A revista Aera é uma publicação japonesa importante e que existe desde 1988, quando substituiu o Asahi Journal. O Shoujo Crave anunciou que Oscar, protagonista da Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) será capa da publicação em janeiro, para comemorar o lançamento do movie. Na página da revista, a capa ainda não esta disponível, porque quem está aparecendo é a edição atual.
🎂| Today is the birthday of Riyoko Ikeda!
Shoujo mangaka part of the Year 24 Group & creator of several transcendental stories like The Rose of Versailles, Claudine, Oniisama e and more, happy birthday!! pic.twitter.com/r4wJQCGSxH
E, para quem perguntou, no dia 18 foi aniversário de Riyoko Ikeda. Além disso, houve uma exibição especial do movie da Rosa de Versalhes e a autora declarou que gostou do que viu e que é fiel à sua obra.
Essa informação veio de uma matéria do Comic Natalie. Quando sair o anime e ele cair na rede, porque vai cair, eu vou assistir e comentar. Por enquanto, o que eu vi foram os trailers e o último deles virou Shoujocast e eu, Valéria, não estou mais tão empolgada em assistir a animação. E vou terminar de traduzir as entrevistas da Ikeda. Aguardem.
Hoje, é aniversário do André Grandier, personagem masculina mais importante por méritos próprios da Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら). O novo filme estreia no ano que vem e a produção liberou várias imagens da personagem, em várias fases de sua vida, na nova película.
As ilustrações, além de outras já vistas do filme, estão no Comic Natalie. Achei o André já na fase pós-cavaleiro negro meio sombria demais, pode ser algo localizado, a sequência do quase estupro, ou a do veneno, vai saber? Vamos esperar. Abaixo, o Shoujocast sobre o André, que eu fiz em 2022 e o comentando o trailer.
Ontem, estreou no Japão o filme live action baseado na coleção novels (livro curtos) de Watashi no Shiawase na Kekkon (わたしの幸せな結婚). O anime estreia em julho e foi anunciado um artbook desenhado pela artista responsável pelo mangá da série, Rito Kousaka.
Segundo o Twitter, o artbook está previsto para o dia 10 de agosto e terá 80 ilustrações já vistas, além de outras desenhadas especialmente para o volume, e uma história curta especial, isso em 127 páginas. Deve ser um material muito bonito, porque o traço de Rito Kousaka é bem delicadinho. O artbook já está em pré-venda e o preço é 1.999 ienes, algo como 80 reais.
Eu ainda estou devendo uma resenha decente da segunda novel, mas eu fiz dois textos sobre as novels da série (*aqui e aqui*). Estou com o volume 3 meio lido, preciso retomar e terminar. Estou indo devagar, porque o volume 4 só sai em junho (*acho*) nos Estados Unidos. Há as scanlations do mangá e acredito que o trabalho dos fãs, preservando honoríficos, por exemplo, ajude a entender melhor a história e até como as protagonistas Mio e Kiyoka vão se aproximando. Enfim, eu estou também bem ansiosa com o resultado do filme, sua aceitação. Se você encontrar uma resenha, por favor, me passe o link.
Mystery to Iu Nakare (ミステリと言う勿れ), de Yumi Tamura, era um grande sucesso como mangá, que se tornou ainda maior por causa do dorama que estreou em janeiro deste ano. Muito bem, segundo o Comic Natalie, teremos um filme live action no outono japonês de 2023 (*ou seja, na nossa primavera*) e boa parte do elenco original irá retornar, com destaque para o protagonista interpretado por Masaki Suda.
Mystery to Iu Nakare segue o dia-a-dia do estudante universitário Kunou Totonou que tem o talento para resolver mistérios. No início da história, a polícia o leva para interrogatório por suspeita de ter assassinado um de seus colegas de classe. A série ganhou o 67º Shogakukan Manga Award em 2021. Foi indicado para os 12º e 13º Manga Taisho Award em 2019 e 2020, ao 65º Shogakukan Manga Award em 2019, ao 44º Kodansha Manga Award em 2020 e ao 26º Prêmio Cultural Tezuka Osamu em 2022.
Anteontem e ontem, sim, em duas partes mesmo, finalmente assisti ao filme Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (Spider-Man: No Way Home). O que dizer do filme? Longe de ser um filme perfeito, ou o melhor filme de super-herói que eu já vi, mas, talvez, tenha sido o mais delicioso. É uma armadilha mesmo, cheio de nostalgia, momentos muito simpáticos e engraçados, TRÊS HOMENS-ARANHAS e vários vilões, além de um final de cortar o coração. E a gente fica querendo saber o que será de Peter Parker, o do Tom Holland, ou se teremos mais material com os outros Homens-Aranhas. Era exatamente o que eu precisava assistir nesse momento. Simples assim. Filme de herói é para divertir mesmo. Vamos para o resumo!
Ao final do segundo filme, Longe de Casa, Mysterio (Jake Gyllenhaal), o vilão da vez, revelou para o mundo a identidade do Homem-Aranha (Tom Holland) e o acusou de crimes que ele mesmo cometera. Todos sabem que Peter Parker é o super-herói e isso termina causando problemas para todos que convivem com ele e podem atrapalhar o futuro de sua namorada, MJ (Zendaya), e seu melhor amigo, Ned (Jacob Batalon). Tentando resolver a situação, Peter Parker procura a ajuda do Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) para fazer com que as pessoas esqueçam a identidade do Homem-Aranha. No entanto, Peter quer interferir no feitiço lançado pelo Doutor Estranho, quer exceções para o esquecimento, e a magia termina sendo corrompida e vários convidados indesejados começam a aparecer em seu universo, fora isso, a própria estrutura com Multiverso parece ameaçada porque suas regras foram rompidas.
Eu gosto muito do Homem-Aranha do Tom Holland, mais do que as versões anteriores e já tive atritos com meu marido, fã assumido do Tobey Maguire, por causa disso. É ridículo, mas dois velhos nerds cabeçudos gastam muito do seu tempo juntos discutindo esse tipo de coisa. Um casamento não se mantém por vinte anos se a gente não tem vícios em comum. Muito bem, esperei ansiosamente por este novo filme, mas a pandemia me impediu de vê-lo no cinema. As sessões estariam cheias e eu não queria me arriscar e ainda poder contaminar minha família. Cheguei a olhar um camrip muito ruim só para poder ver o que eu estava perdendo. Mas não havia remédio, tive que esperar.
