terça-feira, 31 de março de 2020

RetroCrush: Streaming de animes clássicos + COmo rever Fushigi Yuugi é estranho


Ontem, o meu amigo Alexandre soares compartilhou no Facebook uma matéria sobre um novo serviço de Streaming chamado RetroCrush e ligado ao site IGN (Imagine Games Network).  A ideia é oferecer um serviço de streaming de animes e movies dos anos 1970 até a década de 1990 e gratuito, pelo menos por enquanto.  Acredito que seja por conta do Coronavírus, mas vamos esperar.  Eles dizem que tem um catálogo de mais de 100 séries e 40 filmes animados.  O vídeo de propaganda está aqui:


Enfim, eu entrei no site deles e não achei suporte para assistir no computador, mas tem aplicativos para Android, IOS e outros.  OK, devo olhar depois (***Acabei de olhar e, só para variar, não é para a gente no Brasil, mas o canal deles no Youtube é divertido.***)  Mas a coisa legal foi descobrir que eles tem um canal no Youtube com trechos de animes com títulos muito sensacionalistas, que são por si mesmos engraçados "Ela usou uma poção para controlar a mente e roubar o namorado da melhor amiga!".  E havia um monte de fragmentos de Fushigi Yuugi (ふしぎ遊戯).



Bem, eu gosto de Fushigi Yuugi, mas tenho consciência da ruindade que é maior no anime do que no mangá, aliás.  Eles devem ter selecionado de propósito, claro, mas são, sei lá, umas quatro sequências disponíveis nas quais Miaka está correndo o risco de ser violentada.  É meio bizarro, porque mesmo o mocinho, Tamahome não sabe que "Não é Não", mas era ShoComi dos anos 1990 e Fushigi Yuugi era levinho frente outras coisas que saiam por lá.



Saldo dessa brincadeira é que relembrei o quanto a voz do Koyasu Takehito é sensual.  além do Hotohori (*e eu só não chorei quando ele morreu, porque, bem, eu tinha o spoiler*), o jovem imperador apaixonado por Miaka e que a salva na tal cena que eu comentei acima, ele foi o Touga (Shoujo Kakumei Utena), o Ran "Aya" Fujimiya (Weiss Kreuz), entre outras personagens interessantes dessa época.  E ele canta, claro.  Uma das melhores músicas de Fushigi Yuugi, Sadame no Hoshi, é cantada pro ele.


Coronavírus: Autora de Chihayafuru presta solidariedade aos franceses e a Europa em geral


Abri o Twitter e havia uma ilustração de Chihayafuru (ちはやふる) postada pela autora, Yuki Suetsugu, com uma mensagem aos franceses e francesas, além de estender ao resto da Europa.  A parte mais bonita se aplica a todos: "podemos nos conectar com as pessoas sem se encontrar e das as mãos", depois, ela acrescenta "Mas, em primeiro lugar, lave as mãos".  


Ela tinha postado antes a mesma imagem, mas, onde se lia França (France) está escrito "想像力で世界を救え".  Não sei japonês, mas o tradutor me seu algo como "Use a imaginação para salvar o mundo".  É isso?  Daí, ela perguntava o que as pessoas estão fazendo para suportar o isolamento e afirma que a crise é comum a toda a humanidade.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Termo "mulheres do conforto militares" volta a aparecer nos livros didáticos japoneses


Passando pelo Sora News, vi um artigo sobre um tema que gera controvérsia até hoje no Japão e por culpa das autoridades do país, as chamada "mulheres do conforto".  Para quem nunca leu nada sobre isso, e localizei dois textos no blog (*1 - 2*), sei que tenho mais, eram mulheres e meninas, normalmente, chinesas, coreanas, filipinas, malaias etc., mas houve ocidentais entre elas, recrutadas à força em áreas ocupadas pelos japoneses para serem usadas como escravas sexuais pelas tropas do país. 

Sim, se você tropeçou em um texto de algum nacionalista nipônico negando isso, e já li coisas como "as coreanas tem uma tendência natural à prostituição", ou de fãs do Japão que usam óculos cor de rosa, esqueçam. A prática era violenta, cruel, há casos de meninas de 10 anos sendo submetidas à escravidão sexual, algumas mulheres foram rejeitadas por suas famílias ao retornarem, ou conclamadas a se calar.  Elas estavam manchadas, desgraçadas, poderiam desonrar suas famílias. 

Em 2014, Francisco encontrou algumas dessas mulheres.
Pois bem, segundo o Sora News, pela primeira vez, em muito tempo, o termo "mulheres do conforto militares" vai aparecer em livros didáticos aprovados pelo governo japonês para o ano de 2021 e voltados para os alunos do ginasial, isto é, crianças e adolescentes que tem entre 12 e 14 anos.  Segundo o site japonês, a coisa estava fora fazia tanto tempo que quem estudou em livros que falavam disso deve ter no mínimo 28 anos.  "Ah, mas é preciso discutir a questão!"  Eu também acredito que seja, mas o que está sendo colocado nos livros é um trecho aparentemente neutro e que normaliza a prática.  Não fala de violência, não fala de escravidão, é como se as mulheres quisessem estar lá.

