quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Terminando o Mês da Consciência Negra comentando o que mais me irrita em Força de um Desejo até o Momento

Queria ter escrito este texto para o Dia da Consciência Negra, acabei colocando a resenha de Wakanda Forever na frente, mas estamos no último dia de novembro, então, é agora, ou nunca.  Eu fiz um primeiro post sobre a primeira semana de Força de um Desejo, mas acompanhando os capítulos, eu sinto vontade de comentar outras coisas, mesmo que quase ninguém vá ler.  É do jogo.  Poderia falar dos brancos da trama, do capítulo #15, a morte de Helena, personagem de Sônia Braga, mas quero pontuar algo que me parece muito incômodo.  Até o momento, Força de um Desejo apresenta duas novelas correndo paralelas, há a dos brancos e a dos negros, esta segundo, eis o problema, parece um desfile de vilanias e sofrimentos.  Antes que alguém diga que é uma novela de 1999-2000, eu afirmo que havia como fazer melhor e que novelas anteriores já tinham oferecido uma visão mais ajustada da escravidão e dos escravizados.

Escravidão é violência, não importa se sancionada por uma determinada sociedade, ou cultura, ela se baseia na redução de seres humanos a objetos.  Agora, a forma como a escravidão é praticada varia no tempo e no espaço, há nuances, há hierarquias entre os escravizados e, claro, nas Américas, escravidão teve cor.  Muito bem, Força de um Desejo tem um numeroso elenco negro, há inclusive algo que normalmente fica ausente, a família de escravizados, mas é uma história de sofrimentos que não leva em consideração estratégias de resistência, só as humilhações, torturas, subordinação e, claro, revisita uma personagem de Escrava Isaura que fez um enorme sucesso na época, a vilã Rosa  (Léa Garcia).  E como eu sei?  Eu reli as entrevistas de Gilberto Braga que estão no livro Autores - Histórias da Teledramaturgia e em A Seguir Cenas do Próximo Capítulo.

Rosa foi a vilã detestável de Escrava Isaura, invejosa, ela atormenta a virginal mocinha durante toda a trama e morre no final da novela ao tomar o veneno que preparara para a heroína.  Rosa usava seu corpo para conseguir vantagens, ela seduzia seu senhor e o feitor para conseguir se livrar dos castigos e porque (*Horror!  Horror!*) ela parecia gostar de sexo pelo sexo, sem se importar muito com laços afetivos mais profundos.  Trata-se de uma estratégia de sobrevivência.   Rosa  tinha inveja de Isaura, a escrava branca, bem educada e mimada pela sinhá.  Quando Isaura finalmente se liberta, se torna senhora de todos os escravos do vilão e os liberta, Rosa não aceita essa benesse, ela não pode suportar, sua inveja e rancor a sufocam, e decide matar a mocinha.  

Gilberto Braga recriou Rosa em Luzia (Isabel Fillardis).  O padrão é o mesmo, só que Luzia parece ser incapaz de sentir empatia por qualquer um. Rosa mesmo marcada pelo maniqueísmo, ainda tinha algumas nuances.  Luzia maltrata todos os outros escravizados, mesmo Zelito (Nill Marcondes), que parece ser seu amante preferencial, é usado por ela, e sua "Isaura" é Zulmira (Ana Carbatti), que era mucama da senhora e é a única negra da fazenda que sabe ler.  Para atingir Zulmira, ela faz qualquer coisa.  Não está muito claro a origem da rixa, afinal, Luzia é bem mais jovem que sua vítima, mas a jovem parece ser amante do feitor menos para fugir de maus-tratos do que para manobrá-lo contra sua vítima e por gostar de sexo mesmo.  Luzia é pintada como uma mulher com grande desejo sexual, o que é apresentado na trama como uma transgressão, algo que rebaixa uma mulher se não estiver atrelado ao amoooooor.  

Uma das situações mais recorrentes nesse jogo é colocar Luzia atiçando Clemente (Chico Diaz) contra Zulmira, lhe dá ideias de como conseguir obrigar a outra mulher a se submeter e deixar-se violentar por ele.  Realmente não me lembro se Rosa, a original, dava esse tipo de ideias para Leôncio, mas uma das questões centrais da novela dos escravos é a crueldade de Luzia contra os seus, sua falta de solidariedade, e nem vamos falar em sororidade.  Colocar uma mulher contra a outra é algo recorrente nas telenovelas. Em uma das duas entrevistas com Gilberto Braga, ele fala de como esse tipo de coisa é atrativa para a audiência.  Nesta semana, finalmente, o feitor conseguiu o que quis, Zulmira aceitou ser estuprada, porque foi o que foi, para que seus filhos não fossem vendidos.  E a coisa se desdobrou em A Escolha de Sofia.  Como Zulmira não se entregou por prazer, como ela resistiu, o feitor determinou que ela deveria escolher qual filho seria vendido.  Nada disso faz muito sentido.

Como afirmei lá em cima, temos duas novelas, a dos senhores, que gira em torno de dramas amorosos e vingança, e a dos escravizados, que é só sofrimento.  Temos os bons senhores - Inácio (Fábio Assunção), Abelardo (Selton Mello) e o Barão Sobral (Reginaldo Faria), pai dos moços - pintados como liberais, o que no Brasil da época (*1868?  1869?  1870?*) não queria dizer abolicionistas.  Só que eles adoram soltar frases como "trato meus escravos como gente" (*Subentende-se que eles não são, que é uma demonstração de boa vontade de quem fala, e não há nenhum contraponto, não existe um grilo falante presente quando alguém solta uma dessas.*), "a escravidão é um mal necessário que logo terminará", "os escravos precisam ser tratados com humanidade", blá-blá-blá.  Os vilões parecem mais sinceros sobre a questão do que os bonzinhos.  E a velha Idalina (Nathalia Timberg), sogra do barão, afirma tranquilamente que os tais liberais nem chegam perto da senzala, que é o feitor que cuida de tudo.  E o feitor é picareta, trabalha para o inimigo, Higino Ventura (Paulo Betti), e é mau, assim como a velha Idalina.  