Ainda assim, foi emocionante rever os dois Homens-Aranhas anteriores e os vilões. Eu nunca vi o terceiro filme com o Tobey Maguire, nem o segundo com o Andrew Garfield, só passei a apreciá-lo como ator muito tempo depois e nem resenhei o primeiro filme no blog. Ainda assim, foi muito divertido - a palavra se aplica ao filme inteiro - ver os três Aranhas reunidos. Foi legal quando o Electro (Jamie Foxx) disse para o Peter de Garfield que sempre imaginou que ele era um garoto negro por baixo da máscara. Daí, Garfield, que de longe parecia ser o Homem-Aranha mais emotivo, responde que deve haver uma versão negra do herói em algum universo. Era uma referência direta a Aranhaverso.
Esta interação entre os Homens-Aranhas, as piadinhas, as referências, a comparação entre eles, vide o caso de como cada uma das versões lança suas teias, a dor pela perda de alguém querido, torna o filme muito especial. O reencontro com os vilões, destaque para o Duende Verde (Willem Dafoe) e o Dr. Octopus (Alfred Molina), e vê-los descobrindo que estavam encontrando com um outro Peter, algumas cenas foram muito boas. O roteiro tem falhas, mas o bom elenco, a nostalgia, o humor, esconde bem os defeitos aqui e ali. Por exemplo, o filme é muito escuro e não pelo fato de ser sombrio, ele não é, ou não é o tempo inteiro, trata-se de uma forma de esconder imperfeições, em especial, nas cenas de batalha.
Vamos aos fatos, este terceiro filme é melhor que o segundo e mesmo mantendo certa continuidade, pode ser assistido só com a informação inicial de que a identidade do Homem-Aranha é de domínio público. Há todo um investimento do roteiro em mostrar o drama de Peter Parker e como a revelação impactou a vida de seus amigos. Daí, ele parte para sua visita ao Doutor Estranho. O pedido de ajuda precipitado e a tentativa de intervir para que nem todo mundo esqueça dele. Venhamos e convenhamos, era uma magia bem problemática.
Quando o Doutor Estranho e Peter descobrem que algo deu MUITO errado, que o mago mexeu com o que não devia, o Multiverso, que já tínhamos visto em Wanda Vision e Loki (*há resenhas no blog*), acontece o grande problema de consistência do roteiro a meu ver, o Peter de Holland quer salvar os vilões e vai tentar neutralizar o Doutor Estranho para conseguir isso. Sim, há todo o investimento no fato de que Peter Parker tem bom coração e que super-heróis, esses como o Homem-Aranha, salvam pessoas, não as matam, me pareceu uma escolha complicada depois de tudo o que o herói viu e passou durante a saga de Thanos (*1 - 2*). Pareceu que tínhamos de novo o Peter inocente do primeiro filme.
Enfim, eu posso comprar fácil a brincadeira, porque o filme me pareceu agradável e tudo foi muito divertido, mas o fanservice, repito, não consegue esconder essas escolhas problemáticas de roteiro. O fato é que Peter arrisca vários universos, e ele estava ciente, pelo menos em teoria, do que se tratava o Multiverso desde o segundo filme, para fazer o bem, se negando a aceitar o destino cruel dos vilões. Não seria prudente, ainda assim, é neste caminho que o filme segue, explorando o humor e o drama e oferecendo um final bem emocionante para a audiência.
Deve ter sido muito legal assistir Homem-Aranha: Sem Volta para Casa no cinema. Imagino a vibração da audiência em algumas cenas. E fiquei com vontade de dar uma segunda chance ao Homem-Aranha de Andrew Garfield. Aliás, ter mais material juntando aranhas de universos diferentes, seria muito interessante e, imagino, muito lucrativo. E, sim, Matt Murdock! Adorei a participação da personagem, também. Não vi a série da Netflix com Charlie Cox, mas me deu vontade de ir atrás dela e torço para, de repente, o Disney + investir em mais material do Demolidor.
Benedict Cumberbatch não roubou o filme, houve quem temesse isso, mas sua presença foi fundamental para fazer a história andar. Fora isso, ele estava muito bonito como Doutor Estranho. A última cena pós-créditos do filme antecipa Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, que estreia na semana que vem, ao colocar o herói indo procurar Wanda. Eu quero muito poder ver este filme no cinema. Não sei se irei conseguir, mas, pelo menos, vou tentar ver o material necessário para compreender a película. O MCU (Marvel Cinematic Universe) é todo interligado e, agora, inclui as séries do Disney +.
Como estamos em um site feminista, preciso falar das personagens femininas. A Bechdel Rule não se cumpre. A Tia May de Marisa Tomei estava lá para dizer a frase "Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades" e cumprir seu destino para que o herói pudesse crescer. Sim, personagens femininas são mortas, ou sofrem para que alguma personagem feminina seja impulsionada. Clichê. E os Aranhas conversam sobre suas perdas e suas dores. Cabe ao Peter de Tom Holland aprender a lidar com as deles. Já a MJ de Zendaya é ótima como foi nos filmes anteriores, mas sua função maior é ser a namorada do herói e Peter precisa escolher entre seus interesses pessoais e salvar os muitos universos. Vocês sabem o que ele irá preferir.
Fora isso, eu não imaginava que os boatos de que teríamos os três Homem-Aranha em cena se concretizasse. Só este detalhe já tornou o filme um evento e muito mais legal do que eu jamais poderia imaginar. E, sim, vivemos tempos tão tristes que eu não vou ficar reclamando de fanservice ou furos de roteiro, eu quero material que alivie a minha tensão cotidiana, que me faça rir, que me emocione até, porque eu consegui chegar a isso, mesmo sabendo que trata-se de um filme meticulosamente planejado para a catarse, para provocar um turbilhão de emoções conflitantes. O nome disso é escapismo e este filme se encaixou como uma luva nas minhas necessidades do momento. Eu compraria o Blu-ray, porque tenho os outros, mas nem sei se irão lançar no mercado brasileiro.
Concluindo, é bom ver que não roubaram o último filme do Homem-Aranha como fizeram com o do Capitão América (*Guerra Civil é um filme dos Vingadores*), no caso de Sem Volta para Casa, ter mais, muito mais gente, foi muito positivo para o crescimento do Peter Parker do Tom Holland. Resta saber se teremos mais filmes live action com ele, como a coisa será conduzida, se pela Disney-Marvel ou pela Sony. Se a coisa já ficou resolvida, eu não fui pesquisar, confesso. Sei que há muito material do Aranhaverso em produção, desde desenhos até filmes. Como um dos super-heróis mais populares de todos os tempos, o Homem-Aranha estará entre nós durante muito tempo e, com certeza, trazendo muito lucro para todos os envolvidos.
