sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Recomendação de Documentário: Eles Poderiam Estar Vivos

Já havia até desistido de comentar este documentário, que está disponível no Youtube, sobre as negligências do Governo Federal que possibilitaram que as mortes por COVID-19 escalassem no Brasil.  Estou com COVID no momento e sou grata às quatro doses de vacina, porque se os sintomas são ruins, muito mesmo, no meu caso, imagino o que seria se estivesse sem vacina, como tantos estavam em 2020, 2021, mesmo com os primeiros imunizantes disponíveis. E esta semana, em debate, o presidente mentiu novamente dizendo que eles não estavam disponíveis no final de 2020MENTIU e quer se reeleger e pode efetivamente conseguir, mesmo tendo possível responsabilidade na morte de pelo menos 400 mil pessoas das cerca de 700 mil oficialmente perdidas para a doença.

Muito bem, o documentário  produzido pelos irmãos Gabriel e Lucas Mesquita foca nos familiares das vítimas, histórias tristes, cruéis, de gente que não pode enterrar seus mortos como se deve, isto é, contemplando pela última vez seu ente querido que partiu.  Gente que viu pai, mãe, irmãos, partirem sem terem tido acesso a uma única dose de vacina.  O outro foco do documentário são os cientistas, vários deles, de áreas relacionadas ao combate e prevenção da epidemia.  Alguns estiveram na CPI, outros são ligados a importantes centros de pesquisa no Brasil e no Exterior.  

Na comparação, acredito que há mais cientistas do que relatos de vítimas, eu teria invertido a balança e dado mais voz aos que sofreram as perdas.  Ainda assim, eu consegui me comover e estando doente neste momento junto com meu marido e filha, minha indignação é ainda maior.  Mas eu conheço pelo menos uma pessoa que quase morreu, perdeu pai, perdeu mãe e continua achando que tudo o que (não) foi feito pelo governo federal na pandemia foi corretíssimo.  E que trabalho domiciliar no auge da pandemia era coisa de quem não queria trabalhar de verdade.  

Por essas e outras, eu senti realmente falta foi da ponte com o Fascismo e a pulsão de morte, que possibilita a  defesa de que aqueles que morreram são os mais fracos, os indignos, os que representavam um peso para a comunidade.  Não se trata somente, como o documentário defende, de uma opção pela economia, até porque Paulo Guedes e Bolsonaro não tem nenhum planejamento econômico para além da espoliação das riquezas da nação e a possibilidade de garantir o enriquecimento de especuladores e dos lumpen capitalistas (*aqueles que querem ganhar o máximo, o mais rápido possível, sem pensar no amanhã*).  E cabe aqui ressaltar que, também nos debates, se ignorou o fato do governo atual, e isso depois de muito pressionado, ter defendido um auxílio de somente 200 reais.  Quem garantiu que fosse mais que isso foi o Congresso, em especial as oposições, e um arranjo com o STF.  

Não se priorizou a economia, portanto, se jogou com a possibilidade de dispensar um número de pessoas considerado inferior em um projeto de "imunidade de rebanho" que jogava com vidas humanas.  O nome é eugenia os resultados dessa "experiência" estão aí para quem quiser ver.  Eu perdi pessoas próximas, não perdi membros diretos da minha família, ou amigos íntimos, mas conheço mais de um caso trágico.  Vi meu irmão destroçado pela perda de quatro amigos em um mesmo dia, meus pais lamentando a perda de pessoas que estimavam, famílias inteiras, gente que eu conheci enquanto crescia.  Eles moram no Rio de Janeiro, eu em Brasília.  Eu trabalhei presencialmente, mesmo sem alunos em minha escola, durante todo o ano de 2020.  Eu saia de casa sem a certeza de que não voltaria trazendo a infestação para minha filhinha e meu marido, que era grupo de risco.

E é isso.  O documentário foi lançado no dia 22 de setembro.  Houve algumas exibições públicas, uma na UnB, inclusive, mas o acesso estava liberado no Youtube simultaneamente. De resto, NÃO PODEMOS ESQUECER DOS QUE PODERIAM ESTAR AQUI CONOSCO, SE AS VACINAS TIVESSEM CHEGADO.  E a pandemia, à despeito da suspensão de todas as medidas sanitárias, mesmo em ambientes escolar, local onde eu trabalho, não acabou.  E eu não esqueço, mesmo não tendo perdido nenhuma pessoa realmente próxima, ou passado uma temporada na UTI.  Você pretende esquecer?  Mais uma coisinha antes do fim, as ações do presidente ajudaram a colocar em questão a eficácia das vacinas, isso é muito bem tratado no documentário, dando peso para discursos antivacina que eram absolutamente marginais até então.  Resultado?  Voltamos a ter mortes por sarampo, a poliomielite pode voltar, também.  Deem mais quatro anos para este homem e os resultados não serão dramáticos somente na economia.

Ranking da Oricon - Semana 18-25/09

Desta vez, não vou atrasar o ranking da Oricon.  Aliás, doente como estou (*peguei COVID) traduzir lista de mais vendidos é mais fácil do que conseguir pensar um post, especialmente, um que me exija maior pesquisa, ou concentração.  Enfim, uma semana com muitos shoujo, josei e BL, ainda que, no top 10, Akatsuki no Yona esteja sozinho.  São oito títulos no total.  De destaque na semana, além de Yona, temos Yubisaki no RenRen, que está se despedindo do top 30.