Seria normal largar tudo na mão do feitor?  Não.  Ainda mais quando ele não é confiável, e o Barão sabe disso.  Seria até razoável largar nas mãos de Idalina a administração da escravaria depois da morte da senhora da casa?  Até seria, mas Inácio sabe que sua avó não é confiável e só seria para os escravos de dentro. Sendo os senhores tão bons, eles não seriam acessíveis para reclamações em relação ao feitor?  Rosália (Chica Xavier), por exemplo, é velha o suficiente para ter sido ama de leite da mãe dos rapazes, ela deveria ter alguma ascendência sobre eles.  Mas não tem.  Então, esta história de feitor mau torturando Zulmira, Cristóvão (Alexandre Moreno) e ameaçando Rosália, uma idosa, repito, com o tronco, é muito absurda.  Em A Escrava Isaura, a mocinha sofria tanto, porque seu senhor a desejava, não o feitor, ele era somente um minion do vilão.  Em Força de um Desejo, é como se o senhor fosse Clemente, isentando Sobral e seus filhos de qualquer responsabilidade nem se fosse por omissão, afinal, eles são os donos daquelas pessoas.

E os escravizados sentem rancor?  Não.  Cristóvão, Zulmira e Rosália sempre estão do lado dos seus senhores, olham para eles com adoração.  Má é só a velha Idalina.  Zulmira até defendeu o Barão quando sua filha, Marta (Élida Muniz), comentou que foi o patrão quem matou a esposa.  A menina, aliás, parece ser a única escravizada com algum senso crítico em relação a sua condição e alguma revolta.  E é isso, a novela é um elogio à submissão e ao sofrimento.  Nesse aspecto, Força de um Desejo não é somente decepcionante, chega a ser revoltante às vezes, e nem meteram ainda a personagem de Cláudia Abreu na história. Eu lembro que não gostava da trama dela, é uma das coisas que ficou na minha memória.  Enfim, será que Ester é que vai mudar a situação dos escravizados?  A salvadora branca que intervém para salvar os negros?  Eu não duvidaria, mas realmente não lembro dessa parte da trama.

Luzia, aqui, está até bem comportadinha, mas há a atitude e o olhar.

E há um outro problema, a escolha do figurino.  Já viram as fotos de escravizados feitas pelo francês Marc Ferrez?  As escravizadas podem até estar usando suas melhores roupas para as fotos, mas elas se vestem com uma variação empobrecida do que suas senhoras vestiam.  Nada de roupas frouxas, sem mangas, decotes profundos, cabelo solto.  Zulmira, escrava de dentro, querida por sua sinhá, teria seu cabelo preso, por ser mulher adulta, casada e certamente teria roupas mais estruturas do que a blusinha fina, com os seios soltos.  É tudo calculado para parecer sensual, assim como são as roupas de Luzia.  Um sensual que visa, também, mostrar o quão pobre e desmazelada era a vestimenta dos escravizados.  É tudo deliberadamente sexualizado, mulheres negras são alvo preferencial da cobiça dos homens e, algumas, como Luzia, gosta disso.   A escravizada que trabalha na casa de Higino Ventura, Diva (Delma Silva) também se veste na mesma linha, mas ela pouco aparece e não sofre assédio sexual.

De novo, repito que não é problema da época em que a novela foi feita, é uma escolha.  Não sei o quanto de Alcides Nogueira há na novela, em uma das entrevistas, Gilberto Braga diz que o argumento inicial da novela é do colega.  Imagino que a trama dos brancos, porque a dos negros é toda um remake enviesado de Escrava Isaura e Gilberto Braga afirma que reviu este seu sucesso e a achou muito fraca.  Se assim foi, porque investir em um remake disfarçado e distorcido?  Talvez, porque o autor se sentiu rebaixado em ser colocado às 18h, ele mesmo fala isso em uma das entrevistas, ou então, trata-se de uma opção pelo sadismo e por reforçar a representação recorrente dos escravizados como seres passivos e que aceitavam a sua condição. "Viu?  Eles mereceram.  Nunca fizeram nada para mudar a sua condição." Veja, eles nem são capazes de pedir socorro aos senhores, aos seus donos de verdade, nem quando estão cara a cara com eles.

E, reforço, há a falta de "atenção" dos senhores.  Abelardo, que é tão sensível, e Inácio, não percebem a ausência de Zulmira dentro de casa, afinal, ela é escrava de dentro.  Quando Abelardo a vê em trabalhos que não são os seus, compra a desculpa do feitor de que a mulher pediu para cuidar dos cavalos, por gostar deles.  Já Cristóvão, que parece ser um braço direito de Abelardo, desaparece, passa dias no tronco, e o sinhozinho nem dá por sua falta, assim como Inácio.  É como se eles só fossem notados quando convém e, se eu quiser ser boa com os autores, poderia acreditar que aí reside uma crítica sutil à escravidão, a quanto os senhores de escravos, mesmo os que fingiam ser bons, estavam pouco se importando com "seus" negros.

Mas há o único negro escravizado da cidade, Jesus (Sérgio Menezes).  Ele, diferentemente dos da fazenda, não está integrado a um núcleo negro, não tem família, não tem amigos, ele orbita a mocinha, Ester (Malu Mader), que, mesmo sendo contra a escravidão, não o alforriou.  Poderia ser uma forma de mostrar o quanto a mocinha moderna, é moderna também quando se trata da escravidão, alforriá-lo e remunerá-lo, mas basta ela mesma afirmar que trata Jesus como gente para nos convencer que ela é uma boa pessoa.  Ester nem tem o argumento de que precisa de escravizados nas plantações, porque ela não as tem (ainda).  Obviamente, ele vai se mudar para o Vale do Paraíba, também, é questão de tempo.  O que me intrigou é como Ester levou Jesus como escravizado para Londres e Paris, porque tanto França, quanto Inglaterra, já haviam banido a escravidão em seus territórios e nas suas colônias.  Enfim, se Ester alforriou Jesus em algum momento e eu perdi, mesmo tendo assistido todos os capítulos até agora, por favor, me digam quando foi.