O Globo de Ouro foi ontem e ocorreu sem transmissão nos Estados Unidos e, acredito, no Brasil. Ao que parece, porque realmente não estava acompanhando, a comissão organizadora estava sob ataque por falta de diversidade entre os membros da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês), além disso, temos a nova onda de COVID-19 aterrorizando o mundo inteiro, menos o Brasil, onde o apagão de dados impede que a população tenha a noção exata da tragédia em andamento. De qualquer forma, é uma das prévias do Oscar e não acredito que os indicados sejam tão diferentes assim do que foram no Globo de Ouro. Não vou reproduzir os prêmios de TV e só vou colocar os vencedores nas categorias de cinema. Quando já tiver assistido ao filme, e estou menos pior este ano do que em 2021, estará com link para a resenha na primeira vez que aparecer.
Eu estou tentando assistir Ataque dos Cães e está difícil. Eu não sei se sou eu, o filme, se tenho algum bloqueio com a Jane Campion, mas eu vou me obrigar a ver até o final, prometo. Acredito que o resultado possa se repetir no Oscar. A Filha Perdida também me cansou um tanto e eu parei, vou retomar. Salvo Amor, Sublime Amor, não vi nada daqui, mas estou com muita vontade de assistir Belfast.
MELHOR ATRIZ EM FILME - DRAMA
Jessica Chastain, The Eyes of Tammy Faye
Olivia Colman, A Filha Perdida
Nicole Kidman, Being the Ricardos
Lady Gaga, Casa Gucci
Kristen Stewart, Spencer
MELHOR ATOR EM FILME - DRAMA
Mahershala Ali, Swan Song
Javier Bardem, Being the Ricardos
Benedict Cumberbatch, Ataque dos Cães
Will Smith, King Richard: Criando Campeãs
Denzel Washington, A tragédia de Macbeth
Não posso me pronunciar sobre melhor atriz, só comecei a olhar A Filha Perdida e dizer que Olivia Colman está muito bem é bobagem, porque ela geralmente está muito bem. Melhor ator, nada tenho contra o Will Smith e tenho curiosidade pelo filme sobre o pai das irmãs Williams, mas será que ele leva o Oscar, também? Parece que Ataque dos Cães foi feito sob medida para que o Benedict Cumberbatch leve. Por mais detestável que sua personagem seja, os holofotes estão sobre ele quase o tempo inteiro, é até difícil conseguir uma foto do filme em que ele não esteja. Vamos ver.
Aqui, é complicado. Como colocar na mesma categoria um Amor, Sublime Amor e Não Olhe para Cima? Comecei a ver Tick, Tick... Boom!, outro musical, e parece ser um filme muito bom. Agora, em melhor atriz, eu considero um dos elos fracos do filme Amor, Sublime Amor a jovem Rachel Zegler, Jennifer Lawrence estava muito melhor como atriz e duvido que uma Emma Stone não estivesse, também. Não vi Cruella, nem pretendo ver por livro escolha, mas confio na competência da atriz. Melhor atriz coadjuvante deve se repetir no Oscar, eu aposto minhas fichas na Ariana DeBose.
MELHOR ATOR EM FILME - COMÉDIA/MUSICAL
Leonardo DiCaprio, Não Olhe Para Cima
Peter Dinklage, Cyrano
Andrew Garfield, Tick, Tick... Boom!
Cooper Hoffman, Licorice Pizza
Anthony Ramos, Em Um Bairro em Nova York
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM FILME
Ben Affleck, Bar doce lar
Jamie Dornan, Belfast
Ciarán Hinds, Belfast
Troy Kotsur, No Ritmo do Coração
Kodi Smit-McPhee, Ataque dos Cães
Andrew Garfield é um excelente ator, o filme parece ser bom e espero que ele leve um Oscar em breve, porque currículo ele tem. O menino de Ataque dos Cães pegou um papel bem difícil, deve ser indicado ao Oscar, se vai ganhar é outra história.
Compartment Number 6 (Finlândia/Rússia/Estônia/Alemanha)
Drive My Car (Japão)
A Mão de Deus (Itália)
A Hero (Irã)
Madres Paralelas (Espanha)
Eu não vi nenhum dos filmes estrangeiros, não vou comentar. Não descobri qual o país inscreveu Compartment Number 6. Em animação, vi Luca e Encanto. O primeiro é melhor como história, escrevi isso na resenha de Encanto, o segundo, se impõe pela qualidade da animação e pela trilha sonora. O resultado, portanto, não é surpresa.
MELHOR ROTEIRO EM FILME
Paul Thomas Anderson, Licorice Pizza
Kenneth Branagh, Belfast
Jane Campion, Ataque dos Cães
Adam McKay, Não Olhe para Cima
Aaron Sorkin, Being the Ricardos
Belfast é um dos grandes filmes do ano, então, levar roteiro não é surpresa. No Oscar, a coisa vai ter uma configuração diferente, porque há duas categorias, roteiro adaptado e roteiro original. Por isso mesmo, imagino que Identidade seja indicado em adaptado e mais gente terá a chance de aparecer.
"Here I Am (Singin' My Way Home)" - Jennifer Hudson (Respect)
"No Time to Die" - Billie Eilish (007 - Sem Tempo Para Morrer)
MELHOR TRILHA SONORA EM FILME
Alexandre Desplat, A Crônica Francesa
Germaine Franco, Encanto
Jonny Greenwood, Ataque dos Cães
Alberto Iglesias, Madres Paralelas
Hans Zimmer, Duna
Das trilhas sonoras, só conheço a de Encanto, não vou comentar nada, também. Agora, em canção original, eram muitos pesos pesados competindo, só digo que amo Dos Oruguitas, mas não vai ganhar o Oscar, também.
Fazia tempo que eu não encontrava uma pesquisa do Gooranking que pudesse publicar no Shoujo Café, mas, viva, temos uma perfeita. O Gooranking não coloca demografia (Feminino/Masculino e Faixas etárias) dos entrevistados, mas, desta vez, não colocou nem o número total de entrevistados... Mas o primeiro colocado teve 252 votos e o último 4 votos. Decidi colocar o número de votos do top 10, porque já deu muito trabalho traduzir todas os cinquenta e sete listados, bata visitar o link, agora, depois da lista, vou colocar a contagem de quantos shoujo e quantos josei e das revistas mais citadas nesse ranking. De resto, vocês têm uma super lista de filmes para procurar. Estranhei a ausência de Kuragehime.
