domingo, 30 de junho de 2013

O dia em que minha gravidez se tornou “de risco”


Eu prometi que não vou transformar o Shoujo Café em “diário de gravidez”, mas acho que preciso desabafar um pouco sobre um assunto que me incomoda e me incomodará por um bom tempo.  Enfim, eu desejo ter um parto normal, mais do que isso, um parto humanizado, se estiver em condições físicas e emocionais, tentarei um parto domiciliar.  Tenho uma doula (*isto é, uma acompanhante de parto*) que está me acompanhando, pessoa que tem me ajudado bastante, apesar dos poucos encontros, mais do que isso, ela conseguiu de certa forma tocar meu marido fazendo com que ele refletisse sobre questões que não tinha percebido e sinto-me feliz cm os resultados especialmente sobre ele.  Se eu conseguir chegar ao parto normal, deverei muito a esse duplo apoio, especialmente o dele.

Desde antes de engravidar, estou a par da vergonhosa política que vigora no Brasil em relação aos partos. A cesárea é vendida utilizando-se de todos os argumentos, dos legítimos, como diabetes gestacional ou risco de eclampsia, aos mais sórdidos: o bebê está sentado, o cordão umbilical está enrolado no pescoço, vai beber água do parto, é grande demais, a cesárea é mais segura/higiênica/moderna, etc. A última que ouvi ontem de um vendedor na Feira da Gestante Bebê e Criança foi que o obstetra disse que os bebês hoje são maiores e que não é aconselhável esperar pelo parto normal.  Os dois filhos desse senhor nasceram de cesariana agendada.  A medicalização desnecessária do parto é uma violência contra o bebê, que não tem seu tempo de maturação respeitado, e a mãe, que deixa de ser protagonista de um momento que deveria ser muito importante para ela.  Desempoderam-se as mulheres em nome de comodidade (*cesáreas são procedimentos rápidos e plenamente dominados pelos médicos brasileiros*), lucro (*equipe médica pronta para outra cesárea e gastos com UTI neonatal obrigatória*) e do show (*há hospitais que contam com intrincados serviços que transmitem o parto e outras coisas mais para parentes e interessados. Como fazer isso com partos normais?*).  Por conta disso, o Brasil é campeão mundial de cesarianas

Se o parto normal for feito em hospital, a coisa não é muito melhor.  Qualquer página sobre parto humanizado ou protagonismo materno enfatiza que em trabalho de parto nunca corra para o hospital.  Motivo?  Dificilmente você terá um parto normal.  Sabe a razão?  As rotinas hospitalares.  Ocitocina sintética para apressar as contrações, exames de toque dolorosos, bolsa rompida artificialmente, lavagem estomacal/intestinal caso tenham se alimentado, etc. Muitas mulheres estacionam e não conseguem continuar a dilatação necessária para que o bebê.  Cesárea na certa e a sensação de grande incapacidade, afinal, tinha tudo para dar certo.  Minha mãe passou por isso no meu parto e eu quase morri por falta de oxigenação.  Se algumas mulheres chegam ao parto vaginal – não mais natural, muito menos humanizado – normalmente terão que ser submetidas a inútil episiotomia, que é um rasgo no canal vaginal para (*supostamente*) dar passagem ao bebê e (*pasmem*) não enlarguecer o canal vaginal tornando a mulher pouco desejável... Sim, aqui no Brasil, que chegou à marca absurda de 80% de partos vaginais com episiotomia, a incisão é chamada de “corte do marido”.  


Mas como minha gravidez passou a ser de risco?  Vamos para a história... Eu era acompanhada – atenção ao tempo verbal – por uma ginecologista/obstetra (GO) de um hospital militar aqui de Brasília.  Marcar consulta com ela é dificílimo e eu fui para a última consulta cheia de perguntas, a maioria sugerida pela doula, outras importantes para mim, como se eu posso viajar de avião para o casamento do meu irmão em agosto.  Chegando lá, depois de um atraso de mais de 1 hora, a médica me comunicou, com muito pesar, que não poderia continuar atendendo gestantes e que eu seria passada – assim mesmo – para outro profissional.  OK, se eu estivesse sem meu marido na consulta, acho que começaria a chorar ali.  Segundo ela, e já tínhamos percebido, há muita procura para seu atendimento e fazem encaixes indevidos de consultas tornando sua carga de trabalho excessiva.  Quando a médica questionou o procedimento, foi avisada que deveria atender em 20 minutos.  Ela, como boa profissional que é, se recusou e usou da hierarquia militar para passar o pré-natal para outros médicos menos graduados e que ainda fazem residência em obstetrícia.  Disse, também, para minha estupefação e do meu marido, que havia a aspirante fulana, que não era nem ginecologista, nem obstetra ainda, mas era muito “interessada”.  Vocês se arriscariam?  Pois é... Saí de lá sem perguntar se podia ir para o casamento do meu irmão... 

Este hospital onde me consulto só faz cesarianas agendadas, mas há outro hospital maior, que fica aqui ao lado de minha casa, que (*teoricamente*) faz partos normais. OK.  Posso ser atendida lá?  Nunca consegui marcar consulta pra GO, apesar de ter tentado.  Ela disse que sim, desde que eu fosse uma gestante de risco.  Mas eu não sou, certo?  Pressão normal, glicemia normal, ganho de peso normal... Sim, eu sou, pois tenho mais de 35 anos.  Segundo ela, já bastaria para me enquadrar assim.  A partir daí, e especialmente depois de eu ter falado a palavra “doula” e usado a expressão “casa de parto” (*há uma aqui em Brasília, pública*), a médica começou a desencavar toda uma série de circunstâncias que poderiam comprometer meu trabalho de parto.  Tenho dois miomas externos, todos os médicos que me atenderam durante as ultrassons e consultas enfatizaram que eles não interfeririam na gravidez.  A médica pontuou que eles poderiam desregular meu trabalho de parto.  Depois, ela foi checar minha glicemia.  Seu primeiro exame deu 92 (*o último deu 83*) e isso para gestante já é pré-diabetes.  Como assim?  A senhora não tinha dito isso antes? Não, mas vamos checar.  Elávou eu fazer um outro exame... Vocês acham que se eu chegar com esse encaminhamento no hospital militar aqui perto eu poderei tentar o parto normal?  Imagina!  Cesárea agendada com 38 semanas, minha bebê na UTI neonatal e eu com um corte na barriga

