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sábado, 25 de junho de 2022

E a Newpop continua anunciando novos títulos... E a JBC, também, mas é meio que para nos enrolar.

Entre as minhas pendências está comentar os anúncios feitos pela Newpop, desta vez, de mangás Yuri.  Antes de começar, é preciso marcar que Yuri não é uma demografia.  Não há uma quantidade de revistas com mangás sobre garotas que se amam para que a gente possa delimitar as coisas.  Há a Comic Yuri Hime, que é a única revista yuri de longa duração, e antologias especiais que saem vez por outra, às vezes com o selo desta revista, e material yuri que sai em revistas josei, shoujo, shounen seinen e hentai.  Um dia, yuri será demografia?  Talvez, mas a coisa caminha de forma lenta. O yuri nasceu shoujo, lá nos anos 1970, mas ler sobre garotas com garotas é fetiche masculino, por isso mesmo, a gente encontra de tudo em uma Comic Yuri Hime.  E outro detalhe, tudo que a Newopo prometeu vem dessa revista e/ou da editora que a publica, a Ichijinsha.

Outra coisa, o Mais de Oito Mil me deu um susto com o post intitulado "Viciada em anúncios, NewPOP revela seus 8 novos mangás".  Como assim a Newpop tem QUARENTA E SETE títulos anunciados?!  Como assim?  E a segunda editora com mais anúncios é a JBC com 9.  Há de tudo nesses anúncios, claro desde livros até mangá, passando por one shot até séries com um número relativo de volumes, mas, ainda assim, são muitas promessas.  Espero que a Newpop as cumpra, mas fiquei chocada mesmo.  OK, o que a Newpop anunciou afinal?  

  • Uminekosou Days (海猫荘days) de Naoko Kodama. Tem 3 volumes e saiu na Comic Yuri Hime entre 2019 e 2020. 
  • Bocchi Kaibutsu to Moumoku Shoujo (ぼっち怪物と盲目少女) de Neji.  Foi publicado pela Ichijinsha, que é a editora da Comic Yuri Hime, e tem 1 volume somente.  
  • Watashi no Oshi wa Akuyaku Reijou(私の推しは悪役令嬢。) de Anoshimo e Inori.  A Newpop já está lançando a light novel desta série.  O mangá já está em andamento e tem 4 volumes. Sai na Comic Yuri Hime.
  • Now Lading! de Mikanuji.  Só um volume e saiu na Comic Yuri Hime.
  • Hello, Melancholic! (ハロー、メランコリック!) de Yayoi Oosawa.  Comic Yuri Hime, 3 volumes e eu falei da série, que gira em torno de um clube de música de um colégio, quando ele começou a sair, lá em 2020.  Gostei bastante do que eu vi da série e quero ler.  Aliás, ainda acredito que possa virar anime, ou dorama.

De resto, a Newpop anunciou a data de lançamento de outros yuri que ela já havia anunciado.  Recomendo o post dos Lacradores Desintoxicados sobre esses anúncios.  E vamos para a JBC. Eles anunciaram dois títulos seinen com apelo para o público feminino.  O que significa isso?  A autora é mulher, poderiam ter saído em uma revista shoujo, ou josei sem muitos problemas.  Sunny Sunny Ann! é de Miki Yamamoto, foi na revista Morning entre 2011 e 2012. Tem um volume só e fala de uma mulher que decidiu pegar um carro e sair por aí.  Road Movie.  Venceu o Tezuka Manga Awards na categoria novos artistas em 2013.  

O outro é o premiadíssimo Sangatsu no Lion de Chica Umino.  Tem duas temporadas de anime, que estão no Crunchyroll, 16 volumes e ainda está em andamento na revista Young Animal.  A série tem como protagonista um adolescente depressivo chamado Rei Kiriyama, ele perdeu sua família num acidente e tornou-se jogador profissional de shogi. O rapaz mora sozinho numa velha região de Tokyo, mas sua vida começa a se transformar após conhecer três irmãs – Akari, Hinata e Momo.  Para os fãs de Honey & Clover (ハチミツとクローバー) matarem as saudades da autora.  

