quinta-feira, 30 de maio de 2024

Comentando o teaser da 2ª parte da 3ª temporada de Bridgerton + sugestão de uma coleção de livros de época que eu gosto muito

Nem vi quando saiu o trailer da 2ª parte desta terceira temporada de Bridgerton, não consegui nem encontrá-lo limpo no Youtube, só análises.  Cansei de procurar e consegui o vídeo no Twitter mesmo Está logo abaixo:

Como tinha escrito na última resenha que fiz, eu comecei a ler o livro Os Segredos de Colin Bridgerton (Romancing Mister Bridgerton), na verdade, estou quase terminando, é que eu comecei a ler da cena da carruagem, enfim, e estou gostando.  No livro, Lady Danbury coloca um prêmio para quem entregasse a identidade de Lady Whistledown e Cressida Twombley (née Cowper) tenta se passar pela fofoqueira da alta nobreza.  Só que, no original, Penelope está enganando todo mundo faz DEZ ANOS.  

Esta correria para revelar o segredo, que me aborreceu já na temporada passadajá na temporada passada, e colocar Colin e Penelope como protagonistas não deve ajudar a série.  Não acredito que, como alguns estão teorizando, o segredo da personagem seja empurrado para mais uma temporada.  Só que, na altura da cena da carruagem, Colin já sabia da identidade dela e foi atrás dela quase que para fazer as pazes.

Ao que parece, algo nessa linha irá acontecer na segunda parte de episódios.  Se for nessa linha, acredito que Cressida não irá se tornar uma pessoa melhor e continuará na posição vilanesca que tem no livro original.  Agora, Eloise aparece ameaçando Penelope, lhe dando um prazo para contar a verdade.  As palavras da Bridgerton pseudo-feminista são muito parecidas com as que Cressida diz para Penelope em sua casa e que precipita o desfecho da história que será, acredito, no baile de Daphne.

Como Daphne foi eliminada da série, muito, imagino eu, por conta da saída do Duque, que eu desejo que esteja muito arrependido de abandonar a série que lhe ocuparia muito pouco tempo, apostaria que, se houver o baile, será dado por Anthony e Kate, ou, talvez, será o baile de noivado de Colin e Penelope.  No livro, o tal baile de noivado é quando Colin se aborrece, porque Penelope lançou um novo panfleto e talvez tenha dado um passo que possa colocar sua identidade em risco.

Acredito que esta segunda parte pode ficar corrida.  Se Penelope não revelar seu segredo para o marido, ela terá todas as justificativas para não perdoá-la, ou se criar um drama que pode se arrastar até o final da série.  Se ele descobrir já noivo de Penelope, talvez, ele queira desfazer o noivado, porque teremos uma grande explosão da parte dele.  Pode ser que a descoberta seja o gancho para a quarta temporada, nos deixando uns dois anos em angústia.  Acredito que essa possibilidade cruel tenha grande possibilidade de ocorrer.

De qualquer forma, a discussão no livro sobre o drama de Colin, a inveja que ele sente da competência de Penelope, muito boa.  Ele se vê como alguém sem objetivo na vida, um sujeito que vive da pensão generosa que o pai lhe reservou (*sim, está explicada a vagabundagem dos meninos Bridgertons mais novos*) e que Anthony ampliou.  Penelope elogia os escritos dele, mas ele imagina que um editor aceitaira publicá-los por ser obra de um Bridgerton, pensa na vergonha que poderia trazer para a família quando sua falta de competência ficasse evidente.  

E ele inveja Penelope, porque ele sabe o quanto ela é boa, mesmo que reprove o que Lady Whistledown escreve.  Por fim, e esta é uma sequência muito boa, ele confia em Penelope para ler e editar seus manuscritos.  Eles estavam nesse pé, felizes, com ele aceitando até que ela use seu dinheiro para o benefício dos dois e de seus futuros filhos e filhas, quando, no livro, Cressida aparece para ameaçar Penelope.  Só que, agora, ela é uma Bridgerton e Colin diz que a família irá protegê-la e partimos para o desfecho da trama.  Penelope queria pedir ajuda a Lady Danbury, mas ele não permite.

A série é inspirada nos livros.  Não os está seguindo de muito perto e nem precisa estar, vejam bem, é uma ADAPTAÇÃO bem livre.  Mas no teaser é possível ver algumas semelhanças.  Não achei uma boa ideia romperem a amizade de Eloise e Penelope, mas as cenas da Bridgerton com Cressida foram muito boas.  Agora, colocar Eloise na posição de quase vilã atazanando Penelope não me agrada, não.  E fica a dúvida de qual temporada será a próxima.  

Se eu pudesse sugerir, eu enfiaria Sophie no final da temporada, já no próprio baile (*até meia noite*) e colocaria uma atriz asiática, ou latina.  Ser uma moça negra na posição que ela ocupa no livro, vejam bem, NO LIVRO, poderia evocar sentidos desagradáveis que se remeteriam à escravidão como ocorreu no Ana Bolena do Channel 5, ainda que, no caso de Bridgerton, a gente efetivamente esteja em uma realidade alternativa.  E a Lady que está pegando o Benedict, porque ela é que está pegando ele mesmo, poderia ficar em uma posição vilanesca na próxima temporada.  Se bem que nem gosto dela, pode ir embora que eu não me importo.

Hoje é 30 de maio, então, deve sair mais outro trailer e, com certeza, muita gente, incluso eu aqui, vai ficar comentando a série.  Segurar os episódios, lançá-los em duas partes, foi uma estratégia de marketing muito competente da Netflix.

Concluindo, eu queria sugerir uma série de livros no mesmo padrão de Bridgerton, isto é, literatura popular e barata para mulheres.  Sim, é isso que Bridgerton é, romance Harlequin, mas poderia ser Avon, ou de outra editora ou selo do gênero.  Não adianta colocar em uma embalagem classuda, porque a origem está marcada no material e não estou depreciando o material, estou dizendo que é o que é.  Por conta disso, deixo como sugestão, para quem quiser, claro, a série The Sinister Brothers (*porque os protagonistas dos três romances principais são canhotos*) da Courtney Milan.  Aqui, no Brasil, a série tem como nome "Os Excêntricos" e foi publicada pela Arqueiro.

Os títulos dos livros no Brasil são (*na ordem de leitura*) O segredo da duquesa (The Duchess War), O passado da Srta. Lydia (A Kiss for Midwinter), O Desafio da Herdeira (The Heiress Effect), A Conspiração da Condessa (The Countess Conspiracy)O Escândalo da Sufragista (The Suffragette Scandal), O vizinho da Srta. Rose (Talk Sweetly to Me).  E há a prequel O Caso da Governanta (The Governess Affair) que é uma novella, isto é, um romance bem curto, como O passado da Srta. Lydia, que é o meu favorito de todos eles.   As duas novellas podem ser lidas sem se preocupar com os demais livros e estão gratuitos no Kindle, não sei se somente para quem tem a assinatura, ou para todo mundo.