1. Kingdom #66
2.Record of Ragnarok #16
3. Detective Conan #102
4.Sono Bisque Doll wa Koi wo suru #10
5.Akatsuki no Yona #39
6.Sousou no Frieren #9
7.Yomi no Tsugai #2
8.Choujin X #4
9.Shangri-La Frontier #10 ~Crappy Game Hunter Challenges God-Tier Game~
10.Kanojo, Okarishimasu #28
14. Fundari, Kettari, Aishitari #3
15. Hatsu x Kon #10
21. Futari de Koi wo suru Riyuu #11
23. Tsuki no Oki ni Mesu mama #9
25. Yubisaki to Renren #7
26. Dareka Yume da to Itte Kure #4
30. Hallelujah Baby #4

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Keiko Iwashita estreia novo mangá na revista Dessert

A última edição da revista Dessert, a de novembro (*sim, adiantado desse jeito*) anunciou que o novo mangá de Keiko Iwashita, de Living no Matsunaga-san (リビングの松永さん ), vai estrear novo mangá no mês que vem.  Museru Kurai no Ai wo Ageru (むせるくらいの愛をあげる) contará a história de um músico e uma aspirante a designer que tem personalidades bem opostas.  É o que sabemos até agora.  A autora postou a ilustração do post na sua conta do Twitter.

Sogra e nora criam um laço especial ao descobrirem que ambas são otaku em novo mangá lançado no Japão

Okaa-san to Sougo (お義母さんと相互), de Yagiri Meri, recebeu uma matéria no Comic Natalie e parece ser uma daquelas séries que tem ingredientes para se tornar um sucesso.  Muito bem, Eriko é uma office lady que decidiu continuar trabalhando depois de casada (*como não é comum, o resumo dá muito destaque a isso*) e, um dia, descobre que sua sogra tem como descanso de tela de seu celular um fanart que ela havia feito.  Depois disso, elas estreitam os seus laços, descobrem que gostam das mesmas séries e passam a se seguir nas redes sociais.

O volume saiu ontem no Japão e o obi, aquele cinto de papel com recomendações, ou informações, sobre o mangá, foi escrito pela mangá-ka Sanada Tsuzuru.  Não parece haver scanlations da série ainda.

Yuu Watase lança capítulo especial de Fushigi Yuugi e anuncia que Byakko Senki sairá do hiato

Comecemos pelo retorno de Fushigi Yuugi: Byakko Ibun (ふしぎ遊戯 白虎異聞), a série está em hiato desde 2018, mas a autora anunciou no seu Twitter que irá retornar a série no outono do ano que vem, depois de publicar um novo capítulo especial de Fushigi Yuugi, segundo o Pro Shoujo Spain.

Também estão disponíveis a capa da revista Flowers e as páginas coloridas do capítulo especial.  O traço da autora mudou bastante, muito mesmo, e estou falando do traço maduro de Yuu Watase.  Há quem ache bonito, Há quem não tenha gostado.  Fushigi Yuugi foi publicado no Brasil pela editora Conrad e foi um dos primeiros shoujo lançados no Brasil.  Tenho muito carinho pela série, que saiu naquela fase meio quente da Sho-Comi, na qual o material tinha mais sexo e violência do que em nossos dias.

Enfim, estou doente ainda, não houve melhora na virose.  Estou praticamente sem voz e com a garganta inflamada.  Espero começar a melhorar amanhã.  Vamos ver. Pelo menos, estou de atestado por dois dias.  Vejamos como estarei na quinta-feira. Tenho muita coisa para postar, mas estou sem nenhum ânimo.  Fazia tempo que eu não ficava doente.

domingo, 25 de setembro de 2022

Estou doente, o blog vai ficar lento

Pessoal, peguei uma virose, acho que é, sabe aquelas doenças genéricas que tem sintomas mais ou menos comuns?  Enfim, minha filha adoeceu primeiro, de quinta para sexta-feira e, hoje, foi a minha vez.  Garganta doendo, dor no corpo e febre que durou quase o dia inteiro.  Então, se ficarmos sem postagens, ou com menos postagens esses dias é por isso.  Mãe e filha doentes e ainda tendo que ir para o trabalho.

sábado, 24 de setembro de 2022

Ranking da Oricon: Quais os mangás mais vendidos das últimas cinco semanas

Fiquei muito tempo sem postar os mais vendidos da Oricon, mas consegui colocar tudo em dia, o último ranking que eu postei foi este aqui.  A vantagem de colocar tantas listas de uma vez é que é possível ver quais os mangás que permaneceram várias semanas entre os mais vendidos do país.  Enfim, eu sempre coloco os dez mais vendidos, tendo algum mangá feminino, ou não, e os shoujo, josei, BL que aparecem entre o 11º e 30º lugar.  Por exemplo, no último ranking temos Yubisaki to Renren normal e a edição especial e Dareka Kono Joukyou wo Setsumei Shite Kudasai!.  Acredito que um dos destaques nessas semanas sem ranking foi Oni no Hanayome, cujo volume #1 ficou duas semanas no top 10.  Abri exceção para Gekkan Shoujo Nozaki-kun, porque, apesar de ser shounen, é uma série sobre shoujo mangá.