Enfim, tive que ouvir (*algo que eu já sabia*) que o Conselho Federal de Medicina é contra as casas de parto e não permite a presença de médicos nelas.  Tive que ouvir que foi linda a experiência de Gisele Bündchen, mas que ela tinha todo o aparato médico à espera caso alguma coisa desse errado.   E por aí vai.  Acredito que a médica deva acreditar que a gente só pensa em parto natural, e, mais ainda, domiciliar para imitar a super modelo, assim como as mulheres só pensam em adoção para seguir o exemplo de Angelina Jolie... Triste, não?  Séculos de experiência das mulheres parindo e ajudando a parir jogados fora. E, depois, ainda vem gente me perguntar por qual motivo eu sou contra o Ato Médico?  Por isso aí, principalmente. Os médicos transformaram o parto em sua propriedade, em doença, desqualificando o trabalho de enfermeiras obstétricas (*melhor nem falar de parteiras*) e roubando das mulheres o protagonismo no parto.  Só que eu não sei se terei equilíbrio emocional para chegar ao parto normal, algo que seria melhor para o bebê e para mim, claro.  


Eu sei que posso e se não houver nenhuma complicação real – não essas mistificações – tudo irá bem.  No entanto, e isso faz parte do trabalho de destruição da autoconfiança das mulheres e da condução para uma cesariana rápida e segura, eu não sei se conseguirei chegar lá.  Como arrancar isso lá de dentro e levar a coisa de forma mais racional e, contraditoriamente, instintiva?  Eu sofro de ansiedade, não é à toa que tive que fazer auto-escola especial para tirar a carteira de motorista.  Minha fantasia maior era matar alguém; agora, minha fantasia horrorosa é submeter minha filha a um sofrimento desnecessário, talvez até mata-la em uma tentativa frustrada de parto normal.  Sei, loucura, excesso de preocupação, mas o fato é que hoje tive uma crise de ansiedade, uma das piores que já tive na vida.  Estava á caminho da igreja e entrei em pânico.  Tive que voltar para casa, quase caí em prantos e estou meio abalada até agora.  Sei o motivo, descrevi meu estado de ânimo, mas preciso superar isso.

Enfim, terça-feira converso com a doula de novo, quarta, com a minha psicóloga (*que é defensora do parto cesáreo limpo, rápido e civilizado*).  Vou ter que contratar os serviços de um obstetra particular que seja a favor do parto humanizado, ainda que continue me consultando no hospital militar com gente muito interessada e hábil em fazer cesarianas agendas todas as terças.  Estou com cinco meses, indo para seis, espero controlar meus nervos e não ter nenhum descompasso na saúde que me conduza à cesariana.  O fato é que assumir esse protagonismo no parto é difícil, especialmente, quando se foi educada para ver a questão como um ato médico e a mulher como um receptáculo.  Por mais que minhas reflexões feministas me permitam pensar a questão, eu não sei se meu emocional acompanha.  É triste ter que escrever isso, mas é assim que me sinto hoje.  Passou a crise de ansiedade, mas o medo continua enraizado bem firme aqui dentro de mim.

Ranking do Comic List


Este é o ranking do Comic List da semana de 16-22/06.  Está atrasada e eu publicarei logo em seguida o ranking desta semana.  Enfim, Chihayafuru é o único mangá feminino no top 30, mas manteve-se entre os dez mais vendidos sem grande esforço.   Em shoujo, nenhuma estréia de peso, tanto que o clássico interminável Ouke no Monshou garante o primeiro lugar.  O primeiro colocado da semana passada tinha sido Koi da no Ai Dano, que aparece em sexto.  Entre as estréias, destaco Pochamani, o mangá protagonizado por uma menina gordinha.  Em josei, temos uma semana na qual os josei tradicionais conseguem equilibrar com os mangás BL, não que estes não sejam maioria, mas não há uma grande diferença.  Esse Gin no Spoon não é o da autora de Full Metal Alchemist, é um homônimo.   Akumu no Sumu Ie Ghost Hunt é shoujo, sai na revista ARIA, e não é o único mangá que está no lugar errado.  Segue o ranking:

4. Chihayafuru #21

SHOUJO
1. Ouke no Monshou #58
2. Hana-kun to Koisuru Watashi  #6
3. Pochamani  #2
4. Watashi ni xx Shinasai!  #12
5. Zekkyou Gakkyuu  #14
6. Koi dano Ai dano #6
7. Megami no Libra  #3
8. Puzzle Game☆High School X #6
9. Tenshi x Mitsuzou EX  #4
10. Baroque Kishidan  #8
11. Boku wa Ookami。#5
12. Switch Girl!! #22
13. Tokubetsu Jiyugiyou wa Bita? Sweet?
14. Torikae Baya  #2
15. Usotoki Rhetoric  #1

JOSEI
1. Chihayafuru #21
2. Seito Shokun! Saishuushou Tabidachi  #8
3. SEX PISTOLS #7
4. Gin no Spoon  #7
5. Enma no Oshioki☆Juzu Play
6. Nessa no Chigiri - Himitsu no Oasis ni Torawarete
7. Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu #4
8. Kemono Joushi to Mitsuai Office
9. Kare no Tokubetsu na Kare
10. Akumu no Sumu Ie Ghost Hunt #1
11. Neko Panchi Nadesiko
12. Dokuhime  #5
13. Akinai☆Tamashii #2
14. E no Shima Waikiki Shokudou #5
15. Noda to Moushimasu。#5

Exposição em Kyoto conta a História dos mangás de Balé


O Comic Natalie trouxe hoje um longo post falando da exposição Ballet Manga ~Leap above the beauty~ (バレエ・マンガ ~永遠なる美しさ~ - Ballet Manga Eien naru Utsukushii~) e belas imagens do catálogo do evento.  Balé é tema de mangás desde os anos 1950 e não somente quando o assunto é shoujo ou josei, já que uma das séries em destaque é o excelente Subaru (昴), de Soda Masahito, um seinen mangá.  Talvez, para além da beleza e da associação recorrente ao universo feminino, o que fascine os mangá-kas seja a disciplina e o sacrifício que marcam a vida de todo bailarino ou bailarina que almeja chegar à perfeição de sua arte.   