Como a maioria dessas sagas de família, a sequência de leitura pode ter alguma influência sobre a compreensão, porque a autora é muito competente em apresentar as personagens principais, os dois meios-irmãos e o primo, além da condessa do livro 3, já no primeiro livro.  A sufragista do livro 4, que é irmã de um deles, é referenciada no livro 1 e aparece no livro 2.  Assim, a autora vai construindo a sua trama e vai amarrando todos os romances.  Mas como cheguei nessa série?  Eu queria um romance em que o mocinho fosse virgem e o sujeito do primeiro livro é.    Trata-se de coisa rara, mas já resenhei um Harlequin com um mocinho virgem muito tempo atrás por aqui.

No livro 1, Robert Blaisdell, o duque de Clermont, é adepto de ideias do socialismo utópico e quer reformar a sociedade, fora isso, ele tem um caminhão de traumas de infância. Um dia, ele conhece uma moça pobre e que guarda muitos segredos.  Minerva Lane é tímida, se veste com discrição, usa óculos, tem uma cicatriz no rosto e nem é tão bonita assim, mas é muito inteligente.  Minnie, como é chamada por todos, precisa se casar, porque suas tias (*que são um casal em segredo*) já são idosas e, ao morrerem, o que uma delas possui irá para o herdeiro homem mais próximo.  Robert se apaixona, a mocinha foge dele, quando os dois parecem estar se acertando, a mãe do sujeito, que quer que ele faça um bom casamento, banca conscientemente a Lady Catherine de Burgh (Orgulho & Preconceito), mas fracassa e decide ajudar a moça a se encaixar em um mundo que foi muito cruel com ela, porque o pai do mocinho casara por dinheiro com uma herdeira rica que não era nobre.  Fora isso, temos uma trama sobre o movimento cartista, reformas sociais e sanitárias na Inglaterra Vitoriana e um vilão asqueroso que a gente ama odiar.

E quem acha que uma moça ou moço muito rico casando com uma pessoa nobre (*não raro falida*) não poderia passar por humilhações, sugiro o mangá Emma, da Kaoru Mori, que já deveria ter saído no Brasil, pois ele mostra caso um tanto semelhante, o moço era riquíssimo, mas era humilhado pelo sogro, um duque, acreditava que era um favor deixá-lo noivar com sua filha.  Por outro lado, o rapaz precisa enfrentar a família para romper esse noivado e casar com uma criada (maid), que é a mulher que ele ama de verdade.  Olha, Emma daria uma excelente série, da BBC de preferência, não da Netflix.  

Retornando, gosto da coleção The Sinister Brothers, porque a autora constrói personagens simpáticas e faz uma boa pesquisa histórica, inclusive colocando suas fontes no final.  Mesmo que tenhamos as muitas liberdades, algo normal neste tipo de literatura, são livros que não ofendem a inteligência de ninguém.  E, só para esclarecer, as cenas de sexo estão no mesmo padrão de Bridgerton.  Quem lê Julia Quinn não vai se assustar, mas, se quiserem, posso sugerir coisas que estão uns dois degraus acima nesta seara.  Aliás, resenhei uns livros mais quentes tempos atrás, link aqui.  Há coisas que leio que, efetivamente, não transformaria em resenhas para o Shoujo Café. 

quarta-feira, 29 de maio de 2024

Criador de Precure!, Takashi Washio, dá entrevista comemorativano 20º Aniversário da Franquia

Normalmente, não acompanho Precure!, mas minha filha de 10 anos descobriu a franquia graças ao Tik Tok e isso despertou a curiosidade dela.  Júlia está maratonando as séries (*que eu tenho que baixar*) e assistindo no original com legendas, o que é já me deixa muito admirada e contente, porque ela nunca tinha mostrado interesse real por animes.  Ela assiste SpyxFamily, Demons Slayer e My Hero Academy, lê os mangás desses últimos, mas por shoujo era ZERO interesse, agora, estamos até discutindo a discriminação aos produtos feitos para o público feminino.  Sim, estamos já chegando ao motivo deste blog ter sido criado quase vinte anos atrás.  Enfim, vamos para a entrevista!  

Takashi Washio, considerado o pai da série Precure!, deu uma entrevista para o Yomiuri Shimbun no dia 17 de maio e ela está publicada no site Chuokoron.  Não vou traduzir a entrevista, meu japonês é quase inexistente, mas comentar os pontos principais.

Washio começa explicando que queria fazer um anime de ação para meninas e colocá-las lutando com as próprias mãos, como nos desenhos animados para garotos.  Ele diz que o sucesso foi graças em grande parte ao diretor Daisuke Nishio, que tinha muita experiência com cenas de ação em anime.  Ele pontua que Precure! talvez tenha sido a primeira série para meninas com as garotas lutando desta maneira, sem usar golpes e apetrechos mágicos.  [Aqui, minha filha comentou que o uso de gadgets é comum nas séries que ela está assistindo, a mais antiga que ela pegou foi Heart Catch Precure! de 2010, que é a favorita do pai dela.  Então, o produtor deve estar falando das primeiras séries mesmo.]

Vem a pergunta comparando com Precure! e Sailor Moon.  O produtor diz que há diferença entre as séries e que, em Precure!, há maior ênfase nas atividades do dia-a-dia das meninas, na escola, nos clubes e na amizade e que o amor e o desejo do casamento são evitados pelo show.  [E as protagonistas são mais jovens, também, além de mudarem a cada temporada.  Em Sailor Moon, acompanhamos as meninas crescerem até se tornarem quase mulheres adultas, algumas delas, aliás, chegam a se tornar adultas.  Mas Júlia já me explicou que, em algumas das séries, há romance, SIM.  E em uma das séries que ela estava assistindo, tinha um bishounen lindo de cabelo e olhos azuis claros que, obviamente, não estava lá para ficar sozinho.  E havia, nesta mesma série, um vilões bem bonitinhos.]

A seguir, ele fala da importância dos efeitos especiais de séries como Kamen Rider e dos Super Sentai em um anime para meninas.  Isso seria uma experimentação.  Perguntado sobre a estrutura inicial de Precure!, com duas meninas e a mudança para um grupo de garotas, Washio diz que sua inspiração inicial para Precure! veio de uma série chamada Shounan Bakusouzoku (しょうなんばくそうぞく), de Satoshi Yoshida.  Esta série da revista Shounen King tem o seguinte resumo no Bakaupdates: "Conheça Eguchi Yoosuke, líder de uma gangue de colegiais motociclistas e do clube de artesanato da escola. O que significa que ele divide seu tempo entre brigas e bordados sofisticados. E se você acha que ele é estranho, espere até conhecer o resto da gangue dele."  Olha, esse mangá deve ser uma pérola dos anos 1980!  E teve anime, live action, achei figures, muita coisa, menos uma ilustração dos caras bordando.  Agora, salvo, talvez, pela questão da amizade, como essa série influenciaria Precure?