É isso.  Ainda não tivemos o anúncio de um shoujo clássico, ou um mangá feminino de ficção científica.  O que a Panini irá anunciar?  Ou não vai anunciar nada?  

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Mangá sobre uma OL solitária que compra a robô errada estreia na Comic Yuri Hime

 

A revista Comic Yuri Hime é a mais antiga das revistas yuri, talvez seja mesmo a única em papel e regular, mas eu não teria como afirmar com certeza. Android wa Keiken Ninzuu ni Hairimasu ka? ?(アンドロイドは経験人数に入りますか??), de Yakiniki Teishoku, conta  história de uma office lady (OL) solitária que decide comprar uma gynoid para lhe fazer companhia.  A moça trabalha em uma empresa de alta tecnologia, mas acaba se confundindo e comprando uma robô especializada em prestar serviços sexuais, o que deixa a moça muito constrangida...  Lembrando, nem todo yuri é shoujo, ou josei, este provavelmente não é.  As informações vieram do Comic Natalie.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Otome Game no Hametsu Flag Shika Nai Akuyaku Reijo ni Tensei Shiteshimatta ... terá mais um mangá... e será yuri!


Otome Game no Hametsu Flag Shika Nai Akuyaku Reijo ni Tensei Shiteshimatta ... (乙女ゲームの破滅フラグしかない悪役令嬢に転生してしまった…), ou My Next Life as a Villainess: All Routes Lead to Doom!, ou ainda Hamefura, ou a série da Katarina, encerrou sua série animada na semana passada com o anúncio de uma segunda temporada no ano que vem.  Agora, veio outro anúncio relacionado à série, outro mangá!


HameFura (*Ai, tão bom ter um apelido para uma série com nome tão grande!*), que já tem dois mangás em andamento na revista Comic Zero Sum, terá mais um, desta vez, em uma revista yuri, a Comic Yuri Hime.  A série também é assinada por Nami Hidaka e terá como nome Otome Game no Hametsu Flag Shika Nai Akuyaku Reijo ni Tensei Shiteshimatta... GIRLS PATCH.  


A história girará em torno das meninas que querem conquistar nossa vilã favorita, a Katarina Claes, que faz aniversário amanhã, que era uma humana que morreu e reencarnou dentro de um jogo de relacionamentos chamado Fortune Lover.  Katarina agora sabe que se o jogo correr a lógica normal, ela vai morrer, ou ser exilada no final.  Como ela poderá evitar isso?  Estreia no dia 26 de junho.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Yuri + Álcool é tema de nova antologia lançada no Japão


Volta e meia, a editora Ichijinsha, da revista Comic Yuri Hime, publica antologias temáticas dentro do selo YH, alguns desses materiais especiais já saíram nos Estados Unidos, por exemplo.  Hoje, vi no Twitter que a última antologia temática a sair no Japão se chama Alcohol Yuri Anthology Strong!  (アルコール百合アンソロジー・ストロング!).  

As mangá-kas que participam da antologia são: Konbu Wakame, Rouka, Aoki Mutsumi, Kashikaze, Kuunerin, Tatsuno Kosso, Noyama, Mozukuzu e Yakiniku Teishoku.  Sem entrar na discussão do tema da antologia, eu acredito que esse material, volumes com coletâneas fechadas de histórias, seria excelente para licenciamento, nem que fosse em formato digital dado o preço do dólar que imapacta diretamente sobre o papel e outros custos.  Só que eu não sou editora, enfim.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Relação entre senhora e criada é tema de antologia Yuri lançada no Japão


Não é uma revista regular, mas uma edição especial centrada na relação entre senhora/patroa e criada, muito provavelmente, vestida de maid.  O nome da antologia é Rhodanthe com o subtítulo em inglês "Master and Servant Anthology".  Participam da coletânea autoras como  Imamura Yoko, Kagawa Yuusaku, Hanabana Tsubomi, Itou Hachi, Momoya Chika, Kisaragi Rui Doggy   etc. Há outras informações no Comic Natalie.

terça-feira, 19 de março de 2019

Ema Toyama publica seu primeiro Yuri Mangá


Ema Tooyama é uma mangá-ka que, pelo menos para mim, está na revista errada.  Ela publica na Nakayoshi, uma revista shoujo de recorte de idade que oscila entre final da infância e início da adolescência, mas seu mangás tem pimenta além da média da revista hoje.  Seu mangá Watashi ni xx Shinasai!  (わたしに××しなさい!) é um exemplo disso e, curiosamente, terminou recebendo  Kodansha Manga Award em 2012 na categoria INFANTIL (Kodomo).  Tento entender até hoje... 