Resumindo, há duas novelas que só se tocam eventualmente.  Os autores se esforçam por isentar os mocinhos de sua responsabilidade para com seus escravizados.  Imagina um senhor de escravos responsável, na medida que precisa manter e expandir seu patrimônio, que não sabe quantos escravizados tem, seus nomes, quem vai ser vendido e não tem relatório de tudo isso. É ridículo. Tudo fica nas mãos do feitor malvado, que se comporta como o Leôncio de Escrava Isaura, só que ele não é  o senhor, e consegue obrigar a mocinha dessa novela de sofrimento a se submeter e deixar-se estuprar.  Eu vou ver a novela até o fim, mas é absurdo perceber que Sinhá Moça, a primeira versão da novela, na qual tanto o senhor, quanto o feitor, eram maus, coloca escravizados menos aterrorizados e maltratados do que em Força de um Desejo.  Nem de quilombo se fala nessa novela.  E, vejam só, me vi obrigada a elogiar Benedito Ruy Barbosa... 

Murai Koi: Disney Plus vai exibir um shoujo anime em 2023 e deve ser uma série feita para a plataforma

O Pro Shojo Spain comentou no Twitter que o anime Murai no Koi (村井の恋), baseado no mangá de mesmo nome de Shima Junta, irá estrear na plataforma de streaming da Disney em 2023 na Espanha.  Deve entrar na grade em vários países, eu imagino.  A série foi publicada na plataforma Gene Line entre 2018 e 2022, contando com sete encadernados.  A história é mais ou menos a seguinte:  Tanaka é uma professora do colegial que adora otome games, e Murai é um aluno apaixonado por Tanaka. Tanaka, que nunca se envolveu em um romance na vida real, é confessado por Murai, mas ela o rejeita (**Ela é a professora, precisa rejeitá-lo!!!!**). Assim como o garoto, a professora não tem nenhuma experiência com o amor, tudo o que ela sabe sobre o tema está ligado ao seu hobby. No dia seguinte, Murai aparece na escola transformado na imagem exata do personagem favorito de Tanaka e, bem, como essa otaku inveterada poderá resistir?  O trailer está aí embaixo:

Como não vi o anúncio do anime e não há informações detalhadas no My Anime List, acredito que seja uma produção original para a Disney Plus.  Segundo informações que achei no site Anitrendz, o Disney Plus vai exibir animes já lançados e títulos originais.  Será que Mirai Koi será o primeiro?

O fato é que a série teve um dorama este ano, ele foi exibido entre abril e maio no canal TBS e teve 8 episódios.  No dorama, Takahashi Hikaru fez o papel de Tanaka e Miyase Ryubi foi Murai/Hitotose (*a personagem do otome game*).

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Mangá que fala do amor pela patinação no gelo tem dois volumes lançados simultaneamente no Japão

Notícia atrasada, porque os dois volumes de Kiss & Cry: Tanoshii Jinsei no Suberi-kata (キス&クライ〜楽しい人生の滑り方〜) saíram no início do mês e eu até interagi com a autora no Twitter, mas precisava comentar.  

A autora, Mio Mizuki, descobriu a sua paixão pela patinação no gelo já adulta e sua nova série para a revista Jour tem como foco mostrar mulheres descobrindo o o esporte.  

Ao que parece, são várias histórias, com protagonistas que vão da adolescência até mais de 50 anos, de comum, o atencioso e lindo instrutor, se eu entendi direito, mas acho que eles mudaram do primeiro para o segundo volume.

A primeira história é sobre uma dona de casa entediada de 42 anos, que se sente sozinha e meio esquecida pelo marido e pelos filhos até que descobre a patinação no gelo.

Achei a arte da autora muito bonita.  Segundo o Comic Natalie, série sai em formato digital e, agora, tem sua edição encadernada em papel, também.

Autora de Kamisama Hajimemashita lança novo mangá na revista Hana to Yume

Oshi ni Amagami (推しに甘噛み) é o novo mangá de Julietta Suzuki na revista Hana to Yume.  Segundo o Comic Natalie, a série é derivada de um one shot da autora e conta a história de Hina, uma vampira que adora animes e está apaixonada pelo seu vizinho Amanatsu.  Não consegui entender se ele vem para o Japão por ser otaku, ou se é uma vampirinha japonesa mesmo.  Não tenho mais informações e foi o que eu conse gui descobrir no Comic Natalie.

A série ocupa a capa da edição atual da revista.  Suzuki ganhou o grande público com o sucesso de sua série Kamisama Hajimemashita (神様はじめました), mas sua primeira série a chamar a atenção foi Karakuri Odette (カラクリオデット), que era sobre uma menina androide.  Agora, ela escolheu uma vampirina.

Hamaru Otoko ni Keritai Onna: Mais um mangá josei vai virar dorama

O Comic Natalie anunciou que o mangá Hamaru Otoko ni Keritai Onna (ハマる男に蹴りたい女), de Aki Amasawa, vai virar dorama.  A série é publicada na revista Kiss e conta com dois volumes até o momento.  Não conheço a série, não há scanlations, então estou me valendo do que está no CN e no Bakaupdates para fazer o resumo: 

Shitara Koichi (Fujigaya Taisuke) tinha uma vida perfeita, mas, da noite para o dia, perdeu o emprego, a esposa e a casa.  Como resultado, teve que ir trabalhar e morar em uma pensão, onde é um faz tudo.  É no seu novo emprego que ele conhece a jovem Nishijima Itsuka (Sekimizu Nagisa), ao que parece de uma forma não muito convencional... A série estreia em janeiro na TV Asahi, não se sabe ainda quantos episódios serão ao todo.


Ranking da Oricon: Não acredito que fiquei DOIS MESES sem postar a lista dos mangás mais vendidos do Japão!

Não acreditei quando fui tentar colocar em ordem o Ranking da Oricon que eu tinha ficado DOIS MESES sem postar.  Acho que parei quando estava com COVID, e mesmo com quatro doses, eu fiquei muito mal mesmo, e fui empurrando com a barriga.  O último ranking dos trinta mais vendidos que postei foi o de 18-25/09.  Resultado?  Os dois rankings mais antigos não tenho como recuperar por completo, porque eles não ficam mais disponíveis no site da Oricon.  