1. Kingdom #66
2. Detective Conan #102
3. Sousou no Frieren #9
4. Yomi no Tsugai # 2
5. Yubisaki to Renren #7
6. Konjiki no Gash!! 2 #1
7. World Trigger #25
8.Yofukashi no Uta #13
9.Mahou Tsukai no Yome #18
10.Nigatsu no Shousha -Zettai Goukaku no Kyoushitsu- #16
11.Dareka Kono Joukyou wo Setsumei Shite Kudasai! #7
22. Yubisaki to Renren #7 Edição Especial


1. World Trigger #25
2. MF Ghost #15
3. Kami-tachi ni Hirowareta Otoko #9
4. Yuusha Party o Tsuihou Sareta Beast Tamer, Saikyou Shuzoku Nekomimi Shoujo to Deau #7
5. Tokyo Revengers #29
6. BORUTO #18 -NARUTO NEXT GENERATIONS-
7. Uzaki-chan wa Asobitai! #9
8. Mahou Tsukai no Yome #18
9.Jujutsu Kaisen #20
10.Isekai Kenja no Tensei Musou ~Game no Chishiki de Isekai Saikyou~ #6
23. Madougushi Dahlia wa Utsumukanai - Dahliya Wilts No More #5


1. World Trigger #25
2. Aoashi #29
3.Haikyu!! 10º Chronicle (com brindes)
4.Jibaku Shounen Hanako-kun 
#18
5.Tokyo Revengers #29
6.Jujutsu Kaisen #20
7.Kamen Rider W: Fuuto Tantei #13
8.ONE PIECE #103
9.BORUTO #18 -NARUTO NEXT GENERATIONS-
10.Oni no Hanayome #1
15. SUPER LOVERS #16
16.31-banme no Okisaki-sama #4
17.Coffee & Vanilla #20
22. Junjou Romantica #27 Edição Especial
28. Bite Maker -Ousama no Omega- #10
29. Sakura, Saku。 #5
30. Rekishi ni Nokoru Akujo ni Naru zo - Akuyaku Reijou ni Naru Hodo Ouji no Dekiai wa Kasoku Suru you desu! #3


1. Tokyo Revengers #29
2. Jujutsu Kaisen #20
3. Jibaku Shounen Hanako-kun #18
4. Uma Musume: Cinderella Gray #8
5. ONE PIECE #103
6. Oni no Hanayome #1
7. Goblin Slayer #13
8. Itai no wa Iya na no de Bougyoryoku ni Kyokufuri shitai to Omoimasu。 #6
9. Super no Ura de Yani Suu Futari # 1
10. Isekai Ojisan #8
13. Sakura, Saku。#5
14.Coffee & Vanilla #20
19. Tsuiraku JK to Haijin Kyoushi # 14
20. Gekkan ShoujoNozaki-kun #14
26. Dakishimete, Tsuideni Kiss mo # 9


1. Tokyo Revengers #29
2. Jujutsu Kaisen #20
3.ONE PIECE #103
4.Uma Musume: Cinderella Gray #8
5.Dungeon Meshi #12
6.Mokushiroku no Yonkishi #8
7.Gekkan Shoujo Nozaki-kun # 14
8.Bakemonogatari #18
9.Isekai Ojisan #8
10.Megumi no Daigo - Kyuukoku no Orange #5
14. Hananoi-kun to Koi no Yamai #11
15. Nagi no Oitoma #10
22. Tsuiraku JK to Haijin Kyoushi #14

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Taxa de jovens japoneses que querem se casar um dia cai para o menor nível de todos os tempos na pesquisa

A última pesquisa feita pelo governo japonês para saber qual a disposição dos jovens japoneses (homens e mulheres cis-hetero, ao que parece) em relação ao casamento e aos filhos revelou uma queda em relação ao último levantamento.  Segundo o Sora News, a pesquisa é feita a cada cinco anos.  Foram coletadas 7.862 de homens e mulheres solteiros com idades entre 18 e 34 anos. Quando perguntados se eles estavam dispostos a se casar, 17,3% dos homens e 14,6% das mulheres responderam: "Eu não tenho intenção de me casar ”, um aumento de 5,3 e 6,6 por cento em relação à pesquisa anterior. No outro extremo do espectro, 81,4% dos homens e 84,3% das mulheres disseram “quero me casar um dia”, ambos os números são os mais baixos desde que a pesquisa foi realizada pela primeira vez em 1982.

A mudança mais dramática, segundo a matéria, se relaciona ao desejo de ter filhos. 55% dos homens e 36,6% das mulheres responderam que “se você se casar, você deve ter filhos”, representando uma queda de aproximadamente 20% para homens e cerca de 30% para mulheres em comparação com apenas cinco anos atrás. Mesmo aqueles que querem filhos querem menos crianças. Quando os participantes que têm um parceiro romântico com quem estão pensando em se casar foram questionados sobre quantos filhos esperam ter, a média para os homens foi de 1,91, acima dos 1,82 do último estudo, e para as mulheres foi de 1,79, abaixo dos 2,02, marcando pela primeira vez na história da pesquisa para o número médio desejado de crianças cair abaixo de 2.

O SN termina comentando que apesar da queda de natalidade no Japão ser uma constante, a pesquisa foi feita no primeiro semestre de 2021, antes da vacina contra a COVID se tornar amplamente disponível no Japão.  Por isso, os números podem ter sido menores, as pessoas estavam isoladas e um tanto abaladas pela doença, inclusive, pela convivência forçada com suas famílias.  Enfim, é o que está lá.  De qualquer forma, o ônus pelos filhos e as pressões que as mulheres sofrem na sociedade japonesa com certeza têm impacto sobre os números.  Há a falta de políticas sociais consistentes para as mulheres, as creches públicas não são em número insuficiente e existe uma expectativa de que as mulheres devem abrir mão da carreira pela família, mesmo quando amam sua profissão, ou as necessidades econômicas da família não serão supridas de forma adequada.