Até hoje, as poucas sobreviventes ainda pleiteiam reparação.  Muitas das poucas ainda vivas, desejam somente um pedido de desculpas.  O Governo Japonês se recusa, encrencam com a estátua que os coreanos mandaram fazer em honra dessas mulheres.  Não raro, alguma autoridade vem falar da "necessidade" de ter essas mulheres satisfazendo as tropas.  Repito, eram escravas.  Avançam um passo, retrocedem dois.  As velhinhas vão morrendo e fica tudo como está.  Para quem lê inglês, francês ou espanhol, recomendo o vídeo com o relato de uma dessas mulheres.  Ele me impactou muito e acredito que é um dos documentos mais importantes sobre essa prática monstruosa.  Se quiser um filme sobre o tema, recomendo o filme Flores do Oriente.  Há outros materiais, claro, basta ir atrás.

Coronavírus: Olimpíadas de Tokyo já tem nova data


As Olimpíadas e as Paralimpíadas de Tokyo tem nova data: 23 de julho e 8 de agosto de 2021.  Já as Paralimpíadas irão se realizar entre os dias 24 de agosto e 5 de setembro. Segundo O Globo, "a decisão foi tomada após estudos e negociações entre o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, e dirigentes das federações esportivas e de comitês nacionais. A nova data cumpre a promessa do COI de que os Jogos seriam realizados até o verão de 2021".  Desde o início, a ideia de cancelamento das Olimpíadas era algo que me angustiava.  Bom saber que teremos os jogos.  Só espero que as coisas realmente cooperem para que a nova data seja mantida.

Tokyo Tarareba Musume terá um especial de Verão


Foi anunciado que Tokyo Tarareba Musume (東京タラレバ娘) de Akiko Higashimura terá um especial live action no verão japonês.  Nana Eikura, Yuriko Yoshitaka, e Yuko Oshima voltam aos seus papéis como  Kaori, Rinko, e Koyuki, respectivamente.  Houve um dorama em 2017 baseado no mangá original.  Tokyo Tarareba Musume teve 9 volumes (2014-17), um volume  chamado  Tokyo Tarareba Musume: Tarare Bar (東京タラレバ娘番外編 タラレBar) em 2017-18 e outro gaiden em 2018 com o acréscimo de "Returns" ao título original.  Em 2019, a autora estreou uma continuação oficial do mangá com Tokyo Tarareba Musume ~Season 2~ (東京タラレバ娘 シーズン2).


Segundo o Comic Natalie (*e vi primeiro no ANN*), a música tema terá o nome de Tokyo Girl e será do grupo Perfume.  Yuma Suzuki volta à direção e Yuuko Matsuda será novamente a responsável pelo roteiro.  O resumo do início da série é o seguinte: "Passei o tempo todo me perguntando 'e se', então um dia eu acordei e tinha 33 anos." Ela não é tão feia, mas antes que percebesse, Rinko tinha trinta e poucos anos e continuava solteira. Ela quer estar casada quando as Olimpíadas de Tóquio chegarem em seis anos, mas ... isso pode ser mais fácil de falar do que de fazer!"  E, claro, Rinko tem duas amigas e as vidas delas também são importantes na história, elas se encontram sempre no mesmo bar para conversar.  Imagino que a nova série em formato mangá deve discutir o adiamento das Olimpíadas, afinal, o mangá tinha no evento um marco.  

Nasce revista digital josei especializada em histórias sobre a relação das mulheres com a estética


O Animenews Network comentou o lançamento de uma nova antologia josei chamada Joshi Katsu Anthology (女子活アンソロジー) na plataforma LINE Mangá.  O LINE é  um aplicativo que permite a troca de mensagens, jogar (*Tsum Tsum, por exemplo, me obriga a ter o aplitativo*) e tem sua própria plataforma de mangá faz muito tempo.  


O site Nijimen, uma das fontes do ANN, ressalta que várias das autoras que estão publicando na revista, que será semanal, vieram do BL.  As que estão listadas são: Sachi Narashima (Cosmetic Play Lover), Akira Hino (Teikoku no Kangan), Togame (Secretly, I've Been Suffering About Being Sexless), e Rinen Takizawa (Anata de Fukuramu, Watashi no Peshanko).  