Sabia que o site francês Manga News posta toda semana e é de fácil localização nos arquivos deles, só que, o que eu não lembrava, eles só postam os 15 primeiros colocados, ou mudou, porque antes eles colocavam somente o título em francês do mangá quando já tinha saído no país e, agora, colocam o original e a versão francesa.  Aqui, no Shoujo Café, eu posto o top 10 e todos os mangás femininos que aparecem do 11º ao 30º lugar.  Por isso mesmo, os dois rankings mais recuados podem estar incompletos, porque pode haver mais shoujo e josei para além dos que eles colocam.  Vou tentar fazer alguns comentários sobre os rankings, quando for pertinente, claro.

Nas duas últimas semanas, o destaque é Watashi no Shiawase na Kekkon, que terá anime em janeiro além de live action para o cinema em 2023, e que colocou por duas semanas consecutivas seu volume normal e a edição especial no top 30.  Percebam que o volume normal subiu no ranking, já a edição limitada, se manteve, mas perdeu posições. Outro destaque é Uruwashi no Yoi no Tsuki, que subiu para o top 10 na sua segunda semana.  Este mangá de Mika Yamamori deve ter dorama, ou movie anuncaido em breve.  Pode até sair anime, mas acredito que o live action venha antes.

SEMANA 14-20/11

1. Tokyo Revengers #30
2. Tokyo Revengers~Baji Keisuke kara no Tegami~ #1
3. ONE PIECE #104
4. Watashi no Shiawase na Kekkon #4
5. Kusuriya no Hitorigoto~Maomao no Koukyuu Nazotoki Techou~ #15
6. Uruwashi no Yoi no Tsuki #5
7. Ao Ashi #30
8. Kaiju Nº8 #8
9. HUNTER×HUNTER #37
10. Hajime no Ippo #136
23. Watashi no Shiawase na Kekkon #4 Edição Especial

SEMANA 7-13/11
1. ONE PIECE #104
2. HUNTER×HUNTER #37
3. SLAM DUNK JUMP
4. Kaiju Nº8 #8
5. One Punch Man #27
6.Ao Ashi #30
7. Yurukyan △ #14
8. Watashi no Shiawase na Kekkon #4
9. Ao no Futsumashi #28
10. The Fable The second contact #5
11. Uruwashi no Yoi no Tsuki #5
12. Watashi no Shiawase na Kekkon #4 Edição Especial 


Mushikaburi-hime, que tem anime no ar neste momento, conseguiu entrar no top 10, mas só resistiu uma semana no final de outubro, depois, sumiu do top 30.  Há sites que publicam o top 50 da Oricon, mas eu nunca descobri onde fica isso dentro da página.  Estar entre os 50 mais vendido do Japão, dada a competição, é sempre um feito, mas não tenho como confirmar se Mushikaburi-hime  estava lá.  Akuyaku Reijou to Kichiku Kishi é aquele TL disfarçado de josei que eu resenhei, material bem complicado.  Outro destaque dessas duas semanas do final de outubro é Chibi Maruko-chan, o novo volume feito pelas auxiliares de Sakura Momoko, e  Yamada-kun to Lv999 no Koi wo Suru, há outros mngás femininos também, mas esses são os que eu estou dando destaque.

SEMANA 31/10-06/11
1.ONE PIECE #104
2.HUNTER×HUNTER #37
3.Kaiju Nº8 #8
4.One Punch Man #27
5.Ao no Futsumashi #28
6.SPY×FAMILY #10
7.The Fable The second contact #5
8.Black Clover #33
9.Mushikaburi-hime #7
10.Chainsaw Man #12
13. Akuyaku Reijou to Kichiku Kishi #2

SEMANA 24-30/10
1.Spy X Family #10
2.Kinou Nani Tabeta? #20
3.Chainsaw Man #12
4.Kaguya-sama wa Kokurasetai ~Tensai-tachi no Renai Zunousen~ #27
5.Blue Lock #21
6.Otoyomegatari #14
7.BLUE GIANT EXPLORER 7
8.Kage no Jitsuryokusha ni Naritakute #9
9.Tsuki ga Michibiku Isekai Douchuu #11
10.Oshi no Ko #9
14. Chibi Maruko-chan #18
18. Yamada-kun to Lv999 no Koi wo Suru #6
20. Ou no Kemono #11
29. Cool Doji Danshi #5

Aqui, os quatro rankings mais afastados, destaco Hikaru ga Shinda Natsu que ficou duas semanas no top 10, é um josei.  Card Captor Sakura, que caminha para o seu final, ficou duas semanas no ranking. Yamada-kun to Lv999 no Koi wo Suru já aparece em meados de outubro e ficará mais duas semanas.   Indo mais para trás, ainda temos Akatsuki no Yona no top 10 e Given, que consegiu aparecer em um 11º lugar, este mangá BL é publicado no Brasil pela Newpop.

SEMANA 17-23/10
1.Spy X Family #10
2.Blue Lock #21
3.Kaguya-sama wa Kokurasetai ~Tensai-tachi no Renai Zunousen~ #27
4.Otoyomegatari #14
5.Oshi no Ko #9
6.Kinou Nani Tabeta? #20
7.Kakkou no Iinazuke #14
8.Chainsaw Man #12
9.Komi-san wa Komyushou Desu。 #27
10.Boku no Hero Academia #36
12. Yamada-kun to Lv999 no Koi wo Suru #6
13. "Kimi wo Aisuru kiwanai" to Itta Jiki Koushaku-sama ga Naze ka Dekiai Shite kimasu #3
16. Card Captor Sakura Clear Card Hen #13
30. Tamon-kun Ima Docchi!? #3

SEMANA 10-16/10
1. SPY×FAMILY #10
2. Boku no Hero Academia #36
3. Chainsaw Man #12
4. Card Captor Sakura Clear Card Hen #13
5. "Kimi wo Aisuru kiwanai" to Itta Jiki Koushaku-sama ga Naze ka Dekiai Shite kimasu #3
6. Mairimashita! Iruma-kun #29
7. Goukon ni Ittara Onna ga Inakatta Hanashi #4
8. Kawaii dake ja nai Shikimori-san #15
9. Makai no Shuyaku wa Wareware da! #11
10. Hikaru ga Shinda Natsu #2
16. Ojou to Banken-kun #8
21. Tensei shita Daiseijo wa, Seijo de aru koto wo Hitakakusu: A Tale of The Great Saint #7