Cara de Pau sem Limites: Editora Francesa lança edição pirata de One Piece e ainda faz propaganda

One Piece  (ワンピース) é um fenômeno, goste, ou não, leia, ou não, qualquer pessoa que acompanha minimamente o que acontece na indústria de mangá sabe disso.  Com 103 volumes e em andamento, sabe-se lá quando será concluído, a série é uma das mais vendidas dentro e fora do Japão.  Pois bem, na França, o segundo maior mercado de mangá do mundo, a licença da série é da poderosa editora Glénat.  Tudo bem, tudo bom, mas eis que a JBE Books lança uma edição chamada "all-in-one" anunciando que é o maior volume único do mundo com 21.450 páginas e custando 1900 euros, 9,.495.43 reais em valores de hoje.  E é pirataria.

O ANN falou da edição, baseando-se em uma matéria do The Guardian.  A Shueisha já avisou que os direitos de One Piece na França são da Glénat.  O argumento da tal JBE Books é que eles não estão infringindo direitos, porque o volume que eles lançaram é impossível de se ler, sendo somente uma peça de decoração (‼️‼️).  Sério, gente, o argumento principal da defesa é esse.  Outro ponto que o The Guardian levanta é que uma edição pirata como esta não gera nenhuma receita para o autor, Eiichiro Oda.  Assim, espero mesmo que esta editora tome uma trolha muito grande, tão grande que tenha que fechar suas portas.

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Revelado o elenco principal da segunda parte do dorama de Ōoku

A partir de janeiro do ano que vem, teremos um grande dorama baseado no mangá Ōoku (大奥), de Fumi Yoshinaga.  No início de setembro, foi anunciado o trio principal do primeiro arco da história (*quer dizer, se seguir o mangá, é o segundo, mas, temporalmente, é o primeiro*), o que seguirá a vida da shogun Iemitsu.  Agora, temos o elenco do arco de Yoshimune, a shogun que é central no mangá, pela sua importância e por ser uma espécie de modelo para suas sucessoras.  

Tokugawa Yoshimune será interpretada por Ai Tominaga, Kano Hisamichi, braço direito da shogun, será  Shihori Kanjiya.  O camareiro-mor, Fujinami, será interpretado por Kataoka Ainosuke VI, que também é ator de kabuki.  Yuuto Nakajima será Mizuno Yuunoshin, o jovem que acaba sendo escolhido pela shogun para sua primeira noite no harém sem que ambos saibam da tradição de que ele deveria ser morto no outro dia.  Shunsuke Kazama será Sugishita.

Como não expliquei, o Ōoku é o harém da shogun, a única mulher no Japão que poderia ter o luxo de uma legião de homens jovens para servi-la no seu dia-a-dia e na cama.  Ele foi criado como uma forma de demonstrar o poder da governante durante uma epidemia que dizimou a população masculina do país e possibilitou que as mulheres tomassem o poder.  Esse arco da história cobre o primeiro volume e, talvez, algo mais, se decidirem esticar e mostrar o resto do reinado de Yoshimune, que aparece, se não me engano, no volume #7.  As informações vieram do Comic Natalie.  Para quem quiser, eu fiz um Shoujocast sobre Ōoku.  O vídeo está aí embaixo.

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Balinhas para adultos da Rosa de Versalhes lançadas no Japão

A Bandai acabou de anunciar o lançamento, mais um produto para os 50 anos do aniversário da Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら), de balinhas, gominhas, na verdade, com teor alcóolico para adultos.  Pelo que li na página do produto, a propaganda vende o doce como uma compensação depois de um dia de trabalho, ou estressante.  O teor  alcóolico é de 0.08%, não sei o que isso efetivamente significa, porque não sou consumidora de bebida alcóolica, mas está escrito que não é para criança, para quem tem sensibilidade ao álcool, para quem vai dirigir, grávidas etc., então, já sabe.  O vídeo do lançamento está aí embaixo:

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Kaoru Mori lança o seu terceiro volume de rabiscos no Japão

Você compraria um volume só com rabiscos de Kaoru Mori?  Eu compraria com certeza!  A autora, uma das grandes ausências no mercado editorial brasileiro, está lançando no Japão o seu terceiro volume da série SCRIBBLES.

Este novo encadernado compila 246 desenhos da autora, estudos de personagens, rabiscos feitos para passar o tempo, enfim, coisinhas que poderiam ficar esquecidas, mas que sendo de Kaoru Mori são pequenas obras de arte, pois ela é uma das melhores artistas de sua geração.

O Comic Natalie colocou alguns dos rabiscos na matéria sobre o lançamento do livro, ele terá duas versões uma em tamanho B6, e a wide, que tem 240mm de comprimento e 170mm de largura, o mesmo das antologias de mangá.

E quem comprar os três volumes juntos em algumas lojas japonesas recebem como brinde um livreto com doze ilustrações em cores, que não entraram na última edição.  