Já o destaque da primeira edição, quem desenhou a capa, é a Aiba Kyouko (Toshishita Kareshi ni Semararetemasu), que conta a história de uma mangá-ka de trinta anos que começa a se preocupar com sua aparência. 

domingo, 29 de março de 2020

Primeiro teaser trailer de Watashitachi wa Douka Shiteiru


Watashitachi wa Douka Shiteiru (私たちはどうかしている), de Natsumi Ando, vai virar dorama.  Fiz post sobre isso este semana e é bom visitar para olhar o resumo da história, porque é interessante.  Hoje, no Twitter, saiu o primeiro teaser.  Ele está aí embaixo.  O dorama estreia em julho com Minami Hamabe e  Ryuusei Yokohama como protagonistas.


Segunda temporada de Fruits Basket está chegando e tem um vídeo enorme de aperitivo


Apareceu no Twitter um vídeo promocional da segunda temporada de Fruits Basket (フルーツバスケット), que estreia no dia 6 de abril no Japão. Está lindo, lindo.  Para quem não sabe, a JBC está republicando o mangá no Brasil  e estão em promoção no Amazon (*Vol. 1 - 2 - 3*).

Como assim esse mangá sai na Nakayoshi??????


Não sou uma pessoa moralista, ou, pelo menos, não tanto, mas eu defendo que as obras precisem estar adequadas à faixa etária, ou proposta de uma revista.  Estava passando pelo Twitter e vi que havia muito material da revista Cheese sendo anunciado.  A Cheese é uma revista shoujo para garotas no fim de adolescência e idade adulta.  Sempre vai ter material com apelo sexual, você sabe o que vai encontrar nas páginas dessa revista, mas, ora, ora, veja a faixa etária e a proposta da publicação.




Mas eis que eu me deparo com um link para o primeiro capítulo do mangá Chouka-han ka ~Gokudou-sama Afurete Afurete Naka Setai~  (蝶か犯か ~極道様 溢れて溢れて泣かせたい~) da mangá-ka Pedoro Toriumi.  Não prestei atenção na origem, mas a própria capa do volume #1, e por causa do lançamento o material está em evidência, era bem chamativa e eu pensei que era ou da Cheese, ou de uma dessas revistas josei eróticas que eu sigo no Twitter.  Olhei o primeiro capítulo.



A protagonista é uma colegial de aparência bem de menininha fofa e que não consegue fazer amigas.  Olhando um resumo, vi que a moça é discriminada por ser muito rica (!!!!) e, acredito, se comportar de forma muito infantil para uma adolescente.  A protagonista tem uma aparência meio infantil, imatura, mas um busto bem avantajado.  Ela é sequestrada.  Os sujeitos que a levam parecem bem mal intencionados.  Bandidos e há toda uma ameaça de estupro no ar.  Mas eu estava imaginando que era material adulto e, ainda assim, não estava gostando.




O carro é interceptado.  A menina fica toda ensanguentada, mais assustada do que já estava, e é resgatada por uns yakuza e o líder deles, que parece um adolescente, faz bem o tipo ore-sama guy.  A garota é levada para uma mansão.  A cena muda e ela está tomando banho.  De repente, o jovem yakuza aparece, já está sem camisa, tira a toalha de menina, que faz aquelas caras de "Ah! Oh!".  Eu não consigo ler o diálogo, mas terminamos com ela nua e levando uns amassos do sujeito.




Não gostei da linha geral da história, mas entenderia a sua existência em uma revista Cheese, em uma revista josei adulta da Ohzora, mas a Nakayoshi é para um público de idade entre 9 e 13 anos e gente que gosta de ler histórias para essa faixa etária.  Mas não é o primeiro caso de coisas colocadas na revista errada.  Por exemplo, Watashi ni xx Shinasai (わたしに××しなさい!) de Ema Tooyama tem uma pegada esquisita para a Nakayoshi e inclusive ganhou o 36º Kodansha Award na categoria infantil.   




Enfim, coisas estranhas acontecem na Nakayoshi, mas eu acho que algum editor deveria ficar mais atento para essas coisas.  Se quiserem olhar o capítulo inteiro, ele está aqui.

sábado, 28 de março de 2020

Coronavírus levou Daniel Azulay e com ele vai parte da minha infância


Nasci em 1976, lembro de passar as tardes com minha mãe e meu irmão assistindo aos programas do Daniel Azulay na TVE (*no Rio não se chamava TV Cultura*).  Minha mãe fazia os brinquedos de sucata que ele ensinava, as dobraduras de papel e desenhava a Turma do Lambe-Lambe.  Eles eram tão importantes na minha vida com lá nos meus seis, sete anos quanto o Sítio do Pica-Pau Amarelo, que passava na Globo.  


Na minha infância mais remota, Turma da Mônica nunca chegou perto da importância da Turma do Lambe-Lambe.  Não sei se na 1ª série, ou na 2ª, minha mãe desenhou na página de abertura de cada um dos meus quatro cadernos (*Português, Matemática, Ciências e Estudos Sociais*), uma personagem do Daniel Azulay.  Sei que tive uma merendeira da Damiana, a minha personagem favorita da Turma do Lambe-Lambe, e acho que minha mãe comprou livrinhos, quadrinhos e outras coisas, também.Ele fez parte da minha infância e foi um pioneiro dos programas infantis educativos em nosso país.