A exposição é dividida em cinco partes: 1. A origem dos mangás de Balé (da Era Taisho ao início do Período Showa), que fala da chegada do balé ao Japão, os primeiros contatos já em meados do século XVIII (*sim, essa história de total isolamento do país é balela*) e o início das primeiras companhias no país;  2. A era dos Mangás de Balé (1950-1970), o boom dos mangás de balé associado ao desenvolvimento vigoroso dos shoujo mangá, com exibição de arte original de Macoto Takahashi, Miyako Maki, Yoko Kitajima, e Kimiko Uehara; 3. Um tempo de mudança para os mangás de Balé (Dos anos 1970 aos dias atuais), ênfase na ruptura artística promovida pelas artistas do grupo de 48, especialmente Ryouko Yamagishi com seu mangá Arabesque (アラベスク), de 1971; 4. O mangá de Balé se organiza Balé (Dos anos 1970 aos dias atuais), os mangás desse subgênero se aprofundam no drama e no desenvolvimento das personagens, destaque para os trabalhos de Kyoko Ariyoshi, Moto Hagio, Satoru Makimura, Megumi Mizusawa, e Masahito Soda; 5. Qual o destino dos mangás de Balé?, novas tendências e abordagens, foco em trabalhos como Bara no Sei  Ruzimatov ni Yose te (バラの精 ルジマトフに寄せて), de Mizuno Hideko, Patariro! Introduction to Ballet (ballet this and that), de Mineo Maya, entre outros.  Ao todo são mais de 120 imagens originais em exposição.


Além da exposição em si que vai de 13 de julho até 23 de setembro, haverá palestras sobre balé (com  Naoko Haga) e sobre os mangás de balé (com Tomoko Yamada, Naoko Haga, Yuri Konishi, Moyo Uzuki, Hosei Iwashita), um talk show com Mizusawa Megumi, autora de Toe Shoes  (トウ・シューズ) .  E uma aula de balé para principiantes (*maiores de 12 anos*) com profissionais do  Arima Ballet Company e do Kyoto Ballet Academy.  Para participar das atividades é preciso pagar a entrada do Kyoto International Manga Museum e se inscrever para as atividades que (*claro*) tem vagas limitadas.


Para quem olhar as imagens dos mangás no CN, as séries representadas são:  Arabesque (アラベスク) – Ryouko Yamagishi – 1971, Flower Festival  (フラワーフェスティバル) – Hagio Moto – 1988, Toe Shoes  (トウ・シューズ)  – Mizusawa Megumi – 1997, Do Da Dancin'! Venetia Kokusai-Hen (Do Da Danciin' ヴェネチア国際編) – Satou Makimura – 2007, Tokyo~Paris (東京~パリ) – Makoto Takahashi – s/d, Bara no Sei  Ruzimatov ni Yose te (バラの精 ルジマトフに寄せて) – Mizuno Hideko – s/d, Maki no Kuchibue (マキの口笛) – Miyako Maki – 1960, Futari no Erika (ふたりのエリカ) – Yoko Kitajima – 1967, Mariko no Uta (舞子の詩) – Uehara Kimiko – 1981, SWAN -Hakuchou-(SWAN -白鳥-) – Kyoko Ariyoshi – 1976 e Subaru (昴) – Soda Masahito – 2000.  Dos mangás representados, somente Subaru e Swan tiveram publicação no Ocidente e não sei de foram publicados completamente em algum país.  O catálogo da exposição está à venda no Amazon Japão, se aparecer no CD Japan ou no Hobbylink Japan, talvez eu compre.  A página da exposição tem versões em inglês e, obviamente, japonês.


sábado, 29 de junho de 2013

Filme Simplesmente Amor ganha versão japonesa


Simplesmente Amor (Love Actually, 2003) é um filme britânico de Natal simplesinho, gostosinho de assistir e com um elenco magnífico funcionando muito bem.  Quer ver?  Colin Firth (*que fala português!!!!*), Emma Thompson, Alan Rickman, Liam Neeson, Hugh Grant, Martin Freeman, Keira Knightley, …, e até Rodrigo Santoro, que não faz grandes coisas no filme... Mas quem se importa?  Love Actually é formado por uma série de histórias episódicas que, em algum momento, se entrelaçam.  É perfeito para assistir em uma tarde preguiçosa, ou na véspera do Natal. 

Enfim, segundo o Nippon Cinema, a versão japonesa do filme, chamada Subete wa Kimi ni Aeta kara (すべては君に逢えたから), será produzida para comemorar os 100º aniversário da Tokyo Station e estréia em dezembro de 2014.  O diretor será Katsuhide Motoki.  Já no elenco teremos: Hiroshi Tamaki, Rin Takanashi, Fumino Kimura, Masahiro Higashide, Tsubasa Honda, Miwako Ichikawa, Saburo Tokito, Nene Otsuka, Nenji Kobayashi, e Chieko Baisho.  É esperar para ver o resultado... ou não ver, porque nem sempre conseguimos esses filmes japoneses para assistir.  O filme será co-produzido pela Warner.

Rurouni Kenshin ganha mais dois filmes para os cinemas



Segundo imagem postada no Manga News, está confirmado que teremos dois novos live action de Rurouni Kenshin (るろうに剣心) nos cinemas japoneses no verão de 2014.  Desta vez, trata-se do Arco de Kyoto e Shishio aparece em destaque na ilustração da Jump SQ que vocês podem ver abaixo.  Não há informação mais concreta sobre os filmes, mas acredito que o elenco básico do primeiro filme de 2012 seja repetido e Takeru Satoh volte a encarnar o samurai.  O que me lembra que até hoje o filme está no meu HD para ser assistido... 