Ele explica que em Precure! não existe líder, todas as meninas são iguais, que não há hierarquia entre elas, mas trabalho em equipe.   E há uma pergunta sobre discussões de gênero na série e o produtor fala que eles se preocupavam com isso desde o início e que o diretor, Daisuke Nishio, soube trabalhar muito bem a questão.  "Em PreCure, elas não usam frases do tipo 'como uma garota'” ou 'porque somos mulheres' e, embora expressassem lágrimas de frustração, não as retratamos com lágrimas nos olhos."  Ele fala, também, de como a série reforça a amizade entre garotas, como nas séries feitas para os meninos fazem.  E a discussão se sofistica o suficiente para apontar que os produtos para meninas tendem a estimular a rivalidade entre elas, naturalizá-las, quando a audiência de shows como Precure! são simplesmente meninas que gostam de brincar juntas.

A seguir, eles falam do número cada vez maior de mulheres trabalhando com animação.  Washio fala que as produtoras das últimas séries de Precure! são todas mulheres e que há muitas profissionais do sexo feminino trabalhando no character design, também.  E ele diz que mulheres sabem retratar melhor a beleza e a fofura.  Já chegando no final, vem outra discussão importante:

"[Pergunta] --A série apresenta um menino que sonha em ser princesa, um pai que é dono de casa e um guerreiro que desempenha um papel coadjuvante e usa linguagem feminina, e senti que isso transmitia uma mensagem sobre a aceitação de diversas jeitos de viver.

R.: Acho que comecei a tomar consciência disso em meados da década de 2010. Cure Milky (Lala Hagoromo) de Star☆Twinkle PreCure (2019) é uma alienígena, e Cure Soleil (Elena Amamiya), que é meio mexicana, também está no mesmo trabalho. Em ``Hirogaru Sky PreCure!'', temos um PreCure masculino, Cure Wing (Yuunagi Tsubasa). É natural que existam pessoas com origens diversas no mundo. Estamos incorporando rapidamente mudanças na sociedade à medida que a coexistência multicultural avança."

Na penúltima pergunta, eles discutem o quanto Precure! incentiva a liberdade de pensamento e que a série vai muito longe nas discussões filosóficas, mesmo sendo voltado para crianças da pré-escola e primário.  E a última parte da entrevista é a seguinte:

"[Pergunta] --A frase “nunca desista” aparece com frequência. Na verdade, desde o final da década de 1990, até mesmo os heróis dos efeitos especiais têm dito “Não vou desistir” com frequência, então é interessante que eles se sobreponham no tempo.

R.:A década de 1990 foi uma época turbulenta com o arrebentamento da bolha econômica, o Grande Terremoto de Hanshin-Awaji e o incidente de Aum Shinrikyo, e a sociedade como um todo estava tentando descobrir como lidar com eles. Eu próprio não estava envolvido na produção de anime na época, mas talvez o grito do coração das pessoas naquela época fosse “nunca desista”."

É isso.  Para quem quiser ler a entrevista original, o link está lá em cima.  Se eu tiver cometido algum erro grosseiro, por favor, me corrija nos comentários.  É isso.  Há cinco séries de Precure! no Crunchyroll, mas a franquia é muito, muito maior que isso.  

domingo, 26 de maio de 2024

Comentando o episódio 4 da terceira temporada de Bridgerton: Muito tempo para esperar e muita coisa para especular!

Terminei de assistir a primeira leva de episódios da terceira temporada de Bridgerton, a próxima estreia no longínquo 13 de junho.  A ideia da Netflix de dividir a temporada pela metade foi uma novidade que não sei se me agradou, mas entendo a estratégia que é manter o interesse do público e as pessoas especulando sobre o que virá depois.  Os vídeos e textos sobre a série continuam saindo e eu atrasei esta resenha (*já fiz duas: 1 - 2*), porque estava assistindo e lendo coisas sobre a série, em especial, em relação ao figurino, que deu uma grande guinada nesta terceira temporada.

No quarto episódio, finalmente Colin entendeu que ama Penelope e que precisa se posicionar rapidamente, ou ela se casará com outro, neste caso, Lord Debling, personagem inventada para a série.  Como pontuei na resenha anterior, eu gostei de Debling, ele é sincero e, se não tiver um lado oculto, seria um marido bem adequado para qualquer mulher do período que Bridgerton supostamente parece representar.  

Sim, supostamente, porque a série de TV, não os livros, que fique claro, se passam na Inglaterra da Regência, na década de 10 e 20 do século XIX, mas em um universo alternativo no qual o racismo morreu, mas, curiosamente, o patriarcado, o capitalismo e o classismo seguem firmes e fortes.  Veja, e esta explicação é para quem está lendo o primeiro dos meus textos, eu não tenho problema algum com adaptações, agora, eu sempre vou me fixar em discutir as escolhas, porque elas podem dizer muito sobre o que um produto midiático deseja passar como mensagem, ou mesmo sobre a incompetência de quem está no comando de uma série, filme ou animação.  

Na resenha anterior, por exemplo, pontuei que considero falhas de roteiro grosseiras chamarem Penelope de "spinster" (solteirona), quando ela, no máximo, poderia ser chamada de "wallflower", isto é, aquela debutante que vai ficando para trás, na parede, sem ser tirada para dançar.  Penelope, aos 19 anos, não é solteirona, mas tem perspectivas realmente baixas de casamento.  Por isso, a cena em que sua mãe a empurra para Lord Debling é uma das melhores e mais realistas da temporada. 

Portia, que é muito sensata e luta pelas filhas com unhas e dentes, vide a temporada anterior, aconselha Penelope, que é sua filha menos querida, a agarrar com unhas e dentes a proposta de Debling. Se a moça aceitasse, teria um marido bem apessoado, relativamente jovem e gentil e teria dinheiro (*se os roteiristas não esqueceram, Penelope, mesmo que em segredo, já tem grande fortuna, afinal, ela é Lady Whistledow*) e autonomia, porque seu marido estaria sempre viajando e confiaria a ela a administração de suas propriedades e bens.  Em uma sociedade na qual os casamentos era arranjados, e, não, por amor, como no tipo de literatura na qual Bridgerton se insere, Penelope seria afortunada. 