Mais tarde, casada e morando em Brasília, tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente.  Acredito que tenho uma foto com ele em algum lugar, mas seria difícil encontrá-la agora.  Ele veio para um dos Kodama, a convenção de animes, mangás e tudo mais que coubesse, que acontecia no Distrito Federal.  Lembro de meu marido, que também cresceu assistindo os programas do Daniel Azulay, todo animado e dizendo que era fã dele desde criança.  Jamais esquecerei a cara do Daniel Azulay, o constrangimento, porque foi, de ter um galalau pulando emocionadíssimo de estar diante dele.  Mas ele sorriu e bateu a foto.  


Enfim, Daniel Azulay, que era desenhista, autor de livros e jogos interativos para infanto-juvenis, entre tantas outras coisas, deve ser a pessoa mais famosa a morrer por conta do coronavírus em nosso país até o momento.  Esta semana, um maestro (Martinho Lutero Galati de Oliveira) e uma maestrina (Naomi Munakata) paulistas foram ceifados, mas eles eram menos conhecidos do grande público que Azulay.  O artista estava com 72 anos, pertencia ao grupo de risco, e estava ainda mais vulnerável por causa de um tratamento contra leucemia.  Alguns podem dizer "Ah, ele viveu bastante!", ignorando o sofrimento do próximo e de seus parentes e amigos.  Sim, acredito até que tenha vivido bem, mas cada vida importa, à despeito do que alguns empresários e o próprio presidente pensam.  


Importa a vida do artista, a da empregada doméstica que os patrões infectados não dispensaram, a do morador de rua, a da adolescente que não deveria morrer, porque não é "grupo de risco", a da mãe saudável de duas meninas pequenas etc.  E, não se enganem, outros vão morrer, já estão morrendo, pois é clara a subnotificação, e não serão poucos, ainda que a maioria sejam anônimos que não vão aparecer na TV, a não ser como tristes números da tragédia que poderia ser minimizada.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Kinou Nani Tabeta? terá filme para o cinema no ano que vem


Foi anunciado um filme live action para o mangá Kinou Nani Tabeta? (きのう何食べた?) de Fumi Yoshinaga.  A série, que é publicada na revista Morning, segue o dia-a-dia de um casal, Shiro Kakei (Hideotshi Nishijima), um advogado, e Kenji Yabuki (Seiyo Uchino), um cabeleireiro,  que tem suas alegrias, problemas, além do a mor pela culinária e a boa mesa.  Li muito pouco dessa série, mas ela é muito elogiada.  A série live action do ano passado fez sucesso e a equipe técnica e elenco principal se reunirá de novo para um filme.

Kazuhito Nakae continua na direção e Naoko Adachi será novamente a roteirista. Retornam ao elenco Kōji Yamamoto, Hayato Isomura, Makita Sports, Misako Tanaka, and Meiko Kaji as their characters Daisaku Kohinata, Wataru Inoue, Hiroshi Miyake, Kayoko Tominaga e Hisae Kakei.  Estreia prevista para 2021, segundo o Comic Natalie, maiores detalhes virão nos próximos meses.

Coronavírus: Existe uma santa chamada Corona e ela é protetora contra as pandemias


Eu gosto de ler vidas de santos e sobre eles, porque, enfim, essas personagens falam muito sobre a sua época, as estruturas mentais e sociais de um determinado momento da História.  Eu estudei hagiografia da graduação ao doutorado, enfim, mas há muitos santos e eu conheço bem menos do que deveria.  A tal Santa Corona, por exemplo, é uma novidade para mim e para muita gente.  Aliás, ela é conhecida, também, como Santa Stephana, do grego  στέφᾰνος, stéphanos, coroa.  Então, se você é Stephanie, ou uma variante, já sabe o que significa seu nome.  

Santa Corona provavelmente não existiu, trata-se de um daqueles santos dos primórdios da Era Cristã de difícil comprovação histórica.  Segundo a Wikipedia, sua lenda estaria associada a de outro santo, um soldado de nome Victor, um soldado de origem italiana que residiria em Damasco (Síria).  Convertido ao cristianismo, teria sido condenado à morte durante o reinado do Imperador Antonino Pio em 160 d.C.  Ele teve seus olhos arrancados e foi decapitado.  


E onde entra a tal Santa Corona?  Ela seria uma jovem de 16 anos, esposa de outro soldado (*em algumas versões do próprio Victor*), que, enquanto ele era torturado, o encorajava a resistir e não negar sua fé.  Por causa disso, ele também foi presa, interrogada e torturada.  Foi executada tendo cada uma de suas pernas amarradas a uma palmeira que, ao serem soltas, rasgaram seu corpo.