1. Kimi ni Todoke (Betsuma/Shoujo) - 252 votos 2. Nodame Cantabile Final (Kiss/Josei) - 201 votos 3. Hanayori Dango Final (Margaret/Shoujo) - 148 votos 4. Chihayafuru Musubi (Be Love/Josei) - 92 votos 5. NANA (Cookie/Shoujo) - 87 votos 6. Uirabu。(Sho-Comi/Shoujo) - 53 votos 7. Liar x Liar (Dessert/Shoujo) - 50 votos 8. Ore Monogatari!! (Betsuma/Shoujo) - 38 votos 9. Kurosaki-kun no Iinari nante naranai (Betsufure/Shoujo) - 37 votos 10. Umimachi Diary (Flowers/Josei) - 36 votos 11. Oboreru Knife (Betsufure/Shoujo) 12. Miseinen dakedo Kodomo ja Nai (Sho-Comi/Shoujo) 13. Haikara-san ga Tooru (Shoujo Friend/Shoujo) 14. Heroine Shikkaku (Betsuma/Shoujo) 15. Honey & Clover (Várias revistas/Josei) 16. Peach Girl (Betsufure/Shoujo) 17. Ookami Shoujo to Kuroouji (Betsuma/Shoujo) 17. Helter Skelter (Feel Young/Josei) 19. Marmalade Boy (Ribon/Shoujo) 20. honey (Betsuma/Shoujo) 21. L♥DK Hitotsu Yane no Shita, (Suki) ga Futatsu (Betsufure/Shoujo) 22. Hot Road (Betsuma/Shoujo) 22. Kanojo wa Uso o Aishisugiteru (Cheese!/Shoujo) 22. Ao-Natsu: Kimi ni Koi Shita 30-Nichi (Betsufure/Shoujo) 25. Gozen 0-ji, Kiss Shi ni Kite yo (Betsufure/Shoujo) 25. Perfect World (Kiss/Josei) 25. Sakamichi no Apollon (Flowers/Josei) 28. Omoi, Omoware, Furi, Furare (Betsuma/Shoujo) 28. 3D Kanojo (Dessert/Shoujo) 28. Sensei Kunshu (Betsuma/Shoujo) - Spin-off de Heroine Shikaku 28. Sensei!... Suki ni Natte mo Ii Desuka (Betsuma/Shoujo) 32. Orange (Betsuma/Monthly Action/Shoujo/Seinen) 32. Machida-kun no Sekai (Betsuma/Shoujo) 32. Itazura na Kiss THE MOVIE (Betsuma/Shoujo) 35. Hirunaka no Ryuusei (Margaret/Shoujo) 35. Kinkyori Renai (Betsufure/Shoujo) 35. Love☆Com (Betsuma/Shoujo) 38. Ano Ko no, Toriko。(Sho-Comi/Shoujo) 38. Ichirei Shite, Kiss (Betsucomi/Shoujo) 38. Kyou no Kira-kun (Betsufure/Shoujo) 41. Ani ni Ai Saresugite Komattemasu (Sho-Comi/Shoujo) 42. Ao Haru Ride (Betsuma/Shoujo) 43. Strobe Edge (Betsuma/Shoujo) 43. Kyou, Koi o Hajimemasu (Sho-Comi/Shoujo) 43. Boku no Hatsukoi o Kimi ni Sasagu (Sho-Comi/Shoujo) 46. Tonari no Kaibutsu-kun (Dessert/Shoujo) 46. P to JK (Betsufure/Shoujo) 46. Suki tte Ii na yo。(Dessert/Shoujo) 46. Peace of Cake (Feel Young/Josei) 50. Fukumenkei Noise (Hana to Yume/Shoujo) 50. Aozora Yell (Betsuma/Shoujo) 50. Bokura ga Ita (Betsucomi/Shoujo) 50. Anitomo (Hana to Yume/Shoujo) 54. 10-manbun no 1 (Cheese!/Shoujo) 54. Haru Matsu Bokura (Dessert/Shoujo) 54. Nijiiro Days (Betsuma/Shoujo) 54. Koukou Debut (Betsuma/Shoujo)
Enfim, de cinquenta e sete títulos somente sete são josei. Umimachi Diary é de Akimi Yoshida, autora de Banana Fish, e foi super premiado. O filme tem como título internacional Our Little Sister e concorreu no festival de Cannes. Sakamichi no Apollon tem resenha no blog, gosto muito do filme. No caso das revistas josei, a Be Love colocou um título, Flowers dois, Feel Young dois e Honey & Clover passou por várias revistas, a revista era cancelada e a série seguia para outra e com grande sucesso. Desses josei citados, somente Helter Skelter e Honey & Clover foram publicados no Brasil. Nodame Cantabile e Honey & Clover tiveram animação e dorama; Chihayafuru somente animação além dos filmes para o cinema.
Dentre as revistas shoujo, a que mais aparece na lista é a Betsuma, dezoito vezes. No meu último Shoujocast comentei que ela é que tem produzido os maiores sucessos do shoujo mangá. A mangá-ka mais citada é Io Sakisaka (Strobe Edge, Ao Haru Ride e FuriFura). A Betsufure vem em segundo lugar com 9 citações. A revista Sho-Comi aparece seis vezes, na maioria dos casos, filmes que amenizaram um tanto o conteúdo mais apimentado dos originais. A Dessert entrou cinco vezes. Margaret, Hana to Yume, Betsucomi, Cheese! duas vezes. Dos shoujo citados, foram publicados no Brasil: Kimi ni Todoke, NANA, Ore Monogatari!!, Peach Girl (*cancelado*), Marmalade Boy, Orange, Love☆Com, FuriFura, Ao Haru Ride. Espero não ter esquecido de ninguém.
O filme mais antigo citado é Haikara-san ga Tooru que é de 1987. Nostalgia? O fato e que o filme fez muito sucesso na época e a protagonista, Yoko Minamino, era uma idol muito famosa. Abe Hiroshi faz o papel do mocinho, Shinobu Ijuin e pena que eu não tenha conseguido achar uma foto boa dele com a Benio (Yoko Minamino), porque ele está lindo nesse filme. Agora, olhando a quantidade de mangás shoujo nessa lista, você é capaz de acreditar que são somente as meninas adolescentes que curtem esse material? Que vão ao cinema assistir esses filmes?