Pois bem, a autora anunciou na sua conta do Twitter (*mas eu vi no ANN*) que lançou seu primeiro yuri mangá na revista Comic Yuri Hime.  Trata-se de um oneshot com o nome de  Nakasete? Sensei (泣かせて?先生).  A única informação que temos é que trata-se de uma história centrada em um romance entre professora e aluna.  

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Nova Antologia Yuri lançada no Japão


A editora japonesa Got Comics lançou no dia 25 de junho a revista Avalon, espcializada em Yuri.  Não consegui descobrir periodicidade, embora esse tipo de publicação normalmente não seja mensal, ou demografia.  Pelo que compreendi do Comic Natalie, foram lançadas duas edições de uma vez, uma com a temática dos relacionamentos felizes e outra de desejo e angústia.  


Não acredito que tenha pornografia, mas a página da editora mostra que eles publicam hentai.  O site, inclusive, pergunta se você é maior de idade.  


De resto, as duas capas são muito lindinhas.  A página da revista é esta aqui.  Há imagens de alguns dos mangás da edição acima, a das relações felizes.  

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Dois animes Yuri anunciados para 2017


Segundo o Comic Natalie, dois mangás yuri serão adaptados para animação no ano que vem, o famoso Citrus e NTR: Netsuzou Trap.  Citrus conta a história de uma adolescente, Yuzuko Aihara, que tem sua vida virada de pernas para o ar com o recasamento de sua mãe.  Ela muda de casa e escola, indo estudar em um colégio só de meninas conhecido por sua disciplina rígida.  Logo no primeiro dia, Yuzuko faz inimigas, dentre elas, a presidente do conselho de estudantes, Mei.  Chegando em casa, a menina descobre que Mei é sua "nova irmã"... Trama bem básica... A série está no volume #5 no Japão.  Tem scanlations.  


Netsuzou Trap conta a história de Yuma e Hotaru, amigas desde a infância.  Quando Yuma arruma um namorado e está nervosa sem saber como agir, sua amiga e oferece para "praticar" com ela.  O resultado, vocês já sabem, mas, parece, que o relacionamento das duas permanece segredo, enquanto publicamente mantém relacionamentos hetero de faixada.  


Ambas as histórias são publicadas na revista especializada Comic Yuri Hime, que oferece materiais com carga variada de sexo e nudez.  Não sei se seria possível enquadrar a publicação como shoujo, shounen, ou seinen, acredito que lá tenha coisas para todos os gostos.  Agora, pelas ilustrações de Netsuzou Trap fica evidente que o caráter sexual é bem explícito e com o estilo de ilustrações de material para o público masculino, já Citrus parece não ser tão explícito, mas me parece ter aquele potencial para cenas apologia à cultura do estupro, enfim, aguardemos o anime... Não olhei nada de nenhum dos mangás.  


Citrus é o mais famoso dos dois mangás, já teve Drama CD e vive aparecendo no Comic Natalie, ainda que eu não comente aqui no blog.  Ambas as séries são publicadas nos EUA pela Seven Seas.  Eu teria deixado as duas notícias passar, não fosse o ANN (*1-2*).