Filmes da Lenda dos Heróis Galácticos serão relançados nos cinemas japoneses

Segundo o Comic Natalie, os filmes My Conquest is the Sea of Stars (銀河英雄伝説 −わが征くは星の大海−, Ginga Eiyū Densetsu: Waga Yuku wa Hoshi no Taikai) ), de 1988, e que serve de prequel para a série de OAVs, e o Overture to a New War (銀河英雄伝説外伝 新たなる戦いの序曲(オーヴァチュア, Ginga Eiyū Densetsu Gaiden: Aratanaru Tatakai no Overture), de 1993, e que reconta os dois primeiros capítulos OAVs, foram remasterizados em 4K e serão relançados nos cinemas japoneses.  É uma chance para que os que conheceram LOGH pela nova série, possam experimentar com qualidade a primeira adaptação dos livros de Yoshiki Tanaka.

O filme de 1988 chegará aos cinemas em 30 de dezembro e o de 1993, em 21 de janeiro, cada um ficará somente duas semanas em exibição..  O objetivo é marcar o início da publicação dos romances de Yoshiki Tanaka que deram origem à série animada que é um dos melhores materiais japoneses de ficção científica de todos os tempos.  O CN registra o agradecimento emocionado do autor, que diz que está envelhecendo, mas que sua obra parece se manter sempre jovem e que é muito grato aos fãs por isso.  ❤️  LOGH é uma série muito querida e com um fandom fiel e merece ser muito celebrada.  Preciso tomar vergonha e retomar os livros.

domingo, 18 de setembro de 2022

Livro reúne contos de fada transformados em quadrinhos por grandes estrelas shoujo mangá

O Comic Natalie anunciou o lançamento do livro Manga-ka! Sekai Bungaku Tanbi to Heroine (マンガ化! 世界文学 耽美とヒロイン) com várias adaptações de contos de fada para o shoujo mangá.  Enfim, material que merece espaço na estante de qualquer fã de shoujo, ou de mangá.  Enfim, segue a lista completa (*e agradeço ao Pro-Shoujo Spain pela tradução do conteúdo*):

  • Moto Hagio x Hans Christian Andersen
  • Ryouko Yamagishi x Grimm
  • Miyako Maki x Murasaki Shikibu
  • Suzue Miuchi x Higuchi Ichiyou
  • Yasuko Sakata x Charles Perrault
  • Kyoko Fumizuki x Louis Hémon
  • Hideko Mizuno x Grimm
  • Shio Satou x Jeanne-Marie Leprince de Beaumont
O livro foi lançado no dia 16 de setembro e o preço do livro é 1800 ienes, algo como 66 reais e 15 centavos, sem taxa de correio, no CD Japan.  No Amazon está mais caro.

sábado, 17 de setembro de 2022

E abriu a exposição dos 50 anos da Rosa de Versalhes! Comentando algumas matérias recentes com Riyoko Ikeda.

Tokyo City View em Roppongi Hills, Tokyo, recebe, entre 17 de setembro e 20 de novembro, a grande exposição dos cinquenta anos de publicação do mangá da Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら).  As fotos ainda estão começando a aparecer, a da abertura do post veio do perfil oficial da exposição, outras fotos que vi, tinham a pessoa que bateu nelas, então, vou esperar fotos limpas.  No entanto, o post é para comentar a matéria do site do Oricon, do Comic Natalie (*as demais fotos vieram de lá e há muitas fotos no CN*) e uma entrevista de Ikeda para o site da revista CREA.  De comum às três matérias temos a valorização de André como o "marido ideal" inventado por Ikeda quando ele não existia ainda, ou era uma raridade.

Não sei japonês, já disse antes, mas dou meus jeitos e pedi ao Luiz, ele, sim, alguém que domina a língua, para me corrigir nos comentários caso tenha feito alguma barbeiragem.  Com os links, qualquer pessoa pode fazer sua própria tradução, ou tirar suas conclusões.  Copiar o meu texto (*não citar trechos dele com a devida referência, ou as matérias japonesas originais*), não pode, porque plágio é crime.  

Ikeda, belíssima, e acompanhada pela idol Ai Takahashi, nascida em 1986 e que conheceu a Rosa de Versalhes por uma pela do Takarazuka, segundo o CN, abriu a exposição, dizendo: ""Eu tinha 24 anos quando comecei a desenhar o mangá, então acredito que estou velha. Nunca acreditei que estaria viva 50 anos depois para poder realizar uma exposição tão incrível”, disse ela com um sorriso. Além disso, sobre a época da serialização, "O mangá era considerado prejudicial para as crianças, então só me lembro de que apanhei muito (risos). Disseram-me que e era uma pessoa vulgar e que não mangá não era cultura. lembro de trabalhar duro com o editor para criar algo que não seria jogado fora""  Mais adiante, Ikeda comentou: ""Naquela época, o status social das mulheres era mais baixo do que é agora, e era uma época em que as pessoas diziam: 'Sou mulher'. como se estivessem dizendo: 'Vou me casar'. Então, eu queria que Oscar mostrasse que você pode construir uma vida por meio de seus próprios esforços e talentos, independentemente de ser mulher ou homem.""

Ainda no CN, Ai Takahashi pergunta qual a personagem favorita de Ikeda.  Ela responde então "Se for um homem, especialmente Luís XVI", mas ela segue dizendo que gosta de todas as personagens que desenha, mas acrescenta que gosta de Luís, porque ele é tolerante e Takahashi também concorda fortemente: "Eu entendo! Não posso acreditar que alguém ame tanto sua esposa!" Aqui, não sei se traduzi direito, mas não é como se Luís XVI pudesse se livrar de Maria Antonieta e não entendo esta simpatia toda por ele.  Na entrevista para a CREA, Ikeda se estendeu mais sobre esse ponto, comento mais abaixo.  Ikeda segue falando: "Acho que seria mais fácil trabalhar se houvesse um homem (que me apoiasse) como André (em relação à Oscar) ao meu lado.  Muita gente está concordando."  Takahashi emendou: "Se você pensar bem, meu marido (Koji Abe) é André".  Parece que Ikeda acrescentou que seu marido também é como André, mas não tenho certeza.  