Aliás, pensando somente em Kimi ni Todoke, o mangá só vendeu os milhões que vendeu, porque conseguiu atrair um público para além da sua demografia. O mesmo, aliás, vale para Hana Yori Dango e tantos outros mangás que aparecem nessa lista que, nas suas origens, eram pensados para meninas entre os 13 e os 16 anos, mas que discutiam questões de interesse mais amplo, dialoga com as vivências de mulheres adultas e mesmo dos homens, ou, simplesmente, oferecendo personagens cativantes, histórias interessantes. E isso, gente, desde os anos 1960.
O filme de Watashi ga Motete Dousunda (私がモテてどうすんだ), baseado na série da mangá-ka Junko, estreará em 10 de julho, pelo menos é o que está previsto, e a autora desenhou o cartaz do filme. Ficou desse jeito:
O resumo do início do mangá é o seguinte: Kae Serinuma (Miu Tomita) é uma estudante gordinha do ensino médio. Ela é fujoshi, isto é, apaixonada por BL. Um dia, seu personagem de animação favorito morre e ela entra em choque. Kae Serinuma não pode comer por uma semana e acaba perdendo muito peso. O resultado final é que Kae Serinuma (Nonoka Yamaguchi) de repente se torna muito popular na escola. Quatro estudantes do colegas se apaixonam por Kae Serinuma. Os quatro garotos são Asuma Mutsumi (Hokuto Yoshino), Yusuke Igarashi (Fuju Kamio), Nozomu Nanashima (Asahi Ito) e Hayato Shinomiya (So Okuno). Há uma atriz escalada para ser Shima Nishima (Satsuki Nakayama), uma garota que se apaixona por Serinuma, mas, ao que parece, ela não terá importância no filme. A série fez muito sucesso e terminou com 14 volumes no ano de 2018. A série teve animação em 2016 e, claro, não cobriu toda a história. O trailer está aí embaixo:
Acho que acumulei notícias demais da autora, mas, enfim, vai tudo no mesmo pacote. Io Sakisaka irá publicar um one-shot chamado Otome no Itari (乙女のいたり) na revista Betsuma, mas, segundo entendi do Comic Natalie, ele será adiado, logo, não sei se sai em maio, ou ainda depois. Na verdade, apesar de eu não ter comentado sobre isso no blog, muita coisa será adiada no Japão, revistas, inclusive. Agora, nesta edição da Betsuma, pelo que entendi, veio um código para acessar um voice comics de FuriFura, seria a primeira parte. Na edição de maio, teremos outro código para a segunda parte do vomic. Pelo que entendi é um pedaço do volume #3 e o capítulo do festival que está no volume #5.
Com a próxima edição da Betsuma, que sairá em 13 de maio, o brinde será um artbook de Omoi, Omoware, Furi, Furare (思い、思われ、ふり、ふられ) como parte da promoção do lançamento do filme animado em 29 de maio. OK, só que dias depois veio a notícia de que o filme teve sua data adiada por causa do coronavírus. Pelo que sei, e há outra matéria no CN sobre isso, ainda não temos notícia de nova data. O CN fala de um booklet que viria, também, com uma história extra de FuriFura que seriam brindes para quem comprasse os ingressos adiantados, acho que tudo deve ter sido adiado.
Nesta edição da Betsuma o brinde é um booklet da chamada Boyfriend Collection. Tentei encontrar o nome das mangá-kas envolvidas, mas não encontrei no Bakaupdates, então, confesso, deixei para lá. Só que encontrei o Twitter das artistas: @mmsrO_manO, @the_sky26, @mizoochiman e @kagarimiho.
Foi anunciado um filme live action para o mangá Kinou Nani Tabeta? (きのう何食べた?) de Fumi Yoshinaga. A série, que é publicada na revista Morning, segue o dia-a-dia de um casal, Shiro Kakei (Hideotshi Nishijima), um advogado, e Kenji Yabuki (Seiyo Uchino), um cabeleireiro, que tem suas alegrias, problemas, além do a mor pela culinária e a boa mesa. Li muito pouco dessa série, mas ela é muito elogiada. A série live action do ano passado fez sucesso e a equipe técnica e elenco principal se reunirá de novo para um filme.
Kazuhito Nakae continua na direção e Naoko Adachi será novamente a roteirista. Retornam ao elenco Kōji Yamamoto, Hayato Isomura, Makita Sports, Misako Tanaka, and Meiko Kaji as their characters Daisaku Kohinata, Wataru Inoue, Hiroshi Miyake, Kayoko Tominaga e Hisae Kakei. Estreia prevista para 2021, segundo o Comic Natalie, maiores detalhes virão nos próximos meses.
O filme de Hot Gimmick (*aquele que eu duvido que mais de meia dúzia tenha pedido*) estreia no dia 28 de junho. Pois bem, a próxima edição da Betsucomi vai trazer Hot Gimmick na capa, matéria com o elenco do filme (*Miona Hori, Hiroya Shimizu, Mizuki Itagaki, Shotaro Mamiya, Hiyori Sakurada, etc.*). além disso, se entendi bem, teremos uma história extra (*bônus track*) do mangá original e, se eu não entendi bem o Comic Natalie, leitoras darão seu depoimento sobre as memórias do mangá. Bem, vamos ver se é isso mesmo.
Little Miss P (*de "period", menstruação*) ou Seiri-chan (生理ちゃん), de Ken Koyama, foi um dos vencedores do último Tezuka Awards. O mangá tem como protagonista a menstruação e suas visitas à várias mulheres. Enfim, não tinha visto a notícia, mas a série teve filme live action anunciado em fevereiro.
Procurando, achei mais informações sobre o filme no Comic Natalie em um post de março. A protagonista será Fumi Nikaido. Parece que no filme, a menstruação só visitará uma mulher. Não achei uma previsão de estreia, mas como o volume dois do mangá sairá em 12 de julho, deve ser pela mesma época.
Falando nisso, o CN trouxe matéria sobre a pelúcia representando a menstruação. Ele será o brinde com a edição limitada do mangá. Haverá a normal e a com a pelúcia com 120 mm de altura e 113 mm de largura. Está em pré-venda. É certeza que vai esgotar. É isso. Enfim, o mangá foi licenciado nos EUA ano passado e eu nem tinha ouvido falar dele. Para algumas coisas, ando bem desinformada.