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Coletânea Yuri Lançada no Japão



Foi lançada hoje, no Japão, a coletânea Yuri Anthology Dole Due. A primeira edição havia saído em maio de 2012. Não está claro na notícia do Comic Natalie se é uma nova antologia, se haverá alguma regularidade no lançamento. Certeza é que a composição deve ser muito variada com autores e autoras que produziram materiais que vão do shoujo ao hentai. A capa é de Hibiki Reine, ilustradora de Maria-sama ga Miteru (マリア様がみてる). Os mangá-kas que participam dessa edição são Hibiki Reine, Koume Keito, Matsuzaki Miyuki, Purea, Ragho, Kaduki Ina, Manishi Mari, Pikachi, Nawoko, Yurihara Aki, Minase Ruruu, Amezawa Koma, Mizuno Moto, Yamamoto Mamo, Minamoto Tadashi, Higenamuchi , Watari Makana, Suimiya, Peg, Kuroi Mimei e Kishuu Yuuki, Uta, Benjamin. A página da revista é esta aqui.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Duas revistas chegam ao seu final no Japão



Ontem e hoje, o Comic Natalie publicou a informação de que duas revistas foram canceladas, uma definitivamente e outra irá mudar de nome. A cancelada definitivamente foi a revista yuri Tsubomi da editora Hobunsha. Criada como revista trimestral em 2009, ela se tornou bimestral em 2010. Agora, a Tsubomi encerra sua carreira na edição 21, de dezembro de 2012. Segundo o CN, as séries da revista continuarão em outras publicações, não sei se shoujo, josei ou seinen. Enfim, é uma pena...


A outra revista que chegou ao fim foi a Nemuki (Nemurenu Yoru no Kimyō na Hanashi). A publicação tem longa história de mudanças de nome, mudança de editora, possível cancelamento. Basta procurar no Shoujo café. Segundo o CN, a última edição da Nemuki é a de janeiro de 2013. No entanto, outra revista a substituirá e puxará as séries que saem nesta publicação shoujo, acredito que a partir de abril. Ou seja, a Nemuki continua...


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Falando da Yuri no Dia da Visibilidade Lésbica


Maria-sama ga Miteru
Hoje, 29 de agosto, é dia da visibilidade lésbica e senti a necessidade de publicar alguma coisa. A “invisibilidade” é fruto do (pre) conceito e, principalmente, da idéia de que não existe sexo sem que exista um homem (*munido de um falo*) no meio da história. Daí, ou se nega que o lesbianismo exista de verdade; ou se atrela o amor entre mulheres a uma coisa passageira, ou fruto de um trauma; ou que duas mulheres (*bonitas*) juntas só existem para excitar os homens, como um convite para que o sujeito venha “brincar”, também. Não raro, quando se usa a palavra “homossexual”, as pessoas têm em mente somente os homens gays, excluindo as mulheres desse grupo.

Curiosamente, mesmo entre @s fãs de shoujo mangá – e eu não estou focando em outros grupos de fãs – há quem veja os mangás yuri e shoujo-ai como material para o público masculino. Com a proliferação de produtos – animes especialmente – para o público otaku masculino só com garotas, temo que essa idéia se fortaleça ainda mais. Por conta disso, decidi revisitar um texto antigo que escrevi para o Anime-Pró chamado “Passeando por Campos de Lírios – Conversando sobre Yuri e Shoujo-ai” (*não sei mais onde está dentro do site*) e fazer algumas reflexões. Esse post não é totalmente original, mas uma montagem com alguns acréscimos e correções. Quando escrevi a coluna não eram comuns os sites sobre yuri, especialmente em português, nem havia a abundância desses animes fanservice com elenco totalmente feinino. O momento é outro.


"Yuri" (百合) em japonês quer dizer lírio e passou a estar associado na cultura pop japonesa ao lesbianismo. Um dos melhores sites sobre yuri e shoujo-ai – e são poucos se comparados aos sobre mangás yaoi –, é do Yuricon, mantido pela competente Erica Friedman. De acordo com a página, o termo “Yuri” está associado ao mundo das lesbianas – reais ou imaginárias – faz muito tempo, mas ficou consagrado quando um redator de uma revista gay dos anos 1970 usou para as mulheres o termo "yurizoku" (百合族/tribo do lírio), enquanto a "barazoku" (薔薇族/tribo da rosa) se referiria aos homens gays. De qualquer forma, o termo só serve para dar nome a práticas que já existiam faz tempo. Em uma sociedade como a japonesa, na qual os papéis de gênero tendiam a ser rigidamente definidos, muitas vezes mesmo o mundo dos homens e das mulheres pouco se tocavam. Isso possibilitou o surgimento de uma cultura tipicamente feminina.