Sobre a exposição, Ikeda falou: "Fiquei muito entusiasmada com tudo isso. Mas estou um pouco envergonhada das minhas pinturas de 50 anos atrás. Tenho um sentimento forte."  Não sei se forte se remete a alguma emoção negativa, mas, segundo o CN, sua expressão era amarga, mas Takahashi tentou animá-la dizendo: "Não, foi lindo! Você até escreveu o que estava pensando, o que me fez rir. Além disso, o vestido que Oscar usou apenas uma vez na vida é maravilhoso...!"  Concluindo, Ikeda diz "Já estou nos últimos estágios da minha vida. Mesmo se eu partir em um futuro não muito distante, espero que as pessoas que vierem depois de mim leiam a Rosa de Versalhes e continuem a lê-la [para sempre?]. ."  E Takahashi emenda dizendo: "Espero que sim!".

A matéria do Oricon, que também é sobre a abertura da exposição, trouxe mais partes dessa troca entre Ikeda e Takahashi sobre André.  Além das falas que eu tentei traduzir, temos o seguinte: "Eu desenhei André porque pensei que seria mais fácil trabalhar se houvesse um homem como este. Recebi muitas respostas positivas.".  Ikeda continuou dizendo, "O momento está se aproximando, em que os homens não dirão que estão ajudando suas esposas nas tarefas domésticas, mas fazendo-as junto com elas". E, segundo a matéria, Ikeda completou com um sorriso tímido: “Meu marido é André. No passado, havia várias coisas como 'dignidade de um homem', mas os jovens de hoje não têm esse tipo de coisa, e meu marido é 25 anos mais novo que eu e lava a roupa sem se preocupar com isso. Espero que o número desses homens aumente e que seja mais fácil para as mulheres trabalharem fora".  Ikeda está casada e feliz da vida percebe-se.

Já o site da revista CREA, cujo tema da edição parece ser adultos que gostam de mangá, traz uma entrevista interessante de Riyoko Ikeda feita pela escritora Shion Miura, que nasceu no mesmo ano que eu e conheceu a Rosa de Versalhes lendo o mangá quando estava no primário.  Vou pinçar algumas partes, especialmente, aquelas que nunca vi em outras entrevistas que eu tenha colocado no Shoujo Café.  E já destaco que André está em evidência nessa conversa, também, assim como Luís XVI.

Miura: A primeira vez que li o mangá foi na casa da minha prima [ou primo?], durante as férias de verão do meu primeiro ou segundo ano do primário. Fiquei fascinada com as cenas levemente eróticas de romance que faziam meu coração palpitar quando criança, e o estilo de terror de gaiden que me dava calafrios. Muito obrigada por criar um trabalho tão maravilhoso. [Ikeda fala que não queria ser mangá-ka, mas escrever romances quando criança e adolescente] tenho um amor incontrolável por mangá, e eu mesma tentei desenhá-los. No entanto, fiquei frustrada com a minha capacidade de desenhar e, acima de tudo, com a divisão de quadros. Eu leio muito, mas não consigo descobrir como dividir os quadros. Como foi com você, Ikeda-sensei?

Ikeda: Quando eu era criança, tanto os adultos como professores e pais achavam que o mangá era prejudicial. Mas minha mãe foi muito compreensiva e optou por me deixar ler porque não sabia que tipo de talentos dormem nas crianças. Aprendi a dividir os painéis imitando os quadrinhos dos meus professores favoritos, como Hideko Mizuno, Masako Watanabe e Miyako Maki. Não tenho experiência como assistente. [Ikeda foi gentil e citou somente autoras mulheres que já eram ativas nos anos 1950, pensei que ela iria incluir Tezuka e Ishinomori, aliás, dele, ela fala depois.]

Miura: Você é um gênio, afinal.

Ikeda: Não, houve um tempo em que eu não conseguia vender nada. Para ganhar a vida, eu tinha muitos empregos de meio período.

Miura: Você sempre gostou de desenhar e era boa nisso?

Ikeda: Além dos romances [Tentativas de ser escritora?], muitas vezes contribuí com mangás para revistas femininas da época, como "Shoujo Book" e "Shojo Club". Shotaro Ishinomori-sensei elogiou o mangá de quatro painéis, e eu também recebi um cartão postal. Foi só depois que fiz minha estreia que realmente conheci o Ishinomori-sensei.

Miura: Fiquei realmente chocada ao descobrir que Riyoko-sensei desenhou a Rosa de Versalhes aos 24 anos.

Ikeda: Quando entrei na universidade, era uma época em que as lutas estudantis estavam prosperando, então participei do movimento. [Ela era parte do Nihon Minshu Seinen Domei, a ala jovem do partido comunista japonês.  Ela estava na Universidade de Tokyo em 1968, ano marcado por revoluções e agitações políticas no mundo inteiro.]

Miura: A sua experiência com o movimento estudantil influenciou seu trabalho de alguma forma? Diz-se que se interessou pela revolução, e que foi algo que o levou a desenhar a Rosa de Versalhes.