Em 997 d.C., o imperador Oto III, do Sacro Império Romano Germânico, trouxe suas relíquias da Itália para Aachen, na região da atual Alemanha, onde foi construída uma catedral em sua honra.  Os seus restos mortais foram tirados do túmulo em  1911-12 e um belíssimo relicário foi construído para abrigá-lo.  Esse relicário ficou fora das vistas do público nos últimos 25 anos.  Só que, enfim, como perder uma chance dessas?  Ele está sendo restaurado para que possa ser exposto novamente tão logo a pandemia do coronavírus passe.


Mas Santa Corona não é somente a protetora contra pandemias, é uma santa polivalente muito mais lembrada (*não que ela seja muito lembrada*) quando se trata de procurar dinheiro, sejam tesouros, ou os obtidos no jogo, além de ser protetora dos açougueiros, coveiros e de proteção contra o mau tempo.  No caso das pragas (*pandemias*), assim como nos anteriores, há outros santos aos quais recorrer, também, e ela é tão obscura que pode nem aparecer na lista.  outra coisa, trata-se de mera coincidência o nome da santa e o do vírus.  Esses vírus da família "corona" tem um formato de coroa de espinhos quando visto ao microscópio, ou, assim, os cientistas acreditam. 

Novidade: FuriFura terá Voice Comic também


Omoi, Omoware, Furi, Furare (思い、思われ、ふり、ふられ) de Io Sakisaka terá filme animado e live action este ano.  Como se trata de um sucesso de uma autora que acumula triunfos de vendas e público, não me espantaria se tivéssemos uma animação televisiva.  No entanto, a novidade que está no Twitter e no Comic Natalie é que FuriFura terá um Voice Comic (VOMIC).  O que é isso?

É quando dubladores são contratados para dar voz a determinadas passagens de um mangá.  Não sei se existe VOMIC de um volume completo de alguma série, acredito que não exista.  No caso de FuriFura, serão vários capítulos com os dubladores do filme animado, se entendi bem o CN.


A edição atual da Betsuma veio com apêndice comemorando o filme animado com entrevistas e tudo mais, além de um código para que a pessoa possa acessar o VOMIC, que deve estar em alguma página, a do próprio filme, talvez.  Eu realmente não sei.  Já houve VOMICs que foram lançados em DVD.  E, só lembrando, o mangá está em publicação no Brasil pela Panini (*Para quem quiser, tem tudo no Amazon: Vol. 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6*) Pois bem, uma amostra do vídeo está aí embaixo:

quinta-feira, 26 de março de 2020

As histórias que distorceram a memória popular norte-americana da guerra civil (Artigo Traduzido)


Comecei a traduzir esta entrevista da revista Time acreditando que iria falar de E o Vento Levou, o filme completou 80 anos em 2019 e eu nada comentei no blog.  Mas era só um engodo, o assunto da entrevista com Cody Marrs, que é especializado em literatura norte-americana e mais especificamente a Gerra de Secessão, é discutir a memória sobre a guerra, o falseamento das narrativas com o intuito de anular a questão da escravidão e, de uma certa forma, oferecer consolo ao Sul derrotado.  

A memória pode pertencer a um grupo específico ou transcendê-lo de alguma forma, mas é sempre um campo de batalha.  Vivemos isso hoje, no Brasil, em relação à Ditadura Cívico-Militar (1964-85).  Há o que os historiadores e historiadoras dizem tendo as fontes como parâmetro, há a memória dos que viveram a época, participaram dos acontecimentos.  Por serem indivíduos, sua memória é limitada pela sua experiência pessoal, seu pertencimento social (*classe, raça, gênero, filiação religiosa etc.*) e, ao mesmo tempo, é uma reconstrução do passado a partir do presente e sob uma ótica afetiva.  Há, também, os grupos que disputam essas memórias com fins políticos.  

A escravidão foi a principal motivação da Guerra de Secessão
 e os negros lutaram na frente de combate.
Para alguns desses grupos, as memórias seletivas, localizadas, compartilhadas por grupos específicos, são mais concretas  e universalizáveis que a narrativa histórica.  E não pensem que estou dizendo que nós, historiadores, somos neutros, mas que estamos pautados por fontes, limitados por uma metodologia e orientados por um quadro teórico-conceitual.  Além disso, espera-se de um profissional de História o mínimo de responsabilidade. Sobre isso, recomendo um vídeo do Tese Onze com a participação do Icles do Leitura Obrigahistória. Já a literatura, assunto do artigo, também é orientada, mas não tem o compromisso com os fatos, pode fazer vôos que os historiadores não devem fazer.  