Só que a nossa protagonista ama outro e Debling, que está me saindo uma das melhores personagens da temporada, percebe isso e se ressente.  Não sabemos como irão desenrolar a questão nos próximos episódios, mas o sujeito não ter se fingido de cego o faz ganhar pontos comigo.  Eu ainda estou com o marido de Vidas Passadas atravessado na minha garganta, por assim dizer.  Não consigo ver as qualidades que muita gente parece observar naquele filme.  Retornando, Colin estraga o quase noivado de Penelope que, pelo menos nesse quarto episódio, não foi mostrada como desastrada.  E temos, claro, a cena da carruagem.

Como não me segurei, eu fui atrás do livro.  Achei em *.pdf, porque vontade de pagar por ele, não tenho.  Eu comprei os livros 1 e 2 e não me sinto inclinada em gastar dinheiro com os outros livros da Julia Quinn.  A cena da carruagem é quando Colin se declara.  Só que há uma mudança substancial na sequência dos acontecimentos, quando Colin e Penelope se pegam dentro da carruagem (*e a sequência foi boa! 🔥🔥🔥*), ele já sabia que ela era Lady Whistledown e a sequência funciona, também, como uma forma de fazerem as pazes.

O fim da sequência também é diferente.  Depois de quase fazerem sexo dentro da carruagem, com Penelope, pelo menos no livro, tentando mostrar para Colin que tem interesse e não é passiva, o que a torna diferente de Daphne e Kate nos seus respectivos livros, eles param na casa dela e Colin estende a mão e pergunta se ela casaria com ele, ou não.  E vai para pedir a mão da moça para a mãe dela.  Claro, as coisas não acabam saindo como o esperado, mas Colin age de forma honrada.  

Na série, ele diz a mesmíssima frase, mas eles estão parados na frente da casa dele e é à noite.  Ele a chama para entrar com ele na mansão dos Bridgerton.  Enfim, o que vai acontecer?  Ele vai arruinar Penelope?  Só para usar os termos da época, engravidá-la (*porque duvido que ela não tenha um filho homem antes das irmãs, que estão em uma disputa neste momento*) e ela vai ficar sofrendo nos próximos capítulos?  E escrevo isso, porque, bem, ele ainda não descobriu que ela é Whistledown.  Imagino que ele vá armar um escândalo.  Sei lá... Espero que conduzam bem a coisa, mas eu duvido.

De resto, falando de Colin, o episódio foi um pouco mais feliz ao mostrar que, sim, ele amadureceu.  Nas primeiras duas temporadas, ele era um garoto, agora, ele é um homem.  Só que no afã de parecer com a média dos rapazes de sua época, talvez lembrando o Anthony antes de encontrar Kate, ele estava escondendo o verdadeiro Colin, que é um sujeito sensível e gentil, não um "rake", isto é, "um homem, principalmente aquele que é rico ou de posição social elevada, que vive de forma imoral, principalmente fazendo sexo com muitas mulheres".  Mas, como ele não sabe ainda o segredo de Penelope, ele terá uma recaída, eu imagino.

Já Benedict, continua metido em situações que enfatizam a sua heterossexualidade (*seu caso com Lady Arnold deslanchou*) e o quanto ele seria um bom partido para qualquer mulher.  Pensando bem, ele, ou Colin, não são partido ideais, mas são bons partidos, porque caso um deles tenha filhos homens e Anthony não tenha nenhum, ou caso o irmão mais velho morra sem descendência, o título passaria para o segundo mais velho.  A longo prazo, poderia ser uma aposta interessante para certas famílias nobres.  E, bem, o drama dos Mondrich ilustra bem isso.  

Por mais absurdo que possa parecer, um título de nobreza poderia cair no colo de alguém de repente.  Aliás, este é um dos dramas centrais de Downton Abbey, só para citar um excelente exemplo ficcionalexemplo.  O primo distante que é o único parente homem e, portanto, herdeiro de um título de nobreza.  No caso dos Bridgerton, com tantos filhos, a coisa nem precisaria ir tão longe.

E o outro destaque do episódio foi Cressida.  Acredito que uma das coisas realmente interessantes desta temporada é como estão dando camadas para a menina rica e má.  Cressida tem uma família horrível que deseja que ela se case logo.  Era custoso manter uma moça nesse mercado matrimonial e ele ia perdendo valor conforme o tempo passava.  No livro E o Vento Levou, há toda uma reflexão sobre o esforço que é empenhado na educação de uma jovem para que ela se torne uma noiva desejável e seja exposta por uma temporada ou, no máximo, duas.  Mais que isso, seria algo ruim.  Claro, E o Vento Levou está quarenta anos à frente de Bridgerton e o Sul dos Estados Unidos é uma roça se comparada com a Londres da alta nobreza, mas a percepção da coisa não é muito diferente, não.

Cressida é intimada pela mãe a arrumar um marido o mais rápido possível, porque seu pai está impaciente e já diminuiu inclusive a verba a ser empenhada em novos vestidos, ela teria que repetir roupas se não cumprisse logo com o seu dever.  E, pior ainda, o pai a estava ameaçando com um marido bem mais velho e escolhido por ele.  A situação de Cressida é muito realista, por assim dizer, e o figurino cada vez mais exagerado e absurdo da moça meio que é usado para refletir essa situação de opressão.  Ela precisa aparecer, se destacar.  Obviamente, em uma situação realista, ela se vestiria com mais apuro e na última moda (*é assim no livro*), mas é Bridgerton, e o figurino dessa terceira temporada aloprou geral.  

Outro destaque em relação à Cressida é a casa dela.  Quem ficou responsável pela direção de arte conseguiu criar um ambiente opressor, fechado, de cores pesadas, muito diferente da ambientação geral das outras casas.  Quando Eloise vai visitá-la, a Brigerton que não controla a língua, diz que a casa parece um museu.  Com a chegada do pai de Cressida, Eloise é meio que expulsa e ouve de longe o pai dizendo que não quer que Cressida fique de amizade com "the Bridgerton girl".  Fiquei pensando no significado disso.  Eloise é um mal exemplo?  Sem dúvida é.  Perto de Eloise, Cressida teria menos chances de arrumar um marido, porque o nome Bridgerton seria mais atraente?  Enfim, o fato é que Cressida desobedece.

A surpreendente amizade entre Eloise e Cressida é algo importante na temporada.  Não queria que fosse algo passageiro, que Eloise rompesse com Cressida depois de fazer as pazes com Penelope, ou que a outra retornasse totalmente para o lado do mau.  Aliás, uma das grandes discussões é como as mulheres são atiradas umas contra as outras nessa busca por um bom partido.  Há quem esteja torcendo por um casal Eloise e Cressida.  Pode acontecer?  Sem dúvida.  Talvez heteronormatizem Benedict e joguem Eloise como representante da diversidade.  O problema é que isso iria acabar com a excelente discussão da amizade entre mulheres e, claro, usar a moça que se revolta contra o patriarcado para ser a lésbica da série é um clichê.  Vamos ver o que acontece.  