No momento, o mangá de Rurouni Kenshin está sendo republicado pela JBC em um formato bem mais digno do que o anterior e quem não pode ler a série na época em português, faz bem em colecioná-la agora que está tendo esta nova chance.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Marqueteiros da Warner tentam vender novo Super-Homem como filme religioso


Eu tinha lido sobre esta campanha de marketing em um site religioso brasileiro, mas o texto tinha sido produzido por um pastor maníaco (*e criminoso, porque é contra a vacinação obrigatória*) conhecidíssimo e eu não ia citar aqui no blog.  Para ele, trata-se de uma campanha oportunista e os pastores deveriam resistir a aderir a ela, caso fosse feita aqui no Brasil, também.  Só que ontem vi a questão comentada no ICV2 e há, também, matéria sobre isso no Daily Mail, no Forbes e no Christian Post (*que foi a fonte do texto do tal pastor*).  Sessões especiais para pastores e religiosos foram promovidas pela Warner, que também criou manualzinho com sermões prontos com analogias entre a história do Super-Homem/Clark Kent e Jesus Cristo.  Assim, só não vou dizer que é demais para mim, porque estou ciente que lá nas origens da personagem tais analogias foram detectadas, só que, boa parte dos religiosos, era crítica ou assumia uma postura muito refratária em relação ao que consideravam um desrespeito ou heresia mesmo.


O que as matérias sobre a campanha da Warner vêm apontando é que muitos desses pastores – sim, o alvo são os evangélicos e protestantes mesmo – estão gostando dessa atenção especial e até dizendo que irão utilizar o filme para evangelização de crianças e jovens.  Há quem critique, claro!  Afinal, trata-se do uso descarado da espiritualidade para colocar dinheiro nos cofres da Warner.  A última vez que uma campanha do gênero foi feita, o filme, pelo menos, estava OK, afinal, era A Paixão de Cristo de Mel Gibson.  Minha opinião é que se trata de uma estratégia bem vil e desrespeitosa, mas só mostra o quanto a religião pode ser mercantilizada e como os líderes religiosos aderem sem refletir muito sobre o assunto, pois o que deve estar pesando é a sensação de que estão olhando para o nosso grupo, logo, somos importantes.


Enfim, aqui no Brasil o filme só estréia em 12 de julho, creio eu.  Não estava no topo da lista dos filmes que eu iria assistir, agora, saiu d evez.  Primeiro, não sou fã do Super-Homem; segundo, porque essa coisa de tentar enfiar religião goela abaixo das pessoas para ganhar dinheiro me causa repulsa e só deve sinalizar que os produtores do filme não se garantiam muito no produto que tinham em mãos.  Gastarei meu dinheirinho com outros blockbusters que estão para estrear, como The Wolverine.  

Revista Melody completa 30 Anos



O Comic Natalie informou que a revista Melody comemora seus trinta anos com uma edição especial.  O brinde é um apêndice ilustrado em tamanho B5 com ilustrações de obras importantes de suas autoras de maior destaque: Kaguya Hime (輝夜姫) e Himitsu  - Top Secret (秘密 -トップ・シークレット-) de Reiko Shimizu, Warau Daitenshi Mikaeru (笑う大天使ミカエル ) e Bremen II (ブレーメンII) de Izumi Kawahara e Tenkuu Seiryuu ~Innocent Dragon~ (天空聖龍~イノセント・ドラゴン~) Viehmannin wa Utau  (フィーメンニンは謳う) de Miyuki Yamaguchi.  


Se entendi bem, começa nesta edição mais uma continuação de Hanasakeru Seishounen (花咲ける青少年), de Natsumi Itsuki, que é capa da revista.  Na mesma edição, temos capítulos de Himitsu (秘密) e Daiku (第九), de reiko Shimizu.  Se entendi bem o CN, eles serão publicados no volume prequel de Himitsu – Himitsu The Genesis  (秘密 Genesis 創世記) – que sai no dia 28 de agosto.  E na edição de outubro da revista, Shimizu estréia uma nova série, a primeira em 14 anos, chamada Cold Blooded – Reiketsu (Cold Blooded – 冷血).


Artbook de Makai Ouji em Setembro


O anime de Makai Ouji: Devils and Realist   (魔界王子 devils and realist), de Takadono Madoka e Yukihiro Utako, está prestes a estrear na TV japonesa.  Por conta disso, é produtos e eventos devem ajudar a alavancar as vendas e atrair a atenção.  Por conta disso, o Comic Natalie anuncia que além do volume #7 da série em versão normal e limitada publicado esta semana, no dia 25 de setembro será lançado o artbook da série com a arte de Yukihiro Utako.  Para comemorar, teremos quatro sessões de autógrafos com a autora em lojas da Animate em Sapporo (29/09), Nihonbashi (26/10), Yokohama (02/11) e Fukuoka Tenjin (21/12).


Coleção de capas de Celular de Sailor Moon


Dentro das comemorações dos 20 aos de Sailor Moon (美少女戦士セーラームーン), a Bandai decidiu lançar uma coleção de capas de celular da série. O legal é que, pela primeira vez que eu veja, é algo que não se restringe aos iPhone, há capas para smartphones Samsung e para os Xperia.  São dez modelos ao todo e, pelo que entendi do Comic Natalie, há versões de todas elas para todos os modelos de celular a seguir:  iPhone4 e 4S, iPhone5, Xperia Z S0-02E, Xperia A S0-04E, GALAXY S III e IIIα, GALAXY S4 SC-04E.  O preço é 2100 ienes e as capas estão em pré-venda a partir de hoje.  Pena que eu não tenho nenhum desses modelos.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Editora NewPOP está recebendo trabalhos


A página da NewPOP está com uma seção com informações úteis para quem desejar submeter algum trabalho para avaliação de publicação.  A editora publica material nacional, vide os trabalhos do Studio Seasons, mas já anunciou produtos e meses depois ainda não os lançou.  Não falo isso para desanimar ninguém, mas para alertar especialmente aquel@s que acreditam que seu trabalho é bom o suficiente para ser publicado.  É preciso paciência, dedicação e, sim, saber no que ceder e o que exigir.  De qualquer forma, seguem as informações contidas no site da editora.  Boa sorte aos interessd@s!   
- A NewPOP Editora não cobra nada do autor para publicar seu trabalho. Obviamente, se o mesmo despertar nosso interesse, faremos todos os investimentos possíveis para a lançamento do mesmo, desde a produção e comercialização até a divulgação da obra.
- Não aceitaremos o envio de originais.
- É fundamental que seu projeto se encaixe em nossa linha editorial. Não avaliamos ideias ou conceitos, apenas trabalhos que já estejam prontos ou em produção.
- Somente analisaremos materiais acompanhados de todos os dados corretamente preenchidos.
- Se houver interesse em avaliar sua obra, a editora entrará em contato com você. Caso contrário, não haverá contato.
- Envie os seguintes dados e arquivos para a análise via e-mail para projetos@newpop-editora.com.br com o título “Projeto: Título do Trabalho”:
Uma página contendo as informações de contato do autor (nome completo, idade, telefone, endereço residencial e email); uma página com sinopse do trabalho e dados complementares (formato, número de páginas, se o mesmo será colorido ou preto e branco); nove páginas do seu trabalho já pronto (ou seja: com roteiro, desenhos e balões finalizados).
Os arquivos deverão ser enviados em um PDF de no máximo 150 dpi de resolução ou em arquivos .jpeg com 100 dpi de resolução. Mensagens contendo arquivos compactados não serão aceitos. Mensagens maiores que 5mb serão excluídos automaticamente.