Foi esta cultura que possibilitou a criação de todo um mercado de quadrinhos produzidos por mulheres para um público de meninas, moças e mulheres. Somado a isso, temos a ausência da condenação religiosa, materializada entre nós pelo discurso cristão, às relações homossexuais em si mesmas. Nesse contexto, as amizades entre meninas, de caráter sexual ou não, eram, e ainda são, muito comuns. A grande pioneira na representação desses relacionamentos, antes do boom do mangá, foi Yoshiya Nobuko (1896-1973), autora das chamadas Hana Monogatari ( 花物語/"Lendas das Flores", 1916–1924). Seus contos e romances mostravam meninas adolescentes, estudando em colégio internos femininos. Nesse mundo restrito eram estabelecidos laços de solidariedade e relacionamentos afetivos. O material fez muito sucesso, porque conseguiu sintetizar o que significava “tornar-se” mulher, dentro dos grupos sociais mais privilegiados, em um tempo no qual o casamento heterossexual pouco tinha a ver com amor romântico ou felicidade. Maria-sama ga Miteru (マリア様がみてる) bebeu intensamente no material desta autora.

Hoje, os termos "yuri" e shoujo-ai" estão cada vez mais presentes na net e na boca dos fãs de anime e mangá. Ambos se referindo aos romances entre mulheres. Cada vez mais, assim como aconteceu com o yaoi, a tendência é que o termo yuri se torne soberano e não façamos mais velhas distinções como “shoujo-ai não tem sexo e Yuri tem sexo”. A fronteira entre os dois termos, aliás, é bem fluída, e desconfio mesmo se essa distinção não foi uma invenção do fandom ocidental. Um dia, paro para pesquisar isso. Obviamente há shoujo-yuri, josei-yuri, shounen-yuri e seinen-yuri. Há, também, material hentai nessa linha. O problema é quando as pessoas pensam em yuri como sinônimo de hentai ou material carregado de fanservice para garotos.


Como eu já sinalizei anteriormente, os relacionamentos entre meninas nos mangás estão presentes desde pelo menos os anos 1970. Se formos rastrear, podemos voltar lá no longínquo ano de 1957 e considerar Sakura Namiki (さくら並木), de Makoto Takahashi, como um precursor dos mangás yuri/shoujo-ai. Nele temos a escola feminina e o forte akogare (憧れ), que é a relação de admiração e devoção de uma aluna mais jovem pela sua senpai. O akogare, essa admiração intensa de um inferior (kouhai) por um superior (senpai) é, às vezes, tão forte que começamos a imaginar se não há algo mais. Mesmo imaginando que há “algo mais”, dentro do material japonês esse sentimento é admirado e pode se desdobrar em amor e sacrifício.

De qualquer forma, foi nos anos 1970 que os mangás yuri começaram a aparecer, ainda que muito timidamente. Ryoko Ikeda foi uma das autoras que ajudaram a dar visibilidade aos romances entre mulheres e a Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) tem papel nisso. Mesmo que no mangá a heroína seja heterossexual, sua proximidade com outras mulheres era muito grande e o amor que as moças devotavam a Oscar, em especial Charlotte e Rosalie, era mais do que evidente. Há inclusive um momento da história, no qual Oscar lamenta não poder amar Rosalie, já que a moça lhe dedicava um afeto e devoção sem limites. Mas, em seu grande clássico, Ikeda não desenvolveu a questão, cortando qualquer possibilidade de romance para Oscar e Rosalie. Assim, o resto fica por conta da imaginação dos fãs da série.


Já em uma obra posterior Oniisama E... (おにいさま へ…), a coisa muda de figura e Ikeda retrata com muita ternura o romance entre duas adolescentes em uma escola feminina de elite. Conhecendo a obra de Ikeda, porém, não convém esperar por um final do tipo “e viveram felizes para sempre”. O relacionamento entre Saint-Just e Nanako não era o centro da história, mas parte de uma trama na qual o amor entre meninas – concretizado ou não – tinham grande importância. O anime, mesmo que tenha grandes qualidades, traiu a história original ao transformar o sentimento profundo de Nanako por Saint-Just em algo passageiro, quando Riyoko Ikeda em nenhum momento sugeriu que a menina esqueceu a amada.