SEMANA 03-09/10
1.Spy X Family #10
2.Boku no Hero Academia #36
3.Chainsaw Man #12
4.D.Gray-Man #28
5.Dandadan #5
6.Mairimashita! Iruma-kun #29
7.Ruri Dragon #1
8.Ao no Hako #7
9.Hikaru ga Shinda Natsu #2
10. Mashle #13
11. Given #8

SEMANA 26/09-02/10
1. Sono Bisque Doll wa Koi wo Suru #10
2. Kingdom #66
3. Shûmatsu no Valkyrie #16
4. Meitantei Conan #102
5. Mobile Suit Gundam Thunderbolt #20
6. Kubo Ibuki - Great Game #8
7. Sousou no Frieren #9
8. Akatsuki no Yona #39
9. Saki #23
10. Kage no Jitsuryokusha ni Naritakute! #8
11. Otome Game no Hametsu Flag Shikanai Akuyaku Reijô ni Tensei Shite Shimatta... #8

domingo, 27 de novembro de 2022

5 Maneiras de Matar Socialmente o Seu Marido: Mangá sobre mulher que decide se livrar da violência doméstica vai virar dorama

Sim, sim, o nome em português do mangá é mesmo 5 Maneiras de Matar Socialmente o Seu Marido, no original, Otto wo Shakaiteki ni Massatsu suru 5-tsu no Houhou (夫を社会的に抹殺する5つの方法).  A série de Upcross e Tatami Mita conta a história de Akane (Fumika Baba) uma mulher que sofre violência domésticas e é humilhada pelo marido machista, Shuhei Nomura).  Um dia, ela recebe uma carta com instruções sobre como acabar socialmente com ele.  

A série estreia em 10 de janeiro na TV Tokyo, segundo o Comic Natali, e terá 10 episódios.   Olha, isso promete!  O CN diz que é suspense, mas não sei, não.  Espero que logo apareçam as scanlations.

Você pode ter a tiara que Maria Antonieta usou no mangá a Rosa de Versalhes... Por um preço absurdo, claro!

Uma tiara inspirada em uma ilustração do mangá da Rosa de Versalhes estará à venda no Japão, trata-se de uma peça com uma gema de granada rodolita de 83 quilates no centro, 17 pérolas e diamantes de 10 quilates.  A peça custará 100 milhões de ienes, o equivalente hoje a 3.888.589,52 reais.  Abaixo a ilustração.

A responsável pela confecção e venda é a joalheria Kamine.  As vendas começam no dia 30 de novembro.  Será que haverá muita gente disposta a pagar esse preço obsceno pela joia?  Não sei.  Há público para tudo.

As informações vieram do site Numan Tokyo, mas o Pro Shojo Spain informou que a peça estará à venda na exposição da Rosa de Versalhes em Osaka.  Daí, não sei se dentro da exposição haverá uma loja da Kamine, ou se é direto na joalheria, que fica em Osaka.  

E teremos um filme sobre o Chevalier de Saint-Georges!!!! Bom, ou ruim, eu estou muito contente.

Ontem, o Youtube me sugeriu o trailer de um filme previsto para 2023 chamado Chevalier.  Quando olhei para a imagem congelada com um homem negro em roupas do século XVIII, não acreditei que poderia ser, mas, sim, é um filme sobre o Joseph Bologne, Chevalier de Saint-Georges.  Você já ouviu falar dele?  O Mozart Negro, um dos maiores violinistas de seu tempo, um dos maiores esgrimistas, também?  Eu ause dei um berro, porque o trailer em si é muito empolgante, ainda que eu imagine que tente apresentar Saint-Georges em um revolucionário político maior do que ele talvez fosse, mas vou deixar o trailer abaixo e retomo depois.

Agora, vou falar um pouquinho, porque não sei muito mesmo, sobre esta incrível personagem.  Joseph Bologne (1745-1799), Chevalier de Saint-Georges, era filho de um nobre francês e de uma escravizada negra.  Nascido na ilha de Guadalupe, foi trazido para a França pelo pai ainda menino e recebeu a melhor educação disponível para um jovem da nobreza.  Tornou-se mestre de esgrima e excepcional violinista.  É considerado o o primeiro negro compositor de música erudita, foi maestro e se apresentou diante da corte francesa e inglesa, quando visitou o país.

Conheceu vários dos maiores compositores de sua época, como Mozart, Sallieri e Gluck.  Um dos seus apelidos é Mozart Negro, aliás, há uma biografia sobre Saint-Georges que tem esse nome (*está baratinha e eu acabei de comprar*).  Duelou diante da corte francesa com o não menos fantástico Chevalier D'Eon (*nem lembro se já fiz post sobre ele, mas falei do anime de 2006*).  Segundo consta, Saint-Georges parece ter cedido a vitória para o idoso D'Eon (*que foi obrigado pelo rei Luís XV a lutar usando roupas femininas*) por deferência.  O fato é que Saint-Georges lutou muitos duelos, mas se recusava a matar seus oponentes, mesmo quando a coisa era para valer.

Saint-Georges pode ter influenciado Olympe de Gouges (*resenha do quadrinho*), pioneira na luta pelos direitos das mulheres, a quem conheceu em um dos salões da nobreza francesa, a se posicionar contra a escravidão.  Foi amante da não menos extraordinária  Lady Worsley (*resenha do filme da BBC*).  Segundo consta, recusou o assédio de uma importante atriz do círculo de amizades da rainha Maria Antonieta, Marie-Madeleine Guimard, e ela influenciou a soberana a negar a indicação do Chevalier para a direção da Ópera de Paris.

O grande amor da sua vida, no entanto, parece ter sido Marie-Joséphine de Comarieu, Marquesa de Montalembert, que tinha um daqueles salões que reuniam homens e mulheres de letras às vésperas da Revolução Francesa.  Ela era casada com um homem muito mais velho, o marechal  Marc-René de Montalembert.  Marie-Joséphine engravidou do Chevalier, seu marido descobriu e vingou-se tomando-lhe a criança para deixá-la morrer.  Segundo um dos biógrafos do Chevalier, Gabriel Banat, Saint-Georges pranteou aquela criança até a sua morte.