Enfim, como já tinha começado a traduzir, segui até o final, mas acaba sendo interessante e não sendo, por assim dizer.  Ainda preciso encontrar algo sobre E o Vento Levou para marcar a data.  E, só para constar, eu gosto muito de e o Vento Levou, do filme, que por milagre consegue ser muito bom, e do livro que é extremamente interessante, mesmo que com todos os problemas de sua época, com o racismo, por exemplo.  E eu considero a Scarlet O'Hara uma personagem de uma imensa riqueza para discutir uma série de questões, especialmente, papéis de gênero, no livro ainda mais e não somente ela, mas a Melanie, também.  Cada uma de sua maneira, são mulheres muito poderosas e guiam a história.  Mas segue o artigo. 


O livro de Cody Marrs.  Eu compraria,
se o dólar não estivesse descontrolado.
As histórias que distorceram a memória popular americana da guerra civil
OLIVIA B. WAXMAN 

Mais de oito décadas depois de lançado, E o Vento Levou, de 1939, permanece, ajustado pela inflação, o filme com maior bilheteria de todos os tempos. O filme e o romance de Margaret Mitchell, de 1936, no qual ele se baseia, continuam a dominar a memória da cultura pop americana sobre a Guerra Civil - e um novo livro analisa mais profundamente por que esse é o caso e por que é importante.

Cody Marrs, autor de Not Even Past: The Stories We Keep Telling about the Civil War, falou à TIME sobre quem direcionou a memória americana da guerra em suas conseqüências imediatas, por que E o Vento Levou é tão popular e quais outras histórias da guerra devem ser melhor conhecidas.

Seu trabalho analisa as histórias que moldaram a memória americana da Guerra Civil. O que faz uma história da Guerra Civil durar?

Surpreendeu-me o fato de ter muito pouco a ver com o que é historicamente preciso ou não, e muitas vezes tem muito menos a ver com sua qualidade como narrativa do que você imagina. O principal determinante em termos de se uma história será bem-sucedida ou não, se decolará ou será esquecida é: Ela nos diz algo sobre nós mesmos como pessoas?

E o Vento Levou fornece uma resposta muito particular, um senso de ordem, significado e pertencimento ao público branco, segundo o qual a escravidão era uma instituição benigna e a Guerra Civil não precisava acontecer, mas era um processo de amadurecimento necessário para o país .

Desculpe, mas E o Vento Levou fala de superação
e isso é importante durante uma grave crise econômica.
Como o que estava acontecendo na década de 1930, quando o livro e o filme E o Vento Levou foi lançado, influenciou sua popularidade?

Durante a Grande Depressão, as pessoas têm essa falta de comida, segurança, necessidades básicas que precisamos para o bem-estar. Quando você vê o livro e o filme, o que vê é luxo. [1] É uma fantasia poderosa e atraente em um momento de falta. [Mas] acho que a razão pela qual o E o Vento Levou persistiu na cultura americana é diferente e tem mais a ver com raça e identidade. Também é uma história de romance. Quem não gosta de uma boa história de romance? Isso faz parte disso.

Então, o que E o Vento Levou está certo e errado sobre a Guerra Civil?

O que está certo é que a guerra foi uma crise existencial para muita gente no sul. Isso criou uma oportunidade real para a "Causa Perdida" - os propagandistas intervieram e usaram essa crise para seus próprios fins. O equívoco mais comum sobre a Guerra Civil é que não se tratava realmente de escravidão. Essa é uma ideia fundamental em E o Vento Levou, de que é um ato de brutalidade do norte.

A representação da escravidão em E o Vento Levou
é típica de sua época e, sim, a gente tem que discutir
esse ponto, porque era aceitável (*apesar de inaceitável*) e deixou de ser.
Como a causa perdida passa a dominar a memória da Guerra Civil? Existe alguma coisa sobre as origens dessa ideia de que as pessoas entendem errado hoje?

Se você precisar resumir, a Causa Perdida é uma versão revisionista da Guerra Civil, segundo a qual a guerra não era uma luta pela escravidão, mas por interpretações constitucionais. Segundo a causa perdida, a secessão era um direito legal e a guerra era o resultado da agressão do norte. O motivo é falso, porque a Guerra Civil foi, sem dúvida, sobre a escravidão e todos na época sabiam disso. Mas após a Guerra Civil, várias partes interessadas, principalmente políticos confederados e soldados confederados, desempenharam um papel importante na reformulação do que se tratava a guerra. Alexander Stephens, vice-presidente da Confederação, escreveu um livro chamado Uma visão constitucional do fim da guerra entre os Estados. Jefferson Davis escreveu um livro semelhante, assim como Edward Pollard, editor e influenciador da época.

Acho que o que aprendi que ainda não havia compreendido antes é que a razão pela qual [a ideia] se tornou poderosa é por causa de um coquetel peculiar de circunstâncias e propaganda. A circunstância tem a ver com a destruição do sul. As pessoas estavam tentando descobrir como juntar as peças novamente, e a causa perdida forneceu isso.