Coube a Ikeda, entretanto, escrever uma das primeiras histórias adultas sobre a questão. No seu mangá curto intitulado Claudine...! (クローディーヌ・・・!). Passado na França da primeira metade do século XX, Ikeda mostra o drama de uma jovem que, por se sentir atraída por outras mulheres, não consegue se enquadrar, é abandonada pela amada, e termina se suicidando. Infelizmente, a tragédia aprece marcar esses primeiros materiais yuri/shoujo-ai feitos no universo shoujo.



Mas o primeiro mangá yuri de verdade, por assim dizer, foi feito por Yamagishi Ryoko. Ainda em início de carreira e com uma arte muito distante daquela que a consagrou em mangás como Hi Izuru Tokoro no Tenshi (日出処の天子), ela produziu Shiroi Heya no Futari (白い部屋のふたり) que traduzido poderia ser “o par ou o casal do quarto branco”. Neste mangá, datado de 1971, a autora recorre a vários elementos da cultura feminina recorrente nos shoujo e, antes disso, nos contos de Yoshiya Nobuko: o colégio interno estilo ocidental, a tomboy, a menina insegura, e, como era comum na época, a história se passa fora do Japão. No decorrer desse curto mangá, o que começa com animosidade e curiosidade, torna-se amizade, depois amor e termina (*claro*) em tragédia. Estavam lançadas as bases do shoujo-ai. Outro mangá yuri pioneiro foi Maya no Souretsu (摩耶の葬列) de Yukari Ichijo. Também em um volume, menos até, é um mangá de horror que começa com uma vendeta que se torna amor e, mais uma vez, termina em tragédia. Tanto Shiroi Heya no Futari, quanto Maya no Souretsu foram traduzidos para o inglês.


Interessante é que apesar de nos mangás os relacionamentos entre meninas ficarem explícitos, ainda que terminem em tragédia, nos animes shoujo - geralmente dirigidos por homens - eles são esvaziados de seu sentido original, ou apresentados como coisa passageira, coisa de menina que quando crescer, apesar de guardar com carinho o seu “primeiro amor”, se enquadrará nos moldes desejáveis da heterossexualidade compulsória. Vejam, não estou dizendo que isso não aconteça nos mangás, mas é como a coisa é apropriada pela animação e redimensionada ou modificada.

Se o pioneirismo coube aos anos 1970, outras obras levaram a questão adiante nos anos 1980, e de forma bem mais decidida e aberta como em Paros no Ken (パロスの剣). Este mangá, que se passa no imaginário Reino de Paros, em uma improvável Grécia Medieval. A desenhista é a consagrada Yumiko Igarashi e a história é de Kaoru Kurimoto. Paros conta a história de amor entre uma princesa e uma camponesa que, apesar de todos os obstáculos, terminam juntas, mesmo que o final permaneça em aberto. Já é um grande avanço, diante das tragédias da década anterior. Fora, que Paros no Ken lembra muito a Rosa de Versalhes, só que com Oscar largando André para trás e terminando com Rosalie. Não há como não perceber relação entre os dois materiais.


Os anos 1990 foram marcados por várias obras que retratavam romances entre meninas e mulheres de forma muito mais aberta e sem necessariamente um fim trágico. Em Sailor Moon (美少女戦士セーラームーン), ou de forma menos explícita, nos mangás de Shoujo Kakumei Utena (少女革命ウテナ) e Card Captor Sakura (カードキャプターさくら). De forma velada, ou não, apresentado como uma amizade mais intensa ou envolvendo sexo, visto como rito de passagem, tendo final feliz ou trágico, os relacionamentos entre mulheres estão sempre presentes dentro do shoujo mangá. Sailor Moon, com o casal Haruka e Michiru, supera e muito qualquer expectativa, afinal, elas são um casal e não há qualquer situação crítica à relação das duas. E mais interessante neste caso é que a relação está no anime e tudo é trabalhado de forma bem tranqüila se comparado com as nóias da TV brasileira. Se nos EUA, Michiru e Haruka viraram “primas”, aqui no Brasil tudo foi exibido sem censura na Cartoon Network.