Com a Revolução, perdeu os privilégios da nobreza, mas aderiu ao movimento atraído pelo discurso de igualdade, liberdade e fraternidade, que apagaria o fato dele ser bastardo, mestiço e discriminado por causa disso.  Alistou-se na Guarda Nacional em 1789 e chegou a Coronel, comandando a Légion Américaine, apelidada de Légion Saint.-Georges, o primeiro da Europa composto somente por negros e mestiços, um deles, o pai de Alexandre Dumas.  Só que Saint-Georges caiu em desgraça com os jacobinos (*novidade*), ficou 18 meses preso.  Escapou da guilhotina, mas decidiu sair da França indo para a ilha de São Domingos, onde estava ocorrendo a Revolução Haitiana.  Ali, há controvérsias se participou de alguma ação a favor das tropas de Toussaint Louverture. O fato é que a saúde de Saint-Georges já estava declinando e ele acabou se dedicando nos últimos meses de vida a sua música.

Não sei se o filme será bom, ou somente OK.  Ele já se assume como baseado em fatos reais, o que já abre espaço para muita invenção.  De qualquer forma, Saint-Georges merecia uma minissérie, mas comecemos com um filme. Há tantas histórias a serem contadas e tantas personagens que merecem chegar às telas, seja do cinema e da TV, que estou feliz só de saber que este filme vai sair. Ao invés de fazerem filmes colocando atores e atrizes negros em lugares onde eles não poderiam estar, é muito mais importante contar as histórias de pessoas negras que existiram, que lutaram, brilharam, sofreram e que não são conhecidas do grande público.  Por isso, este filme já nasce grande. E o ator que faz o protagonista, Kelvin Harrison Jr., é muito bonito.  Lindo, na verdade.  

Concluindo, Saint-Georges é uma das personagens que, depois de saber da sua existência, eu me espantei de não fazer nem uma pontinha na Rosa de Versalhes, uma pequena omissão, afinal, ele era do círculo do Duque de Orleans, uma das personagens vilanescas do mangá.

sábado, 26 de novembro de 2022

Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres: Até quando precisaremos desta data?

Ontem, foi o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres, uma data reconhecida pela ONU desde 1999 e que é o ponto de partida de uma campanha de 16 dias que se fecha com o Dia dos Direitos Humanos, data estabelecida também pela ONU, em 1950, dois anos após a Organização das Nações Unidas (ONU) adotar a Declaração Universal do Direitos Humanos como marco legal regulador das relações entre governos e pessoas (*Este documento cai em vestibular, atenção!*).  Mas por qual motivo lembramos o 25 de novembro?  Vou citar o meu post de 2020, porque ficou bem enxuta a explicação:

"Nesta data, em 1960, as irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, conhecidas como “Las Mariposas”, foram brutalmente assassinadas pelo ditador Rafael Leônidas Trujillo, da República Dominicana. As três militavam contra o regime do ditador e foram encontradas no fundo de um penhasco em um jipe.  O acidente era uma fraude, claro, elas haviam sofrido uma série de violências e o carro foi atirado com as três já mortas, ou perto disso. As irmãs entraram no radar do ditador quando Minerva se formou em Direito, em 1949, e conheceu o ditador, que desejava tê-la como amante.  A jovem recusou e a primeira retaliação foi negar-lhe a licença para exercer a profissão.  (...) o escândalo ajudou a derrubar a ditadura que perdeu o apoio norte-americano, afinal, já bastava uma Cuba, a revolução fora em 1959, e um ditador a três décadas no poder e tão escandalosamente violento poderia abrir caminho para outra revolução."

Em 2011, sim, este blog é velho, fiz um post por dia mostrando casos de violência contra as mulheres no Brasil e pelo mundo até o dia 10 de dezembro.  É fácil conseguir os dados, se eu ficasse somente com os feminicídios em nosso país, os noticiados pela mídia, eu teria mais de um caso por dia em muitos dias.  Não sei se tenho estômago, sabe?  De qualquer forma, sempre me esforço por escrever esse post do início da campanha.  E não vou falar mais uma vez do Afeganistão, onde as meninas voltaram a ter o seu direito à educação negado e as mulheres não podem mais frequentar os parques do país, ou do Irã, sacudido faz semanas por protestos por causa do assassinato pelas forças do Estado da jovem Mahsa Amini acusada de não estar usando o véu (*hijab*) da maneira correta.  

É sempre um deleite para os que desprezam os países islâmicos que a gente fale dos dramas das mulheres por lá, aliás, não raro eles mandam um "queria ver essas feministas mimizentas irem defender os direitos das mulheres em XXXXX (*insira aqui o país não-ocidental ditatorial, ou autocrático, com políticas misóginas que desejar.*)  No Brasil, é fácil, porque, aqui, elas tem só mordomias."  Pois bem, falemos de nosso país.  Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, liberado em março de 2022, tivemos uma queda no número de feminicídios, - 2,4%, e um aumento no número de estupros de mulheres, incluindo de vulneráveis (*qualquer menor de 14 anos, pessoas com alguma limitação que as impeça de consentir*) de + 3,7% somando  56.098 vítimas.  Estupro é crime subnotificado, como fica claro na notícia que comentarei a seguir.

Vítima  sem nome do descaso do Estado pelas mulheres do Maranhão.
Uma menina de 12 anos, residente no povoado do Tanque, em Joselândia, no interior do Maranhão, estava grávida de poucas semanas.  A mãe (*não se fala em pai da menina, somente mãe*) levou a criança até um pai de santo que ministrou ervas abortivas e fez um ritual.  A menina morreu no dia 23 (quarta-feira).  O pai de santo e a mãe da menina foram presos e confessaram.  A polícia investiga também o estupro de incapaz.  Enfim, não achei mais nenhuma informação, as matérias eram exíguas e se repetiam nos dados (*1 - 2*).  Interior do Nordeste, vocês sabem, mais detalhes para quê?  Pergunto-me inclusive sobre a mãe presa.  Ela foi cúmplice do estupro?  Ela tem outros filhos e filhas?  Quem está cuidando deles?  