O mito do "Irmão contra Irmão" e a culpabilização
dos negros pelo conflito andam juntas.
Alguma história sobre a Guerra Civil chegou perto de E o Vento Levou em popularidade?

Um que era muito popular que não é tão popular agora é Brother Against Brother (Irmão Contra Irmão)[2]. Foi provavelmente a narrativa principal da Guerra Civil em todo o Norte e em partes do Sul por um longo período no século XIX e no século XX. Definitivamente, havia alguns casos reais de algumas famílias importantes nos estados fronteiriços que dividiam suas lealdades, e parte disso tinha a ver com o modo como as pessoas pensavam sobre identidade e lealdade na época e suas lealdades eram muito mais locais e familiares do que se tornaram mais tarde. Mas essas histórias foram contadas e mitologizadas.

O que dizem os recentes debates sobre memoriais confederados sobre como nos lembramos da Guerra Civil?

Ao longo do livro, tento situar os memoriais confederados como não memoriais da Confederação, mas histórias retroativas sobre o que era a Confederação e sobre o que era a Guerra Civil. Há uma diferença. Na minha perspectiva, eles não são realmente lições da história da Guerra Civil. São lições da história das memórias americanas sobre a Guerra Civil, precisamente porque todas foram criadas após a Guerra Civil, às vezes décadas depois, para garantir que a memória da Confederação permanecesse viva.

A escultora Meta Vaux Warrick Fuller,
procurem pelas obras dela.
Que história real sobre a Guerra Civil merece ser mais lembrada?

O livro começa com André Callioux, que lutou por sua liberdade e desempenhou um grande papel na comunidade negra de Nova Orleans nas décadas de 1850 e 1860, até sua morte. Ele foi o primeiro soldado negro que morreu de uma morte muito pública, comentada nos jornais. Sua memória foi transmitida em poemas, mas sua vida foi desconsiderada quase imediatamente assim que ele morreu. Atiradores confederados garantem que os soldados da União não possam recuperar seu corpo, de modo que seu corpo se decompõe lentamente no campo de batalha por semanas a fio, e há esse tipo de desrespeito pelas vidas negras contidas nisso, que é redobrado no fato de que sua lembrança vai se apagando da memória dos americanos. Parte do que estou tentando fazer no livro é garantir que essas histórias sejam contadas.

Quais artistas e escritores capturaram o espírito da Guerra Civil com precisão?

Há alguns que eu gostaria que fossem discutidos mais. The Wave (1929) de Evelyn Scott se apresenta através dessa metáfora de rolhas flutuando no oceano e para a autora, essa é uma metáfora do nosso papel na história. Cada capítulo é da perspectiva de uma pessoa diferente - livre, escravizada, norte, sul. Jubilee (1966) de Margaret Walker é um romance impressionante, uma espécie de reescrita negra de E o Vento Levou. É extremamente consciente do fato de que a liberdade não é apenas algo feito de cima para baixo, mas pelo qual se deve lutar e que é continuamente alcançado, adquirido, protegido e mantido ao longo do tempo. O livro me levou à obra de arte de Meta Vaux Warrick Fuller, uma escultora negra e um dos grandes artistas do século XIX e grandes artistas americanos. Ela estudou escultura clássica e esculpiu pessoas livres e alguns dos líderes da União.

Martin Luther King Jr.
Como os aniversários da Guerra Civil afetaram a memória pública do conflito?

Esses aniversários desempenham um grande papel, porque são ocasiões públicas em que se deve lembrar a luta. A década de 1950 é importante para influenciar a memória da Guerra Civil, mas é o centenário que me parece o maior. Não apenas o discurso de Martin Luther King Jr. "Eu tenho um sonho" acontece no Lincoln Memorial, mas também faz um discurso notável à Comissão do Centenário da Guerra Civil do Estado de Nova York que foi recentemente transcrita na íntegra. Ele diz que a Proclamação da Emancipação é um dos grandes atos históricos, mas também diz que isso é incompleto, situando-o no contexto da segregação imposta pelas leis Jim Crow.[3] Para mim, esse é um dos atos definidores da memória daquela época. Esse discurso de King realmente liga as décadas de 1860 à década de 1960 e diz que você não pode entender o que está acontecendo agora sem entender o que estava acontecendo naquele momento.


