos oferecem é um aprofundamento da relação do Homem de Ferro com o jovem Homem Aranha (Tom Holland).  Gostando, ou não, nessa nova encarnação, o Aranha está emocionalmente ligado à Tony Stark, o admira, confia nele, e meio que obriga o super-herói playboy a se comportar de forma mais responsável dentro da medida do possível.  Escrevo isso, porque o bate-boca de Stark com o Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) é tudo menos coisa de gente grande.  Há um duelo de egos, enfim.  E nessa história toda, pelo menos no início dela, ainda me cai do céu (*literalmente*), um Hulk (Mark Ruffalo) traumatizado e que se recusa a manifestar-se.  É meio patético, enfim, mas o Dr. Banner ajuda de outras formas.  Quem é que liga para o Capitão América (Chris Evans), afinal?

Quanto ao vilão, ele tem objetivos claros e uma personalidade consistente, não é uma criatura sedenta de poder, ou que deseja destruir mundos, ou o universo.  Ele acredita que é seu dever colocar o universo em equilíbrio, evitando a destruição de planetas por conta da superpopulação.  Mesmo sem todas as jóias do infinito, ele simplesmente elimina metade da população dos planetas que visita, sem fazer acepções de pessoas.  Ricos pobres, jovens e velhos, fêmeas e machos.  Com uma atitude de divindade, decide o que é bom e o que é mau.  Ao obter as jóias ele pode executar sua missão de forma mais rápida e limpa.  Como meu marido pontuou, além de ser ridículo essa história de universo super-povoado, pelo menos em seus quadrinhos de origem, Thanos não é poderoso como outros seres quase divinos da Marvel, por isso ele precisa das jóias e, exatamente por isso, ele pode e será derrotado no segundo filme.

Visão e a Feiticeira Escarlate tem algumas cenas ternas no filme.
Voltando para a Terra, foi bem legal ver Wakanda de novo.  Okoye (Danai Gurira) reclamando do excesso de visitantes e dizendo que quando T’Challa (Chadwick Boseman) disse que abriria o reino para o mundo, ela imaginava algo como as Olimpíadas, ou filiais do Starbucks.  O fato é que a grande batalha campal, com a participação dos Vingadores, ou parte deles, e dos guerreiros de Wakanda, além do Soldado Invernal e parte dos Guardiões da Galáxia, é uma das partes mais legais do filme.  Carga de drama extra para a situação desesperadora do Visão, ameaçado pelos minions de Thanos e Shuri (Letitia Wright) desesperadamente tentando arrumar um jeito por intermédio da ciência avançada de Wakanda retirar a jóia de sua testa.

De resto, as grandes cenas a meu ver, além da batalha em Wakanda, foram: a chegada do Capitão América, da Viúva Negra (Scarlett Johansson) e outros vingadores renegados à Escócia para salvar Visão e Feiticeira Escarlate; toda a sequência de Thanos conquistando a jóia das almas em um planeta cuja aparência foi inspirada nos Lençóis Maranhenses, ou gravada aqui; e a entrada triunfal de Thor em Wakanda brandindo seu novo martelo.  Espetacular!

Wakanda é cenário para a grande batalha campal.
Não vou, obviamente, dizer em morre, mas morre bastante gente.  Algumas mortes são individualizadas, pelo menos duas delas com uma boa carga de drama.  Há uma quase morte, que se fosse levada ao extremo causaria, sim, um grande impacto, que expõe a fragilidade do filme, isto é, ser um produto infanto-juvenil para adultos.  E, bem, há a sequência final que parece um Arrebatamento, só que bem feito.  Com tanta gente perdendo a vida, ou desaparecendo, qualquer pessoa minimamente escolada em quadrinhos americanos (*ou em shounen mangá/anime*) já sacou que a coisa será desfeita.  E a jóia do tempo e das almas certamente terão papel nisso, talvez a primeira mais que a segunda.  E, não, não se trata de spoiler, é especulação minha.

Falando da Bechdel Rule, bem, não sei se ela é cumprida, porque não lembro se houve algum diálogo entre mulheres que não tenha sido sobre um homem, Thanos e Visão, especialmente.  Só que tivemos um número sem precedentes em um filme da Marvel de mulheres fortes e capazes, com importância na trama e destaque na história: Gamora, Feiticeira Escarlate, Nebula (Karen Gillan), Shuri, Viúva Negra, Mantis (Pom Klementieff), Okoye (*que faz a lésbica adormecida dentro de mim palpitar*), fora as figurantes Dora Milaje e uma das minions de Thanos.  Além disso, há Maria Hill (Cobie Smulders) na cena pós-créditos (*que dmora horrores para chegar*).  Talvez, tenha esquecido alguém.  O fato é que todas essas personagens estavam na trama por algum motivo e certamente, algumas delas terão ainda mais destaque no segundo filme.  Eu aposto, por exemplo, que Shuri terá que vestir o manto do Pantera Negra, ainda que temporariamente... 