E temos Francesca.  A mudança de atriz trouxe um ar tão diferente para a personagem! Ruby Stokes era rechonchuda, tinha um ar ainda bem juvenil (*Francesca ainda estava longe de debutar*) e, nas suas poucas cenas, tinha uma atitude bem diferente da Francesca de Hannah Dodd.  A nova intérprete tem um tipo de beleza que associamos à aristocracia, à riqueza.  A típica princesa mesmo.  Quanto ao desenvolvimento da personagem, vi algumas discussões sobre a possibilidade da jovem, pelo menos na forma como é apresentada na série, ser neurodivergente, podendo estar dentro do espectro autista.  

A personagem tem hiperfoco (*a música*), ela tem dificuldade em estar no meio de gente desconhecida, parece ter baixa tolerância aos barulhos.  Pensem que em uma casa como a dos Bridgertons, a algazarra é constante, além disso, há as festas.  Francesca pode ser simplesmente tímida.  Parece que este é o caso dos livros.  Mas pode ser que a produção da série queira inserir este tom de diversidade através da personagem.   O autismo como transtorno só foi diagnosticado no século XX, mas ele certamente estava conosco desde que os seres humanos estão circulando por aí.  Então, pessoas que eram TEA nível 1, conseguiam aos trancos e barrancos, como muita gente nos dias de hoje, aliás, se inserir na sociedade, se tornando funcionais, mas ao custo de algum sofrimento.  

Enfim, Francesca só quer casar logo, para sair do circuito dos bailes e ter sua própria casa onde será a senhora e poderá viver em paz com sua música.  E ela parece ter encontrado um homem, Lord John Stirling, Conde de Kilmartin (Victor Alli), que a compreende e que ama a música e o silêncio como ela.  Eles se conhecem enquanto fogem para a área externa de um dos bailes, porque querem o silêncio e a tranquilidade.  E foi bonitinha a cena em que ele lhe presenteia com a partitura com a música que ele gostou, mas com as correções sugeridas por ela.  E depois tivemos outra cena bem simpática, com Francesca maravilhada e tocando a música em seu piano em plena madrugada.  

Enfim, mas como a rainha quer empurrar a moça para o tal Lord Samadani (David Mumeni), imagino que ainda teremos algum drama antes que a moça e Kilmartin se casem, porque ele se tornará marido dela, se os livros forem seguidos.  Agora, será que vão introduzir o tal primo dele que se apaixona por Francesca e que será o par da moça no livro dela?  Sim, é um spoiler, mas as coisas podem ser mudadas no seriado, o amor da vida de Francesca não é bem o John Stirling, mas o primo dele, que irá conhecê-la poucas horas antes do casamento.

Ah, sim!  Voltando para a família de Cressida e para Benedict, uma teoria que está correndo é que Sophie, a amada do segundo filho Bridgerton talvez já esteja na história.  Grace Gorman, cabelereira da série, fez uma postagem no Instagram sobre uma das perucas da mãe de Cressida e observou, como quem não quer nada, que o nome dela é Araminta.  Pois é, este é o mesmo nome da madrasta má de Sophie, a mulher que condena a filha do marido à condição de criada.  Se assim for, seria uma boa surpresa se Sophie aparecesse ainda nesta temporada, mesmo que de relance, em alguma cena na casa de Cressida.

Para terminar, porque está ficando longo, muito longo.  Assisti a live da Modista do Desterro sobre Bridgerton, li a entrevista com o figurinista (costume designer) da temporada (John Glaser) e outras matérias sobre o figurino (*12 *), saiu o primeiro post do Frock Flicks sobre o tema e ainda olhei o vídeo da Karolina Żebrowska sobre o que vimos até agora de figurino na série.  Sou levada a concordar com praticamente tudo que a Żebrowska colocou e vou comentar agora.

Já no título, Karolina Żebrowska coloca que o figurino de Bridgerton está fora dos trilhos nessa terceira temporada.  O que ela pontuou de muito importante é que a liberdade criativa dada ao figurinista foi usada para criar uma situação na qual não sabemos mais em qual época da História (*a da Inglaterra*) a série se passa.  Sabe quando esticam demais a corda?  O figurino nunca havia sido realista, e nem precisa ser, vejam bem, não é disso que eu falo, mas ele colocou em cena tantas silhuetas e tantas ideias que não parece mais Regência, ou não é Regência o tempo inteiro.  Em alguns momentos, o figurino de Cressida, por exemplo, parece sair de um filme de ficção científica.  O exagero tem função na narrativa, eu escrevi lá em cima, porém o desvio não é somente com ela.

As roupas de Kate, por exemplo, não parecem com nada.  Seu vestido de baile tinha um tecido lindo e qualquer coisa que a Simone Ashley colocar no corpo vai vai ficar bem, porque ela é muito bonita, mas não tem como ver virtudes naquele vestido.  A Żebrowska  apontou outra coisa que eu pensei, também, quando a Kate anda de braço com a sogra, ela está em uma roupa que parece feita para uma grávida.  Aliás, que temporalidade zoada parece ter Bridgerton, não é mesmo?  A primeira temporada se passa em 1814.  Daphne casa e tem um filho.  A criança está um bebê grandinho na segunda temporada.  1815?  Certo? E o Colin viajou de novo, o figurinista fala dos ridículos seis meses que o tornaram um homem. Daí, a Żebrowska mostra que um dos programas de baile desta temporada, uma tela congelada, com a data de 1815.  Foi erro?  Deveria ser 1816.  Se fosse 1817, melhor ainda.

Enfim, eu entendo a vontade da produção de dialogar com outras épocas, a live da Modista pontuou bem que a produção está antenada com as tendências da moda de nosso tempo, além disso, há a influência do cinema dos anos 1930-1950 nos cabelos, do figurino dos anos 1930, das silhueta dos anos 1960 na Eloise (*inspiração em My Fair Lady*).  Agora, há o excesso de laços, os cold shoulders (*que eu acho horríveis*), e o spencer que a Francesca parece estar usando quase o tempo inteiro.  Se queriam colocá-la com a peça em tweed poderiam variar pelo menos a cor, um pouco do corte, enfim, parece que ela está sempre com a mesma peça.  

Karolina Żebrowska parece ser a única pessoa que vi reclamando do vestido verde e preto da Penelope, mas ela fez uma boa reflexão sobre a peça.  A protagonista queria causar forte impressão, deixar de ser uma wallflower sem graça, mas ultrapassou os limites.  A partir dai, Penelope escolhe cores menos fortes e vai se aproximando da paleta de cores dos Bridgerton, os tons azuis.  E houve também uma boa análise em outro artigo sobre como as roupas da Penelope e como elas vão expressando não somente as mudanças da personagem, amadurecimento, mas, também, seus estados de humor.  Aliás, nada no figurino de Penelope, Cressida e Eloise parece ser por acaso.