AOS  12 ANOS, SEMPRE É ESTUPROO fato é que em caso de estupro, a legislação brasileira garante o direito ao aborto legal.  DIREITO, não DEVER.  Mas uma menina pobre dos interiores do Brasil dificilmente terá acesso ao que a lei lhe garante.  Nos últimos anos, graças ao governo (pseudo) conservador do Sr. Jair Bolsonaro, vários casos de meninas estupradas e constrangidas por religiosos e mesmo representantes do Estado a levarem adiante uma gravidez fruto da violência vieram à tona.  Um dos meus temores, ele ainda existe, claro, é que mesmo os casos de aborto legal fossem criminalizados em nosso país, mas o fato é que a exclusão quando se trata do mínimo da cidadania é enorme.  A menina sem nome de Tanque, Joselândia, no Maranhão, deveria estar viva.  Ela deveria estar estudando, sonhando com um futuro, não sendo iniciada precocemente na atividade sexual por violência ou engodo, tampouco, caso ocorresse, ela deveria ter o direito a interromper a gravidez em um lugar seguro e com profissionais de saúde, não de forma improvisada em qualquer lugar.  A ênfase das notícias parece ser muito mais no ritual, o que já aponta para uma estigmatização de religiões brasileiras, seja de matriz africana ou indígena, do que na preocupação com a morte da criança, ou da falta de suporte do Estado.

Mas a notícia do dia ontem não foi a morte trágica de uma menina maranhense, mas dois ataques à escolas em Aracruz, no Espírito Santo.  Aconteceu aquilo que os norte-americanos chamam de mass shooting, quando um sujeito (*geralmente é um*) do sexo masculino (*na maioria das vezes, branco*), pesadamente armado, invade uma escola, igreja, shopping, mercado, boate, show whatever, qualquer lugar onde exista muita gente, não raro com um perfil específico mais evidente (*mulheres, negros, latinos, LGBTQIA+ etc.*) e abre fogo.  Não gosto da tradução "tiroteio" para mass shooting, porque quando penso em tiroteio, penso em troca de tiros.  Mass Shooting é massacre mesmo, um cara armado atacando pessoas desarmadas, ou incapacitadas de responder à altura.

Enfim, um adolescente de 16 anos, a idade dos meus alunos, pegou as armas e o automóvel do pai, um tenente da PM, que compartilhou em suas redes sociais imagem do livro "Minha Luta" (ou Mein Kampf, em alemão), de Adolf Hitler, uma espécie de ponto de partida para as propostas nazistas de extermínio de judeus, pessoas de esquerda (comunistas, socialistas) e os inferiores em geral, invadiu duas escolas e matou e feriu pessoas.  No primeiro ataque, à Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Primo Bitti, ele se dirigiu direto à sala dos professores e abriu fogo.  Foi contido quando teve que recarregar a arma, mas escapou, pegou o carro e seguiu para  a escola particular Centro Educacional Praia de Coqueiral (CEPC), no mesmo bairro.  Atingiu várias pessoas.  Mais tarde, o pai ligou para as autoridades e entregou o filho.  O assassino vestia roupa camuflada com símbolos nazistas, capuz, máscara e usou para cometer os crimes um 38 e uma pistola .40.  Tanto meu marido, quanto um amigo, comentaram que o tipo de arma, com cano longo, cromada, é coisa de aficionado.  Não é arma comum.  

A polícia investiga as causas, mas na escola estadual, onde o garoto estudou e saiu por não se ajustar, a direção vinha recebendo ameaças.  Certamente, irão revirar as redes sociais do jovem para saber se ele está ligado a algum chan, mas o Mein Kampf dividido pelo pai, já me sugere um ambiente no qual as práticas e discursos nazistas não fossem rechaçados.  Resta saber a extensão da coisa.  O jornal Folha de Vitória, e eu fui procurar mais detalhes em veículos do Espírito Santo, apontou que este foi o terceiro incidente este ano em escolas do estado.  Citou dois casos, um de uma criança de 11 anos que fez ameaças, que eu considero algo muito diferente de abrir fogo, tal e qual outro incidente no mesmo estado ontem mesmo com um estilete, com um estilete; já e outro no qual um sujeito entrou muito bem armado e conseguiu ser contido.

Mas por qual motivo eu estou colocando esse caso dentro de um post sobre o Dia da Não-Violência contra mulheres, porque algo está me sugerindo que trata-se de um novo Realengo.  Em primeiro lugar, se alguém via matar gente em uma escola de ensino fundamental e médio no Brasil, a pessoa sabe que provavelmente, irá encontrar mais mulheres do que homens.  A maioria dos docentes das classes iniciais e funcionários de escola são mulheres.  Em segundo lugar, temos que olhar as vítimas.  Há dezesseis feridos no hospital, não sabemos o sexo biológico das vítimas, mas estão em estado grave três professoras, e em estado gravíssimo há um menino de 11 anos e uma adolescente.  Já as vítimas fatais são duas professoras, com idade próxima a minha, poderiam ser eu mesma; e uma menina de 12 anos, que tinha toda a sua vida pela frente, ela poderia ser a minha filha.  

Professoras Cybelle Passos Bezerra Lara, de 45 anos (Matemática); Maria da Penha Pereira de Melo Banhos, de 48 anos (Artes); e a estudante Selena Sagrillo Zucoloto, de 12 anos.

Para quem é novinho, no Massacre de Realengo, em 2011, as testemunhas apontaram que o criminoso atirava nas meninas para matar, nos meninos ele mirava nos membros superiores e inferiores, nas meninas, ele alvejava a cabeça.  Foram doze mortos, dez eram meninas e não foi por acaso.  Algo me diz que estamos diante de um novo Realengo, mas sem os dados dos feridos, é prematuro afirmar.  Fascistas odeiam mulheres, trata-se de uma ideologia misógina.  Eles as toleram, porque as veem como receptáculo de esperma, elemento necessário tanto para a sua reprodução, quanto para o seu prazer.  Se não tem a cor certa de pele, o formato esperado de corpo, se recusam o interesse de um deles, se não são dóceis, se não estão dispostas a servir, elas não servem.  Aliás, mesmo as mais solícitas podem se tornar alvo pelo simples fato de serem mulheres.  Como de costume entre os criminosos pertencentes à "famílias de bem", já apareceu a alegação de que o garoto fazia tratamento psiquiátrico.  Motivo maior, eu diria, para o pai ter cuidado com suas armas e com o próprio filho.