Ikeda: Originalmente, fiquei profundamente impressionado com a biografia de Stefan Zweig "Marie Antoinette" quando estava no colegial. Algum dia eu gostaria de contar a vida de Maria Antonieta de alguma forma. Quando eu estava no ensino médio, já havia decidido o título "A Rosa de Versalhes".

Miura: É isso mesmo!

Ikeda: Em 14 de julho de 1789, quando o ataque à Bastilha desencadeou a Revolução Francesa, os "Guardas Franceses" mudaram de lado para o lado, apoiando o povo, embora estivessem à serviço do poder. Havia um capitão que comandava os guardas, e eu queria torná-lo ativo na história. Eu nunca tinha ido à França e quase não tinha materiais, então aproveitei e pensei que mudar o capitão para uma mulher me permitiria desenhar mais livremente. Eu ansiava por Oscar, que desempenhava um papel ativo em pé de igualdade com os homens e era cheio de charme humano.  [Os sites italianos normalmente apontam Pierre-Augustin Hulin como essa personagem que Ikeda gostaria de transformar em protagonista, mas eu nunca a vi citando-o por nome nas entrevistas que conheço.  De qualquer forma, ainda bem que ela mudou de ideia. ATUALIZAÇÃO: O Luiz comentou que ela citou Hulin em outra matéria que eu comentei, como perdia a referência, não sei.]

Miura: Eu acho que era um cenário novo que estava à frente de sua época. Há alguns personagens que atacam Oscar, dizendo: "Você é uma mulher", mas também há muitas pessoas que reconhecem categoricamente sua "atratividade como ser humano", que não tem nada a ver com o seu sexo.

Ikeda: Na época da serialização, vivíamos em uma sociedade absolutamente dominada por homens. Havia assédio sexual onde quer que você fosse e, independentemente, do mangá ser popular ou não, o salário das artistas mulheres era a metade do que recebiam os artistas homens.

Miura É uma história tão terrível...

Ikeda: Quando perguntei ao editor-chefe se isso era normal, ele me deu um olhar do tipo: "É natural que um homem que cuida de sua família receba um salário maior". Mesmo sendo uma época assim, era frustrante que as mulheres fossem tratadas com leviandade e que as coisas fossem divididas em para  mulheres e para homens. Desenhar Oscar cavalgando, usando uma espada e agindo livremente fazia parte do alívio do meu estresse.

Miura: O mesmo vale para as leitoras. A cena em que Oscar diz: "Estou conversando com uma mulher, mas (omitido) há alguém que possa me igualar em termos de habilidade!" foi realmente revigorante.

Ikeda: Acho que a maior parte do que Oscar diz vieram das minhas  próprias convicções. Ela desempenhou um papel ativo como uma ferramenta para me fazer dizer o que eu queria dizer em meu nome.

Miura: Além de sua frieza, o que mais me atraiu foi a profunda bondade de Oscar. Ela é a primeira a perceber o sofrimento das pessoas que são diferentes dela e decide que deve fazer algo junto com elas. [Aqui, o anime e o live action se afastaram do mangá, Oscar segue André, ele é o primeiro a perceber as mazelas do povo comum.] Seu modo de vida, cheio de bondade, força e imaginação, é uma estrela para mim, ou melhor, para todos os seres humanos, transcendendo o tempo e as fronteiras. As mulheres nas criações são frequentemente retratadas como "figuras femininas ideais". No entanto, são poucos os trabalhos que apresentam uma “imagem humana ideal” por meio de personagens femininas. No entanto, excelentes mangás shoujo, como a Rosa de Versalhes, buscaram isso desde um estágio muito inicial. Oscar é um modelo de como os seres humanos devem viver, independentemente do gênero do leitor.

Ikeda: Obrigada.

Miura: Ao mesmo tempo que, a outra personagem principal, Maria Antonieta, que nasceu com temperamento de princesa, também é muito atraente. Quando Maria tem que falar com a amante de Luís XV, a Condessa du Barry, a quem ela detesta, Marie diz: “Hoje, há muita gente em Versalhes!". Existe alguma fonte que prova que Marie realmente falou assim?

Ikeda Isso mesmo. Os detalhes também são baseados em fatos históricos.

Miura: Quando saio com meus amigos para apresentações ao vivo e vejo a multidão, alguém quase reflexivamente diz essa frase (risos). É um ditado famoso que está impregnado no dia a dia dos fãs.

Ikeda: Quando o ex-presidente Hollande visitou o Japão, fui convidada para a recepção, e um diplomata francês que acompanhava o presidente se aproximou de mim e disse: "Li seu trabalho e estudei a revolução. Se eu não tivesse lido isso, acho que teria visto Marie de forma diferente."

Miura: A Rosa de Versalhes é incrível! No início, Marie, que era uma menina superficial e inocente, gradualmente começou a pensar sobre a nação e, no final, ela era como uma mãe sagrada [???]. Essas mudanças estão na biografia de Zweig? Ou é criação sua, Ikeda-sensei?

Ikeda: Certamente, em sua biografia, ele retratou seu crescimento pessoal e também me emocionei com ela. "Meu nome ficará na história para sempre.” Eu não escrevi sobre isso no mangá, mas acho que Marie decidiu morrer de uma maneira que faria jus ao seu nome. [Desculpe, Ikeda, Maria Antonieta não teve escolha alguma nessa parte de ir, ou não, para a guilhotina.  Poderia ter se salvado se não decidisse ficar com o marido, logo no início da Revolução, quando o rei não acreditava que as coisas iriam desandar, mas ao ficar, já era! ATUALIZAÇÃO:  O Luiz ponderou o seguinte aqui "A impressão que eu tive foi que a Riyoko Ikeda acha que a Maria Antonieta quis morrer de "cabeça erguida" (no pun intended), uma vez que o destino dela já estava marcado. Não que ela escolheu a forma de morrer."]