É isso.  Me estendi demais.  Terminando, ainda não se retrataram sobre Emma de Jane Austen.  Sim, a piada não foi boa e soou ofensiva e redutora mesmo.  E Kate e Anthony não apareceram neste quarto episódio, também.  Eu gosto deles, a segunda temporada é minha favorita e que queria vê-los em ceninhas pequenas que fosse.  Agora, é esperar o resto da temporada.  Tomara que ela valha a pena.  

P.S.: Durante a madrugada, acabei engrenando a leitura de Romancing Mister BridgertonRomancing Mister Bridgerton e é preciso deixar um elogio, provavelmente, um texto virá ainda, porque é um bom livro. Um casamento que não é forçado, uma mocinha que não parece estar perdida na sua primeira vez e uma explicação muito plausível para Benedict e Colin não terem que fazer absolutamente nada na vida. Realmente, dos três livros da série que li, este é o único que merece elogios. E fiquei imaginando o quanto algumas mudanças feitas na série acabaram por jogar fora coisas legais que estão na obra original.  E estou com pensando o que vai ser de Cressida, se ela vai continuar ali, meio que tentando se tornar uma pessoa melhor, ou se irá assumir o papel que tem no livro.  Esperemos.

sábado, 25 de maio de 2024

Anunciado o live action do mangá Ano Ko no Kodomo

Ano Ko no Kodomo (あの子の子ども), que tem como título em inglês My Girlfriend's Child (O Bebê da Minha Namorada), conta a história de Sachi e seu namorado Takara, ambos estão no colegial e mantém um relacionamento que envolve atividade sexual.  Um dia, Sachi começa a sentir coisas estranhas e descobre que está grávida.  Começa aí a jornada dos dois adolescentes em uma série que é elogiada pela abordagem sincera e responsável da gravidez na adolescência.  A série é publicada na revista Bessatsu Friend (Kodansha), tem 8 volumes e ganhou o 47º Kodansha Manga Award na categoria shoujo.

Aoi Mamoru já anunciou que o mangá está na reta final, então, o dorama terá condições de cobrir a série como um todo, se desejar.  Ela estreia no dia 25 de junho, 23h, na Fuji TV, segundo o Comic Natalie.  

Hiyori Sakurada fará o papel de Fuku e Kaota Hosoda fará o papel de Takara.  Uma adaptação para o cinema, ou para a TV, com atores de verdade era questão de tempo, surpresa para mim seria um dorma.  Eu comecei a ler a edição norte-americana do mangá, mas nunca fiz resenha.

quinta-feira, 23 de maio de 2024

Rebeca Andrade, nossa melhor ginasta, vira boneca Barbie

As Olimpíadas de Paris estão chegando e a coleção Mulheres Inspiradoras da Barbie/Mattel decidiu homenagear algumas atletas.  Rebeca Andrade, nossa ginasta de ouro e prata foi lembrada.  Além de Rebeca fazem parte da coleção a tenista Venus Williams (Estados Unidos); as futebolistas Christine Sinclair (Canadá) e Mary Fowler (Austrália); a também ginasta Alexa Moreno (México); a atleta de paratriatlo Susan Rodriguez (Espanha); a nadadora Federica Pellegrini (Itália); a velocista Ewa Swoboda (Polônia) e a boxeadora Estelle Mossely (França).  

Poderiam ter feito a Alexa Moreno com um corpo menos magro, porque ela é uma ginasta que rompe com os padrões estéticos impostos às atletas.  Aliás, fiz post sobre ela, está aqui.

Voltando para Rebeca, segundo o Jornal Extra, ela estava emocionadíssima e escreveu em uma de suas redes sociais sobre como se sentia: ""Eu nunca imaginei que um dia poderia ser Barbie!", confessou. Ela ainda celebrou a representatividade para meninas saberem que "podem ser o que escolherem ser" e finalizou: "Pra mim, essa homenagem representa conquista, sonho, um salto de fé"."  Estou torcendo muito por essa menina.

Saíram as primeiras fotos do musical coreano da Rosa de Versalhes

Em dezembro passado, comentei que teríamos um musical da Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) feito na Coreia do Sul.  Os cartazes dizem que é baseado no mangá de Riyoko Ikeda, não é nada derivado do Takarazuka.  E o elenco tem homens e mulheres.  Ok Joo-hyun será Oscar e Lee Hae-joon será André.  Confesso que não conheço nenhum dos dois, mas o problema não é deles, é meu.

O musical da EMK Musical Company estará em cartaz em exibição no Chungmu Art Center Grand Theater em Seul entre o dia 16 de julho e o dia 13 de outubro.

Neste site, vocês veem fotos grandes de parte do elenco caracterizado.  A gente percebe que a coisa não será nem realista, nem seguirá estritamente o mangá, tampouco irá imitar o Takarazuka.  Não me preocupei em procurar os nomes do elenco certinho, porque já deu muito, muito trabalho achar as fotos do Lee Hae-joon.  Por isso, decidi colocar só as fotos coletivas mesmo.

O blog Laura Little Corner, que eu nem sabia que ainda existia, mas que fez parte da minha vida por muito tempo, trouxe vídeos com o que já foi liberado da música da peça de teatro.  Agora, é esperar a estreia e que algum vídeo apareça por aí.

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Vilã reencarna como homem de meia idade em novo mangá que estreou no Japão


Oji Tensei ~Akuyaku Reijou no Kareinaru Seikatsu~ (おじ転生~悪役令嬢の加齢なる生活~), de Kyouko Aiba, acabou de estrear na plataforma  Sunday Webry, da Shogakun.  A história acompanha a vilã Chloe, que está prestes a ser executada. Após sua morte, ela jura viver uma vida justa após a reencarnação. No Japão moderno, Chloe reencarnou como Kuroe, um homem fedorento de meia-idade.


Sabemos que será uma comédia desgovernada pelo resumo e o Twitter da autora parece sugerir que Chloe em sua forma homem fedorento de meia-idade vai se interessar por um ikemen (rapaz bonito), porque ela deve guardar suas memórias de outras vidas.  Segundo o Anime News Network, antes de ser série, Oji Tensei ~Akuyaku Reijou no Kareinaru Seikatsu~ foi um oneshot.  Não sei a qual demografia pertencerá essa série.  A autora faz BL, josei, TL e seinen, principalmente.  De qualquer forma, parece ser uma boa variação nesse gênero enervante que é o isekai reencarnacionista de vilã.