Quinta-feira assisti o filme da Capitã Marvel (Captain Marvel). Tinha colocado na minha cabeça que a estreia era esta semana, no dia 14, e meu marido é que acabou me convidando para assistir. Gostei do filme, acredito que fizeram um bom trabalho de origem, porque sei, até por ver tantos filmes de super-herói nos últimos anos, que é difícil acertar o ritmo em um primeiro filme. Não pretendo fazer nessa resenha nenhuma referência à personagem dos quadrinhos, nunca li nada da Capitã Marvel, nem tenho vontade de ler, mas tenham certeza que farei todos os comentários necessários sobre a perseguição que o filme sofreu desde meses antes do seu lançamento, porque isso diz muito sobre o momento que vivemos e a cultura nerd misógina que parece se fortalecer nesses tempos de ódio.
Em 1995, no planeta Hala, capital do Império Kree, Vers (Brie Larson), membro da Starforce, tem pesadelos recorrentes que a atormentam, ela sempre vê uma mulher mais velha, que é a mesma face que projeta na Inteligência Suprema, que dirige o império. Seu comandante e mentor, Yon-Rogg (Jude Law) exige que ela tenha foco, que controle suas emoções e os grandes poderes que possui. Em uma missão, a primeira de Vers, para desbaratar um plano dos Skrulls, que os Kree consideram inimigos de toda a galáxia, ela é capturada e termina indo para o planeta C-53, a Terra. Lá, Vers irá compreender seus pesadelos.
Vers como membro da Starforce.
A protagonista termina descobrindo que é Carol Danvers, uma oficial da Força Aérea norte-americana, que participava de um projeto super secreto. Ela também encontra o agente da S.H.I.E.L.D. Nick Fury (Samuel L. Jackson) e a gata Goose, que pertencia à mulher recorrente em seus sonhos. O problema é que nem tudo o que parece ser verdade é, começando pela gatinha laranja que se torna o xodó do agente Fury.
Capitã Marvel é o primeiro filme com uma super-heroína solo da Marvel. O MCU (Marvel Cinematic Universe/Universo Cinematográfico da Marvel) começou em 2008 com o Homem de Ferro em um planejamento minucioso que incluía as sequências de os Vingadores, a última está por estrear, e da apresentação dos maiores super-heróis da empresa com a inclusão de outros tantos quantos fossem possíveis. O Homem-Aranha, um dos ícones da Marvel, talvez seu herói mais popular, estava nas mãos de outro estúdio, mas, tão logo isso foi resolvido, ele foi incorporado ao MCU com sucesso e cumprindo a cota de filmes protagonizados por adolescentes. Havia a demanda por diversidade e a Marvel colocou o Pantera Negra em campo e ainda saiu (*merecidamente*) com vários prêmios e com três merecidos Oscar. E faltava uma mulher.
Há personagens masculinas importantes no filme.
O problema é que a Marvel não tem uma Mulher Maravilha. Eu sou muito mais Marvel que DC, acreditem, mas a Mulher Maravilha é um ícone dos quadrinhos norte-americanos, um símbolo que saiu do papel e se tornou importante na vida de várias meninas que se tornaram mulheres e foram para a rua lutar por seus direitos nos anos 1960. O nº 1 da principal revista feminista norte-americana trazia a Mulher Maravilha na capa e não foi por acaso. A Marvel não tem uma personagem com tamanho peso simbólico.
As personagens femininas da Marvel normalmente são parte de alguma equipe, membros valiosos e importantes, vide Tempestade e Jean Grey, mas não tinham impacto em carreira solo. Foram em busca de uma heroína que pudesse estrelar um filme e ser fundamental para o MCU, porque ela deve ser a única capaz de encher Thanos de pancada no próximo Vingadores, e escolheram a Capitã Marvel. Não sou especialista em Capitã Marvel, mas sei que como a maioria dos personagens de comics, ela passou por várias mãos, teve várias fases, vários rostos, foi negra, inclusive. Não existe, portanto a Capitã Marvel verdadeira para ser defendida em uma crítica ao filme. Aliás, em nenhum dos filmes do MCU convém fazer isso.
Brie Larson não engoliu sapos durante os meses de ataque.
Como sempre acontece com as mulheres em uma sociedade machista, esperava-se muito da Capitã Marvel, mais do que de qualquer herói homem, e vem sempre a enxurrada de comentários ditos bem-intencionados "Se esse filme não der certo, não teremos outros filme com mulheres super-heroínas em muito tempo." "Se o filme fracassar, vai mostrar que super-heroínas não podem ter filmes solo.". Quantos fiascos tivemos antes do MCU? Enfim, a gente só olha para o sujeito, ou para a tela de computador e segue adiante. Trata-se de uma falácia machista reiterada o tempo inteiro. Nem o cala boca do filme da Mulher Maravilha serviu para esse povo se consertar, mas, claro, a Princesa das Amazonas não é a Capitã Marvel e o MCU é um negócio muito mais estruturado do que a colcha de retalhos "se colar, colou" da DC.
Uma das coisas que me surpreenderam positivamente em Capitã Marvel foi a própria personagem principal. Carol Danvers consegue ser uma mulher forte, no sentido do caráter e determinação, mas tem senso de humor. Uma das coisas complicadas dos últimos anos, já coloquei em outras resenhas, é que para ser a heroína de ação, uma mulher tem que ser dura e sem sentimentos, ou deve ter um grande medo de mostrá-los. E isso ajuda a criar aquela ideia que grudou no imaginário social sobre feministas, elas não tem senso de humor. A gente prova que tem, mas, enfim, é algo que é repetido o tempo inteiro e as pessoas tem dificuldade em desapegar desse tipo de ideia.
Esse gato, não é o que parece.
O fato é que Capitã Marvel tem um roteiro sólido e não padece de um problema recorrente nos filmes da Marvel, os seu péssimos vilões. Voltarei a isso mais adiante. Mas é verdade, também, que não tem o impacto emocional de outros filmes do MCU, tampouco, precisou construir todo um mundo ficcional deslumbrante para sustentar a existência da personagem, como em Pantera Negra (*com a vantagem do protagonista já ter sido previamente apresentado*), ou A Mulher Maravilha. Em contrapartida, mostrou uma cuidadosa construção da personagem principal e contou com coadjuvantes importantes para compreendermos quem era Carol Danvers e, também a própria constituição do MCU. Isso tudo sem nos impôr um filme longuíssimo, já o ritmo, foi mantido do início ao fim.