Jane Eyre pode ganhar uma versão moderna para os cinemas


Segundo o Hollywood Reporter, a Fox 2000 comprou os direitos de uma graphic novel, que nem foi lançada ainda,  chamada Rochester.  Para adaptar o quadrinho da Archaia Publishing foi contratada a roteirista de O Diabo Veste Prada e Compramos um Zoológico, Aline Brosh McKenna.  O editor-chefe da Archaia, Stephen Christy, participará da produção excecutiva do filme.  Também está envolvido na execução do filme Simon Kinberg, que é parceiro de McKenna na produção do filme X-Men: Days of Future Past.  Outra parceria Kinberg, McKenna e Christy é a adaptação de uma série de ficção científica da Archaia chamada Rush para a 20th Century Fox.

Sinceramente?  Eu acho um pouco difícil uma adaptação moderna de Jane Eyre, que é a história de uma órfã, que se torna governante, e vai trabalhar para um homem misterioso e que tem uma “louca no sótão” (the madwoman in the attic).  Não se trata de uma história que pode ser reduzida, em linhas gerais, a um mal entendido em relação ao caráter de alguém, como no caso de Orgulho & Preconceito, mas uma história que tem firmes raízes na Era Vitoriana e em uma série de discussões sobre classe, religião e, claro, a questão da igualdade entre homens e mulheres.  Sei lá, não levo muita fé, não.

Ranking da Oricon


Saiu o ranking da Oricon e, infelizmente, só temos dois mangás femininos entre os trinta mais vendidos da semana.  Chihayafuru conseguiu permanecer no top 10 e eu aposto em pelo menos mais uma semana.  O outro mangá é o clássico interminável Ouke no Monshou.  Hosokawa Chieko é muito constante na publicação da série, mas eu temo que a autora morra e a deixe inacabada, afinal, ela começou sua carreira lá nos anos 1950... 

6. Chihayafuru #21
21. Ouke no Monshou #58

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Anthology e Fanbook de Karneval


O Comic Natalie anunciou que ontem foram lançados no Japão uma antologia em quadrinhos e o fanbook oficial da série Karneval (カーニヴァル). Além da autora, Mikanagi Touya, outras mangá-kas contribuíram para a antologia, como Yun Kouga, Katagiri Ikumi, Kisaragi Yoshinori e Kumeta Natsuo. Segundo o CN, ambos os livros são fundamentais para os fãs da série.

Tonari no Kaibutsu-kun não terminou


A série Tonari no Kaibutsu-kun (となりの怪物くん), que teve sua fama multiplicada pelo anime, terminou na última edição da revista Dessert. No entanto, segundo o Comic Natalie, a série da mangá-ka Robiko terá um gaiden que começa na edição de outubro.  O volume final da série regular, o #12, será lançado em 12 de agosto em versão normal e limitada, que vem com um episódio animado em DVD.  Já a edição que está a venda, e que tem uma capa muito bonita, traz um booklet de Tonari no Kaibutsu-kun com cards dos personagens masculinos da série.  


terça-feira, 25 de junho de 2013

Jane Austen pode ilustrar as novas notas de 10 libras


Uma matéria da BBC está especulando que Jane Austen pode se tornar o próximo rosto nas notas de £10 do banco da Inglaterra.  Pelo que entendi, as notas de libras, ou pelo menos algumas delas, saem de cena de tempos em tempos e servem para homenagear gente importante.  Um dos problemas é que a maioria dessa gente importante é do sexo masculino, claro.  Uma controvérsia rolou quando Winston Churchill foi eleito por pesquisa – que nunca foi muito bem explicada, segundo a BBC, para ilustrar a nota de £5.  Saiu a reformadora social Elizabeth Fry e entrou o primeiro-ministro.  Agora, quando Darwin deve sair da nota de £10, há forte campanha para que Austen entre em seu lugar já que comemoramos o bicentenário de Orgulho & Preconceito.


O problema é que existe gente que considera que Austen não é assim tão importante e existem mulheres que merecem mais, tipo Agatha Christie, ou George Eliot, ou Ada Lovelace, ou Mary Wollstonecraft, ou ... A lista pode ser infinita.  De qualquer forma, acho muito importante que seja, sim, uma mulher independente de ser cientista, sufragista ou escritora (*princesas e rainhas, podem voltar para a fila!*), é preciso dar visibilidade às mulheres e mostrar que, sim, elas também tiveram e tem importante papel na História do Reino Unido e do resto do mundo.  Só que pode ser, e ninguém parece cogitar, que Margaret Thatcher apareça como azarão.  Afinal, ela morreu este ano e muita gente a está exaltando, entre outras coisas, por recusar a implantação do euro na Inglaterra.  Vamos esperar. :)

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Dois animes shoujo estréiam em julho


A temporada de verão japonesa está prestes a começar e, além do anime dos nadadores moe, teremos Brothers Conflict (ブラザーズ コンフリクト), que sai na revista Sylph, e Makai Ouji: Devils and Realist  (魔界王子: Devils and Realist), série da revista josei Comic Zero-Sum.  