Goodbye, Lala!: A Pequena Sereia ganha releitura em formato anime no Japão

Sayonara, Lala! (さよならララ) ou Goodbye, Lala! é um anime original do estúdio Kinema Citrus e teve seu trailer lançado ontem.  Trata-se de uma releitura do conto original da Pequena Sereia, de Hans Christian Andersen, só que a sereiazinha não morre, ela acorda duzentos anos depois no Japão.  Olha, fazia tempo que não via um trailer de anime tão bonito.  Não sei se será uma série, ou filme animado, apostaria no segundo, mas me trouxe uma sensação de que será uma mistura entre Studio Ghibli e Princess Tutu e, sim, acho que a sereia não escapará do seu destino no original.  Assistam o trailer, ele está abaixo e não há texto, só imagens e música.

domingo, 19 de maio de 2024

Comentando o segundo e o terceiro episódios da nova temporada de Bridgerton : Querem nos vencer pelo cansaço de que Colin é irresistível e que Penelope uma desastrada

Assisti ao segundo e ao terceiro episódio desta temporada de Bridgerton e lá vai uma nova resenha.  Antes que alguém acredite que eu estou odiando a série, não é o caso, se fosse, eu já teria largado e iria terminar de assistir X-Men '97, porque tenho que resenhar, também.  Eu gosto de Bridgerton e mesmo que tenha fica do muito ofendida com a piadinha sobre Jane Austen no primeiro episódio (*resenha aqui*), não pretendo largar.  Agora, é fato que esta temporada tem problemas de coerência que se manifestam o tempo inteiro e que o roteiro poderia ter evitado, porque bastava revisar mesmo.  De que estou falando?

O livro original se passa em 1824, Penelope (Nicola Coughlan) estaria com 28 anos e solteira.  Ela é, portanto, uma solteirona (spinster).  Na série, ela debutou faz três anos, se vocês se recordam da primeira temporada, a mãe apresentou as três filhas juntas e Penelope, que tinha 17 anos, poderia, e até deveria, esperar um pouco mais.  Se vocês conhecem  Orgulho & Preconceito (*um livro que retrata a sua própria época*) devem lembrar do horror de Lady Catherine De Burgh ao descobrir que todas as irmãs de Elizabeth Bennet estavam "no mercado matrimonial" ao mesmo tempo, sem que a mais velha sequer estivesse casada.  Logo, o que Portia (Polly Walker) fez era possível no início do século XIX, mas não era o mais comum, tampouco, o mais desejável.

Penelope não seria ainda considerada uma solteirona ainda.  Ela seria uma wallflower, isto é, "uma pessoa tímida, especialmente uma menina ou mulher, que tem medo de se envolver em atividades sociais e não atrai muito interesse ou atenção" (Cambridge Dictionary).  A wallflower é uma candidata a ser spinster, sem dúvida, e ela vai ficando nos cantos do salão, perto da parede até parecer parte da decoração.  Francesca (Hannah Dodd), que é igualmente tímida, adverte Penelope, lá no primeiro episódio, sobre o risco de se tornar uma wallflower.

Muito bem, Penelope é tratada pela mãe como a sua filha com menores possibilidades de um bom casamento, agora, repito, aos 19 anos, ela não seria solteirona.  Na sequência mais torturante para a protagonista no episódio 2, ela é chamada de solteirona por várias mulheres e jovens, porque está usando Colin Bridgerton (Luke Newton) para conseguir um marido.  Eloise (Claudia Jessie) falou demais e um segredo dividido por seu irmão se espalhou.  É uma parte excelente do episódio, bem dirigida, com boas atuações, mas entendem que a premissa da coisa toda é em si absurda?  Penelope é uma jovem que, na Inglaterra da época, estava apta a se casar.  

Pensem, por exemplo, nas irmãs Bennet, que não pertencem à alta nobreza ("the ton") como esse povo de Bridgerton. Jane tem 22 anos, Elizabeth tem 21.  Ninguém em nenhum momento de Orgulho & Preconceito sugere que elas seriam velhas para casar, mas as possibilidades de um bom casamento seriam baixas, porque elas não tem um dote significativo.  Penelope pertence a uma família com título, ela certamente tem melhores perspectivas que qualquer das irmãs Bennet, ou a maioria das personagens de Jane Austen. 

Aliás, falando da família de Penelope, já que não comentei nada sobre ela na primeira resenha.  Portia conseguiu virar a mesa no final da segunda temporada e assegurou o título e propriedades do marido, desde que uma de suas filhas, e ambas as irmãs de Penelope já aparecem casadas, tenha um filho homem.  No entanto, há duas coisas perturbando a paz das Featherington, uma é uma investigação sobre o documento que estabeleceu as regras de sucessão, outra, é o fato das duas irmãs de Penelope não parecerem tão empenhadas em produzir um herdeiro.  Parte do humor desses primeiros episódios gira em torno delas.

Voltando para Penelope, o episódio dois reforça o estereótipo da gorda desastrada.  Nada sinalizava que Penelope o fosse nas temporadas passadas e tenta potencializar o valor do treinamento dado por Colin.  Mais uma vez, a ênfase em tornar o protagonista masculino da tenmporada um exemplo de masculinidade e o melhor partido do momento vai de cena forçada em cena forçada.  Colin passou poucos meses viajando, no livro, foram anos.  Em pouquíssimos meses, ele deixou de ser um pastel e virou um expert em sedução, super experiente com as mulheres.  🙄

Como a série mostra isso?  Temos Colin flertando com as debutantes.  Temos o rapaz na cama com duas mulheres.  Temos Colin desfilando em várias cenas do terceiro episódio sem gravata, com a camisa meio aberta, e meio que replicando o que o Duque de Hastings na primeira temporada.  Não sei por vocês, mas eu nunca gostei dessa história de ator sem gravata em Bridgerton, mas, fora isso, Regé-Jean Page tem muito mais apelo para mim que Luke Newton.  Mas cismaram que Colin é irresistível, mesmo que ele não vá herdar quase nada e não tenha título e a série investe pesado nisso.

O segundo episódio é o da humilhação de Penelope que, até para não despertar suspeitas, tem que se fazer alvo de um panfleto muito ferino de  Lady Whistledown.  Colin, sentindo-se mortificado e culpado, porque contou para Eloise do seu plano com Penelope, vai até a casa da moça se desculpar.  Ele suborna a criada de Penelope, e nesta temporada essas empregadas que acompanham as moças parecem ser item fundamental, antes mal apareciam, para falar com ela à noite escondido.  Ela lhe pede um beijo, porque não quer morrer sem ser beijada.  E, bem, esse beijo como ato de compaixão, mexe com Colin.

A partir daí, temos cenas bem engraçadas, clichês, mas muito interessantes de Colin delirando com Penelope, mas ainda sem entender, ou aceitar bem o que está acontecendo.  E, quando finalmente ele parece que vai se mover, Lord Debling (Sam Phillips) cruza seu caminho.  A personagem, que foi criada para a série, é um nobre excêntrico, por ser  ecologista e vegetariano (*e eles existiam na época*), e mostra grande gentileza por Penelope, quando ela estava ferida.  Como ele precisa se casar, Cressida (Jessica Madsen) e Penelope passam a disputá-lo mostrando quem é mais naturalista, por assim dizer.