Falando especificamente de Carol Danvers, algo que é preciso marcar na protagonista de ação, na mulher forte, é que ela teve um passado de dores, trata-se de um clichê. Carol Danvers teve que superar muitos obstáculos por ser mulher e essa informação é importante no filme, claro. Kart, basebol, aprender a andar de bicicleta (*acha que é nada, leia a minha resenha do sonho Wadjda*) e, mais tarde, entrar na Força Aérea podem ser vistas como coisa de menino, ou de homem. Até hoje, mesmo depois de ser permitido às mulheres norte-americanas servir em zonas de combate, há quem pense que elas não podem ser veteranos de guerra. Agora, algo importante no filme, apesar de estar enfrentando todos esses entraves, Carol não perde o bom humor, aliás, ele, talvez, seja uma espécie de estratégia de sobrevivência.
Skrulls são vilões, ou vítimas de genocídio?
Mais tarde, quando já é Vers, ele é repreendida por seu comandante/mentor Yon-Rogg por seu excesso de sentimento, que para o kree não é uma marca feminina, mas coisa de humanos mesmo, e pelo seu senso de humor. Mas, por qual motivo estou me estendendo nesse ponto? Quem acompanhou a produção sabe que quando saíram as primeiras imagens e os primeiros vídeos do filme, a Capitã Marvel não sorria. Ela era mostrada sempre séria, ou com expressão raivosa. Os detratores começaram a cobrar sorrisos, afinal, quem gosta de mulher mal humorada?
A atriz, Brie Larson, e é por essas e outras coisas que os machistinhas de internet a odeiam, postou os posteres de filmes de super-heróis com sorrisos photoshopados neles. Ninguém cobra sorrisos dos heróis homens nos trailers e em seus posteres, mas querem que uma super-heroína para deleite dos olhos masculinos com sorrisos sedutores, tímidos, já que cobrar ar de vítima seria demais nesse caso específico. Querem decotes, olhares lânguidos e poses sensuais. Isso ninguém vai encontrar em Capitã Marvel, mas temos uma mulher bem humorada, capaz de rir de si mesma e com os outros, corajosa sem parecer estar querendo provar alguma coisa para alguém justificando o fato de ter ganho um filme só para si. Afinal, tantos outros heróis homens mereciam mais, não é mesmo?
Sorriam, garotos!
Voltando para o roteiro, o filme Capitã Marvel não tem nenhum grande vilão para me decepcionar. E eu fiquei muito feliz com isso. Quem acompanha as minhas resenhas sabe que uma das minhas principais críticas aos filmes do MCU (*e os da DC não estão muito atrás, não*) são esses vilões que não dizem a que vieram e com motivações para lá de megalomaníacas, ou ridículas. O roteiro assinado por Anna Boden e Ryan Fleck, que dirigem o filme, e Geneva Robertson-Dworet, investe na dubiedade. Os Kree começam como os justiceiros, terminam um tanto mal. Os Skrulls começam como vilões que se infiltram para conquistar mundos, terminam como vítimas de perseguição, talvez racismo. Será que é só isso mesmo?
O interessante é que ninguém é bonzinho, mesmo a heroína tem áreas cinzentas em sua vida. Ela perdeu a memória, será que se lembrou de tudo? Por outro lado, quando todos os seus poderes se revelam, a Capitã Marvel se mostra tão poderosa quando o Super-Homem. Somente alguém com tamanhos poderes poderá se opor a Thanos no próximo Vingadores, mas percebam o seguinte, quanto mais poderes tem um herói, maior tem que ser o seu oponente. Estou pensando nos desdobramentos para os próximos filmes da heroína.
Samuel L. Jackson é rejuvenescido para o filme.
O principal coadjuvante do filme é Nick Fury e Samuel L. Jackson é rejuvenescido para o papel. A interação dele com Brie Larson é muito boa. O ator, aliás, me passou a impressão de estar se divertindo muito no filme e eu gosto de ter essa impressão quando assisto esse tipo de película. Capitã Marvel funciona como um filme de origem também para o líder dos agentes da S.H.I.E.L.D. e vemos até um jovem Coulson (Clark Gregg) em início de carreira. Há boas cenas com Fury e a gata que não é o que parece, além de termos uma espécie de delineamento do caráter de Coulson, sua fidelidade ao chefe e capacidade de questionar ordens, se necessário.
A veterana Annette Bening faz uma importante participação como a Inteligência Suprema dos Kree aos olhos de Vers e, também, como a doutora Wendy Lawson, cientista responsável pelo projeto de propulsão que tanto os Kree, quanto os Skrulls desejam, e que tem ligação direta com o passado de Danvers. Ela é, também, uma Kree, Mar-Vell, inspirada no Capitão Marvel original, ao que parece. Há outra kree em destaque no filme, Minn-Erva (Gemma Chan), a sniper do grupo, que parece ser a única da Starforce que conhece os segredos do comandante, Yon-Rogg, e os detalhes do passado de Vers.
Duas amigas inseparáveis.
Entre os humanos, temos a participação importante de Lashana Lynch como Maria Rambeau,a melhor amiga de Danvers e sua companheira de turma da Força Aérea. Lembrei de uma amiga muito querida ao assistir o filme e ver como construíram a amizade das duas. Rambeau participou do projeto secreto que teria tirado a vida de Carol Danvers, ela, aparentemente, teve que sair da Força Aérea quando aconteceu o acidente e o projeto super-secreto foi desmontado. Rambeau pertenceu à primeira geração de mulheres que puderam treinar para serem piloto de combate, mesmo sabendo que nunca lhes seria permitido atuar em missões de guerra.
Um filme de guerra, dirigido por uma mulher, levou os prêmios Oscar principais anos atrás vendendo uma guerra sem mulheres soldado, quando elas já estavam no campo de combate. Curiosamente, lembro somente dos elogios dos caras brancos, porque, bem, eles se viam no filme, afinal, o herói era como eles (*não um negro, ou latino, ou...*) e não se importavam dele ser impreciso, ou não, em relação às mulheres, isso é detalhe. Agora, a Capitã Marvel por mostrar o protagonismo feminino, os obstáculos enfrentados pelas mulheres, parece aos olhos desses meninos mimados um manifesto pedindo sua destruição. Seria cômico, se não apontasse o quão doentes estamos.
Somente no final saberemos a extensão dos poderes de heroína.
Continuando, o filme, é importante lembrar, se passa nos anos 1980 e 1990, mais na segunda década, e parece que existe uma onda de nostalgia em relação ao período, eu não consigo embarcar, mas o filme traz umas homenagens bem legais, esteja atento/a. De qualquer forma, com Rambeau e Danvers se está discutindo o quanto as coisa mudaram e quão pouco, na verdade mudaram, quando se trata de mulheres nas forças armadas. Assistindo ao filme, vieram vários outros na minha cabeça, mas, especialmente, o grande sucesso A Força do Destino (An Officer and a Gentleman), que, lá nos primórdios da Era Reagan, fazia propaganda de como a vida militar era capaz de reformar um rapaz meio perdido na vida.