Quantos mais atentados teremos, aliás, desde o 2º turno, houve vários de diferentes tipos (*crianças que perderam cirurgias e tratamento para o câncer; adolescentes agredidos dentro de ônibus escolar; motoristas constrangidos a parar em barreiras etc.*) , este nas escolas foi o pior.  ainda que não tenha ligação com as manifestações, é fruto do momento de violência que vivemos e que não deve se amenizar nos próximos dias.  Aliás, pergunto sinceramente se o nosso ainda presidente já se solidarizou.  Eu não vi nada.  O novo, o que foi eleito, deixou uma mensagem, mas o dever era de ambos e da classe política em geral.

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Anunciado o filme live action de Mystery to Iu Nakare

Mystery to Iu Nakare (ミステリと言う勿れ), de Yumi Tamura, era um grande sucesso como mangá, que se tornou ainda maior por causa do dorama que estreou em janeiro deste ano.  Muito bem, segundo o Comic Natalie, teremos um filme live action no outono japonês de 2023 (*ou seja, na nossa primavera*) e boa parte do elenco original irá retornar, com destaque para o protagonista interpretado por  Masaki Suda.   

Mystery to Iu Nakare segue o dia-a-dia do estudante universitário Kunou Totonou que tem o talento para resolver mistérios. No início da história, a polícia o leva para interrogatório por suspeita de ter assassinado um de seus colegas de classe.  A série ganhou o 67º Shogakukan Manga Award em 2021. Foi indicado para os 12º e 13º Manga Taisho Award em 2019 e 2020, ao 65º Shogakukan Manga Award em 2019, ao 44º Kodansha Manga Award em 2020 e ao 26º Prêmio Cultural Tezuka Osamu em 2022.

Saiu o trailer do movie de Kin no Kuni Mizu no Kuni

Entre os meus atrasos no blog, tenho que comentar o trailer de Kin no Kuni Mizu no Kuni (金の国水の国), em inglês  Gold Kingdom and Water Kingdom (Reino de Ouro e Reino da Prata), de Nao Iwamoto.  Publicado na revista Flowers, o volume único (*o que facilita a adaptação*) foi o primeiro colocado do guia Kono Manga ga Sugoi! de 2017.  

Segue o resuminho básico da história: Há muito tempo, havia duas nações vizinhas que estavam em conflito permanente. Qualquer bobagem poderia ser motivo para um atrito.  Finalmente, eles entraram em uma guerra por causa do incidente banal, E na confusão, os deuses intervieram e mediaram uma trégua entre os chefes das duas nações. Então, eles disseram para dizer: A terra A enviará a garota mais bonita da terra para a terra B, e a terra B enviará o menino mais inteligente da terra para a terra A, e ambos se casarão.  Assim, Sara e Naranbayar, uma princesa e um jovem de ambos os países que se encontram por acaso e descobrem que devem agir como um casal para manter a paz nos seus reinos. Como não poderia ser diferente, lentamente, eles se descobrem apaixonados um pelo outro.  Segue o trailer:

Achei a qualidade da animação muito boa.  O character design parece funcional, mas a princesa, que é baixinha e gordinha me pareceu muito, muito linda, bem na linha do que é no mangá.  A estreia está marcada para 27 de janeiro.   Sei que não irá chegar por aqui, mas espero que apareça em um torrent da vida, ou em alguma plataforma de streaming.  Para quem se interessar, tem scanlations em inglês.

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Entre Negociações, Reiterações e Transgressões: Discutindo gênero e sexualidade no Shoujo Mangá

Hoje, participei no Simpósio ‘Quadrinhos e sexualidade’ promovido pelo Núcleo de Pesquisa em Quadrinhos (NuPeQ), da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).  Ainda preciso escrever o artigo e não sei se a mesa redonda ficará disponível em algum lugar, se for o caso, coloco aqui.  mas meus slides estão aí embaixo para quem quiser olhar.  Não é nada lá muito elaborado, confesso.  Para quem se interessar, ainda haverá uma mesa amanhã.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Conversa de sala dos professores vaza e causa comoção no Japão

 

Sou professora e sei que conversa de sala dos professores tem que morrer lá.  As conversas de Conselho de Classe, também, especialmente, os de fim de ano.  Onde trabalho, esses conselhos passaram a ser filmados para que os colegas mais exaltados tivesse mais comedimento em suas falas. Eu não considero isso errado, não.  Muito bem, o Sora News trouxe um causo que aponta que no Japão as coisas não devem ser lá muito diferentes.  Vamos lá!

Faz alguns anos que as escolas no Japão adotaram o programa Giga School, no qual os livros didáticos são substituídos por um único tablet para cada aluno.  Esse tablet pode gravar e salvar material que pode ser enviado aos professores.  Enfim, no dia 31 de outubro, cidade de Iwakuni, província de Yamaguchi, um professor notou que vários alunos haviam deixado seus tablets em suas mesas. O professor os recolheu e os colocou em uma mesa na sala dos professores para guardar.  Só que, sem o conhecimento do professor, um dos tablets também teve sua função de gravação ativada.  E os professores estavam conversando e não é incomum que o assuntos dos professores sejam seus alunos e alunas... 

No dia seguinte, o professor devolveu os tablets aos alunos, sem saber da gravação. Não está claro se a gravação foi intencional ou acidental, segundo o SN, mas o aluno começou a enviá-la para os colegas.  Depois que a notícia se espalhou, um dos alunos mencionados no áudio deixou de frequentar a escola desde o início do mês e um professor, cuja voz estava na gravação, tirou uma licença. Os funcionários da escola foram às casas de todos os alunos que tinham uma cópia da gravação ou cujos nomes foram mencionados nela e pediram desculpas.

O chefe do Conselho de Educação também se pronunciou em uma coletiva dizendo: “Lamentamos muito causar ansiedade às crianças, professores e comunidade (...) daremos treinamento completo sobre o uso adequado dos tablets e ajudaremos os professores a cuidar mais de seu comportamento”.  Olha, como pontuei no meu primeiro parágrafo, é normal que os professores sejam indiscretos, debochados e cruéis.  Imagina não podermos conversar nem na sala dos professores?  Enfim, os alunos e alunas também falam de nós, a questão é que esse tipo de conversa se tornou pública e, claro, foi intencional divulgar o material.  Eu espero que tanto o aluno, quanto o professor consigam voltar às suas atividades.