Entre as fãs de shoujo, há uma explícita preferência pelo yaoi. Em alguns casos, a resistência ao yuri/shoujo-ai entre as fãs, principalmente, é imediata e não raramente a gente ouve um "Não curto essas coisas entre mulheres, não.". Nota-se que para muitas fãs, existe a idéia de que o yaoi é um hobby inocente, enquanto o yuri e o shoujo-ai podem soar quase como uma declaração de orientação sexual. Engraçado isso, pois há gente que nega o (pre) conceito, reclama da descriminação contra os mangás shoujo e da perseguição aos mangás com conteúdo yaoi, mas é capaz das mesmas posturas agressivas e/ou defensivas. No material yuri/shoujo-ai não dá para desmentir o fato de que realmente está ocorrendo um romance entre mulheres, ou no mínimo uma amizade que soaria suspeita para os padrões Ocidentais.


Um fenômeno que reforça a resistência é a apropriação das personagens de shoujo mangá (Utena-Anthy, Haruka-Michiro, Tomoyo-Sakura, todo o elenco de Maria-sama ga Miteru, etc.) por fãs homens que produzem material hentai muitas vezes carregado de violência e situações humilhantes. E como a oferta de material mais picante é limitada, muitas fãs de yuri e shoujo-ai acabam tendo como referência materiais shounen ou mesmo hentai que são muito mais fáceis de encontrar para download. Tudo isso, eu diria, é influenciado pelo preconceito arraigado na nossa sociedade, que vê a homossexualidade feminina – quando não sujeita aos fetiches tradicionais – como um problema, algo que deve ser silenciado e escondido. Quer algo mais subversivo e ameaçador do que mulheres que não precisam de homens para se divertir?

Uma das coisas que me incomoda no material yuri e shoujo-ai é a presença, em algumas obras, de uma representação muito rígida de papéis com a menina "machona" (*butch*) de cabelo curto, alta, forte e destemida, que ama a menininha pequena, meiga e de longos cabelos (*femme*). É claro que esse tipo de modelo pode ser encontrado na vida real, mas não representam de forma alguma a realidade como um todo. Parece, que o que está se estabelecendo é uma imitação do que acontece nos mangás yaoi, nos quais figuras como o uke e seme são quase universais. Engraçado é que nos mangás da década de 1970, pelo menos na representação visual das meninas, isso não ocorria. Mais recentemente, há algumas autoras que brincam com isso, colocando uma menina-butch na aparência, mas extremamente feminina, receptáculo de todos os estereótipos de gênero, e a femme como uma tomboy. Isso é mostrado em Maria-sama ga Miteru, na relação entre Yoshino e Rei.


Muitas pessoas associam essa caracterização do par lesbiano na cultura pop japonesa à influência do Teatro Takarazuka. Criado em 1914, o Takarazuka junta várias influências (teatro de revista, musical americano, Kabuki, Nô, etc.). Nele as mulheres representam tanto os papéis masculinos quanto femininos e recebem um treinamento muito rígido para incorporarem os maneirismos de gênero, já que as atrizes, ainda na sua formação, são designadas para serem homens ou mulheres e fazem o mesmo tipo de papel durante toda a carreira. Ainda hoje, a idolatria feminina em relação às atrizes do Takarazuka é imensa, principalmente em relação àquelas que fazem os papéis masculinos/otokoyaku. Interessante é que esse tipo de tietagem, que no ocidente soaria como homossexual, acontece também nos mangás e animes shoujo (ou não). Mas mesmo essa representação rígida de papéis "femininos" e "masculinos" não constitui uma regra.