Não estou falando dele por causa do protagonista interpretado por Richard Gere, mas porque o filme toca marginalmente na admissão de mulheres nos cursos de treinamento de pilotos de guerra. Tanto Marinha, caso do filme em questão, quando a Força Aérea norte-americanas aceitaram mulheres no mesmo ano. Em A Força do Destino, há três mulheres, mas somente Casey Seeger (Lisa Eilbacher), uma moça franzina, aparentemente frágil, se forma. Durante todo o filme, ela tem que ouvir do sargento instrutor, o oscarizado Louis Gossett Jr., que ela é uma cidadã de segunda classe e não deveria estar ali. Ali não era lugar de mulher.
Lisa Eilbacher interpretou uma candidata pioneira à piloto de guerra.
Curiosamente, a atriz, uma atleta na vida real, deu entrevista dizendo que a pior parte do seu papel era fingir que não era capaz de completar, talvez melhor que outros colegas em cena, todos os obstáculos do treinamento. Mas há o clichê da mulher frágil e é preciso reforçá-lo para que a audiência (*masculina*) não se sinta ofendida, daí, a personagem sofreu horrores para se graduar. O filme poderia ser refeito a partir dessa personagem, se alguém desejasse, claro. São cenas semelhantes as que vimos no treinamento da coelhinha em Zootopia em tom de humor, mas A Força de um Destino é um documento de época, enquanto Capitã Marvel revisita esse passado de forma bem consistente, sem, claro, apelar para o clichê da mulher frágil que precisa ir além de seu próprio sexo para se tornar "um dos caras".
Uma mulher que superasse esse treinamento rigoroso, que se formasse, poderia abraçar integralmente a ideologia machista de sua formação, acreditando e levando para a vida que ela é uma mulher superior e especial, diferente das outras, ela poderia, também, passar a mensagem de que, sim, elas mereceram e podem, sim, estar ali, mas que muitas não conseguem sequer sonhar com essa carreira, porque lhes repetem desde cedo que "não é coisa de mulher". Tipo fazem com matemática, sabe? A presença da menininha Monica (Akira Akbar), filha de Rambeau, serve para passar essa mensagem para as crianças, as meninas, em especial, de que elas podem sonhar e que não devem deixar que os sentimentos de inferioridade criem raízes dentro delas. Sim, as amarras que os kree colocaram em Vers são simbólicas.
Meninas como Monica precisam de super-heroínas.
E, gostaria de marcar, foi fofa a cena em que Monica escolhe as cores do uniforme da Capitã Marvel. Meninas precisam de super-heroínas, precisam sonhar em vestir seu uniforme, ou capa no futuro, tanto quanto os garotos. Filmes como Capitã Marvel são muito, muito importantes, assim como Mulher Maravilha, para criar um novo imaginário sobre super-heróis e super-heroínas. E você, homem, pode não perceber isso, mas digo o seguinte, se não é capaz, é por pura falta de empatia. De quem tem tudo e não quer que o outro, o subalterno, tenha pelo menos um pouquinho. E, sim, o filme cumpre a Bechdel Rule sem problemas.
Capitã Marvel parece denunciar, não como um tema central da história, que fique claro, que mulheres não se sentem capazes de fazer certas coisas, porque são levadas a acreditar em suas incapacidades, ou, no caso da doutrinação imposta por Yon-Rogg, são levadas a reprimir suas capacidades para serem elogiadas e bem vistas pelos homens, ou machos, já que os kree não são homens. Yon-Rogg quer dominar Vers, porque sabe que ela é mais forte que ele, quer que ela não descubra seus imensos poderes. Aliás, não há interesse romântico para a protagonista, mas olhando para o treinamento-luta entre Yon-Rogg e Vers no início do filme, vi algo de sensual nela. Será que somente eu vi isso? Porque se Yon-Rogg tem outros interesses em Vers, a questão poderia ser melhor explorada em outros filmes.
Annette Bening tem destaque no filme.
Caminhando para o fim, Capitã Marvel concede primazia à história das mulheres, seja a protagonista, seja os desafios encontrados pelas piloto de guerra pioneiras. Trata-se de um filme feminista, sem dúvida, mas não um produto panfletário, como uns e outros parecem acreditar. É um filme que ofende quem quer mulheres sempre em posição subalterna, ou que se indigna quando uma atriz conhecida por sua atitude pública feminista é escalada para o papel. Se Brie Larson se comportasse de forma modesta, não retrucasse, o filme poderia não estar sofrendo tanta perseguição. Sujeitos de extrema direita, porque são mesmo, sejam nerds, ou não, estão realizando uma verdadeira guerra dando notas baixas em sites especializados, ou gravando vídeos com reviews absurdas, acusando o filme de ser o pior do MCU.
A Mulher Maravilha sofreu boicote, mas por outros motivos e com menor alcance. O fato da protagonista, Gal Gadot, ser israelense, fez com que alguns países árabe-muçulmanos não exibissem o filme. Impacto disso para o lucro da película? ZERO. Algumas pessoas de esquerda, sempre prontas a associar judeus e israelenses ao mal sem pensar duas vezes, boicotaram o filme, também, mas não organizaram uma força tarefa de resenhas desonestas e notas baixas em sites como o IMDB, Metacritic e o Rotten Tomatoes. E quando esses sites reagem ao ataque coordenado dos haters, são criticados por tentar censurar a liberdade de expressão. Exemplo aqui, no mesmo site, cheguei lá com uma pesquisa simples "Brie Larson feminist", vocês podem encontrar um longo texto atacando Larson, uma péssima atriz, na opinião do autor, e a agenda feminista de Hollywood que estragou um filme que deveria ser somente diversão.
O que umas sonharam, ou sequer puderam sonhar, outras realizaram.
O que estão fazendo com Capitã Marvel é muito maior e é criminoso, muito maior do que fizeram com Pantera Negra, que sofreu ataques racistas. Espero que as bilheterias do filme sejam robustas o suficiente para que a Marvel saia fortalecida do processo e tenhamos mais filmes com super-heroínas e que Miss Marvel seja a primeira da fila, por favor! Ah, e temos homenagem a Stan Lee, claro e duas cenas pós-créditos, a primeira muito mais impactante que a segunda. Não saiam da sala quando a sessão terminar.