Miura: Um dos episódios memoráveis ​​da obra é quando Oscar é resgatada por Rosalie e fica chocada com a sopa rala que ela comia.

Ikeda: Eu senti que tinha que contar ao Oscar o que havia de errado com a família real, então criei uma cena onde eu pudesse ver a vida das pessoas comuns. Acredita-se que as extravagâncias de Maria fizeram com que suas finanças se deteriorassem, mas na verdade, já na época de Luís XIV, ela estava em declínio financeiro devido à construção excessiva do palácio e à guerra. [Certíssima aqui.]

Miura: Oscar tem vergonha de dizer que ela próprio era um nobre e não sabia nada sobre o sofrimento do povo. A razão pela qual consigo entender instantaneamente a situação e sentir empatia quando entra em contato com um mundo completamente diferente do seu  é provavelmente porque teve André, uma pessoa não aristocrática, ao seu lado desde pequena, e essa experiência se tornou uma ponte, eu acho. Você previu desde o início que André teria uma presença forte depois do meio da história?

Ikeda: Não, no começo eu nem pensei que Andre acabaria com o Oscar. No entanto, tornou-se cada vez mais popular como um parceiro ideal para as mulheres da época. A Rosa de Versalhes foi escrita para meninas, mas quando recebia cartas de mulheres adultas, havia muitas dizendo: "Eu também quero um André". [A Rosa de Versalhes se tornou um fenômeno cultural e transcendeu as fronteiras do público alvo inicial.  E, olha, que veio gente negar isso, mesmo com o tamanho do fenômeno cultural que é a Rosa de Versalhes no Japão e outros países do mundo.]

Miura: Achei que o André iria desistir do amor [de Oscar] em algum momento, mas ao invés de se retirar, ele tem coragem de ficar ao lado do Oscar (risos). Senti-me atraída por sua bondade, não me sentia tão confiável quanto ele, e meus sentimentos por André mudaram de várias maneiras, mas quanto mais cresci, mais passei a pensar que alguém como ele é o melhor.

Ikeda: André sabe que Oscar é superior em status social, educação e artes marciais, mas ele está ao seu lado com um desejo obstinado de protegê-la. Também acho que não há nada de errado com as mulheres, mesmo que sejam mais talentosas.

Miura: Luís XVI também é maravilhoso. [Não. 😁]

Ikeda: Quando me perguntam com quem eu gostaria de me casar, eu também respondo que é Luís XVI. Quando ele se casou, ele era um rei muito raro que tinha riqueza e status e era gentil e não tinha uma concubina da corte.[Por isso, todos os olhos sobre Maria Antonieta e isso foi um peso para ela.]

Miura: Mas estou curioso que seu hobby seja fazer fechaduras...

Ikeda: Essa parte é um pouco mal compreendida. É um preceito familiar que um homem da família Bourbon deve ter um “hobby”, ou melhor, adquirir uma profissão. Um Príncipe de Bourbon deve ter algum tipo de trabalho manual como seu dever. [Realmente, nunca li sobre isso.  Nunca.  Como não falam de hobbies de Luís XIV ou Luís XV, salvo de o passatempo for arrumar amantes, me aprece muito peculiar.]

Miura: Ah, é mesmo!? Não sabia. Então fazer fechaduras, ou seja, sua habilidade como ferreiro era devido a uma tradição familiar! Homens que se dedicam ao próprio hobby também deixam suas esposas moderadamente em paz. Esse lado dele também tem seu charme. [ATUALIZAÇÂO: O Luiz corrigiu a minha tradução aqui.]

Ikeda: Ele não é muito bom em socializar e dançar, mas nunca trai. É importante como um parceiro de casamento.

Miura: A Rosa de Versalhes é avançada em termos de visão sobre amor e casamento, e ainda há algumas partes que os tempos de hoje não alcançaram ainda. Eu também quero crescer e me tornar alguém como André, que consegue criar relações [se dar bem com as pessoas] sem se irritar com a falta de confiabilidade (delas). [ATUALIZAÇÃO: Luiz corrigiu esta parte.  Nada tinha a ver com falta de confiabilidade do André.  Afinal, quem poderia ser mais confiável que ele?] Muito obrigada por hoje.

Acabei só cortando uma fala da Ikeda.  Como pontuei no início, não sei japonês, foi tudo no Google Tradutor e recorrendo aos meus conhecimentos sobre a o contexto.  Se alguém perceber algum erro, é só falar.  E o Allan Nicol me passou um perfil no Twitter, o 芸術新潮, que está postando fotos da exposição, também.  Peguei fotos de lá.  E, sim, entre as capas do mangá pelo mundo está a capa brasileira da JBC.  E não houve nenhuma palavra sobre o anime, o antigo, ou o novo, nessas matérias que eu tive acesso.  Ainda tenho uma aberta aqui, mas é mais antiga que a da CREA e nem sei se vou falar dele em algum post.  E sou muito grata ao Luiz pelas correções.  Agora, vocês têm a entrevista com mais qualidade para ler.