Independentemente de qualquer convenção que me pareça boa ou ruim, o que vale é que o público japonês parece estar mais receptivo a esse material, ou eu, fã brasileira que depende da net, estou percebendo assim. Afinal, cresce o número de sites, listas de discussão e eventos centrados no material shoujo-ai e yuri. No Japão, a primeira revista exclusivamente focada em shoujo-ai e yuri, a Yuri Shimai, foi criada em agosto de 2003. Hoje, a outras publicações como, por exemplo, a Yuri Hime, Comic Lily, a Hirari e a Tsubomi. Veja que há uma defasagem de mais de 20 anos em relação à primeira revista yaoi/shonen-ai - a June que apareceu em 1978!!!. A Yuri Shimai, hoje extinta, trazia somente histórias com temática levemente yuri (**estou pensando em sexo explícito aqui**) e shoujo-ai e é voltada para o público adolescente. Outros mangás com temática shoujo-ai ou yuri aparecem esporadicamente em revistas mainstream como foi o caso de todos os que citei aqui na coluna. Hoje, por exemplo, o mangá de Maria-sama ga Miteru é publicado na tradicional Margaret.


Há muitos nichos de mercado inexplorados. Nos EUA, porque aqui no Brasil isso não existe mesmo, há editoras especializadas em publicar BL. Com a crise no mercado de mangás por lá, algumas migraram para a publicação digital. Eu tenho vários volumes de mangás BL de Fumi Yoshinaga, mas yuri mesmo por editora meinstream, só lembro de alguma coisa da Erica Sakurazawa saindo por lá. O que é publicado mais regularmente sai por editoras como a Yuricon. Felizmente, há muita coisa sendo traduzida pelos fãs e é possível ler shoujo/josei yuri, assim como material yuri que saiu em revistas seinen ou em outros canais, caso você procure. Continuo sugerindo uma visita direta ao site do Lililicious, ainda que o material que elas traduziram circule em outros sites, e dentre as listas de discussão – todas estrangeiras – recomendo a Yuricon, que continua bem ativa apesar das novas redes sociais. Há sites brasileiros que se especializaram em yuri, como o KAS – kono ai Setsu, que merecem a sua visita, também.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Série Yuri Renai Idenshi XX terá Drama CD



Segundo o Comic Natalie, o primeiro drama CD da série Renai Idenshi XX (恋愛遺伝子XX), de Eiki Eiki (roteiro) e Taishi Zaou (arte), será lançado no dia 18 de junho. O CD vem com um booklet especial, desde que, se entendi bem, a reserva seja feita até o dia 22 de abril. Esta seria a edição limitada. A série Renai Idenshi XX é uma série de ficção científica publicada na revista Comic Yuri Hime e se passa em um futuro onde os homens não existem mais e as mulheres são agrupadas em dois grupos, Eva e Adão, que devem seguir comportamentos de gênero rigidamente determinados. Nesse mundo, qualquer relação entre indivíduos do mesmo grupo são proibidas. Esse, aliás, parece ser o drama que move a história central, segundo o Mangaupdates. Bem, pode até ser uma série legal, mas a premissa geral é bem conservadora.

sábado, 17 de abril de 2010

Mangá-ka da Betsucomi publican a Yuri Hime



Segundo o Comic Natalie, a mangá-ka Taamo, que é regular da Betsucomi, publicou um one-shot na revista Yuri Hime, o nome do mangá é Tsuki to Drop (月とドロップ). Outro one-shot dessa edição é my unique day de Mano Sakamoto. Se entendi bem, nesta edição há uma entrevista com Shino Torino de Ohana Holoholo (オハナホロホロ), e, na próxima edição, é a vez de Takako Shimura de Aoi Hana (青い花).

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Keiko Nishi estréia na Yuri Hime



Outra mangá-ka indicada para o Taisho Award com Otoko no Isshou (娚の一生), Keiko Nishi, estréia na revista Yuri Hime lançada em janeiro. Ela empresta seu traço à capa da edição e, se entendi bem o Comic Natalie, faz uma série de ilustrações especiais (pin ups) para a edição da revista yuri. Se entendi direito, esta edição também traz a estréia da nova série da mangá-ka Rikachi de Sorairo Girlfriend (空色ガールフレンド).