[1] Acho que ele dormiu na parte que mostra de sofrimento, fome e superação da adversidade.  Aliás, como entender E o Vento Levou sem isso?  O juramento de Scarlet, a luta para salvar Tara, o vestido de cortina e tudo mais.
[2] Acredito que o Norte e Sul, na verdade, a trilogia inteira, do John Jakes, flerte com esse mito do "Irmão contra Irmão".  Eu gosto dos livros, ainda que o autor não saiba criar personagens femininas.  A série de TV conserta um pouco essa inabilidade dele.
[3] Jim Crow foi o nome do sistema de castas raciais que operou principalmente, mas não exclusivamente, nos estados do sul e da fronteira, entre 1877 e meados da década de 1960. Jim Crow era mais do que uma série de leis rígidas contra os negros, mas algo que permeava toda a vida das pessoas e suas relações sociais.

Café com Jane Austen #11: Fique em Casa Colocando o Papo em Dia


Fazia tempo, não é?  Acredito que desde novembro passado não tínhamos um episódio do Café com Jane Austen.  Bem, voltamos!  Quarentena não é barreira para a gente se encontrar para conversar.  E sobre o quê é o programa?  São três bloquinhos, um sobre o futuro de Sanditon, outro sobre o lançamento do filme Emma e nossas sugestões para suportar o isolamento.

Além de mim, participam do podcast Moira Bianchi (escritora e autora do blog Moira Bianchi), Adriana Sales (pesquisadora e fundadora da Jane Austen Sociedade do Brasil - JASBRA), que gravou os Shoujocasts sobre Orgulho e Preconceito conosco, e a Thaís Brito (jornalista e autora do blog Fantástico Mundo de Jane Austen), que editou o programa.  É só dar play!


*** Links dos conteúdos comentados na discussão ***

Coronavírus: Shueisha comemora o final de Hanadan Next Season com exposição de rua


Hana Nochi Hare ~Hanadan Next Season~  (花のち晴れ〜花男 Next Season〜) é uma espécie de continuação de Hana Yori Dango (花より男子), o shoujo mangá com maior vendagem da história do indústria, apesar de ter saído em uma revista shounen.  


Kamio Youko faz a mesma coisa que sempre fez, mas se está em uma revista shounen, é shounen.  Enfim, a série chegou ao seu final em dezembro passado, fechando com #15 volumes.  Ontem, a autora postou fotos no Twitter de uma exposição de rua feita pela Shueisha para comemorar o término da publicação do mangá:



Eu acredito que os painéis estão na rua por causa das restrições impostas pelo coronavírus, aliás, a governadora de Tokyo pediu que as pessoas se isolassem pelo menos até o dia 12 de abril.  O país vive um risco de uma segunda onda de infecções em larga escala e ela está pensando em proteger a população, mas gerou-se (*e tem muita gente que tem fé demais no bom senso dos japoneses*) uma corrida às lojas e aglomerações, segundo o Sora News.  Enfim, voltando!  



Hanadan Next Season é um mangá muito legal, viciante mesmo, especialmente, se você gosta do original e de novelões.  Eu gosto.  Resenhei os quatro primeiros volumes e li de enfiada do volume #5 ao #10.  O problema é que o Amazon, eu compro formato Kindle, pulou do volume #10 para o #13 e eu estou reclamando em todas as instâncias que posso (*Amazon, VIZ, Shoujo Beat*) para que coloquem o negócio para vender.  Estou devendo uma nova resenha da série, porque ela merece.

Mangá sobre um misterioso assassinato vai virar dorama no Japão


Lá em 2017, fiz um post sobre o mangá Watashitachi wa Douka Shiteiru (私たちはどうかしている), de Natsumi Ando, suplicando por scanlations.  Acabei esquecendo dele, verdade, mas foi anunciado pelo Comic Natalie recentemente que o mangá, que é Be Love, gira em torno de um assassinato misterioso.  Só para relembrar a história, Nao tem 21 anos e é especialista em confeitaria, uma profissional muito qualificada, assim como foi sua mãe.  Ele se emprega em uma das empresas mais tradicionais do ramo.  Só que ao conhecer o dono da companhia, ela reconhece um antigo amigo de infância, Tsubaki.  Os dois eram apaixonados, Nao e a mãe moravam no emprego.  


Um dia, o dono foi assassinado e Tsubaki é encontrado ao lado do cadáver e com as mãos ensanguentadas.  O menino acusa a mãe de Nao, que é presa.  A moça reconhece Tsubaki, mas ele não se lembra dela.  A moça quer descobrir quem cometeu o crime e tem uma desconfiança, claro, só que se apaixona por Tsubaki.  Enfim, teremos dorama dessa série.  Ele foi anunciado pelo canal NTV na terça-feira, a previsão de estreia é em julho.  No papel de Nao, Minami Hamabe, Tsubaki será Ryuusei Yokohama.


A Kodansha está publicando o mangá nos EUA com o nome de Something's Wrong With Us.  Se você clicar, vai direto para o Amazon.  Vou ler o primeiro volume e resenhar.  No Japão, a série estreou em dezembro de 2016 e já chegou ao volume #11 acumulando uma vendagem de 2 milhões de exemplares.