Brothers Conflict é uma história harém reverso.  Nada estranho, já que é publicada em uma revista especializada em material derivado de ou que pode se tornar game para garotas.  E tanto as japonesas, quanto os japoneses, curtem games de relacionamento, os date simulators.  Pois bem, em Brothers Conflict temos uma adolescente, Ema Hinata, cujo pai vai se casar outra vez.  A nova esposa, Miwa Asahina, é uma empresária bem sucedida que tem 11 (ONZE) filhos, obviamente, lindos e com personalidades diferentes, o mais velho com 32 e o mais novo com 12 anos (!!!!!!).  A menina pretende conviver pacificamente com sua nova família, mas a tensão se estabelece nesse reino que antes era absolutamente masculino.


Já Makai Ouji: Devils and Realist, que começou como game, tem como protagonista o jovem órfão William, que, além de lindo, é dotado de um intelecto superior.  Um dia, seu tio o comunica que a família faliu e ele, temendo que o nome da família seja destroçado pelo escândalo, retorna para a mansão de seus ancestrais em busca de qualquer coisa valiosa que possa diminuir o prejuízo.  Com a ajuda do mordomo, ele faz uma busca pela casa e encontra um quarto selado, ao romper o selo, ele liberta um demônio, Dantalion, que diz que o rapaz, por direito, pode se tornar o governante de um reino cheio de seres mágicos e, provavelmente, perigos, também.


Brothers Conflict estréia no dia 3 de julho e Makai Ouji: Devils and Realist  no dia 8 de julho.  Acredito que o primeiro fique mais no nicho feminino mesmo, mas o segundo tem tudo para atrair uma forte audiência masculina.  Aí embaixo, para quem se interessar, os 15 principais animes que estréiam esta temporada.

Mangá de Go Ikeyamada ganha linha de perfumes



Kobayashi ga Kawai Sugite Tsurai!!  (小林が可愛すぎてツライっ!!)  é o mangá atual de Go Ikeyamada  na revista Sho-Comi.  Segundo o Comic Natalie, foi lançado no dia 20 de junho um perfume – que eu duvido que será o único – temático da série.  O perfume custa 4000 ienes e a última edição da Sho-Comi explica como adquiri-lo, assim como a página do mangá.  Quem comprar o perfume, e é possível encomendá-lo até 5 de agosto, ganha uma imagem especial autografada pela autora.


domingo, 23 de junho de 2013

Exposição em Kyoto celebra clássicos do Shoujo Mangá


O Comic Natalie anunciou que entre os dias 22/06-22/10 haverá uma exposição das obras de Hanamura Eiko, Fujii Chiaki e Chiba Tetsuya, no Kyoto International Museum.  O nome do evento, que traz trinta reproduções de originais de cada autor, é Genga’ (Dash) Exhibition Series With Valor and Cuteness. No dia 22 de setembro, 10 da manhã, haverá uma mesa redonda sobre os trabalhos de Hanamura Eiko e Tetsuya Chiba presidida por Takemiya Keiko, que é professora da Kyoto Seika, primeira universidade com cursos acadêmicos focados em mangá, e uma das maiores mangá-kas da geração que revolucionou o shoujo nos anos 1970.  Para este evento há 250 lugares que serão distribuídos por ordem de chegada.  A entrada da exposição é paga: 800 ienes para os adultos, 300 ienes para os colegiais, e 100 ienes para as crianças do ginásio e fundamental.  Deve ser uma lindeza. :)


Assista Arina Tanemura trabalhando


Volta e meia é postado no Youtube o vídeo de algum mangá-ka trabalhando.  Acho que o videozinho mais famoso é o de Kaoru Mori.  Pois bem, está no ANN um videozinho de Arina Tanemura colorizando uma das capas do mangá Neko to Watashi no Kinyobi (猫と私の金曜日).  Este mangá é capa da Margaret deste mês, aliás, Tanemura é capa da The Margaret, também, ou seja, ela está em evidência... se é que alguma vez ela não esteve lá no Japão.  Falando em Margaret, há um booklet especial com ilustrações feitas por Tanemura.  Para os fãs dessa mangá-ka, trata-se de um presente.

Versão de game de Durarara!! Estréia em formato mangá

Durarara!! (デュラララ!! ) é uma franquia bem sucedida no Japão com mangá, livros, games e anime.  Agora, segundo o Comic Natalie, estréia na revista Sylph – que é voltada para garotas que gostam de games – uma versão mangá do jogo de PSP Durarara!! 3-way Standoff (デュラララ!! 3way standoff -alley-).  A autora do projeto é Fujiya Izuco .  Segundo li, essa versão de  Durarara!!   Expande a história original.


sábado, 22 de junho de 2013

Comentando Minha Mãe é uma Peça (Brasil, 2013)


Ontem, por uma confusão de horário, não consegui assistir Minha Mãe é uma Peça.  Algo me dizia que era o tipo de filme que me ajudaria a desestressar dessa loucura (*que não sabemos onde vai dar*) que varre o país.  Sim, eu queria uma hora e meia de alienação barata.  Hoje, depois de uma manhã muito legal, fui com meu marido assistir o filme.  E, bem, assim como Sandra Rosa Madalena de Sidney Magal, música mais forte da trilha do filme, minha Mãe é uma Peça é trash, deliciosamente trash.  Como já escrevi em algum lugar, por qual motivo podemos ter tanta tolerância com péssimas comédias americanas e sermos tão críticos em relação ao produto nacional?  Pois é, eu não tenho vergonha de escrever que filmes como Minha Mãe é uma Peça valem cada centavo que puderem ganhar.  Se quiser, leia o texto ao som de Sidney Magal. ^__^ 


O básico da história é o seguinte: Hermínia (Paulo Gustavo) é uma dona de casa de meia idade, divorciada do marido (Herson Capri), que a trocou por uma mais jovem (Ingrid Guimarães) e totalmente perua. Na falta de algo melhor para fazer, ela não larga o pé de seus filhos Marcelina (Mariana Xavier) e Juliano (Rodrigo Pandolfo), lamentando sempre que o filho mais velho, Garib (Bruno Bebianno) mal se formou, casou e mudou-se para Brasília. Um dia, após descobrir que os dois filhos adolescentes a consideram uma chata e preferem a madrasta, Hermínia some de casa e vai se abrigar na casa de sua tia Zélia (Sueli Franco), deixando os filhos tentarem em vão se virar sem ela.  Enquanto se mantém afastada de casa, Hermínia passa em revista vários momentos de sua vida.