Preparação para a batalha.
Que mais dizer?  O capitão América ficou lindo de barba, aliás, homens lindos é o que não fata no filme.  Não gostei do novo cabelo da Viúva Negra, parecia um tanto ressecado e num tom louro claro demais.  Ela estava mais bonita em outros filmes.  A cenas do Doutor Estranho valeram mais do que seu filme solo? As referências à cultura pop foram engraçadíssimas, agradecimentos aos dois Peters, o Parker e o Quill.  Jornada nas Estrelas e seu teletransporte.  Alien 2.  Sobre Footloose ser um grande filme e o Kevin Bacon o maior astro do cinema de todos os tempos... E foi engraçada a cena do Tony Stark ameaçando quem fizesse outra citação à cultura pop... E o adolescente Groot é uma graça e ajuda bastante o Thor quando precisam dele.  E tem a participação especial do Peter Dinklage.

Terminando, o filme não me impactou, ou comoveu.  Não consigo compartilhar da emotividade que muitas pessoas vem relatando nas redes sociais.  Achei Pantera Negra bem mais emocionante e o último Homem Aranha um filme superior, fora que ambos tem vilões melhores que Thanos.  De qualquer forma, esse tipo de filme, com censura 12 anos, não tem como objetivo aprofundar nada em termos de carga dramática.  Foi divertido?  Sem dúvida.  E eu veria de novo, aliás, quase fui com meu marido, mas ele teve um compromisso.  A história ficou coesa, o vilão era bom (*não muito bom, ou excelente*) e os diretores souberam lidar com uma quantidade absurda de gente, melhor ainda, ninguém perdeu sua identidade, muito pelo contrário, estavam todos bem marcados.  Agora, dos dezoito filmes da Marvel, ainda me faltam assistir dois, Homem Formiga e o Soldado Invernal, espero fazer isso em breve.


Bem, se você está aqui, nãos e importa com spoilers, aqui, o que você terá é isso. Vamos falar dos mortos.  O filme começa com o massacre da nave dos Asgardianos e, bem, a morte do Loki (Tom Hiddleston) não me convenceu.  Tampouco, a reação de luto e dor do Thor pareceu correspondente a sua perda.  Como Loki é Loki, essa é uma morte que não vai durar muito tempo.  Achei inclusive que a cena tinha que ser melhor elaborada, que foi um dos pontos baixos de um filme que, no geral, é bom.  Já  Heimdall (Idris Elba), periga ser a única morte de verdade de Os Vingadores: Guerra Infinita.

Loki não e deixaria matar tão fácil, não mesmo.
Talvez a morte mais dramática tenha sido a de Gamora.  Eu não esperava e não tinha noção do drama que iriam criar em torno da sua relação com o vilão.  Thanos tem sentimentos, ainda que a própria filha não acredite nisso. E, claro, a dor de Quill ao saber dela colocou o plano do Doutor Estranho a perder.  Como teremos Os Guardiões da Galáxia 3, não acredito que ela ficará morta.  Talvez, o próprio Thanos traia o acordo e tente trazê-la de volta, agora que sua faxina do universo acabou.

Em relação à luta de Thanos com o homem de Ferro e outros heróis no planeta Titan, os americanos nunca conseguirão se livrar de certas amarras.  Se o universo está em risco, sabe-se lá quantos seres, a vida de um homem não pode valer mais do que tudo isso.  Quando o Doutor Estranho prefere entregar a jóia do tempo para que Tony Stark não morra, além de uma decisão ilógica, é meio anticlimático, porque aquela seria uma morte importante, em uma cena carregada de tensão.  Da mesma forma que não destruírem o Visão, de levarem ao extremo a tentativa de salvá-lo, esvaziou um pouco o drama.  Mas vem o filme dois e tudo se resolve.... 

Thanos tem que sacrificar a filha que tanto ama.
O desaparecimento dos heróis no final, de metade deles, pelo menos, não teve impacto algum de verdade.  Se você é sensível, talvez tenha se abalado, mas o único momento de alguma emoção para mim foi o jovem Peter Parker choramingando que não queria ir.  Ele é um menino que foi arrastado para uma luta de super-seres e sabe que vai morrer.  Grande interpretação de Tom Holland e Robert Downey Jr.  Só que sejamos realistas, tudo isso será revertido pelo simples fato de a Marvel contar com as personagens para outros filmes ou franquias.  Seria absurdo promover uma chacina real.  O Pantera Negra, em especial, nunca morreria, mas seu desaparecimento temporário pode servir para que Shuri vista o manto do pantera, algo que aconteceu nos quadrinhos.

E tudo terminou com a convocação da Capitã Marvel (Brie Larson)... Bem, e espero muito pelo filme da heroína.  Saber que terei que esperar quase um ano é muito chato.  Torço para que seja um bom filme e o desfecho do filme dos Vingadores supere em qualidade e bilheteria esta primeira parte.