No episódio 3, Penelope é colocada, mais uma vez, em um papel ridículo, ao tentar ganhar o interesse de Debing derrotando Cressida, porém, a coisa é revertida depois, quando ela abre seu coração para o sujeito e se desculpa pela forma como agiu.  Ela lhe conta do que gosta e como passa seu tempo.  O homem, então, lhe explica que não busca uma companheira que seja igual a ele, pois as conversas à mesa de jantar iriam ser muito chatas.  

Em poucas cenas, Debling me pareceu muito mais interessante que Colin.  E ele tem algum problema com os parentes que não foi ainda explicado.  Obviamente, Penelope ficará com Colin, mas salvo se Debling for um canalha, picareta ou doido, ele ganhou a minha afeição. Quer dizer, usar bota em uma ocasião formal não é algo que o credencie, mas o figurino desta temporada parece mais zoado que nas anteriores.

Outra personagem introduzida nesse episódio 3, que mostra a moda do balonismo, e que foi criada para série é Lady Tilley Arnold (Hannah New), uma viúva ousada e dona de si.  Com ar de femme fatale e vestindo um figurino, maquiagem e cabelos dos anos 1950, ela está na série para seduzir Benedict, cujo papel até agora se reduziu a fugir de debutantes.  Ao que parece, a temporada 3 vai investir na heteronormatização definitiva do Benedict (Luke Thompson) da adaptação para afastar de uma vez por todas o que ficou sugerido na primeira temporada.  O fato é que achei Lady Tilley muito forçada, mas vai que as coisas mudam.

Cressida Cowper também tem um figurino peculiar.  Antes, ela tinha somente cabelos muito extravagantes, agora, é tudo, e a moça parece personagem de um filme de ficção científica.  Está divertido de se ver e me lembra o que fizeram em Reis Malditos (2005), mas com um resultado melhor.  Ainda preferia um figurino mais perto do realista, mas Cressida me diverte.  Cressida está recebendo uma atenção particular nessa temporada.  Estão dando camadas para a personagem e mostrando que ela não é somente a loira rica e malvada.  Ela nem é tão rica, nem é tão malvada e tem uma família horrível.  Se Penelope é chamada de solteirona, Cressida, que debutou no mesmo ano, é pressionada pela mãe a conseguir um marido, ou seu pai vai lhe comprar um.  

Vejam que ela deveria também, por razões de coerência, ser chamada de solteirona, mas não é.  O que a diferencia de Penelope?  Ela é magra.  Só pode.  Enfim, Cressida e a mãe parecem estar com sua renda cortada como uma punição pela incompetência da moça em conseguir um bom partido.  Esta questão era fundamental para as boas famílias, afinal, não era uma boa opção ficar solteira e moças da classe social retratada na série não poderiam ter uma ocupação, pois seria vergonha para elas e, consequentemente, para suas famílias.

Falando em regras, o amigo boxeador do duque, Mr. Mondrich (Martins Imhangbe) e que deu um golpinho na última temporada e virou dono de um clube para cavalheiros, ganhou uma história própria e que está sendo desenvolvida as margens da trama principal.  Sua esposa, Alice (Emma Naomi), tinha uma parenta distante com título e ela deixa tudo para o filho mais velho dos dois.  O menino será barão de alguma coisa e a vida da família muda radicalmente.  

Eles ficam um tanto perdidos, e não poderia ser diferente, há certa fascinação, mas há o choque, também.  E passam a se esforçar para seguir regras, descritas pela governanta da grande propriedade herdade pelo filho, como dormir em quartos separados (*como se fosse algo obrigatório...*) até que Benedict lhes dá uma dica meio errada, de que regras só valem para os solteiros, os casados podem fazer o que quiser.

Ninguém pode fazer o que quiser, um dos temas da temporada, pelo que percebi, é o quanto um indivíduo precisa se dobrar as imposições sociais.  Gente muito rica e influente pode até esticar a corda, mas, mesmo esses, precisam se dobrar em algum momento às convenções sociais, especialmente, se querem pertencer à alta sociedade.  Os Mondrich certamente não precisavam se constranger muito, mas, logo no final do episódio, o ex-boxeador é advertido de que voltar a trabalhar não é algo aceitável, porque nobres não trabalham.

De fato, gerenciar terras não é visto como trabalho, nem viver de investimentos, a questão é trabalhar com as próprias mãos.  Agora, Mr. Mondrich não é o barão, ele é o pai do portador do título.  De resto, algo que já escrevi antes, gente como Benedict e Colin deveriam ter uma ocupação seja na política, no clero, na marinha ou exército, ou no Direito.  Filhos mais novos, via de regra, e não acho que papai Bridgerton, morto aos 38 anos, teve tempo de planejar seu testamento, herdavam quase nada.  Por isso mesmo, Colin, que não tem título, que herdará muito pouco, não seria um bom partido, muito pelo contrário.  

Voltando lá para Orgulho & Preconceito, o Coronel Fitzwilliam, primo do Mr. Darcy, é filho de conde, mas avisa que, por ser caçula, precisa casar bem, ele pode até sonhar com uma Elizabeth Bennet, mas ele precisa casar com uma moça que tenha um dote de muitas milhares de libras.  Sim, eu sei que o problema é do material original, a série não está se afastando dos livros aqui, Julia Quinn não se preocupou em pensar nessas coisas.

Caminhando para o final, Eloise começa a se mostrar menos dura com Penelope, ainda que não queira dar o braço a torcer.  E ela se sente culpada, claro, pela indiscrição.  Francesca consegue, com a ajuda de Lady Danbury (Adjoa Andoh), virar o diamante da rainha aumentando seus prospectos de um excelente casamento.  Só que a moça, tímida e reservada, só quer um marido que a respeite e uma casa para chamar de sua.  Ela quer fugir das multidões e isso inclui famílias grandes, ainda que amadas.  Não sei qual o caminho que ela vai seguir até o fim da temporada.  E aparece o irmão de Lady Danbury, ele parece estar na série para balançar o coração de Lady (Violet) Bridgerton (Ruth Gemmell).

Acho que é isso. Não tivemos nem Anthony (Jonathan Bailey), nem Kate (Simone Ashley), neste episódio.  Que pena!  Falta um episódio desta primeira leva.  Continuo gostando de Bridgerton, adoro a Nicola Coughlan, mas esperamos tanto pela terceira temporada e eu esperava um pouco mais de cuidado da parte da produção com a coerência do roteiro.  Está um tanto aquém do que eles poderiam fazer.