Minha Mãe é uma Peça saiu do teatro par ao cinema.  O monólogo do ator Paulo Gustavo está em cartaz desde 2004 e tinha como inspiração a mãe do próprio comediante.  Uma versão, imagino eu, mais moderada da Dona Hermínia.  O filme em si é simples e despretensioso, na verdade, várias enquetes amarradas por um roteiro muito ralo.  Só que a maioria dessas enquetes cômicas funciona e muito bem, ainda que boa parte delas seja infame,expressando vários (pre)conceitos arraigados no imaginário brasileiro, já as escatológicas foram poucas e eu agradeço.  Algumas, como a hilária seqüência da festa do pijama na boate em que Hermínia vai buscar a filha adolescente, foram inspiradas  em “fatos reais”, outras, segundo o autor, foram invenção mesmo.  Falando na tal festa, a parte em que a mãe obriga o filho a tirar as calças para poder entrar junto com ela, já que ele não estava “vestido à caráter”, é melhor que a parte que rola no interior do estabelecimento. 



Acho que todo mundo vai reconhecer um pouco da mãe ou do pai em algumas passagens do filme; talvez, se reconheça como filho ou filha, também.  Minha mãe, por exemplo, dizia que se eu ou meu irmão a fizessem passar vergonha, ela nos envergonharia em dobro.  Nunca paguei para ver, como os filhos de Dona Hermínia... O talento do protagonista é fundamental para o sucesso do filme, não posso negar, mas os coadjuvantes se viram bem mesmo no pouco tempo em que Paulo Gustavo não está em cena.  

Dona Hermínia é totalmente neurótica e possessiva em relação aos filhos, afinal, eles são sua vida.  Se eu for analisar sob uma ótica feminista – e eu não posso abrir mão disso – a vida da protagonista é um fracasso, afinal, depois de tanta dedicação ao marido e filhos sobrou somente a frustração e a culpa de alguém que não tem outros objetivos, não tem uma vida própria.  Ela guarda rancor do marido, Herson Capri, que faz um coroa charmoso que coloca o Antônio Fagundes e o José Mayer no chinelo, e a trocou por uma mulher bem mais jovem e igualmente intragável.  Ela tem mágoa do filho mais velho que sempre foi independente e, tão logo pode, caiu fora do antro de loucos que é a casa materna.  E temos os filhos mais novos que, ao contrário do primogênito, são totalmente dependentes da mãe, mas ingratos.  A pior relação é com a filha, que culpa a genitora (*com certa razão*) por ser obesa, alegando que somatizou vários traumas.  Hermínia só se liberta quando consegue encontrar alguma satisfação pessoal que não dependa da família.  Há até uma mudança na empregada, prestem atenção!  Mas se eu contar, estrago um pouco o filme.


Esse antagonismo com a filha tem bons e maus momentos, mas normalmente passam pela humilhação da garota e a constante referência ao fato de ser gorda, porca, burra e desastrada.  Agora, somente Hermínia pode esculachar a menina, ai do estranho que o fizer!  A gordofobia (*ou lipofobia*) do filme é um problema, mas confesso que não consegui deixar de rir de boa parte das piadas.  E a moça não se intimida, ser gorda para ela não parece ser um problema. Marcelina na infância é interpretada por Ana Karolina Lannes, a menina que fez sucesso em Avenida Brasil. Eu que fui gorda e desastrada na infância me senti solidária com a personagem em alguns momentos, mas quem costumava me esculhambar em público por causa disso não era minha mãe, mas meu pai.  A melhor cena da menina é quando ela troca a bicicleta rosa por uma coxa de peru no Natal...

A cena da bicicleta rosa, que acaba sendo apropriada por juliano, serviu para ilustrar a homossexualidade precoce do filho favorito de Hermínia.  Mãe e pai se esforçaram para que ele pudesse desenvolver interesses “masculinos”, mas tudo foi em vão, o garoto não tinha “cura”.  É clichê, eu sei, mas a forma como a coisa é encaminhada é muito leve e engraçada.  Hermínia sabe que o filho é gay, acha o namorado do filho “um brotinho” (*e louva seu bom gosto em privado*), mas não admite para ninguém a orientação sexual do filho.  Não reprime, não ofende, mas se o assunto vem à tona, simula um desmaio.  Já o garoto faz o possível para que a mãe não descubra.  Ridículo, eu sei, mas ao contrário da gordofobia reforçada no filme, não há um discurso homofóbico perpassando a película.  Tanto Juliano, quanto Marcelina, são dependentes da mãe para tudo, preguiçosos e mimados, sobreviver sem Dona Hermínia é impossível. 


O filme cumpre a Bechdel Rule?  Sem dúvida!  Descontado o fato de Dona Hermínia ser interpretada por um homem, temos um monte de personagens femininas com nomes e que conversam sobre um monte de coisas.  Hermínia quebra o pau com as vizinhas – e Mônica Martelli foi subaproveitada – e a síndica autoritária, é acolhida pela compreensiva Tia Zélia, e vive uma relação de amor e ódio com a irmã, Iesa (Alexandra Richter).  Com Soraya, a personagem de Ingrid Guimarães é só ódio... Agora, algumas das melhores cenas são de Samantha Schmütz, a empregada Valdéa, que é dividida pelas irmãs.  Quando o telefone toca e Hermínia pergunta se ela não vai atender, a funcionária responde na lata “Não, a ligação não é para mim!”.  Trata-se, claro, de outro clichê, já que a empregada impertinente é recorrente na ficção brasileira, mas diverte.

De resto, não duvidaria de um segundo filme, com Hermínia paparicando o neto ou neta que vai nascer e comprando “papinha unissex” para o bebê, ou a personagem de Herson Capri tentando reconquistar a ex-mulher.  O fato é que a insatisfação que eu senti ao ver o cheio de estrelas Um Golpe Perfeito foi esquecida com o simples e divertido Minha Mãe é uma Peça.  O filme poderia até ser um tiquinho mais longo, afinal, as quase uma hora e meia voaram sem que eu nem percebesse.

Ranking do Comic List


Eu estou deixando passar vários rankings do Comic List sem postar, então, mesmo com atraso, estou publicando o ranking da semana do dia 9-15 de junho.  No top 30 geral um josei e um BL: Chihayafuru, em segundo lugar, e SEX PISTOLS, em vigésimo-primeiro.  Em shoujo não houve grandes novidades, Koi dano Ai dano continuou em primeiro, o que mostra que nenhum dos títulos que estrearam tiveram força para aparecer em melhor colocação.  De notável a confusão de sempre, temos cinco josei no ranking de shoujo, mangás da Flowers ou da Anekei Petit Comic, em josei, tem mangá da revista ARIA.  Deixei a indicação ao lado.  De qualquer forma, há boa representação de mangás josei no ranking desta semana, especialmente, séries da revista ITAN.  O domínio, claro, é de Chihayafuru.

SHOUJO
1. Koi dano Ai dano  #6
2. Hana-kun to Koisuru Watashi #6
3. Torikae Baya  #2 (josei)
4. Anata no Omocha 〜Shinkonhen〜 #3 (josei)
5. Angel Trumpet  #2  (josei)
6. Robin ―Kaze no Miyako no Shitei ― #3
7. Hinoko #2
8. Tsukikage Baby  #1(josei)
9. Uso Kano #1
10. Sono Onna ni Koisuru Bekarazu #1 (josei)
11. Ookami Shoujo to Kuro Ouji  #6
12. Ouke no Monshou #58
13. Switch Girl!! #22
14. Koichirakashite  #2
15. Himitsu no Ai-chan  #10

JOSEI
1. Chihayafuru #21
2. SEX PISTOLS #7
3. Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu  #4
4. Nanami 18-sai Mama ni Narimashita  #2
5. Kare no Tokubetsu na Kare
6. Kanbi na Kamiato
7. Hakui no Kyouhansha
8. Dame na Otona desu ga  
9. Kumu no Sumu Ie - Ghost Hunt  #1
10. Seito Shokun! - Saishuushou Tabidachi #8
11. & #6
12. Teion Blanket  #2
13. Papa wa Warui Otoko  
14. Magnolia #6 (shoujo)
15. Tempest #4

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Gakuen Alice chega ao seu final


Ontem foi publicado o ultimo capítulo de Gakuen Alice (学園アリス ) na Hana to Yume.  Segundo o Manga News, o volume #30 da série sai no dia 20 de agosto e o último, o #31, será lançado em 20 de setembro.  Além disso, o segundo artbook da série, chamado Gakuen Alice Illustration Fan Book ─ Sotsugiou ─ (学園アリス イラストファンブック─卒業─) sai no dia 19 de julho, de acordo com o Comic Natalie, e vai ter sessão de autógrafos no dia 28 de julho durante a 25ª Tokyo Animate Ikebukuro.



Lançado o primeiro trailer do filme de Glass Mask


Se você acompanha o blog, sabe que eu acho essa paródia de Glass Mask (ガラスの仮面) uma grande bobagem.  Só que parece que a brincadeira faz sucesso e, por conta disso, estréia um filme nos cinemas no dia 22 desse mês.  No filme Glass no Kamen Desu ga Onna Spy no Koi! Murasaki no Bara wa Kiken na Kaori!? (ガラスの仮面ですが THE MOVIE 女スパイの恋! 紫のバラは危険な香り!? ), Ayumi é uma super modelo, a Senhorita Tsukikage é professora de yoga e Maya serve lamen... No entanto, essas vidas comuns servem para encobrir o fato das três serem agentes secretas e formarem o grupo Crmison Godesses.  No mínimo, Masumi é o chefe secreto ao estilo As Panteras... Enfim, no trailer é possível ouvir a música tema, "Kamen no Utage" de Takamiy.  Só lembrando, a série original de Suzue Miuchi começou a ser publicada em 1975 e em 2009 a autora disse que estava na hora de terminá-la, PORÉM não terminou.  O trailer está aí embaixo.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Ranking da Oricon



Saiu o Ranking do Oricon e temos cinco mangás femininos entre os trinta mais vendidos, dois josei, dois shoujo e um BL.  Chihayafuru aparece em segundo lugar e, se tudo correr bem, deve ficar no top 10 pelo menos por mais uma semana.  Ainda entre os dez mais vendidos está Hana-kun to Koisuru Watashi.  O shoujo clássico interminável, Ouke no Monshou, apareceu em 20ª posição.  Depois, vem o BL Sex Pistols e, fechando o grupo, o gaiden de Seito Shokun!  Shingeki no Kyojin continua com seus dez volumes entre os 30 mais vendidos, ou seja, continuam em jogo somente vinte posições.  Por quanto tempo, eu não sei.  

2. Chihayafuru #21
9. Hana-kun to Koisuru Watashi #6
20. Ouke no Monshou #58
25. Sex Pistols #7
30. Seito Shokun! ~Saishuushou Tabidachi~  #8

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Riyoko Ikeda ensina a desenhar na revista Oekaki Gumi



A revista Oekaki Gumi da Shogakukan parece – eu não tenho certeza – destinada a crianças (*meninas*) que gostem de pintar e desenhar.  No especial de junho da revista, segundo o Comic Natalie, a atração principal é um curso dado por Ryoko Ikeda, que ensina a desenhar algumas ilustrações da Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら).  Pela imagem do CN, trata-se do traço original do mangá e não daquele que a autora passou a usar depois.  Se entendi bem, o foco é em como desenhar uma princesa, no caso, Maria Antonieta.  Além disso, dois screentone seals (*espécie de carimbo ou adesivo*) da Rosa de Versalhes estão inclusos nesta edição. Além de Ikeda, há material, acredito que imagens para colorir, de Miho Obana, Yuu Yabuchi, Asabuki Mari, Ikeno Koi, Jinko, Kodaka Nao, Yamamoto Lun Lun, Asami, Mori Chikako, Jinna Mai, Kanaki Shiori, Monchii e Pop.


Falando na Rosa de Versalhes, o gaiden desenhado por Ikeda para as comemorações dos 50 anos da revista Margaret foi republicado.  E a diferença é que uma página colorida foi acrescentada.  Como eu imaginava, o traço utilizado pela autora é o seu atual e, não, aquele que a consagrou nos anos 1980.  Há outra imagem no ANN, caso queiram checar.  Sinceramente?  Acho uma pena.